O som das duas pedras de gelo dentro do copo de whisky e a luz do poste piscando do outro lado da rua pareciam sincronizados. Enquanto ele afastava levemente o tecido da cortina e tenta enxergar através da parte fina e semi-transparente não pôde deixar de notar os últimos amantes cambaleantes andando de braços dados fechando o último bar da rua.

Também era impossível deixar de escutar o som que vinha do quarto ao lado pois para isso ele sequer precisava estar próximo a parede. Cobranças de anos de um casamento levado adiante por motivos impossíveis de se explicar.

Ele descalça um de seus sapatos tocando um dos pés com a ponta do outro calçado. O seguinte também é tirado quase da mesma forma e agora seus pés tocam o carpete cinza e macio ocultando o barulho de seus passos. Ele escuta a porta do quarto vizinho bater com violência e direciona seus olhos para a luz do corredor que invadia a escuridão daquela suíte. A sombra do homem que estava no quarto vizinho atravessa o feixe de luz por baixo da porta, percebe-se então o barulho da porta de metal do elevador se fechando e isso se torna um sinal para que ele avance.

Rapidamente ele abre a porta da suíte 301 e a encontra chorando baixinho aos pés da cama larga de casal, ela lhe olha com seus olhos borrados e ainda assim sorri ao lhe ver. Ela então levanta-se e respira fundo para se recompor.

— Você está bêbada.— Ele diz, cortando o silêncio.

— E você está 8 anos atrasado.

Ele a beija.

Ela está certa.

Fim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.