- Eu nem acredito que finalmente estamos de férias! — Keiko-chan jogava sua mala no bagageiro do ônibus.

- Agradeça a Deus por convencer o rabugento do senhor Kenta, e ainda faze-lo pagar nossa estadia — Fumiko-chan Batia palmas praticamente dando pulinhos.

- Não falem assim, o senhor Kenta é muito bom para nós e quis nos recompensar — disse.

- Claro depois de três anos de escravidão era o mínimo — resmungou keiko-chan.

As duas eram minhas amigas do trabalho, as únicas na verdade, pois somos a alma feminina do setor de design da maior doceria do pais, a Cand's Kent.

Em recompensa do bom ano, ele nos deu uma semana de férias na pousada Hana em Hirosaki, era muito famosa por suas piscinas de águas termais.

- Já terminamos por aqui, quer ajuda com os seus — perguntou keiko-chan.

- Pode deixar que eu me viro — elas me olharam — eu tenho certeza meninas.

Elas me deram um "tchauzinho" com as mãos e subiram no ônibus. Eu não era Loira e alta como elas, não passava de uma nanica, mas sempre gostei de me virar sozinha.

E pela condição de meu tamanho tive que jogar a mala, o que resultou em uma mais pesada cair em cima de mim.

— Cuidado! – gritou um voz que eu não conhecia me puxando para longe da maleta que por pouco não me acertou.

— Você está bem?!

Um rapaz moreno e bonito havia me “salvado”.

— Estou bem obrigada – respondi um pouco envergonhada, eu nunca estive em um abraço com outro homem que não fosse meu pai.

— Você poderia ter pedido ajuda moça, você é muito pequena – disse sorrindo me deixando mais vermelha ainda.

Ele muito gentil me ajudou a guardar as malas. E logo se despediu. Devo confessar que fiquei um pouco triste dele ter partido. E nem ao menos me disse o seu nome.

Nossa viagem foi tranquila, assim que chegamos a pensão, fomos recebidas pela própria dona A senhora Hana Akemi, uma bela mulher vestida em uma Yukata azul, quase branco, em detalhes de belas borboletas. Ao lado dela estava, supostamente, dois empregados bem velhinhos, um senhor e uma senhora já com o cabelo todo branquinho.

— Sejam bem-vindas visitantes a pensão Hana, é com muita honra que recebemos nossos convidados. – disse com um belo sorriso, ela era uma mulher belíssima e parecia ser tão culta! – Senhor Mashashi, por favor, providencie levar as bagens de nossas hospedes para seus devidos quartos.

— Sim minha senhora.

E o lugar era fantástico, era muito melhor do que as pessoas comentavam nas revistas! Se eu soubesse já teria dado um jeito de vir para cá tirar umas férias!

— Ai, aqui com toda a certeza é o paraíso — Keiko-chan, se afundava nas águas termais. Foi o primeiro lugar que fomos visitar.

— Realmente é muito relaxante – respondi.

— Menianas não vejo a hora do jantar, um dos maiores elogios da pensão é a sua excelente gastronomia. — Dizia Fumiko-chan praticamente babando.

Realmente o nosso jantar foi perfeito, nunca experimentei um sabor desses. E a sopa caiu tão bem nesse frio, pela janela do refeitório pude ver que começou a nevar.

Logo depois fui para meu quarto tomar um banho no chuveiro, havíamos combinado de passar um tempo em frente a lareira da sala dos hospedes para combinarmos nossa caminhada na montanha amanhã. Animada peguei um folheto que falava sobre a trilha na minha bolsa, para vermos nós três. Foi quando eu esbarrei em alguém.

Era o rapaz de mais cedo!

— Olá moça pequena.

— Ooo olá...

— Nossa então você também está vindo para a pensão Hana que coincidência!

— A sim, eu sou Sayuri Yasu, eu queria lhe agradecer mais formalmente por ter me ajudado com as malas – fiz uma reverência.

— Não precisa disso tudo – disse ele também se curvando – sou Takahiro Isamu, é um prazer conhece-lá.

Ele estendeu a mão para mim e me cumprimentou.

Durante o caminho ele me contou que também havia tirado essa semana de ferias, ele tinha sua própria loja de esportes e que iria aproveitar a neve da montanha para passar seu pequeno descanso esquiando.

Assim que chegamos a sala ele ficou conosco, e eu não pude evitar os olhares maldosos da Keiko-chan para mim, quando convidou nós três para esquiarmos com ele pela manhã.

— Convidou você na verdade – disse Keiko-chan antes de dormirmos aquela noite.

Eu nunca havia andado em algo assim, e caia toda hora passando tanta vergonha, mas ele sempre vinha me ajudar, ele era tão gentil e carinhoso comigo. E eu me sentia tão nervosa perto dele.

— É claro que ele está interessado em você amiga!! – Fumiko-chan quase levantou da cadeira enquanto tomávamos nosso café.

— Deixa de ser boba, um empresário bonitão e solteiro, não aparece todo dia dando mole – Keiko-chan falava com tanta naturalidade.

— Não é assim meninas, somos apenas amigos!

— Aham, sei...

— Bom dia senhoritas – a senhora Hana entrava, tão bem vestida como sempre, no salão do refeitório – como está o café de vocês?

— Mágico senhora Hana – disse Keiko-chan junto as mãos – tenho vontade de nunca mais sair daqui!

