Yuuri, Victor and My Birthday Collections
4 Behind the Ice Mask
Notas iniciais
Victor se vê contente com sua vida ultimamente. Alternando entre seu trabalho e seu namorado — futuro noivo — Yuuri Katsuki, ele não podia imaginar algo melhor. Olhando para o calendário no seu celular, ele abre um longo sorriso. Logo será 29 de Novembro. Aniversário de seu amado barista e ambos decidiram passar o dia todo andando por Detroit. Eis o plano deles:
— Começam com um café da manhã típico de LeBlanc: Arroz ao Curry e café.
— Então eles passarão a manhã passeando na calçada da praia com o cachorro de Victor, Makkachin, aproveitando o fim do outono.
— Eles pretendem almoçar ali perto, e passar a tarde no bairro oriental.
— De noite, eles voltam para LeBlanc, onde Yuuri irá preparar o jantar (Ele insistiu, dizendo ser um prato especial) e haverá bolo e festa. Victor disse para Yuuri convidar seus amigos, mas ele apenas afirma com a cabeça, sorrindo com um olhar distante.
— E Victor espera passar a noite com ele.
Ele espera poder, já que isso não foi discutido com ele.
Where have you been?
Been searching all along
Came facing twilight on and on
Without a clue
Without a sign
Without grasping yet
The real question to be asked
Where have I been?
O dia chega e já começa perfeito, pelo menos para Victor. Yuuri sorri, ambos conversam e dão risadas juntos, mas algumas vezes o russo pega o japonês fazendo movimentos bruscos ou com o olhar distante. Victor não o culpa, com o passado que o rapaz ao seu lado teve. É uma injustiça que está presente constantemente em qualquer parte do mundo e maquiada como for bem conveniente.
“Yuuri, você quer ir para casa?” Victor pergunta, franzindo a testa quando seu namorado se assusta e o olha.
“Por quê?” Ele pergunta, rouco, mordendo o lábio.
“Porque você não está confortável andando comigo…” Ele responde, se interrompendo ao ver lágrimas escorrerem do rosto de seu namorado. “Yuuri?”
“Eu não estou, mas eu quero estar com você! Mas eu entendo.” O japonês sorri, com os lábios trêmulos. “É claro. Eu não sou mais ‘ele' mesmo.”
‘Ele' quem?
Ele ergue o celular, mexendo um pouco nele.
“Desculpa, Victor.” Ele diz. “Eu… Não posso.”
I'm a shape shifter
At Poe's masquerade
Hiding both face and mind
All free for you to draw
I'm a shape shifter
What else should I be?
Please don't take off my mask
Revealing dark
...
Eu falei tanto para eles mostrarem sua verdadeira face. Enquanto eu me escondia por detrás da máscara chamada ‘Phantom Thief’. Yuuri Katsuki é apenas um covarde neste mundo filho de uma puta. Eu odeio. Eu me odeio.
…
No início da noite, Victor chega na cafeteria, que está fechada e com as luzes apagadas. Victor tenta novamente ligar e mandar mensagens para Yuuri, que sem que ele percebesse, o observava pela janela do sótão escuro, sentado na cadeira de sua antiga mesa onde ele criava itens para usar no Metaverso.
“Talvez seja melhor assim. Apesar de tudo, eu sou um ladrão.” Ele sorri tristemente ao ver seu amado dar as costas e ir embora.
Com o rosto em lágrimas, ele coloca a mão na janela.
“Não. Volte, por favor. Eu…”
…
Naturalmente, não houve nenhuma festa de aniversário. Nem presentes. Nem Katsudon, para a tristeza do japonês. Não houve nenhuma festa porque nenhum de seus amigos sabe a verdadeira data. Afinal, dia 29 de Novembro também simboliza o verdadeiro início de tudo, há 8 anos atrás. Nem mesmo os Katsuki’s sabem.
…
Aquela noite, ele não consegue dormir. Sozinho, ele sempre teve pesadelos de seu passado. E sem Victor ali, aquele aposento está muito mais frio. E então, olhando para os itens em cima da mesa,.ele respira fundo e trabalha madrugada a dentro. Yuuri se tranca no sótão, não se importando em abrir o café para seus clientes fiéis. Desculpa, Celestino-san. Mas eu não posso mais.
…
Victor nota que Yuuri ainda não responde suas ligações e mensagens. Ele sabe que o japonês sofre de ansiedade e estresse pós-traumático. Talvez ele não deveria ter aberto a boca. Afinal apesar de tudo, eles estavam sim se divertindo quando não havia pessoas passando perto de nós. Oh, merda. E foi ele mesmo quem sugeriu passear no bairro oriental.
