You're an asshole but I love you
14 Nós amamos você, Emma - Parte II
Notas iniciais
A lua pálida crescente, se erguia, iluminando um trecho das aguas calmas do oceano. Elas caminhavam lado a lado, Emma remoía sua fala dito a pouco: Se desejava demostrar sua paixão para Regina e sentia se leve só de dividir-se com ela, porque diabos agora essa confissão lhe parecia pesar tanto? As palavras rodopiando em sua mente tirando-lhe o sossego, principalmente, depois de todas boas surpresas que Regina lhe proporcionara hoje.
“Melhor dizer logo” Emma ouve a voz rouca de Regina dizer, ela evita olha-la naquele instante. Estava tão na cara assim? Era mesmo um livro aberto, pelo menos para ela. A chave na ignição e o aquecedor ligado – e de fato aquecendo – demostrava que já estava sendo vigiada a algum tempo. Emma solta um longo suspiro antes de começar.
“Nada importante... Só estou pensando”
Emma a olha de soslaio, a vendo estreitar os olhos, em um semblante imparcial, depois ela acena de leve com cabeça, como se compreendesse. Emma fita a pequenina flor que carregava com delicadeza. Fazendo sua mente trazer a imagem de outra flor... Ou melhor, flores. Ela sorri. Afinal, ela desejara que as, lindamente, vazias rosas tivessem sido ideia de Regina. Não tinha sido. Aquelas flores tinham lhe despertado para um novo sentir. Inevitável. Pungente. Aquele gesto de Graham havia lhe trazido alguém para... adorar. Adorar muito. Com mesma facilidade que recordava de momentos assim, outros também se apoderavam.
“Eu passo tanto tempo pensando no passado... nos motivos para tudo... Não sei... Apenas é um peso que nem sempre é fácil de carregar... Queria poder entender algumas coisas... porque ele iria embora ou ainda pior, meus pais. ”
Regina a olha com compaixão, Emma continua a falar:
“Ele morreu para mim. Literalmente. E tem meus pais. Invisíveis. Impossíveis de achar. São questões que rondam minha mente. Quem ama não abandona, não é? ”
“Sim” A pergunta era uma retorica, mas Regina responde ainda assim.
Emma ri sem humor. “Soa tão errado, que mal acredito que falei isso”
“Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo também olha para você... Não é o que dizem? Deixe o passado onde ele deve estar, não foi isso que me pediu? Seguramente, estava vendo tudo distorcido, estar apaixonado significa isto. ” Regina diz, conseguia entender a garota, mas tinha qualquer coisa no quesito Neal, que ela, por vezes, gostaria que fosse tabu entre elas. Sabia que estava soando insensível. Respira fundo, sentido o aroma de lavanda e maresia vindo de Emma, tranquilizar seu coração. “Eventualmente, você vai encontrar alguém que possa te mostrar o significado da palavra amor e então, não dirá isso em relação a ele. ”
Emma pensa que seguramente ela detestava quando a morena, eventualmente, usava essas expressões, era só uma maneira delicada – que na verdade não o era – de dizer: estou certa. E aquelas palavras trouxeram à tona algo que Emma não desejava pensar tão cedo... empurrou para o fundo da mente. Tentando focar no fato de Ruby e Mary não terem ligado ou mandando uma mensagem.
“O que você acha de jantarmos fora? ” Indaga a morena, depois de alguns minutos em silêncio. O tom completamente mudado. Era volúvel. As palavras carregaram uma doçura tão nítida que Emma pensa em ignorar as dores chatas e o cansaço que já sentia a algum tempo e aceitar o pedido, que parecia tão oportuno.
“Que tal amanhã? ” Pergunta Emma. Pensa consigo que ainda que Regina parecesse decepcionada, não mudaria de opinião. Precisava mesmo da sua cama, eram 6:45hrs ainda... mas parecia o horário ideal para dormir.
“Eu adoraria..., mas, hoje, sendo um dia tão especial, você poderia escolher qualquer coisa e eu realmente não diria nada... Além do mais, de qualquer jeito, você terá que jantar, só nos pouparia tempo” Diz Regina, Emma balançava a cabeça em positiva, parecia plausível. De fato, Regina sabia defender seus pontos. Acabou desejando batatas-fritas – não assadas ou gratinadas – e seu queijo quente. Sentiu-se salivar. Chocolate quente com canela. Suspira com a imagem.
“Concordo..., mas para onde vamos? ” Emma indaga. De certo, não seria o Granny’s, provavelmente a levaria para qualquer lugar que só teria opções in natura.
