Youth - Interativa
4 Morte ao faraó
Notas iniciais

Egito, inverno, ano desconhecido.
Hilda, a mulher legítima do faraó, tentava ter um filho durante muitos anos, mas ela não conseguia essa graça. Ela precisava ter um menino a qualquer custo, porque seu marido estava exigindo um herdeiro o mais rápido possível...
– Sra. Hilda, o faraó deseja sua presença — Um servo deu o recado e Hilda apenas assentiu e foi o mais rápido possível.
– Aqui estou, desejava a minha presença? — Hilda era totalmente submissa a seu marido, porém ela tinha que dividir a atenção com outra cinco mulheres, ela era apenas a mulher para aparecer em público.
– Mulher, ainda não carregas um filho em teu ventre? — O faraó falava com raiva.
– Ainda não, me perdoe.
– Vá visitar o curandeiro, veja se ele tem algo que adiante sua gravidez.
– Mas está de noite e frio lá fora.
– És tão fraca assim? Um ventinho não irá fazer mal, anda, apressa-te!
A jovem mulher não poderia contrariar as ordens do supremo faraó. Ela foi em seu quarto, pegou uma manta para não sentir tanto frio e saiu. O caminho até o curandeiro era longo.
Por mais que as manhãs atingissem uma sensação de 50 graus Celsius, as noite poderiam atingir temperaturas negativas. Em seu trajeto, Hilda já não aguentava o frio, acabou desmaiando e não chegou ao curandeiro. Em seus pensamento ela acreditava que iria morrer, que sua alma seria levada e que foi um fracasso na sucessão egípcia... ''Eu quero uma chance'', sua mente dizia isso... ''Por favor... só uma chance...''.
– Hilda, acorde... Hilda! — Uma voz chamava a mulher que estava a beira da morte. Quando abriu seus olhos, viu uma luz azul intensa que machucava os olhos. Hilda tomou fôlego e conseguiu fazer uma pergunta.
– Q-Quem está aí?
– Hilda... eu vim salvar sua vida. Não aclamaste por uma nova chance?
– S-Seja quem for... sim... me ajude... faço qualquer coisa para que eu tenha minha vida de volta.
– Seu desejo será concebido, mas em troca... terás uma noite de núpcias comigo.
– Núpcias? Mas sou uma mulher casada...
– Dissestes que faria qualquer coisa por tua vida.
– T-Tudo bem... — Hilda aceitou o acordo com o desconhecido e teve uma noite de amor. Ela mal esperava que seu futuro teria surpresas, agradáveis e desagradáveis.
x Nove meses depois x
– Senhora Hilda, aguente firme, a criança está próxima! — Passados alguns minutos de sufuco era possível ouvir o choro da criança.
– E-Então?! É um menino?!
– S-Sinto muito...
– O quê?!
– É uma menina.
– Menina? Não acredito... eu... vou... — Hilda não estava muito bem com a notícia, pois sabia que seu marido iria ficar furioso, ele queria um menino... MENINO! Ela acabou desmaiando e apenas esperou tudo passar.
(...)
Quando o faraó soube da notícia ficou realmente furioso, bateu em sua mulher e vivia dizendo que ela era uma inútil. Para não manchar sua imagem, ele criou as duas mulheres, mas com muita raiva.
Quatros anos passaram desde o nascimento da pequena Kailene, ela era uma menina muito agitada, inteligente e muito curiosa. Ela sempre dava um jeito de entrar na sala do faraó para saber o que ele fazia, mas todo cuidado é pouco.
– O que está fazendo aqui, criança? — O faraó detestava que entrassem na sala dele.
– Olhando! Quero os livros!
– Saia daqui, ninguém pode entrar no espaço privado do faraó.
– Dá-me os livros!
– NÃO! SAIA IMEDIATAMENTE! — A pequena menina olhou de forma furiosa para o seu pai, mas aquilo deixou o soberano intrigado. Ele parou para observar a menina e viu que os traços dela não tinha nada a ver com ele e poucas coisas se assemelhavam à mãe. O faraó desconfiou, sua mulher estaria traindo? Não, isso é inadmissível!
– Eu te odeio! — A menina teve coragem de desafiar o cara, realmente era uma criança destemida. Depois de jogar essas palavras na cara do homem ela saiu correndo.
A noite caiu e Kailene ainda estava acordada, queria diversão e atenção, mas não conseguia isso frequentemente, apesar da sua mãe estar sempre dando carinho para a pequena era muito ocupada.
Uma das servas foi até o quarto da menina para colocá-la na cama, mas ele teve uma terrível surpresa, um lobo da Etiópia filhote deitado na cama da criança. Ela apenas conseguiu gritar de desespero, pensou que a pequena menina tinha sido devorada pelo canídeo. Alguns guardas vieram correndo para saber o que estava acontecendo e logo depois a mãe de Kailene chegou, quando viu o pequeno lobo desmaiou.
Nesse ínterim que Hilda estava desmaiada, uma luz apareceu, uma luz semelhante a de anos atrás, azul e intensa:
– Hilda... o que houve? Por que estás desesperada?
