Zara
12 Soquete
Notas iniciais
Minha humana saiu novamente. Prometera voltar no dia seguinte, mas voltou dias depois.
Me encarou com culpa abaixando em minha frente oferecendo amor.
"Porque eu continuo dando murro em ponta de faca?" Perguntou sorrindo tristemente.
Parecia dolorido, mas impossível de evitar.
"Eu aprecio sua existência, minha humana, mas não posso te ajudar."
"Você sempre tem a resposta, não é, Soquete?" Ela riu com humor quando me virei e levantei a cauda pedindo carinho.
"Na minha terra chamam isso de amor de quenga, sabia?!" Ela riu mais quando ronronei.
"Pelo menos com meu amor dessa tal quenga, você não chora." Miei debochada.
Ela seguiu rindo e me acarinhando. Como aquilo era bom...!
"Cada vez que vou lá, sinto que amo menos ele, sabe? É como terapia de super-exposição. Não é certo, mas finalmente me sinto 'eu' de novo. Não só um 'nós' quebrado..." Ela desabafou. Apoiei as patas em seus joelhos ronronando. Fale-me sobre a Lua e as estrelas, humana, mas não pare de me acarinhar.
"Sério, Zara, é só por você e essa sua meia-calça soquete sua que eu faço questão de estar aqui." Ela me pegou no colo e desceu para dentro de casa.
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