Zoando Os Sete Reinos
4 Mão boba
Notas iniciais
–Arya, você foi rápida... -Falei enquanto abria a porta e me surpreendi em ver que não era Arya. — Senhorita Sansa. -Sansa é uma menina muito bonita, com maçãs do rosto salientes, olhos azuis vivos e um longo cabelo ruivo.
–Minha mãe pediu para perguntar se não queria nada. -Disse com uma voz doce, mas seus olhos diziam o contrário. Ela não queria estar ali.
–Não preciso de nada, Senhorita Sansa. Agradecerei a Senhora Stark assim que puder.
–Agatha! Agatha! Elas já vêm. Só não consegui encontrar uma roupa que servisse para você. Acho que vou... -Arya veio gritando e correndo pelo corredor. Logo avistou sua irmã -Sansa? O que faz aqui?
–Vim porque a nossa mãe me pediu. -Respondeu asperamente. -Já sei do que precisa. Trarei uma roupa para você.
–Obrigada, Senhorita Sansa. -Agradeci e ela saiu rapidamente.
–Ela é uma idiota. Eu a odeio. -Arya falou bruscamente.
–Arya! Ela é sua irmã...
–Você viu o jeito que ela falou com você?
–Sim, mas, não é razão para odiá-la. -Expliquei.
–Ela está com ciúmes. Você chegou aqui e todos só falam de você.
–Tomara que não sejam coisas ruins... -Rezei. -Hey, Arya, meu celular está aqui. Quer ouvir alguma música?
–Não gosto muito de música. Os cantores só tocam com harpas e coisas assim. — Resmungou.
–Pois então você vai gostar dessas! -Peguei meu celular e coloquei um rock e coloquei no volume máximo.
–É legal, mas, não creio que dê pra dançar essa música... -Fez uma careta.
–Por isso é que só temos que pular e balançar a cabeça... Assim. -Mostrei como ela devia fazer.
–Parece mais divertido que a dança que nós aprendemos... -Foi ai que começamos a dançar. Acabei por tirar minha jaqueta e jogar em cima da cama. Começamos a dançar pelo quarto todo. Pulávamos, riamos e nos divertimos. Nisso, vieram duas moças para colocar água quente num tipo de banheira. Como a água estava um pouco quente demais. Dancei mais um pouco com Arya. Ouvimos alguém bater na porta. Abri a porta. Era Sansa novamente.
–Que barulho é esse? -Disse com repugnância. Ela estava segurando um vestido verde claro nas mãos e sapatos na outra. Pareciam sapatilhas, mas, bem rústicas.
–É Rock, Senhorita Sansa. -Quase sussurrei. Acho que fiquei com medo de ela ficar irritada.
–Rock? -Viu que era algo do meu “mundo” e recuou. -Esqueça. Aqui está o vestido. O jantar será daqui a uma hora. Se apressem. -Virou-se e saiu.
–Arya, acho melhor você ir se arrumar. Não quero que se atrase por minha causa.
–Tudo bem. Mas, por favor, se sente ao meu lado hoje na mesa. -Fui até ela e lhe dei um beijo na bochecha.
–Se apresse... -Nós rimos e ela saiu.
É a primeira vez que tomo banho em uma banheira assim. Tirei minha roupa e a deixei dobrada sobre a cama. Entrei na água. A temperatura estava perfeita. Não sei o que tinham colocado dentro dela, mas o aroma era agradável. As moças me entregaram um tipo de escovão e um pano. Uma lavou meus pés com o escovão e a outra, meus cabelos. Mergulhei totalmente dentro da água e, ao sair, me senti totalmente limpa. Saí e me enxuguei com um tipo de toalha. Minha pele, antes suja de terra, agora estava como porcelana. Coloquei a roupa íntima e uma saia longa. Logo depois, as moças me ajudaram a colocar o espartilho que combinava com a saia e, por cima, um vestido longo com mangas compridas. Seu decote era ousado comparado aos que vi hoje. O tom verde do vestido fazia meus olhos se destacarem. Pus as “sapatilhas” nos pés e me sentei em frente a uma penteadeira com espelho que havia perto da cama.
–A Senhorita quer que uma de nós penteie seu cabelo? — Falou a moça olhando para baixo.
“Será que elas são treinada pra não olhar para os outros?” pensei.
–Seria ótimo. Muito obrigada. -Sorri. Elas começaram a escová-lo.
“Será que tenho maquiagem na bolsa?” -Perguntei a mim mesma.
Peguei a bolsa e comecei a procurar. Achei um gloss labial transparente.
“Já é alguma coisa...”
Passei o gloss nos lábios e dei leves apertões nas bochechas para ficar um pouco corada. Quando havia terminado, as garotas já tinham terminado meu cabelo e ele estava quase seco. Estava do jeito que gosto: liso na parte próxima a raiz e cacheado nas pontas. Como ele é de uma cor entre loiro e castanho claro, me dava um ar mais angelical. Me levantei.