“Granny’s” Anuncia Regina, Emma a olha surpreendia.
“Sério? ” Regina se contenta em confirmar com a um aceno breve de cabeça.
~
Pararam na frente do Granny’s, como era de esperar, por ser segunda-feira só um casal – de amigos ou não – estavam fora do estabelecimento tomando qualquer coisa em xícaras fumegantes. Regina espera até que Emma desse a volta no carro, após travar o carro, vira-se para Emma posicionando sua mão livre na lombar da loira, com uma leve pressão sinalizando para que Emma andasse e foi o que ela fez.
“É cedo..., mas não está muito mórbido lá dentro? ” Cochicha Emma para a outra.
“Não? ”
“Porque você quis vim aqui? Pensei que achava que o café da vovó só servia mesmo para o café da manhã”
“Ainda acho..., mas sei que suas comidas favoritas estão aí dentro”
Emma sorri, dando-se por vencida. Regina se inclina para abri a porta e dar passagem à Emma.
A calma não tardou em findar-se. Emma entra, dando uma olhada rápida no estabelecimento: além da luz do balcão de atendimento e outra no corredor que dava para os quartos, estava tudo um breu. No fundo do Granny’s ela consegue ver a Senhora Lucas acender o par de lâmpadas, que por qualquer motivo estavam apagadas, revelando o resto.
O resto em si, não fariam Emma ser tomada por tamanha felicidade, surpresa e adoração, além de um misto de coisas que não soube definir, talvez, por falta de experiências iguais.
“Surpresa” Um coro chegou aos ouvidos de Emma e ela sorri, com os dedos sobre os lábios trêmulos.
Ela viu seus amigos e conhecidos: Ruby, Mary, Ashley, Graham, Granny, Leroy, Archie, todos com um sorriso caloroso no rosto, ela viu suas bocas abrirem em dizer palavras que ela não assimilava tamanho o choque. Porém seu sorriso aumentou em seu rosto. Outros conhecidos também estavam sentados lá, fora da brincadeira, mas não completamente, entre eles Sidney, Adam e Whale.
“Surpresa” Regina murmura, Emma se vira para ela e seu choque não diminui, pelo contrário, sentia que sua expressão demostrava tudo, pois Regina voltou a dizer “Sim, eu sabia. Tive uma pequena participação” E sorri a espera de uma reação que não vem. “Tudo bem? ” Toca-lhe o rosto “Não vai passar mal, por favor” Diz preocupada, sua mão tocando de leve a barriga de Emma. “Quer sentar? ”
“Não, não. Tá tudo bem” Confirma. “Só é meio inacreditável”
“Você merece o mundo. ” Ruby diz, se aproximando das duas, logo passando por Regina e ficando em frente a amiga. “Parabéns, Em... Eu amo você”. Sussurra para a loura, inclinando-se para abraça-la. Em seguida é interrompida por Mary que já em seu alcance lhe solicita para que ceda o lugar. Emma sorri, para receber a sucessão de abraços, felicitações e demonstrações de afeto dos seus amigos.
Após a fila acabar e Emma se sentir tão inundada de carinho que não saberia descrever, finalmente pôde olhar atentamente para o ambiente: alguns balões decoravam as cadeiras – mas não todas -, provavelmente um modo de demostrar que estavam revezadas, e não só isso, o lugar estava repleto de balões coloridos; uma mesa com guloseimas e lanches e ainda outra com bebidas – alcoólicas ou não. Contudo, o que lhe deixara olhando fixamente por um minuto inteiro, sentindo as lágrimas encherem os olhos, foi uma faixa que ia de um lado a outro do teto, por detrás do balcão, não tão alto que não pudesse ser lido. Em destaque com letras garrafas e no centro da faixa os dizeres: Nós amamos você, Emma. Além de lindas mensagens, escritas a punho, espalhadas pela faixa, mas o que chamara mais atenção dela foi um desenho simples: um cisne coroado, e ao lado o nome dela. Regina. De imediato, Emma — que meio que a esquecera nesses minutos de comoção – a procura, mas ela não se encontrava ali. Imediatamente olha o canto oposto, onde Sidney estava, solta o ar que nem notara que prendera, ao notar que ele ainda estava lá.
