You're an asshole but I love you

8 Sonhe com os anjos, querida.


Notas iniciais
Oláaaaaaa swens :) Escutem a música Whatever - Oasis, acho que alguém tem que indica-la pra Emma e Regina, você vão perceber isso no decorrer do cap. "Sou livre para ser o que quiser, qualquer coisa que escolher Se estiver certo ou errado, tudo bem" E também To Be Alone - Hozier. Por que? Porque sim! *-----------* Primeiro quero agradecer aos comentários, sempre tão lindos que me alegra e - pausa dramática- infla meu ego, vocês são uns amores. Segundo, alguém deu fav, ou melhor dois ~alguém~ . 10 favoritaram e eu estou completamente boba. Obrigada. Esse capitulo é pra todos que estão lendo. ;) haha

Regina questionou a Emma porque ela colocava o despertador sempre para tão cedo — ela não tinha compromissos, afinal de contas —, e a garota não soube como fazê-la entender que cada dia era importante. É como se houvesse uma vozinha dentro dela dizendo-lhe para não perder um minuto, nem um único, porque o tempo era curto. Os dias passavam rápidos demais e logo, ela estaria longe de Storybrooke. E de Regina. Emma sabia seus motivos e os entendia, afinal era fácil entender, o difícil mesmo, era explicar.

“Eu me sinto disposta acordando mais cedo” Era uma meia verdade, porque nem de longe isso a faria acordar cedo, mesmo sendo verídico. Mas, por hora isso era suficiente.

~

O projeto do parque encontrava-se a todo vapor, os construtores haviam iniciado o projeto a quase uma semana e tudo caminhava bem. Regina resolveu envolver Emma para manter a sua mente ocupada e tira-la mais vezes de casa, seu humor oscilava durante o decorrer do dia e isso preocupava a morena, que apesar de saber que era normal aquela situação pelos os hormônios alterados na gravidez, não gostava de ver a garota dessa forma.

Emma era os olhos e ouvidos de Regina e sempre que a loura desejava ela e Graham — por insistência de Regina — iam até lá. Apesar da voz doce e amigável, Emma fazia-se ouvir, liderava com maestria e fazia que as vontades de Regina fossem cumpridas. A morena adorou essa semelhança entre elas: liderar.

O amor envolvido na realização daquele projeto aproximou, ainda mais, Regina e Emma que agora era comum passar boa parte do tempo conversando ou trocando mensagens pelo celular.

“Você nunca teve oponentes?” Perguntou Emma boquiaberta.

“Eles não ligam muito para politica” Explicou Regina.

“Hum... Mas você gosta?” Indagou a loura.

“Eu gosto de liderar” Disse a outra.

“Ah Regina, eu quero sua opinião, não de Cora..." Disse rapidamente "Que Deus a tenha” Completou na defensiva.

“Eu...” Regina refletiu uns instantes, analisando. Ela nunca quis ser rainha, almejava a liberdade, mas não foi o que ela teve em sua vida. Mas ainda assim, diante de todas as coisas que foi obrigada a fazer, sem a mínima vontade, liderar foi algo que ela se pegou adorando. Chegou a sonhar em ser uma líder amada e falhara. Então fez de tudo para ser uma temida e triunfara nisso.

Muitas vezes a dor educa de forma mais eficaz que o amor...

“Não era isso que eu achava? Sempre foi...” Pensou. Agora, Regina percebeu em si uma mudança latente, que cresceu nela e ela ao menos deu importância. Seus sonhos antigos, ela lembrava-se deles, mas agora pareciam distantes, como de uma vida passada. Seus planos, aqueles que ela havia se dedicado com tanto afinco, não a interessavam mais. Seu plano, por exemplo, em expulsar Emma da cidade, em manda-la de volta para seja lá o seu lugar de origem, não faziam nem mais sentindo. A vida muda de forma rápida, intensa.... Em um belo dia tudo poderia se modificar, inclusive ela. Estar em constante transformação é o que movimenta a vida. As mudanças acontecem de forma lenta, é verdade, mas chega o dia em que nem mesmo o mais cético pode deixar de enxergá-las. “Sério Emma, eu gosto de liderar, eu quero quer Storybrooke seja o lugar perfeito para minha família” Tão simples, mas carregada de significados para Emma Swan.

