Youth - Interativa
2 Les Fleurs
Notas iniciais

Monte Olimpo, primavera, ano desconhecido
– Elise, se continuar olhando lá para baixo você vai cair! — Titânia gritava para sua filha
– É sério mamãe? Então eu quero cair! Eu quero muito ir para lá!
– Filha, ir à Terra é contra as regras do Olimpo. Veja, seu templo é muito melhor! Aqui só tem paz e tranquilidade, lá tem caos e impurezas para um pequena deusa.
– Mas... não acho que seja tão ruim assim — A mãe suspirou profundamente, pois sabia que sua filha não se convenceria tão fácil.
Elise Amaranto, deusa das flores, da natureza e da fertilidade. Dentro do seu círculo de relações sempre foi muito querida e amada. Possui uma beleza exuberante, uma personalidade maravilhosa e sempre foi muito obediente com seus pais, Titânia* e Oberon*.
(...)
Os anos passaram e a pequena Elise tornou-se uma fantástica deusa. Com suas habilidades ela era a próxima na linha de sucessão para comandar a floresta. Bem, esse era o certo, mas por um descuido a coroação teve que ser adiada por muitos anos.
Todos os dias sempre que podia a moça observava o planeta Terra, ela tinha muita curiosidade, queria saber como eram os humanos, queria visitar lugares históricos e apreciar de perto inúmeras paisagens. Em um momento em que não tinha atividades ela tomou uma decisão perigosa:
– Eu vou visitar a Terra! — Mesmo sabendo que era contra as regras, a jovem deusa estava destemida. Pensava que uma ida bem rápida não faria mal. Elise fez uma bolsa de vime e folhas, pegou algumas poções, plantas e alimento, não sabia o que poderia acontecer então levou tudo isso por precaução.
– Cadê aquele livro do papai que ensina uma mágica de teletransporte e... ACHEI! — Elise passou as folhas apressada, se sua mãe descobrisse que estava planejando fugir, seria o seu fim! Quando encontrou a página do feitiço, tratou logo de encontrar os elementos necessários e assim começou a pronunciar a magia.
– Oh deus da floresta, desejo expandir meus horizontes e conhecer novas culturas. Para concretizar meu pedido, o destino escolhido será a Terra!– Uma luz muito forte saiu do livro e Elise foi sugada para dentro dele. Não demorou muito tempo a viagem, a jovem deusa sentiu um baque que fez seu quadril doer.
Terra, verão, 2014
– Ai, ai, isso doeu! Ãh?! Eu... Estou... Na Terra?! Finalmente! — Elise chegou ao destino escolhido, ela estava dentro do Pártenon. Sem perceber, mais uma luz surgiu.
– Elise, você infringiu uma das principais regras do monte Olimpo! — A moça ficou abismada, quem estava ali e como sabia que estava burlando a lei?– Além disso, abusou de seus poderes!
– N-Não... Eu...
– Como castigo, o que restou do seu poder será tomado e terás que viver na Terra até que alguém venha buscá-la.
– Por favor, não! — Elise estava com os olhos marejados e desesperada– Como vou sobreviver sem meu poderes?!
– Os humanos conseguem. Serás uma humana até que venham procurar-te. - A luz desapareceu e Elise continuava desesperada. Pensava nos palavra da sua mãe e que ela tinha razão, era uma viagem arriscada.
(...)
– Moço, em qual direção fica o Jardim de Luxemburgo? — Elise ficou algumas horas desnorteada, mas depois se conformou e foi averiguar o local. Queria conhecer todos os pontos turísticos do mundo! Não poderia perder nem mais um minuto.
– E-Eh, bem... você está no país errado. — O homem estava com medo da moça, pois suas roupas não eram muito comuns para os humanos atuais. Elise trajava um vestido que muitos chamam de toga**.
– Eh?! Sério?!
– S-Sim, o lugar que você quer visitar fica na França...
– França... é muito longe?!
– São 2300 km até lá.
– 2300 km... droga, sem meus poderes eu não consigo invocar nenhuma criatura voadora...
– Eh?!
– O que eu vou fazer?!
– P-Pegue um trem...
– Trem?
– A estação é duas quadras daqui.
