Zagarnai

6 Revelações das Pallas


No dia seguinte, Beatriz também acorda cedo por já estar acostumada e porque ouviu um belo som vindo da sala de treinamento. Ela se levanta, se troca e vai até a sala.

–O que está acontecendo aqui? – Pergunta ela, esfregando os olhos.

Beatriz vê João tocando saxofone, e assim que ele a vê, ele transforma o sax em uma pequena esfera e guarda no terno.

–Bom dia. — Diz João.

–Bom dia... Pelo visto não sou só eu que gosto de instrumentos musicais. Eu toco violino, mas esqueci ele em casa...

–É... Hoje depois da aula irei te ensinar sobre essas bolinhas e sobre os anéis. — João mostra suas mãos e apenas os anéis das trevas e do vento estavam lá, sem o anel de noivado.

–Ué, cadê seu anel de noivado? Ih, não me diga que você...

–Sim... Eu terminei com a Julia. — Diz João dando um sorriso enquanto uma lagrima escorre do seu olho.

–No caso, parece que foi ao contrário... – Diz Beatriz, cutucando o cristal da faca.

–É, você tá certa... Ela terminou comigo... Mas isso não importa, vamos tomar café e ir pra escola.

–Hai. Claro... – Beatriz sai do campo de treinamento, subindo para a sala de jantar, com a mesa já posta. O mordomo de João servia a mesa. – João, você mora aqui sozinho, fora eu e seu mordomo?

–Sim... Sozinho, e o Jarbas não pode ficar aqui sempre, mas eu fico bem, como chefe da máfia é minha obrigação.

–Interessante... – Beatriz coloca um pedaço de bolo na boca e olha o relógio. – Pelo santo buda, estamos atrasados! – Beatriz pega o braço de João e começa a correr, ela pega as duas malas e sai em disparada. Joao então pega ela e começa a voar

–Espera... Você é budista?

–Japoneses normalmente são budistas, mas eu não tenho nem fé, nem religião. Eu acredito em praticamente tudo. – Responde ela, segurando seu cinto para baixo.

João por ter voado rápido chega na escola rápido e pousa nas árvores.

–Aqui... Seus anéis, coloque como quiser... Um em cada mão ou os dois em uma mão só.

–Ok... – Beatriz pega os anéis e coloca um em cada mão, mas ambos nos polegares. – É meio desconfortável segurar a foice com eles... Faz cócegas!

–Hehe... Você se acostuma... Eu coloco os meus anéis no dedo do meio... Se quiser tentar depois... Agora vamos, e fique perto de mim, não quero que seja roubada.

–Pouco provável, eu congelaria a pessoa antes que ela conseguisse toar em mim. – Diz ela acompanhando João.

–Os caras daqui são mais pervertidos q todos os Z, mas o Vitor... E as garotas tem ódio de você.

–Mas por que? Eu não fiz absolutamente nada! – Responde ela sorrindo para uma menina que mandara-lhe um olhar odioso.

–Você foi a convocada para os Z... Elas queriam ser a convocada pra ficar perto de mim.

–HAHAHAHAHA! – Beatriz ri alto, chamando atenção de várias pessoas. – Tá brincando? Se eu pudesse, eu andaria longe de todos existentes nessa escola. Não que eu te odeie ou algo do tipo, é que eu não gosto muito de presença, prefiro ficar na minha.

–Haha... Vamos logo pra sala antes que o professor chegue. — João então pega Beatriz e vai com ela pra sala.

–Assim só vai piorar a minha relação com a relação das pessoas... – Diz ela, se sentando em sua mesa. – Não quero arranjar encrencas, e nem matar garotas “inocentes”.

–Tá bom... Foi mal... — O professor chega na sala.

–Bom dia turma, hoje vou falar sobre os guardiões... — Antes de o professor começar, João levanta a mão. – Sim, João?

–Posso ir pro terraço ficar a toa?

–Sim... Vai lá. — Assim que o professor termina de falar, João sai da sala.

–João, como você passa de ano? – Pergunta Beatriz, para si mesma, com a mão na testa. — Algo começa a falar em sua mente, uma voz meio rouca.

–''Eu sou mestre... Estou aqui pra arranjar aprendizes.'' – Diz a voz. Beatriz a reconhece, é João. Então, ela se levanta.

–Professor, posso sair da sala? – Pergunta ela, o professor acena que sim, então ela sai e vai pro terraço. – Telepatia agora? Fala sério! – Diz ela, rindo.

–Eu deixei uma partícula de trevas em você... Não é telepatia... É como se eu falasse por um microfone... A partícula fica no seu broche.

–Você passa de ano como? Subornando os professores?