***

“Você já foi casada?” Perguntou Kathryn, ela havia ouvido uma conversa de Regina ao celular, sem querer, claro. “Eu não disse que queria casar, disse sobre amor, não que me casaria de novo”

Regina controlou a súbita vontade em revirar os olhos.

Sim” Respondeu apenas, sem tirar os olhos do celular.

“Quanto tempo durou?” Perguntou de novo a mulher, com a voz animada e se controlando para não dá uma pirueta na sala.

“O suficiente” Disse ainda mirando o celular. Esperava uma ligação.

“Para?”

“Para eu nunca mais desejar dividir meus lençóis com outro homem”

“Com outro homem? ” Kathryn mantinha a voz animada e até um tanto estridente demais.

“Exato”

“Então... Suponho que com uma mulher...” Regina levantou o rosto de imediato, fixando o olhar na mulher. Kathryn abriu a boca para continuar

“Cala-se” Diz ríspida e depois volta a atenção para os papeis a sua frente “E não volte a falar disso” Kathryn não tem a audácia em continuar e se retira da sala, o mais rápido que suas pernas a permitam andar sem correr.

Três quartos de hora mais tarde Kathryn entrou no escritório com um fax que acabara de chegar, Regina mantinha-se de costas para a porta, de frente a janela. Colocou-os sobre a mesa e antes de poder sinalizar sua presença, não pode evitar ouvir a conversa.

“Você está lembrando-se disso? ” Perguntou, seu tom bem-humorado.

“Certo, então vossa majestade para você”

Kathryn franziu o cenho. Com quem diabos, Regina conversava?

“Já? ”

“Okay... Emma? Se cuidem”

Kathryn ficou atônita. Por que Regina falava daquela forma com Emma? Não tinha a menor chance de aquilo ser real... Mas, era. Ela sente-se estranha, enojada... E culpada. Regina já havia desligado, então ela apenas fingiu a melhor cara neutra que conseguia.

~

No outro lado da cidade, Emma mantinha um sorriso bobo no rosto enquanto ouvia a voz sexy e despretensiosa de Regina ao telefone.

“Emma?”

“Oi”

“Pensei que havia desligado, ficou em silencio do nada”

“Estava rabiscando, nem notei que falava”

“Eu disse: Você está lembrando-se disso? ”

“Sim” Disse, sorrindo. Emma havia falado sobre como o Senhor Gold chamara Regina de rainha quando elas se conheceram. “Você é bem a rainha daqui. Mesmo” Provocou Emma.

“Certo, então vossa majestade para você”

“Regina... Tenho que ir, o Graham chegou”

“Já? ”

“Sim”

“Okay... Emma? Se cuidem” Emma sentiu a preocupação contida naquela frase. Ela sabia que há dias deixava a morena aflita.

“Não esqueça de almoçar. ” Alertou à Regina antes de desligar.

“Já vai” Gritou Emma, indo até a porta.

~

Regina chegou em casa horas mais tarde e o que encontrou escrito — uma porção de vezes — no papel ao lado do telefone a deixou aérea por uns segundos.

Estou sonhando em dar-te todos os beijos que eu já imaginei.

Seu corpo reagiu as palavras de Emma, ainda que não tenha sido para ela. Desenhou em sua mente os lábios de Emma... Seu sorriso com seus dentes brancos e pequenos... Abanou lentamente a cabeça afastando os pensamentos. A letra de Emma, ainda que ligeira, era caprichada e elegante. Com o dedo indicador Regina passou-o pelo papel, sentindo-os relevos. Sorriu sem motivos.

Emma ainda não havia ligado, o que quer dizer que ainda estava com Graham, despertando na morena seus sentimentos de posse, ao menos foi assim que ela definiu o incomodo que sentiu. Antes de ter a chance em pensar em ligar pra Emma, ela tocou a campainha. E depois uma segunda e terceira vez. E sim, ela sabia que se tratava de Emma, ninguém teria tanta impaciência em tocar insistentemente a campainha como ela. Muito menos na casa da prefeita.

