Yuri on ice! - Kako e no Tobira o Hirakimasu
1 Kako e no Tobira o Hirakimasu
Notas iniciais
xxxHOliC & Natsume Yuunjinchou AU
Parecia uma manhã como qualquer. Mas não é, pois logo cedo a dona daquele local já está de pé, séria.
“Axel, Lutz e Loop.” A mulher alta, de longos cabelos castanhos, chama por suas assistentes.
“Sim, mestra?” As trigêmeas respondem ao mesmo tempo, correndo pelo corredor externo até ela.
Três meninas, aparentando terem 5 anos e idênticas se não fosse o penteado e as roupas delas.
“Peguem no armazém o pagamento que recebi daquele monge anos atrás.” A mulher ordena, ajeitando seu quimono vermelho com desenhos de rosas em preto espalhados por ele. “E vão receber nosso cliente de hoje.”
“Siiim.” Elas falam, dando meia volta e voltando a correr pelo corredor.
A mulher dá meia volta e entra em seus aposentos, se sentando e ficando à vontade em seu sofá. Na sua frente, café da manhã deixado por seu novo escravo.
“Enfim, o dia chegou. Mas não vai ser algo fácil.”
Com um certo desgosto, a mulher serve-se de uma xícara de chá, tomando-o logo em seguida. E então, ela escuta suas assistentes falando.
“Seja bem vinda. Nossa mestra está a aguardando.”
“Ei, esperem um pouco. Que lugar é esse?” Uma voz não muito jovem diz, no que a mulher se levanta e serve mais uma xícara de chá, a colocando na mesa redonda que se encontra no centro do cômodo.
“Uma loja!” As meninas dizem, abrindo a porta do cômodo para a cliente.
“Uma loja que realiza desejos.” A mulher, com a mão esquerda na cintura e a direita apoiada em uma cadeira, responde olhando para a outra mulher na sua frente. “Seja bem vinda. Sente-se por favor.”
“Uma loja que realiza desejos? Então o que eu ouvi é verdade.” A mulher, de longos cabelos presos em um coque apertado e olhos castanhos escuros fala, olhando ao redor do cômodo e se sentando, sendo servida de chá.
“Eu sou a dona desta loja, e meu nome é Minako Okukawa.” A mulher, Minako, diz, se sentando oposta a garota.
“Meu nome é Lília Baranoskaya.” A outra mulher, Lília, responde. “Você é…”
“Humana ou Entidade?” Minako a interrompe, recebendo uma afirmação da outra mulher como resposta. “Ambos, ou nenhum dos dois. Mas isso não vem ao caso. Se você está aqui, é porque você possui um desejo que apenas esta loja e eu pode realizar, mas para cada desejo realizado, um preço deverá ser pago.”
Lília abaixa a cabeça, se encostando nas costas da cadeira.
“Mas antes que me diga, me responda uma coisa.” Minako diz, fazendo-a erguer o rosto surpresa. “O que você está fazendo com Entidades?”
“Eu… eu não sei direito.” Lília começa a falar, erguendo a bolsa que trouxera consigo e dela, retirando diversos papéis com caracteres escritos em tinta preta. Eram nomes. “Eu achava que estava tudo bem, até ver um se queimando só porque eu sem querer encostei o papel com o nome dele em uma vela.”
“Conte-me tudo.” Minako pede, bebendo um gole de chá.
“Eu sou órfã. Perdi meus pais quando era pequena e vivo trocando de parentes, pois para eles e as outras pessoas ao meu redor, eu sou maluca, porque eu os vejo.” Lília se interrompe para uma xícara de chá. “E um ano atrás, conheci um homem que também os vê e que era um exorcista. Vendo que eu me sentia incomodada com exorcistas, ele me ensinou algumas magias e me deu uma espécie de porrete de madeira cheio de selos, me dizendo que como eu tenho um forte poder espiritual, eu posso revidar quando entidades quisessem me devorar e que eu deveria pegar o nome deles, para evitar que eles voltassem a me atacar.”
“Entendo. E você pelo visto passou a pegar não só de entidades que a enfrentava, como também de outros que nem sequer eram uma ameaça.” Minako diz, cruzando as pernas por debaixo da mesa.
“Sim. E resultou nisso.” Lília deposita os papéis na mesa, e Minako nota as mãos trêmulas dela.
“Pelo visto você não trouxe o porrete em questão.” Ela fala, com um olhar de preocupação no rosto. “Mas não tem problema. Eu o terei em minhas mãos em breve.”
De repente, a mulher na sua frente começa a tossir com a mão direita na boca, por onde um fio de sangue passa a escorrer dela.
“Você está doente. E grávida de 4 meses.” Minako se surpreende, e começa a ficar ainda mais preocupada. “ O pai dessa criança…”
“Sim. É ele.” Lília explica, limpando a mão num lenço de papel.
“Pelo visto ele apenas lhe contou o básico quando te falou para revidar e pegar o nome de Entidades. E você nem percebeu o que realmente estava fazendo.” Minako comenta, a fitando seriamente.
“Só percebi recentemente, quando ele me pediu para pegar o nome de umuma certa entidade que era muito poderosa. Ele queria fazer dele seu servo, mas ainda sim era poderoso demais. Essa entidade foi selada em um mini-templo na minha cidade atual. Ele sabe que eu coleto nomes, mas não sabe a quantidade que já tenho, por isso estou aqui.” Ela explica, agora fitando a mulher à sua frente. “Por favor, realize meus desejos.”