Levanta-se na intenção de procura-la, mas ao fazê-lo, como no timing perfeito, a luz do centro do estabelecimento é apagada e Ruby chega batendo palmas chamando atenção para si. Mary, por sua vez, alcança Emma e a puxa para o centro do lugar, os outros fazem um semicírculo em torno da loura, logo atrás de Ruby umas luzes tremeluziam, iluminando fracamente um rosto, um sorrisinho nos lábios que Emma identificaria em qualquer lugar.
“Parabéns para você, nessa data querida...” Ruby começa a cantar enquanto bate palmas, sendo seguida pelos demais. Regina continua a andar até parar a alguns passos de Emma “Muitas felicidades, muitos anos de vida” Emma ouvia a voz da morena nitidamente, por sua proximidade ou por ser a voz que mais gostava dentre seus amigos, não sabia.
“Tenha tudo de bom do que a vida contém, tenha muita saúde e amigos também. ” Ruby canta, nitidamente mais alto ao ouvir o que os outros cantavam era diferente daquilo.
“É pique, é pique, é pique, é pique, é hora, é hora” Os outros diziam, quase em uníssono.
Emma ri imaginado a reação de Ruby ao ser a única a conhecer aquela versão da música.
“Rá-ti-bum. Emma. Emma” Regina aproxima um pouco mais o bolo com as dezenove velas no topo. “Emma, Emma” As pessoas continuavam a falar contentes. Quebrando as expectativas de Regina, a garota dá a volta em torno da mulher, ficando com metade do corpo atrás dela
“Juntas” Emma diz para Regina, que se posiciona de acordo, deixando o bolo entre ela e Emma. Emma assopra a vela apenas para lhe fazer tremeluzir, leva sua mão a cintura de Regina.
“Não esqueça o pedido” Senhora Lucas grita de algum lugar atrás de Regina.
“No três... um, dois, três” Emma fala, assoprando com a morena a vela.
“Que você seja feliz” deseja Regina.
“Sua felicidade” Pede Emma à morena.
Ruby bate palmas animada, gritando para a vó ligar novamente a luz, o que logo é feito.
Ruby e Mary – Mais atentas a Emma — não conseguem não achar graça da audácia da sua amiga, achando aquela ceninha toda incrível. Principalmente, por contar com o amparo da prefeita.
Granny se aproxima do grupinho, tirando a bandeja com o bolo das mãos de Regina e depositando no balcão. Após Emma cortar o bolo como vovó lhe instrui: de baixo para cima.
“Para que sua vida só melhore” Granny diz.
Após cortar e depositar em um prato, mas uma vez a vó diz: “Para quem vai à primeira fatia? ”
Emma olha para todos.
“Vai para quem mantém meu coração batendo” Ela quase ri da cara de Mary e Ruby. “Eu mesma” Completa enfática.
Vovó servira todos com bolo e refresco, logo depois as pessoas conversavam animadas, Emma andava pelo estabelecimento no intento de dar atenção a todos presentes, mas seus olhos sempre recaiam em Regina: sentada sozinha, conversando com Adam — que foi ao seu encontro, falando com Graham ou Granny, e até mesmo Ruby.
"Esse olhar, eu conheço bem..." Leroy diz, sentado na cadeira junto ao balcão. Emma gira o corpo em direção ao homem, imagina que provavelmente o homem não falava o que ela achava que ela havia dito. Não. Estava tão aparente?
“Preciso te contar uma coisa” Ele diz, Emma senta-se ao lado dele.
“Sim? ” Emma diz com um meio sorriso, olhando os olhos pequenos do homem a sua frente.
“Você já encontrou alguém que te faz feliz só por existir? Que te faz suspirar com um sorriso? Uma pessoa que você faria de tudo para que fosse para sempre feliz, ainda que isso te machucasse? ” O sorriso de Emma vacilou. Um rosto se formando, nítido, em cada palavra proferida. Ela encontrara sim, e a pessoa, afinal, estava a alguns passos dela “Eu encontrei e perdi... para os infortúnios da vida...” Completa “Minha irmã, amor verdadeiro... quando nós o encontramos, não há nada que possamos fazer para mudar”
Amor verdadeiro?
Emma percorre com os olhos a lanchonete e vê Regina olhando-a também. Poderia ter ignorando aquele discurso, poderia até deixar passar sua súbita vontade em repousar seus olhos nela, poderia.... Se seus olhares não tivessem se encontrado e ela tivesse entendido “Éela! ” Parecia loucura que até agora escondera isso até de si mesma, em um momento de epifania tudo fazia tanto sentido que ela sentiu os olhos marejarem, e ela desejou ser mais forte para ir até a morena agora.
Contudo não era.
