Notas iniciais
Mais um capítulo ao seu dispor, caro leitor ;) Leiamos o que o futuro nos reserva.

Percebendo que Ethan vivia na biblioteca, e vendo o quão carismático e prestativo ele era, Heather, a dona do estabelecimento, decidiu lhe oferecer um emprego ali.

— Meio período, assim não atrapalho seus estudos – ela disse, detrás do balcão – O que me diz?

— Hm... – Ethan ponderou, pois fora pego de surpresa pela oferta – Ainda vou poder participar da roda de histórias com Carol e as crianças?

— Claro – a mulher concedeu, mesmo considerando estranha a prioridade do menino.

Eles acertaram os horários, o pagamento, e todos os procedimentos, de forma que, quando Carol chegou, carregando Sophia nos braços, encontrou Ethan vestindo um avental azul com o logotipo da loja estampado em branco, o que a fez soltar um riso divertido.

— Boa tarde, como posso ajudar? – ele perguntou, e os dois riram juntos.

— Você está uma gracinha – ela comentou, fechando a porta atrás de si.

Heather pediu que Ethan organizasse os livros das estantes mais altas na seção de literatura estrangeira, e depois de um “sim, senhora!” um tanto debochado, ele partiu para fazer suas tarefas.

Romances gregos, turcos, suecos, mexicanos voavam das mãos do menino para as prateleiras, separados em ordem alfabética, por assunto, por data, todos alinhados lombada a lombada – o que, ele admitia, para alguém fanático por organização como Ethan, era um deleite para a alma. Sensação melhor, porém, só havia uma: ouvir a voz de Carol narrar aventuras, parágrafo após parágrafo.

Como se pudesse ler a mente do menino, Carol se materializou ao lado da escada na qual ele estava pendurado.

— Ethan no céu com diamantes – brincou, olhando para cima – Beatles— ela esclareceu, quando não obteve resposta, indignada pelo fato de o menino não compreender a referência – Jesus, o que é que vocês ouvem hoje em dia?

— O menu do McDonald’s— ele respondeu. Como Carol também não teve reação, ele se explicou: – Lixo industrializado – finalizou, pessimista, fazendo-a rir – Não me entenda mal – continuou – É óbvio que há música muito boa por aí. Eu é que sou quadrado demais para ela.

— Então se fecha no seu mundinho de sucata musical? – Carol perguntou, entregando-lhe mais um volume para que ele o colocasse na estante.

— Eu mais leio do que ouço, na verdade – ele explicou – O silêncio é até bom. Me permite encontrar coisas novas, sem que os olhos interfiram – finalizou, referindo-se, sem que ela soubesse, ao primeiro momento no qual a ouvira, e começou a descer a escadinha de madeira sobre a qual estava.

— Profundo – ela disse, largando a escada, que até então segurava para ajuda-lo – Como vai o primeiro dia?

— Melhor impossível – ele sorriu, antes de se abaixar para pegar uma pilha de livros no chão.

Ethan se separou de Carol para levar a pilha até o balcão na frente da loja, e ela, sem ter nada a fazer, o seguiu com o olhar, admirando-o de longe. Observou enquanto o charmoso menino deixou frente a Heather os livros que carregava. Esta lhe deu mais algumas instruções, e eles tiveram um breve diálogo.

Pela porta, fazendo a pequena sineta de bronze tocar, entrou uma bela jovem ruiva num vestido rosa claro, com uma fina blusa branca desabotoada por cima. Carol deduziu que ela devia ter mais ou menos a idade de Ethan.

A garota, de tão bela, chamou a atenção da mulher, que continuou acompanhando seus passos, oculta atrás de uma estante. A ruiva se movia pelo espaço de forma tão graciosa que quase deixou algumas pessoas de queixo caído. Era, de fato, muito bonita. Como se houvesse saído de um dos contos de princesa.

Passando pelo balcão, a ruiva fez uma pausa ao ver Ethan. Afastou-se um pouco e o analisou de cima a baixo. Após abrir um pequeno sorriso de canto de boca, a menina se aproximou do garoto novamente e derrubou no chão, de propósito, um dos livros que Ethan havia acabado de deixar sobre o balcão, o que fez com que Carol arqueasse suas sobrancelhas.

Educado como era, ele se abaixou e a ajudou a recolhê-lo, enquanto a menina comentava sobre o quão desastrada era. Carol mal podia ouvi-los, mas não era difícil deduzir que ela estava se apresentando. “Jovens...”, ela pensou, revirando os olhos com um sorriso, e voltando a seus afazeres.

— Hm, claro. Acho que você vai me ver muito por aqui – Ethan soltou um risinho nervoso – Hoje é meu primeiro dia empregado e torçamos para que eu continue assim.

— Óbvio, assim eu sempre vou saber onde achar você – a menina ruiva, Elizabeth, devorava-o com o olhar.