— Que bom que se agradam – disse com seu lindo sorriso – Já estão sabendo que teremos uma pequena festa com os hospedes e uma queima de fogos?

— Não senhora, será hoje? – perguntei.

— Sim queridas, espero que divertam-sebastante mais tarde – disse ela para logo sair.

— Nossa, queima de fogos! Vocês trouxeram suas yukatas? – perguntou Fumiko-chan.

As duas trouxeram e eu não, isso nem passou pela minha cabeça... e com certeza o Takahiro-kun iria... eu gostaria de estar apresentável para ele.

— O que foi querida? – perguntou a senhora Hana, me pegando distraída na janela.

— Não senhora, eu apenas estava pensando no que vestir para mais tarde.

— Não trouxe uma yukata querida? – neguei com a cabeça – hora, não seja por isso.

A senhora Hana naquela noite me emprestou uma yukata rosa de cerejeira lindíssima, ela mesma fez o meu penteado e me maquiou, nem sei como poderia agradece-la.

— Isso não é nada querida, tenho certeza que Takahiro-san irá adorar.

Ai, meu Deus que vergonha, até a senhora Hana havia percebido.. será que ele...

Que tremor senti em meu peito quando o encontrei de boca aberta olhando para mim quando desci as escadas.

— Belíssima — foi o que ele disse.

Passamos a noite juntos até a queima de fogos, e foi nesse momento que eu ganhei o meu primeiro beijo!

Eu estava tão ansiosa para o dia seguinte que não consegui dormir, fiquei rolando na cama nervosa, ainda não havia contado o ocorrido para as meninas, sentia um pouco de vergonha. Me levantei e fui pegar um copo d’água no criado mudo.

Olhei pela janela e vi que a neve castigava o tempo lá fora, não sei se foi coisa da minha cabeça, mas eu acho que vi alguém, talvez uma mulher naquela nevasca.

— Yasu-chan, Yashu-chan acorde por favor, acorde – Keiko-chan me sacudia.

— O que foi? — perguntei sonolenta, ela ficou quieta e estava com uma cara de desespero, isso me assustou – O que foi?!

— Yasu-chan... o Takahiro-kun... está morto.

Eu não pude acreditar em ver seu corpo sendo levado, todos da pensão estavam nervosos e eu desesperada, ele foi atacado por algum animal... seu coração foi arrancado... por que meu Deus... como pode acontecer algo assim, ninguém soube dizer quando ele saiu da pensão, uma empregada o encontrou no início das montanhas. A senhora Hana estava abalada, e a mim... não restava outra coisa a não ser chorar.

— Yuki-onna – disse o senhor Masahi.

A mulher das neves?

— Pare de dizer essas bobagens papai – disse chorosa a empregada que encontrou Takahiro-kun – respeite o luto!

Eu não poderia mais ficar nesse lugar, eu não conseguia respirar, me sentia sufocada. Nós iriamos embora no dia seguinte com minha dor. Eu me afastei do quarto e fui para o salão. Me surpreendi ao encontrar a senhora Hana sentada em uma das mesas.

— Boa noite querida, está um pouco melhor?

— Eu não sei dizer senhora.... como ele pode partir assim? — Senti minhas lágrimas escorrerem por meu rosto. – Morto por um animal...

— Ou talvez por alguém.

— A senhora diz... uma mulher das neves? Como o senhor Masashi disse... é apenas lenda... folclore.

Ela pegou uma xícarade chá que só agora havia percebido que estava sobre a mesa.

— Não minha queria, eu já me encontrei com uma... uma vez.

— Como assim?

— Havia um rapaz, na minha juventude, es estávamos apaixonados, eu tinha certeza de que ele me pediria em casamento... eu o amava tanto, mas um dia ele disse que não queria saber mais de mim, que havia encontrado o verdadeiro amor da sua vida.

— E o que a senhora fez?

— Eu não aceitei é claro, fiquei atras dele, e ele apenas me desprezava partindo ainda mais meu coração, mas ainda assim eu insistia. Uma noite fui procura-lo, e o vi com uma mulher de cabelos negros, eu fiquei escondida observado os dois, porem de repente começou a nevar muito forte... e eu vi o braço da mulher atravessar seu peito, e arrancar seu coração.

— Meu Deus – coloquei as mãos na boca.

— Porém aquela mulher me viu, e apesar da dor de ver meu amado morto, fugi... ela veio atras de mim, teve um momento em que tropecei, pois não enxergava mais nada, pude sentir as mãos dela em meu pescoço, fazendo com que eu olhasse sua face... aqueles olhos vermelho sangue....

— Isso, não pode ser verdade.... que terrível senhora... como... como conseguiu escapar dela? – ela ficou em silêncio – Senhora?

Ela colocou a xícara de volta na mesa, um arrepio passou por minha espinha e um tremor por minhas pernas. Um voz gritava em meus ouvidos para que saísse dali correndo. Enquanto ela virava para mim lentamente.

— Na verdade, minha querida... eu não escapei...

Eu corri para porta, tentando fugir, porem estava trancada.

A única coisa que me lembro, foi um par de olhos vermelhos e tudo ficar escuro....

Notas finais
Essa foi minha primeira história de terror, quis fazer algo voltado para cultura japonesa, por isso eu escolhi a "mulher das neves" mudando um pouquinho sua história que pesquisei.

Minna não deixem de comentar :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!