“Você conhece minha história com a Nora? ” Ele indaga, Emma nega com a cabeça, voltando sua atenção ao homem.
"O que importa era ela ser feliz! Eu dizia isso, e fiz o que achava certo. ” Justifica ele “Eu a amo. E um dia ela me amou também.... Ela me pediu que fugisse com ela. Os pais dela tinham a ideia fixa para que fosse freira... Ela nunca soube, mas eu estava lá... eu a vi parada com um sorriso lindo no rosto e uma mala no lado. Era uma menina ainda, e eu um garoto bobo. Eu vi quando passou uma hora e o sorriso esfriou... e ela estava tão nervosa, quando ela entendeu, e eu vi que ela tinha feito, tive vontade em abandonar meu plano e ir até ela.Mas eunãofiz... Então, Emma, não seja como eu, não sejacovarde." Completa ele, efusivo.
"Eunãosou"
"Tudo bem, pode mentir para mim...,masnãominta para si mesma."
"Eu sou uma pessoa com um passado problemático, não quero viver a margem dela, sabe? Ela é incrível. Não quero ser um peso na vida dela! Quero ser mais como... asas. ” Diz Emma, tristonha. Olhando em seguida na direção de Regina, sente o medo percorrer seu corpo, tinha medo que seus problemas a afetassem.
"Irmã, ela também tem o passado dela, os problemas dela, isso não precisa ser um fardo. Não será fácil. Eu achava o mesmo..., achava que sabia o que era melhor para ela, mas isso só cabia a ela escolher..., esócabe a Reginaescolher. Nãoa prive de viver isso, ao fazê-loestaránãosó ficando sem ela, mas a deixara semvocê....Nãoa perca."
“Eu não vou embora da vida dela facilmente, eu quero fazer a diferença sim. Mas, se ela me quiser ao seu lado."
Leroy sorri, parecendo satisfeito consigo mesmo.
“Tem uma diferença entre você e ele: Ela te mira com a mesmapaixão,quanto os teus são para ela. ” Diz por fim com um sorriso, já se levantando para ir embora.
“Obrigada. ” Sussurra para o nada.
Emma não consegue não pensar nas palavras do pequeno grande homem. Leroy, afinal, havia lhe dado um grande presente aquela noite. A súbita compreensão que vivenciou, finalmente, podendo olha-la e entender a essência dos seus sentimentos. Se outrora se questionara porque os sentires de Graham para com ela eram substancialmente diferentes do dela para com Regina, agora sabia: tinha um motivo fortíssimo. Se o rapaz lhe tinha um carinho que chamara de paixão, a paixão que sentia pela outra mulher, então, era amor? Tudo se encaixava melhor agora do que antes, era como se finalmente tivesse encontrado a última peça do quebra-cabeças e podia ver a imagem completa. Se antes lhe enchia os olhos, agora ela não achava palavras. Chega a ri ao lembrar-se que tinha prometido não amar mais nenhum... homem. Sim, precisava aprender a fazer promessas também.
Olha novamente aquela noite para Regina se sentido bem. Compreendendo profundamente, uma coisa intrigante pela qual buscou durante muito tempo sua compreensão. Não querendo abandonar seu plano original, mas afim de fazê-lo, caminha até Regina.
Nesse momento o Dr. Whale, acompanhando do Dr. Horowitz, ficam no seu caminho lhe desejando felicidades, ela mesmo se despede dos homens não estendendo a conversa, e indo ao encontro de Regina.
Antes de alcança-la, ela nota Sidney se posicionar ao lado da mulher, respeitosamente e distante. Não escuta suas palavras, mas as de Regina sim.
“Não vou falar com você. ”
Emma se apressa em chegar perto dos dois, sua aproximação fazendo Regina olha-la.
~
Graham e Ashley trocam um sorriso confidente, sentiam-se felizes em compartilhar seus momentos e ambos estavam dispostos a fazer aquele carinho imenso, se transformar em amor. Se conheciam suficientemente bem para falar de tudo, ainda que o ciúme fosse inerente a maioria das pessoas em relacionamentos, eles sentiam-se confiantes em relação ao outro, guardavam a certeza que se algo saísse dos trilhos seria o primeiro a saber.
“Vocêvailápara casa hoje? ” Indaga a moça.
“Por que, meu bem? ” Graham pergunta, com um sorriso pretensioso e uma expressão fingida de confusão. A moça levanta-se da cadeira, sentando-se novamente, agora na perna do rapaz.