Regina sorriu com a situação e foi em direção a porta. Como Emma podia esquecer-se tanto das chaves? Parou um instante em frente ao espelho, passando a mão direita sobre os cabelos alinhando os fios, mirou seus lábios, ainda vermelhos pelo seu batom usual, ainda que fraco.

“Emma?” O chamado à garota faz Regina despertar de seus devaneios. Ela conhecia aquela voz grossa. Graham.

Ficou tentada em abrir a porta e destruir qualquer que fosse as suas intenções em requerer a atenção de Emma. Mas não fez.

~

Emma olhou o relógio, Regina teria chegado em casa a menos de 15 minutos, provavelmente ainda estaria no banho. Revirou os olhos, por que tinha de ser tão relapsa? Quase sempre se esquecia das chaves.

“Emma?” Ela ouviu Graham chama-la. Teria esquecido se de algo no carro dele, também? Ela caminhou até o rapaz.

“Graham” Disse. Ele já estava fora do carro, encostando-se na porta do carro.

“Emma... E-eu” Graham começou, mas não sabia como continuar. Respirou fundo um par de vezes e fechou os olhos. “Você...” Disse apontando para ela. A mente de Emma deu um clique e ela temeu o que advinha dali.

“Você ou eu? Não estou te entendo” Emma conheceu Graham, de vista, no Granny’s Diner. Lembrou-se de quando Ruby lhe segregara sobre como Graham parecia encantada por ela, da forma que descreveu seus olhos dizendo que eles pareciam selvagens e ao menos tempo transmitia tanta paz. Ela não deu importância a isso, e mesmo quando há dias Regina os apresentou formalmente, a garota não notou o brilho que surgiu nos olhos deles ao mira-la.

“Eu não sei como te dizer, mas posso mostra-la” Disse de forma sedutora, nem de longe se assemelhava a forma que falava a meio minuto atrás. Ela não teve tempo de reagir, Graham rompeu os dois passos que os mantinha afastados e levou a mão direita ao pescoço dela, puxando a levemente para frente, em seguida pressionou seus lábios nos dela, um beijo calmo.

Ele não aprofundou o beijo, ao invés disso, segundos depois, separou os seus lábios, o suficiente para olhar Emma nos olhos. E aproximou-se de novo, dando espaço para ela se afastar dessa vez se quisesse.

Emma fechou os olhos, entregue.

Graham a beijava com ternura, enquanto mantinha a mão no seu rosto, invadiu a boca de Emma com a língua, explorando e provando-a. Era os lábios de Graham que a beijava, era o cheiro dele que ela sentia. Mas, não em sua mente.

Ela sentiu o cheiro de outra pessoa, foram outros lábios que ela beijava.

Os lábios que ela poderia desenhar de tanto que já os estudou. O sinal e a cicatriz. E, seu sorriso, que agora lhe sorria tantas vezes.

Emma colocou a mão no peito do homem e rompeu o beijo sem aviso prévio. Manteve os olhos fechados por um instante, em uma prece silenciosa para que quando abrisse-os, como por mágica, os seus desejos tornassem-se reais.

Ela abriu os olhos.

O sorriso que lhe sorria com tanto apreso e carinho não era o dela. Não era Regina e nunca seria, ainda que desejasse tanto.

Ela sentiu se culpada, por que havia permitido o beijo? E pior, por que havia retribuído?

Contudo, ela sabia as respostas. Regina. Ela já tinha decidido, principalmente, pela sua sanidade metal não pensar em Regina daquela forma. Mas a cada dia sua mente criava-as com mais força.

Pra Emma, Regina era como uma fogueira. Era bela, envolvente, chamativa como as chamas. Mas todos sabem que se ousarem se aproximarem demais ou tocar, ela fere, deixa cicatrizes.

E ela temia. A cada dia que ela acordava na mansão da morena. A cada dia que elas conversavam. Ou menos quando elas partilhavam o silêncio. Tudo a instigava e provocava nelas reações novas. Imaginava que poderia esquecer Storybrooke e tudo que deixaria ali, assim que fosse embora.