–Obrigada, Senhoritas. -Fiz uma reverência de brincadeira e abracei cada uma delas, que por acaso pareceram ficar com vergonha, pois coraram na hora.
–Não há de que, Senhorita.
–Como se chamam? -Elas era parecidas. Provavelmente irmãs. Pele clara, cabelos escuros e olhos castanhos.
–Sou Bree e esta é minha irmã Carmel.
–Sou Agatha. Por favor, me chamem pelo meu nome. Obrigada Bree e Carmel. Acho que se não sair agora, estarei muito atrasada, não é verdade? -Ri. -Vocês podem me dizer onde que é o jantar?
–Claro, Senhori.. Agatha.
Saímos do quarto e elas me guiaram até um salão imenso com uma mesa gigantesca no seu centro.
–Obrigada. -As agradeci e se despedindo, foram embora.
–Agatha!!! -Ouvi a voz de Arya me chamando. Procurei e a vi nas cadeiras do início da mesa acenando para mim. Fui até ela. — Esse é o seu lugar. — Puxou uma cadeira que estava vazia ao seu lado. Entre ela e Jon. — O vestido de Sansa ficou melhor em você do que nela. — Sansa estava a nossa frente com 4 amigas. Por sorte, nenhuma delas ouviu.
–Você ficou muito bem com as roupas das mulheres da nossa época. -Jon falou e eu corei.
–Ficou mesmo... Está maravilhosa. -Greyjoy falou com uma voz mais provocante.
–Olha você fazendo isso de novo... -Robb estava entre Jon e Greyjoy. Não aguentei e ri.
–Nem vou perguntar sobre o que os senhores estão falando... -Admiti. Vi Bran sentado ao lado de Arya. Então decidi cumprimentá-lo. -Bran. Como está?
–Bem... -Falou desanimadamente.
–Ele não conseguiu acertar o alvo na arquearia... -Sussurrou Jon em meu ouvido.
–Entendo. Mas ele conseguirá. Se tiver determinação... -Sussurrei de volta com confiança.
–Estão cochichando o que? — Arya quis saber.
–Nada. -Respondemos ao mesmo tempo. Os três rimos.
–Senhorita Sansa? -Tentei me dirigir a ela. Quando ela olhou para mim, continuei: -Queria te agradecer por me emprestar esta roupa. Foi muita generosidade.
–Tudo bem. — Desviou seu olhar rapidamente e voltou a conversar com suas amigas .
O jantar foi servido. Conversávamos enquanto comíamos e ríamos de muitas coisas. Bran ficou meio de fora, pois ainda estava chateado. Arya, Jon, Robb e Greyjoy, no entanto, estavam muito interessados em saber como são os meus “costumes”.
–Então quer dizer que em seu mundo não usam espada ou arco e flechas, e sim, “revólveres”. -Robb falou fazendo aspas com os dedos como se fosse a maior palhaçada que já havia dito.
–Sim. -Concordei.
–E lá, não usam cavalos. Eles usam uns tais de carros, motos e aviões... -Arya falou com espanto.
–Nós não temos o costume de caçar ou fazer nossas roupas. Máquinas fazem isso... -Expliquei.
–Mas e sobre você? O que faz? -Greyjoy perguntou com seus olhos azuis brilhando em cima de mim.
–Bom, sou Agatha Mariz, sou de São Paulo, a cidade mais importante do Brasil. Eu estudo em uma escola durante o período da manhã e fico com minha irmã durante a tarde. A noite, quando meus pais chegam do trabalho, posso sair com meus amigos. Gosto de ver filmes, ler livros, cantar no chuveiro, dançar e escutar música. Adoro fazer compras, amo roupas novas. Jogar futebol... Ah. Quase esqueci. Hoje estou completando 15 anos.
–Você joga o quê? -Bran perguntou um pouco mais interessado.
–Futebol. Um jogo com bola. Quem sabe amanhã eu não te ensino? -Tentei encorajá-lo.
–Pode ser... -Sorriu de canto. Foi uma coisa linda.
–Então, te ensinarei...
–Você tem 15 anos? — Theon perguntou com um ar malicioso.
–Sim.
–Então, você já é uma mulher feita. -Arya ficou admirada.
–E o casamento? -Robb disse.
–Casamento? Que casamento? -Fiquei espantada.
–Quando se é uma mulher nessa idade, o esperado é que se case... -Jon explicou.
–Casar? Eu? -Gargalhei. -Nem tão cedo. -Sansa parou sua conversa e ficou nos observando. — Não quero me casar. Não sou obrigada...
–Seus pais não arranjaram seu casamento? — Sansa não aguentou segurar a dúvida e perguntou.
–Se eu ficasse noiva, creio que eles tentariam me matar, Senhorita. -Falei com cortesia. — Sou muito nova.