Dezembro está chegando na metade e Victor não sabe como lidar com o isolamento de Yuuri. Ele sabe que errou, mas nem desculpas ele consegue dar para seu namorado. Victor solta um suspiro.
Moments of calm
Nothing left to be found
A mirror right in front of me
That's where I find
An empty glass
Reflecting the sad truth
It's telling words not to be told
I need the mask
De repente, ele recebe uma mensagem e se anima ao ver que vem de Yuuri. Ele respira fundo, aliviado pela chance de se desculpar e abre a conversa, arregalando os olhos ao ver um cartão dos Phantom Thieves.
Ele aperta a imagem com a mensagem dos Phantom Thieves e, ao ler, derruba o celular no chão, fazendo com que a tela fique com rachada.
Para o covarde solitário Yuuri Katsuki,
Cujas dores e cicatrizes estão seladas aos olhos alheios, nós os Phantom Thieves iremos mudar o seu coração. Considere isso como agradecimento pelo apoio de 7 anos atrás, quitando assim nossa dívida com você. Levaremos algo importante de você e realizaremos o seu desejo.
Com os cumprimentos, Phantom Thieves.
…
Quando Victor chega em LeBlanc, ele encontra a loja com a placa dizendo que está fechada. Mas as luzes estão acesas e a televisão está ligada. Victor gira a maçaneta, notando que a porta está aberta.
“Yuuri?” Ele chama, fechando a porta atrás dele.
Deixando em cima de uma das mesas seu longo casaco acizentado, cachecol e bolsa do trabalho e vasculha o primeiro andar, não encontrando nenhum sinal dele. Subindo para o sótão, ele percebe uma figura toda de preto usando luvas vermelhas encostado na janela, de braços cruzados. Ele usa uma máscara branca e preta, bem estranha.
“Quem é você! O que fez com Yuuri?” Victor pergunta, franzindo a testa.
“Phantom Thief.” Ele diz, erguendo e estralando os dedos da mão direita. “Também atendo pelo codinome ‘Joker'.”
O mascarado, Joker, se aproxima dele sem desviar o olhar ao passar por ele, deixa algo cair no chão. Uma bomba de fumaça, que força Victor a abrir as janelas fechadas esperar a fumaça se dissipar antes de notar que o mascarado já não está mais ali.
I'm a shape shifter
At Poe's masquerade
Hiding both face and mind
All free for you to draw
I'm a shape shifter
Chained down to my core
Please don't take off my mask
My place to hide
Ao invés disso, um caderno de capa marrom está no chão, com algo escrito em inglês na capa: Diário de Observação de Yuuri Katsuki
Yuuri abre o caderno e arregala os olhos ao ver palavras e kanjis escritos ali.
“Eu não fiz nada!” “A culpa não é minha!” “Por que ninguém acredita em mim.” “Mamãe, Papai, por que me abandonaram?” “Eu não quero ficar sozinho.”
Quando uma gota de água cai no caderno, Victor percebe que está chorando.
Ele desce e se senta na mesa que antes havia se sentado com seu amado, e escutado sua história, folheando até a primeira página datada. O dia em que Yuuri Kunogi, expulso de casa e de sua antiga escola, se muda sozinho para Detroit, por causa de um crime que ele não cometeu.
I can't tell you
How to see me
Just a cage of bones
There's nothing inside
Will it unleash me?
Burning down the walls
Is there a way
For me to break?
“É chegada a hora da verdade ser recontada.” Yuuri diz, respirando fundo.
Ao lado dele, uma menina de vestido azul e longos cabelos loiros surge, junto com a porta de uma cela, onde o topo é encurvado.
“Você tem certeza disso, Trickster?” Ela pergunta, vendo o rapaz derramando lágrimas enquanto observa o interior do café.
“Sim.” Ele diz, limpando o rosto e entrando com ela na porta, que logo desaparece.
…
I'm a shape shifter
At Poe's masquerade
Hiding both face and mind
All free for you to draw
I'm a shape shifter
Have no face to show
Please don't take off my mask
My disguise
Quando ele encontra a página, ele vê uma carta de tarô em francês azul, com o nome ‘Le Judgement’. O Julgamento. Victor toca na carta, que se desfaz e vira uma luz, envolvendo o corpo dele.
“Eu sou você. Você sou eu…” Ele começa a falar, mas se interrompe assustado.
Que foi isso?
Respirando fundo, ele passa a ler o caderno.
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