“Tola. Nada será como antes”. Pensou Emma.

“Graham... Isso foi um erro. ” Disse ela, sua voz mais alta que um sussurro.

“Não. Emma, eu gosto de você... E pelo beijo acho que você também gosta de mim” Ele disse contente.

“Eu gosto, como amigo. Amigos que podemos ser, se esquecer-se dessa baboseira. ” Emma respondeu, um tanto rude demais.

“Emma, acho que não posso fazer isso”

“Então esse adeus é definitivo. Eu não vim aqui atrás de um namorado. ”

“Nos dê uma chance” Ele suplicou. Tentando agarra-lhe a mão. O que ela não permite.

“Adeus” Ela disse, fria. “Grah, eu quero que seja feliz... E você será. Mas não comigo”. Ela completou, com a voz mais amena.

E virou-se para porta. Dessa vez Regina não tardou em abri-la, fazenda a assim que Emma tocou a campainha. Regina e Graham se cumprimentaram com um aceno. E embora Regina se mantivesse displicente, sentiu seu sangue ferver dentro de si.

Ela realmente não abriu a porta, mas isso não há impediu de olhar para fora da casa, pelas persianas de vidro ao lado da porta.

***

Regina estava sentada a mesa, a mais distante da porta, tinha uma pilha de papeis em mão e mais algumas sobre a mesa. Ao lado direito dela tinha um prato intocado. Emma entra no estabelecimento e se depara com Regina ali, o que ela estranha, pois, a morena não ia lá naquele horário. A garota pediu um chocolate quente e se direcionou para a mesa ao lado da porta, onde ela tinha uma visão privilegiada de Regina. Buscou o celular no bolso e discou o número conhecido.

“Você está bem? ”

“Sim”

“Posso te fazer companhia a mesa? ”

“Não”

“Okay”

“O que você quer, de verdade, Emma? ”

Quando Emma buscou o olhar de Regina, notou que ela já a mirava, o olhar carregado de luxuria. Emma disse — tomando por cinco segundos de insanidade — sem emitir nenhum som. “Você”

Emma não sabia ao certo como, mas agora elas estavam em sua cama, na mansão de Regina. Emma pressionava seu corpo no da morena, reivindicando um beijo a tanto esperado.

“Isso é bom” Disse Regina, enquanto Emma descia com uma trilha de beijo pelo seu queixo, pescoço, parando entre os seios da mulher mais velha, o tanto que a roupa ainda na morena, lhe permitia.

“Parece um... Sonho” Diz Emma com um sorriso apaixonado no rosto.

No segundo seguinte, Regina pareceu esvaecer sobre os dedos inquietos de Emma que tentou a todo custo segurar-lhe a cintura. Antes de tudo ficar claro de repente.

“Droga” Disse a garota, virando-se para o lado oposto, tentando retomar ao sono.

“Você me chamou?” Regina diz assustando Emma.

“Regina... e-eu” Emma engole em seco, descendo com seus olhos pelo corpo de Regina e depois retomando aos olhos. Regina estava impossivelmente nua, e caminhou lentamente até a cama de Emma, como uma leoa atrás de sua presa. Em seguida, invadiu o espaço pessoal da garota inclinando o corpo sobre ela, fazendo todo corpo de Emma estremecer, mesmo sem ainda tê-la tocando.

Emma fecha os olhos esperando um contato dos lábios de Regina nos seus.

Acordou, dando um saltito na cama; sua respiração ofegante o único barulho no quarto, levou a mão na testa sentindo-a molhada de suor. Suspira frustrada com o que acabara de acontecer: Sonhou que sonhou com Regina, e isso era tão confuso quando parecia.

“Preciso de um copo de água. Água muito, muito gelada”. Diz indo até a cozinha.

Ela, infelizmente, não se encontrava sozinha no primeiro andar. Por qualquer motivo, Regina estava lá sentada a mesa com uma xícara em mãos.

Você está bem?” Perguntou a morena, notando o estado de Emma.

“Estou” Disse apenas, sua voz rouca.