–Eu já passei de ano faz uns 142 anos... Eu estou aqui pra achar aprendizes... E por falar nisso... tá matando aula mocinha?

–Eu vim aqui saber o que você queria. Estou voltando. Com licença... – Diz Beatriz, acenando e pulando do prédio, entrando na sala pela janela.

O intervalo chega e João já estava esperando Beatriz na porta da sala.

–Vamos até a parte de trás da escola.

–Tá, mas por que? – Pergunta ela seguindo seu mestre. Ele não fala nada apenas entra em um elevador.

–Venha. — Diz ele. Beatriz o segue, eles descem o elevador, chegando em uma sala enorme.

–Uau, tem um campo de treinamento aqui também? – Pergunta ela olhando para os lados.

–Não, isso é a base escolar dos Z. — Diz João, que abre uma geladeira da tal sala para pegar uma garrafa de vinho.

–Meu deus, mas onde estão os outros? – Pergunta ela sentando-se no sofá.

–Todos estão em missão, só sobramos nós dois aqui no Japão. Vinho? É sem álcool.

–Passo, obrigada. Não sou muito dessas coisas, prefiro suco ou água. – Beatriz invoca sua raposa. – Ah, e eu descobri hoje na aula que minha raposa é a raposa de água. E como eu tenho dois elementos, água e gelo, então eu seria a raposa de gelo. Legal, né?

–Então é com você que eu vou usar essa núcleo palla. — Diz João jogando uma esfera negra na mesa da sala.

–O que é e por que comigo? – Pergunta ela sem se mover no sofá.

–Nucleo palla, traduzido do italiano, esfera do núcleo, usamos o anel pra abrir elas, essa aqui libera a volpe de buio il gelido, veja o exemplo. — João tira uma palla do terno, dourada e usa um tipo de chama negra que sai do anel pra abrir, e então o saxofone dele é revelado. — Assim que se faz.

–Legal, mas como fazemos nossas próprias pallas?

–Bom... Eu já notei que você gosta de ler, então vamos pra casa que eu vou te mostrar uma coisa... Não se preocupe com as aulas da tarde.

–Claro. – Eles vão até a mansão, e chegando lá vão até o quarto andar. – Esse lugar é um labirinto, mas o que você quer me mostrar?

–Vou te mostrar a última sala. — João então leva ela até a ultima sala, e então abre a porta. Lá estão milhares de livros e muitas estantes.

–Por que você não me trouxe aqui antes? Meu segundo paraíso! – Diz ela passando a mão pelos livros e estantes. – Afinal, o que tem aqui que você quer que eu veja?

–Os livros que falam sobre pallas do gelo devem estar na 50ª estante... São azuis claro, eles falam da água também. – Beatriz procura a estante, e após acha-la, não foi difícil encontrar os livros, eram os únicos azuis, os outros eram marrons avermelhados e verde escuro.

–Que linda capa. – Beatriz abre o livro, desenhos de esferas de vários tons de azul sobressaiam das minúsculas letras. João então senta do lado dela com uma taça de vinho.

–Que bom que gostou, mas primeiro vou te ensinar a como invocar a chama do anel.

–Tá bom, pode falar, estarei ouvindo. Mas nos livros não falam isso?

–Não, os livros falam das pallas, não dos anéis.

–Certo. Como você vai me ensinar isso? – Pergunta ela, examinando uma página do livro.

–Levante-se e me responda: qual é sua determinação?

–Determinação...? Como assim?

–A sua chama, é ativada por sua determinação... Minha determinação é o que me deixa vivo, ''Eu vou lutar por quem esta realmente do meu lado, enquanto eles precisarem de mim eu irei lutar, se eu cair, eu vou cair atirando por eles''.

–Determinação... Eu nunca pensei dessa maneira... Eu não tenho determinação, eu luto por mim. – Responde ela.

–Bom... Então tem outro jeito... Para mim irritação e determinação são a mesma coisa, veja. — João então lembra de coisas que o deixa irritado, e sua chama aumenta. — Com a irritação você consegue?

–Acho que sim... – Beatriz tenta se lembrar de algo, e consegue. Beatriz então se lembra de uma memória cruel, suas chamas aumentam, e ficam muito grandes. Beatriz ao perceber se acalma, e senta no sofá. – Isso vai acabar com a minha sanidade. – Diz ela, colocando a mão na cabeça.

–Calma... Você só precisa de controle, baixinha... Cada um tem seu jeito, eu aprendi sobre controle pela música, porque é a coisa que eu mais adoro, e tem uma coisa que me ajuda a ficar calmo também. — Diz João pegando uma taça de vinho. — Vinho... Quer um pouco?

–Não é questão de controle, como eu disse, você não sabe nada sobre mim. E eu não bebo, sou menor de idade.

