---------------------------{ Ice pov\'s}

Meus olhos não queriam se abrir de jeito nenhum, mas aquele barulhinho chato do despertador não ia para até eu acordar.

--Tá bom! Você venceu. — disse irritado- De novo. — completei num tom mais baixo. Levantei-me, peguei o despertador e o joguei pela janela, quebrando o vidro e consequentemente o despertador também.

-- O despertador era meu, sabia?-disse uma linda voz de mulher- E ele não foi barato. — Luanna estava radiante como sempre, hoje mais ainda enrolada na toalha.

-- Eu compro outro depois. — falei, andando em sua direção. - Bom dia!- sorri sedutoramente para ela, abrindo meus braços.

-- Bom dia. — Luanna retribuiu meu sorriso e me abraçou. — Sabia que aquele despertador foi um presente? Trate de pegá-lo de volta e para o seu bem... Que esteja em ótimo estado. - disse-me em tom de ameaçador.

-- Tá brincando?! - perguntei fazendo uma careta — Acho que aquele despertador virou sucata.

-- Concerte-o então. -Luanna empurrou-me e saiu do quarto.

-- Ei! A toalha é minha! – falei pro vazio — Tá, pode ficar! - resmunguei indo ao banheiro. — Deve ser a décima toalha que eu perco só essa semana. — liguei o chuveiro e deixei a água cair um pouco, até ficar quente. Entrei em baixo do chuveiro, ficando tempo o suficiente para espantar o sono, por fim desliguei o chuveiro.

-- Perfeito!- falei comigo mesmo — Acabaram as toalhas! - sai do banheiro encharcado, deixando um rastro de água pelo caminho. Fui até o guarda-roupa para pegar um lençol e me secar, já que os que estavam em cima da cama não eram confiáveis. Depois de seco, vesti uma calça jeans azul marinho e um colete preto, que preferi deixar aberto deixando meu tórax definido à mostra.

A neve chegava aos meus joelhos e o vento frio bagunçava meu cabelo, que não era tão curto, atrapalhando minha visão. Minha franja passava dos olhos, cobrindo o azul gelo dos mesmos. Visto de cima eu poderia ser facilmente confundido com a neve, mas não era por causa da minha pele branca, e sim por causa do meu cabelo, que se brincar era mais branco que a neve. Não que eu tivesse pintado ou descolorido, também não sou velho, tenho apenas 16 anos. Simplesmente nasci assim. Cabelo branco, olhos azuis gelo, pele clara e com tendência a ser alto, mas só cresci até 1,80.

Não sou muito de me gabar. Está bem, só um pouco. Mas sou um dos melhores em esportes da minha escola e minhas notas ainda são altas. Sem falar que todo dia saio com uma garota diferente. Mesmo assim, ainda estou no segundo lugar do ranque de popularidade. Perdendo apenas para Guilherme. Um garoto da mesma idade que eu. Ele tinha uma pele mais clara do que a minha — se é que era possível-, cabelos pretos um pouco mais curtos que os meus e olhos de uns tons azuis meio puxado para o turquesa. O garoto é um esquisitão e anti-social, não sei como o deixaram em primeiro lugar. Que raiva! E o pior é que, antes, eu estava em terceiro, mas Michael, o que estava em primeiro antigamente, tinha desaparecido.

Andando sem rumo pela neve, viajando em meus próprios pensamentos, volto à realidade com um barulho de algo se quebrando. Tiro o pé de cima rapidamente fazendo uma careta ao ver o despertador de Luanna em pedaços.

-- Merda! Agora que ela vai me matar! – eu tinha a mania de falar sozinho – Que droga! Não dava para você ser um pouco mais resistente?! – nem acredito que estava brigando com um despertador – Vai demorar concertar isso. Se der para concertar! – abaixei-me para pegar os maiores pedaços do despertador.

Estava com muita preguiça de sair catando todos aqueles pedaços pequenininhos que se misturavam a neve, ficando quase invisíveis a olhos humanos. Voltei para casa e os coloquei em cima da mesinha do meu quarto.

--Tenho que procurar um despertador substituto por enquanto. – sai do quarto fechando a porta. Fui ao quarto ao lado, a porta estava entre aberta e pude ouvir parte de uma conversa:

-- Ah é! – escutei a voz do garoto, pude ouvir que ele mexia em seu guarda-roupa – Assim está melhor? – ignorante como sempre.