“Parece nervosa” Constatou Regina.

“Estou” Repete o dito, ainda sem ter coragem de mirar Regina.

Emma leva a mão, disfarçadamente ao braço, beliscando. Estaria sonhando ainda?

“Teve um pesadelo” Diz Regina, ela muitas vezes tinha pesadelo a noite, vozes do seu passado, almas raivosas que vinha cobra-lhe as dividias que ela fizera: as vidas que ela tomara.

“Não exatamente. Eu só preciso de um pouco de água”. Diz. Não conseguindo evitar um meio sorriso, era impossível ela não sorrir olhando Regina.

“Você está pálida, sente-se, Emma. Eu pego”

Regina foi até o armário, virando-se para pegar o copo. Emma permitiu analisar a mulher a sua frente, a morena vestia uma camisola preta curta, e ao levantar o corpo na intenção de alcançar o copo o vestido subiu em seu corpo, revelando mais que devia. Emma quis desviar o olhar, mas ao invés disso olhou mais atenta e pode notar o tamanho, ou melhor a falta dele na calcinha usada pela outra. Miserável. Sentiu as mãos ficarem quase dormente e a mesma sensação subir pelas pernas. Estava, irrevogavelmente, excitada.

Sentou-se, temendo que as pernas não fosse aguenta-la por mais meio segundo. Regina logo depois fez o mesmo estendo o copo com água pra Emma. Que, propositalmente, deixou que seus dedos acarinhasse, levemente, os de Regina.

“Dizem que contar o pesadelo ajuda a não tê-los mais.”

“Podemos deixar essa... memória pra outra hora?” Emma ainda olhava as vestes da outra.

Regina sorriu “Vai ser sempre assim? Uma memória por outra?” Perguntou, cheia de graça.

“Sempre” Emma confirmou olhando Regina e notando que a outra havia percebido seu interesse, nada velado, pela sua roupa. Deixando-a de imediato nervosa e fazendo-a falar qualquer baboseira que lhe veio em mente.

“Onde comprou essa roupa?” Faço questão de explodir o lugar, você não precisa de mais dessas. Completou em pensamento.

“Eu ganhei” Respondeu, sem muita certeza. De uma maldição. Adicionou.

Emma mordeu a língua, não querendo continuar o questionário. Quem? Ela quis perguntar. Mas se soubesse isso, teria mais de uma resposta e temia não ser o que ela gostaria. Regina certamente tinha um namorado secreto, impossível não ter. Todos daquela cidade eram cegos ou loucos? Não viam a joia rara que era aquela mulher?

“Quer um chá?” Indagou Regina, levando a xícara aos lábios.

“Acho que já estou pronta para voltar a sonhar... Se não se importa” Responda Emma, sorrindo.

Regina sorriu também, escondendo-se com a xícara, sem perceber.

“Não me importo. Sonhe com os anjos, querida” Disse para Emma.

“Você também” Disse. Sua mente trouxe Regina à tona. Sonhar com os anjos.... Foi isso que eu estive a fazer.

Depois de virar-se um par de vezes na cama, Emma aceitou que não dormiria tão cedo. Sua mente trazia a imagem de Regina agora pouco na cozinha vestindo tão pouca roupa; trouxe a imagem dela na primeira vez que se viram; quando elas conversaram compartilhando suas dores e saudades ou ainda melhor, quando elas tiveram um momento singular dividindo tão pouco espaço no sofá, com Regina agarrada a sua mão, como se dependesse daquilo para se salvar... A primeira vez que Regina evitou a poltrona e permitiu estar perto de Emma... Ela não podia deixar de notar o quão lindo isso era. “Por que nunca sei de quem vou gostar?” Perguntou de si para si. Depois estremeceu sobre os lençóis e puxou-o até o queixo, como se até respirar fosse perigoso.

Regina fazia Emma estremecer. Derreter.

Os olhos de Regina. O sorriso. Seu humor. Sua voz. Seu jeito.