– Você... quem é você? Tu aparecestes para mim pela segunda vez... queres meu corpo? É isso?
– Não posso... mas se pudesse eu seria teu homem...
– Diga, quem és tu?
– Isso é segredo, só posso dizer que sou pai de tua filha, aquela adorável criança.
– Que provavelmente acabou de ser morta!
– Como?!
– Minha filha — muitas lágrimas escorriam no rosto da jovem mulher, não queria perder sua preciosidade– foi devorada por um lobo!
– Lobo? — A estranha luz começou a rir, Hilda não entendeu e começou a gritar.
– SE ELA É SUA FILHA, POR QUE ESTÁS GRITANDO?!
– Calma, calma. A nossa filha é uma deusa...
– Deusa?!
– Bem, seria estranho conversar e ter relações com uma luz, não é? Pense mais um pouquinho e as peças irão se encaixar. Que nome destes a nossa filha?
– Kailene... Kailene Hecher.
– Filha da coragem... ótima escolha. Bem, vou explicar um pouco sobre ela: a Kailene é fruto de uma traição então tem os poderes dos desejos impuros, da sedução e por ter sido gerada no período da noite, deusa da escuridão. Infelizmente descobriram que eu desci à Terra para seduzir uma mulher e dessa relação tivemos um fruto, com isso, no momento que ela nasceu foi amaldiçoada por um dos deuses egípcios e essa maldição consiste na transformação dela em um lobo da Etópia. Como agora ela está mais forte, essa maldição apareceu e vai aparecer eternamente, creio que ela ainda não tenha controle dos poderes, mas ela será lobo nos horários de 22:00 até às 06:00.
– C-Como irei esconder isso de meu marido?!
– Hilda... me perdoe... não posso mais falar... salve sua... não... NOSSA filha!
A luz desapareceu e Hilda acordou no desespero, queria saber onde estava sua filha, levantou o mais rápido possível e entrou no quarto. Sangue... havia sangue no quarto...
– KAILENEEEEEEEEEE! — Hilda gritou e foi aparar a pequena loba que foi atingida por uma arma no seu olho direito.
– Madame, saia daí ou essa fera irá machucá-la — Na mesma hora o faraó chegou e mandou matar a mulher e a criatura que estava em seus braços.
– ESSA MULHER — Ele apontava para ela e olhava furioso– ESSA MULHER ME TRAIU! MATEM-NA IMEDIATAMENTE! ESSE MONSTRO QUE ESTÁ NAS MÃOS DELA É A PROVA DISSO... UMA MALDIÇÃO!
Hilda ficou estática, como ele descobriu? Será que sua falsa imagem de deus seria real, porque faraós se elevam a deuses sem nem mesmo terem poderes... ela estava com medo... não queria morrer e não queria que matassem sua filha. Sem pensar, a mulher saiu correndo fugindo das armar que eram lançadas em sua direção.
Hilda correu sem rumo, na escuridão de um deserto... correu para salvar seu futuro e o de sua amada criatura, mesmo achando aquilo tudo insano ela iria conseguir com muita fé...
x Muitos anos depois x
– Me perdoe Kailene... sua mãe não resistiu — A recém adulta chorou incessantemente, não suportaria viver sem a mulher que deu a vida inteira para cuidar de uma aberração como ela.
Um funeral simples e só com três pessoas foi realizado. Kailene e sua mãe viveram alguns anos após a fuga em um oásis, lá a menina aprendeu sobre tudo e todos, era um lugar misterioso, mas nunca questionou para sua mãe que sabia do mistério e nunca se perguntou porque era uma deusa, para ela a resposta viria ao longo do tempo...
– Mãe... eu juro... irei acabar com a vida daquele faraó. Dona, eu vou sair em uma jornada... foi muito bom ter a atenção de todos aqui, mas preciso partir.
– Querida, esse é seu destino. — A senhora entregou uma bolsa para Kailene — Aqui tem comida e um remédio para passar no seu olho. Tome cuidado!
– Obrigada! — Kailene desapareceu na imensidão do deserto, ela iria se vingar.
(...)
– Gostaria de falar com o faraó.
– Quem és?
– Uma das concubinas.
– Entre!
Kailene entrou, foi para um pequeno quarto... o quarto que ela lembrava nitidamente e transformou um pano que encontrou num vestido altamente sedutor, iria matar o faraó com suas armas principais.
Foi na cozinha, pegou um vinho e despejou o líquido que era para o seu olho... um ácido fortíssimo, seguiu até o quarto do soberano e usou seus poderes. Apenas o barulho da taça ao chão foi escutado... o faraó estava morto! Seu trabalho estava feito e sua alma estava leve.
– Kailene — Uma voz surgiu no local, ''estou fudida'', pensou a jovem– Você receberá a punição divina! Não ouse questionar ou fugir, eu irei te encontrar.
– QUEM ESTÁ AÍ?!
– Logo, logo irá descobrir!
Kailene sabia que iria passar por um árduo caminho, aquela voz era conhecida... em seus sonhos, estranhamente, ela sempre aparecia...
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