–O que? Você tem quantos anos garota? Eu achava que você tinha no mínimo 60 anos.

–Eu disse que sou imortal, não disse que sou velha.

–Ainda não me respondeu sua idade... – Diz ele, cruzando os braços.

–Eu tenho 14 anos. – Responde ela, olhando de canto para uma das estantes.

–OQUEEEEE? Quando eu tinha 14 anos estavam descobrindo a eletricidade!! — João então nota algo estranho. — Tenho uma péssima noticia.

–O que foi? — Pergunta ela, fuçando uma estante.

–Todos os outros oito estão em missão, e tem 25 guerreiros da Itchiken vindo pra cá, acho que nós três teremos que lutar.

–Nós três quem? – Pergunta ela, olhando para os lados.

–Sim... Nós três. — Diz Jarbas, aparecendo atrás dela com facas de ouro. Beatriz arrepia e se vira.

–De onde... Seu mordomo é de mais. – Diz ela, pegando sua foice.

–Ele está entre os três mordomos mais poderosos do mundo... Faz muito tempo que você não luta né Jarbas? — Diz João.

–Isso mesmo mestre... Você e ela podem lutar juntos, eu cuido dos que estão mais perto. — Diz Jarbas sorrindo.

–Ok... Beatriz vamos lá! — João então invoca suas armas.

–Vamos... – Responde ela, indo atrás de João. – Meu deus, como você quer que eu lute contra todos eles? Não foi você mesmo que disse que eu sou fraca? – Diz ela, olhando para João. Ele então para no meio do caminho e olha pra ela

–Eu... Eu falei isso pra te rebaixar um pouco. — Então sem olhar ele atira na cara de um dos inimigos. — Agora vamos.

–E por que você queria me rebaixar? – Pergunta ela, arrancando a cabeça de alguns oponentes.

–Sabe... Eu não sei... As vezes eu faço besteiras sem querer, cuidado atrás de você. — João então pula ela e bate com a tonfa na cabeça de um inimigo, atirando nele.

–As vezes eu acho que você é um idiota. – Diz ela, lançando a faca na testa de um dos homens, depois a resgatando. – Você precisa ser mais atento as pessoas em sua volta, se não elas vão embora, que nem sua noiva. – Beatriz cria asas de gelo e água em suas costas, permintindo a ela voar. João então sente uma forte dor no peito e as chamas do seu anel são ativadas automaticamente.

–Não me lembre dela. — Ele então abre uma palla que invoca flechas especiais, que depois de atingir um alvo, atingem outros três.

–Todos temos lembranças dolorosas. – Diz ela, aumentando a velocidade de voo, lançando o feixe de fogo frio, explodindo parte dos Itchiken. – Precisamos aprender a viver com elas.

–EU nunca soube o que é viver. Já chega... Jarbas, aquele movimento. — João abre uma palla de vento que invoca facas.

–Sim mestre. — Jarbas pega essas facas no ar e começa a lançar nos inimigos restantes, e assim que as facas os atingem eles explodem.

–Você tem uma vida triste meu amigo – Beatriz fica voando no mesmo lugar, e aponta uma faca para ele. -, mas nós estamos aqui para alegra-la. – Ela sorri, pousando em cima de uma árvore. – Agora a escolha de aceitar nossa ajuda é sua.

–Eu... Eu... — Antes de João falar qualquer coisa, os outros Z chegam.

–Ei pai — Diz Andrey. -, eu tenho um encontro essa noite ok?

–Finalmente... Agora vai se arrumar e tirar o cheiro de sangue, filho.

–Já testou aquilo na Beatriz? — Pergunta Laah.

–Errr... Ainda não...

–Eu não sou sua cobaia... – Diz ela descendo da árvore. – E testar aquilo o que?

–É só um teste de poder, fica calma, não vou te tratar como um animal. — Diz João.

–Ei mestre... — Dizem Hany e Maria. — Cumprimos a missão, podemos passar a noite aqui?

–Claro meninas... Fiquem a vontade, a equipe do Soushi e a equipe do Lucas vão comigo até o laboratório, menos a Maria, a Hany e o Andrey, o resto vem comigo. — Diz João.

–Canso só de imaginar o que existe nesse lugar... – Diz Beatriz seguindo João até o laboratório, e ao chegarem, se deparam com outra sala imensa.

–Beatriz, por favor entre naquela câmara especial ali... A gente vai te ver mas você não vai ver a gente. — Diz João se sentando em uma cadeira com os outros. — Antonny... Liga a energia.

–Ok. — Antonny então usa sua habilidade elétrica pra ligar toda a sala.