“Acredito que um deles tenha a ver com esses papéis com os nomes de entidades.” Minako fala. “Qual seria o outro?”
“Faça essa criança que carrego e minhas gerações futuras não terem minhas habilidades.” Ela pede, vendo a mulher soltar um suspiro.
“ Com relação a isso, acredito que se essa criança chegar a nascer, será sem poderes. Isso é algo comum envolvendo famílias com habilidades especiais. Agora não posso dizer a mesma coisa do filho ou filha dessa criança, e eu não tenho capacidade para mudar isso.” Yuuko explica, assustando a mulher. “Agora com relação a esses nomes… Você como seladora deveria os liberar. Mas no seu estado atual não deve ser possível. Apenas seu sucessor poderá fazer isso.”
“Mas isso…” Minako começa a falar, tossindo novamente. “Como ele ou ela poderá fazer sem instruções?”
“Não se preocupe. Eu cuidarei disso, usando seu ‘amigo' que está do lado de fora da loja.” Yuuko fala, se erguendo da cadeira. “Axel, Lutz, Loop.”
“Siiiim.” As três meninas surgem, carregando juntas uma caixa retangular de madeira, entregando à ela.
Lília observa quando Yuuko abre a caixa e a coloca em cima da mesa, perto das folhas de papel. Dentro da caixa, ela pode ver algo verde e com marcas de velhice, não reconhecendo o que é. De repente, as folhas começam a se mexer sozinhas até que se erguem pelo ar e começam a dançar em volta das duas.
“Aqueles cujos nomes estão escritos aqui, juntem-se em uma forma capaz de auxiliar aquele ou aquela que os herdará.” A mulher recita, e Lília percebe que nos pés dela, um círculo mágico surge.
Uma ventania se faz presente ali e uma luz branca toma conta do lugar, fazendo Lília fechar os olhos. Quando ela abre, ela percebe nas mãos de Yuuko um livro antigo, de capa e ante-capa verdes como o objeto que estava na caixa de madeira, presos com um cordão vermelho amarrado em uma parte amarelada das capas. Em uma delas, há uma folha branca, sem nada escrito.
“Agora nomeie este livro escrevendo aqui.” Minako pede, estendendo o livro pra ela.
Lilia abre, e começa a folhear, vendo que as páginas daquele livro são os papéis com os nomes das entidades que ela pegou. Da sua bolsa, ela retira tinta e um pincel, o molhando até a metade e escrevendo o nome ‘Livro dos Amigos’ em russo no papel em branco da capa.
“Nome interessante. Único.” Minako comenta “Agora com relação ao preço, tenho um aviso. Parte dele já foi pago por uma pessoa que, apesar de não ser conhecido seu, a conheceu por meio de sonhos e se preocupou com você. Infelizmente, devido à circunstâncias, ele não foi capaz de ajudá-la, já que ele morreu quando você era bebê. Mas não antes de deixar comigo o pagamento do desejo dele de ajudá-la.”
“Eh? Como assim?” A mulher russa pergunta, surpresa com o que escutara.
“A segunda parte será o seu porrete de madeira, que virá até mim por meio do seu ‘amigo' e com isso, ele mesmo pagará a terceira parte.” Minako diz, abrindo a porta. “Agora vá para casa. Você precisa descansar. Eu ficarei com o livro até o momento certo.”
Realmente se sentindo cansada e confusa, Lília decide deixar o resto nas mãos daquela mulher estranha. Sem mais o que fazer, ela sai da loja e se junta a outras pessoas que transitam pelas ruas de São Petersburgo, na Rússia.
Dias depois, um grande cachorro marrom com símbolos ruivos na cabeça pousa, sendo recebido pela mulher japonesa que o espera do lado de fora. Yuuko o toca na testa, e fala algo para ele, e retira as memórias dela da mente dele, deixando apenas instruções de como utilizar o livro dos amigos e proteger os donos dele. O cachorro, de nome Makkachin, retorna para Lília e fica com ela por mais cinco meses, até ela dá a luz a uma menina e lhe dá o nome de Sasha. Um ano depois, já muito doente e sentindo seu fim se aproximando, ela pede ajuda ao cachorro para fugir do hospital e ele decide realizar o desejo dela, a levando junto com a filha dela até a árvore favorita dela. A deixando para ir atrás de comida, ele acaba sendo selado pelo mesmo exorcista que enganou Lília.
“Lília?” Este se assusta ao ver a mulher, já falecida, deitada na árvore que era o local de encontro deles.
Apesar de tudo, ele amava ela.
Então ele escuta o choro de um bebê e o percebe oculto nos panos que cobriam sua falecida amada. Na mão dela havia um papel com os dizeres: O nome desta criança é Sasha. Cuide dela no meu lugar. Lília.
E é isso que ele decide fazer. Cuidar daquela criança nem que tenha que enfrentar todo o ódio da família Feltsman. É o único modo que ele encontrou de mostrar que está arrependido de ter abusado de sua amada, mesmo que tenha sido contra sua própria vontade.
22 anos depois, nasce o neto de Lília, sob o nome Victor Nikiforov. 4 anos depois, nasce Yuuri Katsuki, futuro sucessor de Minako Okukawa como dono da estranha loja que realiza desejos. E inevitavelmente, 24 anos se passam até o dia em que ambos se encontram pela primeira vez.
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