— Eu devia voltar para o trabalho – ele tentou se esquivar – Minha chefe está logo ali – apontou para Heather, que ainda estava além do balcão, porém, agora, lendo uma revista genérica qualquer.

— Fala para ela não ficar brava, porque você acabou de conseguir uma cliente frequente – após uma piscadela, a garota do sorriso gracioso pegou um livro e escolheu uma das mesas para se sentar e lê-lo, dando a Ethan um momento de tranquilidade.

O garoto velozmente pegou a lista que Heather lhe dera antes daquele diálogo, e mais uma pilha de livros da devolução que precisavam ser recolocados em seus devidos lugares, e encaminhou-se para o local de destino do primeiro deles.

Lá pelo terceiro livro recolocado, uma Carol com um sorriso sugestivo no rosto parou ao lado dele, encostando-se na estante de braços cruzados.

— O que foi? – ele perguntou, estranhando o comportamento provocativo e debochado da mulher.

— Alguém é um arrasador de corações – ela zombou, fazendo com que os dois caíssem na risada.

— Nah – ele respondeu, simplesmente.

— Então, quando vai ser?

— Quando vai ser o quê? – ele perguntou, confuso.

— Que vocês vão se ver – ela provocou um pouco mais, tentando deixa-lo desconfortável. Sophia ainda estava longe da idade de namorar, então a estava divertindo muito fazer Ethan ter aquela conversa embaraçosa – Sair, pegar um filme, dançar.

— Não vai rolar nada.

— Como assim, por que não? – ela questionou, curiosa – Ela é tão bonita.

— Verdade, mas meu coração não funciona desse jeito – ele diz, meio triste, baixando o olhar, e retomando seu serviço para manter a mente ocupada – Prefiro amar com o que tem no meu peito, não na minha cintura – ele parou o serviço e olhou para ela – Entendeu? – ele riu da expressão surpresa no rosto dela – Eu só estou esperando.

— Esperando?

— Esperando que aconteça um milagre ou, não sei, alguma magia acontecer e... E essa garota de quem eu realmente gosto perceba que eu a amo e... Bem, me queira também – ele soltou um riso frustrado – Eu sei, deve ser a maior baboseira que você já ouviu na vida – Ethan balançou a cabeça para afastar seus pensamentos melancólicos, e colocou ainda mais força em seu trabalho, praticamente surrando os livros na prateleira.

— Ei, calma. Por que ela não quereria? – ela pousou a mão no ombro do menino na tentativa de acalmá-lo, lentamente cessando sua violência – Você é atencioso, gentil, bonito. Ela seria estúpida se não o quisesse.

— Não fala assim dela – ele rapidamente a cortou – Ela é tudo, menos estúpida. Ela acha que não pode estar comigo – o silêncio dela informava que ela queria que ele continuasse – Tem esse cara, também, que me assusta. Eu acho que eles estão juntos.

— Ethan... – ela lamentou. Um menino tão bom como aquele não devia estar sofrendo por amor nessa idade.

— Ele não a trata muito bem, sabe – ele continuou, com o olhar fixo na prateleira – Ela não parece feliz quando ele está por perto – aquilo fez com que o coração de Carol repentinamente parecesse pesado dentro de seu peito – O que dói é saber que eu podia trata-la melhor, sabe? Eu acho... Acho que a amo de verdade. Ao menos mais do que ele, com certeza.

Carol permaneceu muda durante toda a fala dolorosa do menino. Por um lado porque não sabia o que dizer, por outro porque não tinha certeza de que sequer queria dizê-lo.

— Por que ela continua com ele? – Ethan ergueu os olhos azuis quase lacrimejantes para encará-la fixamente. A pergunta atingiu Carol como uma flecha.

— Talvez ela não tenha uma escolha – ela respondeu, num sussurro tão baixo que foi quase inaudível. Ethan esfregou os olhos, forçou um sorriso mínimo no rosto e respondeu, sem um pingo de tremor na voz:

Sempre tem uma escolha – ele fez uma pausa para olhar no fundo dos olhos dela – Especialmente para uma mulher tão especial e forte como ela.

Ethan pegou a pilha de livros no chão e voltou a fazer seu trabalho, levando-a para a próxima seção, deixando Carol sozinha e pensativa.

Com a respiração pesada, Ethan caminhou apressadamente para a pequena sala de funcionários no fundo da biblioteca, fechando a porta atrás de si e largando os livros no chão. Com as mãos sobre o rosto e sentado no chão, ele se perguntava se havia falado demais.

Notas finais
Comentários? ^_^ Post de hoje lá no blog: "Curiosidades Aleatórias" ( http://thesecretfanficwriter.tumblr.com/post/146704388581/curiosidades-aleat%C3%B3rias )