–Mas, se não se casar nova, como vai querer ter muitos filhos? -Debateu.
–Filhos? Filhos é muita coisa. Quero ter no máximo um.
–E se não tiver um filho homem para ficar com suas posses? -Robb perguntou.
–Vão ficar com minha filha. -Me olharam estupefatos. Decidi mudar de assunto. — Sou uma adolescente. Não vou pensar nisso até uns 15 anos para frente. — Lord Stark me interrompeu.
“Salva pelo gongo!!!”
–Quero comunicar lhes 2 notícias. A primeira é que, nossa visitante, Agatha, ficara em Winterfell até conseguir voltar para casa. -Ouvi alguns murmúrios. -A segunda, é que o Nosso Rei, Robert Baratheon virá para Winterfell. Ele está a 3 semanas viajando. Chegará semana que vem. -Os murmúrios foram piores dessa vez. Sansa ficou extasiada ao saber que um belo príncipe, um tal de Jofrey viria também, além da Rainha Cersei e seus irmãos Lannister. Estava falando que iria terminar seu vestido novo para usá-lo. O jantar continuou e terminou sendo falado sobre a visita do rei. Lord Stark quis dar algum recado sobre armas a seus filhos e a Senhora Stark chamou Sansa e Arya para uma conversa, então, eu teria que me virar sozinha para chegar ao meu quarto.
–Eu a levo, Senhorita. -Theon se ofereceu.
–Não precisa se incomodar. -Me levantei da cadeira e ajeitei as roupas.
–Eu insisto. Não quer perder sua noite de sono para encontrar o seu lugar de dormir, não?
–Desse modo, não posso recusar. -Ofereceu o braço. Aceitei segurando o sutilmente e começamos a andar. -Você é um bom amigo do Senhor Robb, não?
–Sim... Eu diria que o considero... -Então o cortei.
–Um irmão mais novo. — Sorri. -Sei disso.
–Bom, a Senhorita é adivinha além de ótima arqueira... Quais qualidades mais posso esperar além dessas? -Seu tom malicioso voltou com um sorriso sorrateiro nos lábios.
–Hum... Acho que posso ter algumas qualidades boas para esse lugar. Como as damas daqui, também sei coser, cozinhar, dançar, cantar. Se me convém, posso ser a pessoa mais gentil, mas, digamos que as práticas que são proibidas as damas fazem parte de minhas qualidades...
–Arco e flecha, por exemplo... Interessante. Me pergunto que dons mais teria... -Nós já havíamos chegado ao corredor onde meu quarto emprestado ficava.
Theon Greyjoy era um homem feito, como dizem aqui. Sua aparência era estonteante. Alto, magro, moreno. No auge de seus 19 anos aparentes. O único fato que me fazia não ficar muito próxima dele era a arrogância que demonstrou ter desde que o vi. E, mesmo escrito nas entrelinhas do livro, pude perceber que isso era um fato.
–Isso depende de quanto tempo ficarei presa aqui... -Coloquei a mão na maçaneta da porta.
“Tomara que meus pais ainda não tenham enlouquecido de vez.” — Rezei internamente.
–Quem sabe não poderia ficar por aqui?! -Ele falou na hora que passei pela porta.
“Deixo ele falando sozinho ou o mando entrar? Deixo ele falando sozinho ou o mando entrar? Ahh...” -Pensei.
–Quer entrar? -Perguntei. Ele pareceu se espantar.
“Droga. Ele agora me acha uma estranha. As mulheres daqui não devem fazer isso...” -Corei um pouco.
–Claro. -Entrou, encostou a porta atrás de si e ficou ali, parado. Me sentei em frente a penteadeira. Lá haviam duas gavetas.
“Deve ter algum elástico aqui. Odeio dormir de cabelo solto.”
Comecei a revirar as gavetas a procura de algo.
–Como eu ia dizendo, por que a Senhorita não fica aqui em Winterfell? — Ficou atrás da cadeira onde eu estava sentada.
–Acho que meus pais não iriam gostar muito da ideia... -Achei uma fita. Ela deveria servir. Juntei todo o cabelo num rabo de cavalo e logo em seguida, o arrumei em um coque. Com a fita, o prendi.
–Tem um belo rosto... -Fiquei em pé.
–Obrigada, Senhor. -Fiz uma reverência e ri. -É assim que as moças daqui fazem?
–Mais ou menos. Elas não possuem essa beleza... -Deslizou a mão pelo meu pescoço, passou pelo meu rosto e depois desceu a mão até meus seios.
–Opa,opa,opa... Olha a mão boba... -Falei com os olhos fixos nele enquanto arrancava sua mão de mim.
–É. Realmente as mulheres daqui não teriam coragem de fazer isso... Você é feroz. Gosto disso. -Me puxou para um beijo.
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