-- Não! – agora a voz era feminina bastante familiar. “Mentira?! Finalmente ele trouxe uma garota para o quarto?!”, pensei surpreso. – Esse casaco não vai conseguir te proteger do frio!

-- Eu não sinto frio! – disse o anta do Guilherme num tom estressado. Depois fala que é educado.

-- C-...? Por quê? – percebi que a menina estava confusa e ia querer uma explicação.

-- Viu?! É por isso que eu disse que você não vai arranjar uma namorada. – disse, intrometendo-me na conversa.

--Ice! – Disse Guilherme, indo até a porta, onde eu me encontrava – O que faz aqui? – perguntou com aquele seu famoso tom de irritação.

-- Vim pedir um despertador emprestado – falei indiferente, entrando no quarto sem sua permissão – E esclarecer uma dúvida – completei olhando em volta – Como eu imaginava. Era bom demais para ser verdade. – não conseguia ver ninguém no quarto. “Então tem outro espírito precisando de ajuda”, pensei. Diferente de Guilherme que podia ver e ouvir. Eu só ouvia e sentia a presença.

-- É, ela precisa de ajuda – o moreno falou, respondendo meus pensamentos – Você vai ajudar ou só vai pegar o despertador?

-- Escolho opção que inclui as duas primeiras! – falei, com um sorriso estampado no rosto. Eu nunca perderia a chance de ter mais uma aventura – O que o espírito quer?

-- Rennata! – disse a voz de mulher. Eu podia jurar que conhecia aquela voz.

-- Prazer Rennata! Chamo-me Ice. – disse virando-me para o lado em que a presença estava mais forte.

-- Prazer Ice. – disse a garota, pela voz ela parecia está espantada. – Preciso achar meu corpo. – disse-me.

-- Ok! Faz idéia de onde ele pode está?

--Está na casa ou no terreno em volta. – disse Guilherme.

-- Você tem idéia do tamanho desse terreno? – perguntei arregalando os olhos.

-- 1.500 km² só a casa. – disse seu rosto não demonstrava expressão nenhuma – O terreno todo tem 4.800 km².

--Errou! – esse cara me estressava, e eu não perdia uma oportunidade para mostrar-lhe que não era perfeito. – Agora são 5.000 km² ao todo. A diretora comprou o pequeno terreno ao lado há três semanas.

-- Não tenho bola de cristal para ficar adivinhando quando a diretora compra ou não um terreno! – disse – Até três semanas atrás eram apenas 4.800km²!

--Você não aceita perder, não é?!

--Quando foi que eu perdi para você? – perguntou num tom esnobe – Volte para seu quarto. Meu ajudante deve ter no mínimo dois miolos!

--Seu... – fechei minha mão num punho, quando estava para dar um soco bem no meio da cara daquele ignorante, senti uma pressão no meu braço. Como se algo, ou alguém estivesse tentando me impedir.

-- Parem! – escuto o grito de Rennata – Se é para brigar, então podem esquecer! Não quero mais a ajuda de vocês! – ouvir sua voz desesperada ajudou-me a lembrar de onde a conhecia. Há, exatamente, três semanas e dois dias atrás conheci uma menina que se chamava Rennata Felix Lourennce. Fiquei imóvel, viajando em minhas lembranças.

--Não preciso da ajuda desse lobo sarnento! – a voz de Guilherme tirou-me do transe – Já sei o que precisava! – disse olhando-me com um olhar superior e um sorriso debochado no rosto. Virou-se para o meu braço, onde estava a alma – Desde quando você está ligada a este local?

-- Há três semanas! – respondeu meio duvidosa – Estou definitivamente ligada faz duas semanas.

--Qual é o seu nome completo? – perguntei assim que as coisas passaram a se encaixar.

-- Re- Rennata Felix Lourennce. – respondeu num tom quase inaudível.

--Ah! Entendi porque não ligou. – falei num tom seco.

--Desculpa – ela estava com uma voz chorosa.

-- Tudo bem! – disse tentando animá-la. – Vamos procurar seu corpo.

-- Agora ficou mais fácil. – disse Guilherme virando-se para a porta – Temo apenas 200km² para procurar.

-- Não! – disse, sentindo a pressão no meu braço sumir – Você procura naquele terreno, eu vou procurar na gruta. – completei saindo do quarto antes dele.

--------------------------------{continua...}

Notas finais
Mais um capítulo postado, espero que gostem.

reviews ? *---*'
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.