Ela estava apaixonada por Regina... Não era apenas desejo, desejo puramente carnal, era algo mais... Espiritual. Algo que não teve chance de sentir antes. Ainda que Neal, de amigos tivessem se apaixonado, e a partir disso tudo tivesse crescido... E, então, ele se tornou seu primeiro amor, tudo tinha sido mais simples, porque ele se declarou para ela. E era reciproco, sempre foi.

As coisas já eram complicadas sem ela admitir isso, ainda que apenas para si mesmo, o peso era grande demais. Por que tinha de ser tão burra? Por que nutriu esses sentimentos?

Sentiu uma lagrima solitária rolar pelo seu rosto e sendo aparada na maciez do travesseiro, sumindo ali.

Desejou poder sumir com tamanha facilidade.

***

Quando Regina subiu ao quarto, quase uma hora mais tarde viu Emma deitada, uma virgula encolhida na cama, a coberta estava amassada embaixo dos pés da garota, não ousando acorda-la foi até seu quarto e buscou uma de suas cobertas no armário, retornando e cobrindo Emma. A loura tinha um sorriso no rosto, estava tranquila e isso de alguma forma tranquilizou a morena.

Regina esticou o braço para tirar-lhe os fios que caiam sobre o rosto.

Por que tudo tinha de ser tão complicado? Não poderia ter conhecido Emma em outra circunstância? Sentiu vontade em deitar-se ali ao lado dela, de observa-la atentamente até ver seus olhos – incrivelmente selvagens, de como um dia descreveu pra Graham, e tranquilos – se abrirem e de ser o motivo que ela sorriria ao acordar. De tocar-lhe o baby-doll de patinhos — o pensamento fazendo a sorrir, Emma às vezes era apenas uma menina — que usava e desejar arranca-lo, sentir o desejo nascer naturalmente, desejo genuíno, em vez de manipulado com faz com Graham.

Tudo deveria, poderia, mas não seria menos complicado. Reprimiu suas vontades e saiu do quarto. Emma afinal carregava o filho dela e isso seria complicar tudo.

~

Na manhã seguinte ao ver Emma já empoleirada na cadeira com duas xícaras de café no balcão a sua frente — além de torradas e a geleia preferida da morena. Regina sorriu contente.

“Bom dia, senhora prefeita” Regina usava um de seus terninhos, saia um pouco acima dos joelhos, blusa branca e um blazer por cima.

“Bom dia, senhorita Swan” Sorriu com a formalidade de ambas.

Depois de trocarem algumas palavras, Regina lembrou-se da biblioteca, Emma tinha feito uma bagunça, nem mesmo os livros na estante estavam organizados. Regina odiava bagunça e suspirou fundo para dizer-lhe “Por favor, arrume a biblioteca, Swan” Usou o sobrenome para que o aviso fosse mais austero e surtisse o efeito desejado.

Quando chegou em casa sua ordem havia sido cumprida — e Emma não tinha saído com Graham hoje e isso deixou Regina sorrir por um instante. Os olhos de Regina faiscaram, a biblioteca que por anos estava organizado por ordem alfabética de autor; por ano, os mais antigos distantes dos mais novos dentro de cada autor. Agora era organizado por cores.

Sim, todos os de tons terrosos estavam em uma estante a direita, e os de tons vivos juntos, vermelhos perto do amarelo e entre eles os laranjas, logo depois os verdes, azuis claro e escuros e por último rosa.

A biblioteca era, quase, um arco íris. E sim, Regina havia adorado. Estava vibrando quando olhou o feito de Emma, abanou lentamente a cabeça com um sorriso nos lábios. “Emma é impossível.”

Notas finais
Eu voltei rapidinho, em? Não mereço um comentário? Sim, estou apelando haha Comenta um 'gostei' ou 'odiei' mas deixe-me saber suas opiniões. Enfim, temos Graham saidinho pro lado da Emma. Temos Kat e Regina falando de algo do passado. Temos Regina desejando poder dormir ao lado de Emma, quem sabe mais o quê. E Emma... Emma está percebendo que não é tudo tão simples quanto ela queria, não é apenas desejo. Fiquem com essa. rsrsrs E sim, Graham roubou a definição de Regina sobre os olhos esmeraldas de Emma. u___u Beijo. Até breve.