– Oh, obrigada! — Elise saiu correndo ate a estação e o homem ficou com cara de espanto, ''aquela mulher é louca'', ele pensou.
(...)
Por mais que o homem tinha dito que eram apenas duas quadras, ela tinha entrado na rua errada. Depois de rodas inúmeras quadras, Elise finalmente achou a estação de trem e foi logo para o guichê:
– A passagem custa 50 euros.
– 50 euros? O que é isso? — A deusas não sabia nada sobre o mundo humano, o pouco que sabia eram os nomes dos lugares que gostaria de visitar, mas não tinha a mínima noção de distância ou como faria para chegar.
– Por favor moça, se não tem dinheiro peço para que se retire.
– Mas eu quero viajar!
– Sem dinheiro, sem viagem! — Elise estava confusa, até que resolveu sair. Estava perdida e frustrada. Resolveu senta num banco e ficou lá, estava prestes a chorar, mas como detesta que a vejam chorando se segurou.
Uma senhora que estava passando resolveu perguntar o que aconteceu, mas Elise foi com medo, mesmo a dona sendo gentil, Elise não queria sofrer mais:
– O que houve mocinha? — A idosa perguntou.
– Hrggh — Ela grunhira coisas sem sentido.
– Não se preocupe, não farei mal a você. — Elise mesmo desconfiada resolveu falar com a senhorinha.
– Estou perdida...
– Há quanto tempo?
– Não sei... cheguei aqui e no relógio marcava 09:20...
– Meu Deus, já são quase 19:00! Olha, eu trabalho numa loja de confecção, posso te oferecer roupa, comida e um lugar para dormir.
– Sério?! — Naquele ponto Elise aceitava, ela precisava de um abrigo– Eu aceito!
Elise ficou na casa da senhora por muito tempo. Elas sentiu que estava na hora de ir, pensava que era um fardo para a senhora. Além de tudo ela aprendeu muito sobre os humanos e seus hábitos. Para retribuir o abrigo e os ensinamentos, Elise deu alguns perfumes para a idosa, por ser a deusa das flores ela conseguia retirar a essência da flor e produzir fragrâncias incríveis!
– Como faz perfumes tão bons?
– Esse é meu dom! — Elise apenas respondeu isso.
– Puxa, você tem muito talento!
– Dona... me perdoe, preciso ir, estou ocupando muito você... foi muito bom conhecer a senhora!
– Fique mais, não sinto que esteja me ocupando. Sua presença é muito agradável... digamos que você é como uma neta para mim!
– Agradeço o carinho e a consideração, mas realmente preciso partir - Elise estava triste, pois nos vários meses que ficou na casa da mulher idosa ninguém foi buscá-la. Ela iria partir e encontrar um meio de voltar para sua ''casa''.
– Eu que agradeço, você me ajudou muito. Obrigada!
Elise partiu, estava com algum dinheiro que ganhou da senhorinha, mas ainda não era suficiente para visitar o mundo, apenas o dinheiro para ir ao primeiro destino, a França!
Andou até a estação, pagou uma passagem entrou num vagão e esqueceu da vida. Num dado momento o trem tomou uma velocidade muito rápida, Elise desconfiou da rapidez até que ela pôde ouvir um estrondo. O escuro tomou conta do recinto...
(...)
– Elise... Elise... Abra os olhos! — Uma voz conhecida chamava seu nome. Ela levantou no sopapo e com o coração acelerado. Olhou em volta e viu sua mala e três pessoas : Sua mãe, seu pai e... ZEUS?
– Onde... Eu estou?
– Elise minha filha, finalmente — Sua mãe lhe deu um abraço forte, estava com saudades.
– Me... Me desculpem... Eu sei que quebrei um regra...
– Elise Amaranto — A voz de Zeus ressoava no local, era grossa e ameaçadora– Por conta de um comportamento irresponsável, você receberá uma punição.
– Sim, Zeus. — Elise apenas confirmou, sabia que estava errada e deveria pagar por isso.
– Passarás alguns anos numa instituição para jovens deuses. Não quero perguntas, apenas arrume suas coisas, a qualquer hora virão buscá-la. — Zeus desapareceu do recinto e a deusa ficou espantada.
Elise se perguntava: ''o que será da minha vida daqui para frente?''
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