–Isso é aterrorizante, ser observada sem observar... O que vocês vão fazer comigo? – Pergunta ela sentando no chão.

–calma... E não se assuste, eu estou com você. — Diz João por um microfone.

–Esse não foi seu melhor argumento, João. — Diz Rafael rindo.

–Concordo com ele... – Diz Beatriz, se levantando. – Se for pra fazer isso, que começe logo, estou ficando com fome...

–Você vai acabar gorda assim. — Diz João enquanto mexe no seu computador, Laah da uma risadinha. — Ok Beatriz eu quero que você use seu Chiten no Kai com toda força. — Diz João.

–Eu como todo o tempo e não engordo, mais fácil a Laah engordar. – Diz ela, elevando seu poder ao máximo, e aumentando. – Eu não usei tudo. – Todos ouvem como um tipo de sussurro, afinal, raposas não falam.

–Tudo bem. — Diz João — Capitaram?

–Sim... O efeito dela é congelamento e tranquilidade o que pode acabar com quase tudo. — Diz Lucas que sai da sala, pois tem um compromisso.

–Eu também não engordo... E você usou 70% de poder. — Diz Laah.

–Só isso? – Pergunta Beatriz, rindo – Parece até que eu usei menos. – Ela aumenta seu poder, a sala em que ela está fica coberta de gelo e neve, a sala em que João e Laah estavam começa a congelar também.

–Já está bom... Pessoal pode ir embora, tenho assuntos pessoais a resolver com ela. — Diz João.

–Olha o que vai fazer cara... Se a Aisha te pega com ela você tá ferrado. — Diz Rafael.

–Eu não ligo pra Aisha, e eu não sou interessado na Beatriz, cara...

–Se ele tentar algo eu congelo as bolas dele. – Responde Beatriz, balançando suas caudas.

–Pode sair dai... Temos pizzas naquela geladeira ali... Se quiser. – Beatriz volta a sua forma normal, e anda até a geladeira.

–O que você quer falar comigo que é tão pessoal assim? – Pergunta ela, mordendo uma fatia.

–Primeiro, nós temos que fazer suas pallas e fazer você ativar o anel sem usar tanto poder, segundo, sobre aquilo que você falou enquanto lutávamos... Eu sinto que sua resposta está perto de chegar, então não vou responder ainda. — Diz João com o olhar meio triste.

–O que vai acontecer? – Pergunta ela tirando seu sorriso do rosto.

–Não posso falar agora, mas eu digo, não pegue leve na luta contra Aisha... Só isso que posso dizer. — João pega uma garrafa de vinho e se serve.

–Quem é essa, e por que vou lutar com ela?

–Não posso falar quem é ela ainda... Mas eu prevejo que vocês vão virar amigas, e você precisa lutar com ela pra conseguir um poder muito forte que só nós os Tutori temos.

–Não sou Tutori, nem Zagarnai, não tenho nada a ver com ambas, só participo de uma máfia. Talvez eu tenha algo, sim, mas é muito distante. – Responde ela mordendo a pizza.

–Com nós... Eu quis dizer... Eu o Vitor, e outras oito pessoas que você não conhece... Ok... Consegue ativar a chama do seu anel agora?

–Consigo. – Beatriz ativa a chama do anel sem esforço.

–Isso... Eu acho que tenho uma palla de gelo aqui. — João procura em seus bolsos — Aqui está... -Era uma esfera pequena e azul. — Abra... Eu não sei o que tem ai. – Beatriz a abre, e dela saem bolas de sinuca.

–Mas o que... Isso foi de propósito?

–Não, mas é estranho as armas da Aisha estarem aqui... Tem um taco de sinuca ali no canto, pegue pra mim. Quero ver se essas são reais.

–Tá bom... – Beatriz pega o taco e o entrega para João. – Você vai jogar como, tem mesa de sinuca aqui? Pera, você vai jogar mesmo?

–Hehe. — João da um sorriso. — Não são bolas de sinuca normais... São armas poderosas... Vou te mostrar. — Ele ativa o anel do vento, e as bolas de sinuca começam a flutuar e ficam com uma aura de vento em volta, João mira na bola branca, e assim que ele a acerta, ela acerta as outras. Elas começam a voar pelo laboratório da velocidade de um tiro. — Essas aqui são armas... E a Aisha sabe fazer varias coisas com elas.

–Tá brincando que eu vou lutar contra a sua namorada. Prefiro lutar contra você e perder. – Diz ela, acabando com a caixa de pizza inteira. – Me poupe.

–OK... Agora vamos dormir... E amanha não tem aula... A filha do diretor morreu...- João e Beatriz sobem até a mansão, e por mais que não queiram, vão dormir, o próximo dia será longo, uma luta, uma vencedora.