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1 O contador de passos


326 passos... As vezes 332... Essa era a quantidade de passos necessários para ir do escritório na avenida Mirminton até o seu apartamento semi-mobiliado na rua St. Clarín, a variação dependia do número de pessoas na calçada a noite, as vezes bêbados, risonhos, empunhando suas garrafas de bebidas alcoólicas dentro de sacos de papel. Quando ele contava 350 passos era sinal de que a noite prometia ser longa pois os bares estariam cheios e o barulho de música alta entraria madrugada a dentro.

O velho casaco grosso e o chapéu de aba eram religiosamente pendurados no mesmo local todas as noites ao chegar em casa. O bip da secretaria eletrônica denunciava... Se havia mensagem, era dela.

— Você sabe o que fazer— Dizia a sua voz em tom costumeiramente soturna gravada no aparelho seguido de breves segundos silenciosos até o... — Bip!

— Eu cheguei ao hotel. Ele não veio.— Enquanto a ouvia, ele pensava: "Ela está bêbada e ele não foi no próprio aniversário de casamento"

— Sei que sou uma idiota, mas... Eu preciso de você.— Dizia a voz trêmula distorcida pelo álcool e pela raiva.
Ele pega o telefone, sua respiração o denuncia.

— Você está aí?

— Estou... Tudo bem. Eu chego em 15 minutos.— Daqui até lá serão só mais 286 passos. Bom... Pelo menos foi isso o que ele contou no ano passado.


Fim.