“Tenho algumas coisasláem casa precisando de manutenção urgente. ” Ela responde, com os olhos brilhando de luxuria.
“Como? ” Se fez de rogado, fazendo Ashley soltar uma gargalhada.
“Sua namorada, claro. ”
“Eu nunca achei que teria uma namorada humorista. ” Alfineta o rapaz em júbilo, a moça levanta-se em seguida, virando-se para porta do Granny’s, mas antes olha para o rapaz por cima do ombro.
“Vocênunca achou que teria uma namorada. ” Sorri dando uma piscadela em seguida.
Graham gargalha, alcançando a namorada, passa um braço em torno da cintura dela e com a mão livre afasta os cabelos loiros do seu pescoço depositando um beijo ali. Se deleita com a reação do corpo dela.
Uma tosse fingida faz o casal se virar para a rua, o velho — e rabugento — Senhor Gold.
“Boa noite” Cumprimenta, apontando sem seguida para o Granny’s “O que estáacontecendoaí? ”
“Boa noite” Responde o casal. “Aniversario” Se limita a dizer o xerife, sozinho dessa vez.
Gold continua a olha-los, com uma curiosidade velada. Volta seus olhos a garota em um convite para que falasse.
“Aniversário da Emma” A moça diz.
“Nãofui convidado. ” Gold brinca. Se perguntando, pela milésima vez, se tinha sido uma boa ideia trazer a salvadora ali.
“Nãofoi ela quem fez...” Graham aponta.
“FoiRegina. ” Ashley completa. “ERuby, Mary, eu, Graham...” A moça acaba rindo. “Desculpe por esquecer de convida-lo... Na verdade, não sabia que eram amigos. ”
“Ele a trouxe à cidade” Sussurra Graham no ouvido dela. “Boa noite, Gold” Completa em bom tom, antes de virar-se para entrar.
“Boa noite” Diz a menina, enquanto o namorado a puxa gentilmente pela mão “O senhor pode entrar se quiser dizer um-ai” Reclama ao sentir Graham apertar lhe a mão. “Dizer um “oi” para ela” Completa, apertando a mão do homem, mais forte.
“Eu aceito” Ouvem o homem dizer, e seus passos seguindo-os.
Gold entra para dar de cara com Emma e Regina a sentimentos de distância, com os olhos vidrados uma na outra. Tarda alguns segundos até notar o terceiro elemento: Sidney. Que, infelizmente, ele quem parecia sobrar ali.
“Sidney, hoje, realmente, não é uma “boa noite” para você vim com suas paranoias” Regina diz, pausadamente e com uma leve irritação.
“Regina eu só preciso...”
“Algum problema? ” Intercede Graham, alcançando o trio.
“Sim, quero que tire o Sidney daqui” Ordena Regina.
“Regina, não seja tão inflexível, aposto que ele só quer se desculpar...” Gold media a conversa, recebendo um aceno de concordância de Sidney. “Você poderia dá uma chance para ele se defender” Regina nega veemente com a cabeça. “Por favor... Sozinhos... Ele precisa de privacidade” Ele diz com um sorrisinho diabólico no rosto.
Regina sente o rosto queimar de raiva. Por que tinha sido tão burra a ponto de concordar com aquilo?
“Claro” Se limita a dizer. Ela vê a expressão desapontada de Emma quando ela passa por ela, Graham se afasta também indo novamente ao encontro de Ashley.
Emma, incomodada, se questiona o porquê de ela mudar de opinião tão rápido. “Talvez, ela só estivesse fazendo charme...” Pensa, antes de conter sua imaginação. “Não, com certeza, não..., mas, e se? ”
“Obrigado” Gold diz sorrindo, fazendo Regina rolar os olhos. Vira-se para Sidney “Quitado” Murmura, antes de girar nos calcanhares e sair.
Regina nota que o homem está fazendo o mesmo caminho que Emma fizera, mas, infelizmente, tinha que ouvir qualquer besteira que o outro fosse lhe dizer.
“Vim clamar seu perdão. ”
Os olhos de Regina tentam encontrar Emma lá fora.
“Regina, eu errei e sei disso, meu amor por você me deixou cego”
“Ok. Esquecemos isto. ” Diz, no intuito de se livrar do empecilho e ir até Emma, ela vê quando outra pessoa, que deveria ser o Gold se afastava de Emma. “Mas, issonãomuda o que conversamos. ” Suspira aliviada ao notar que Ruby e Mary saiam, e sem dúvidas, falariam com Emma “Não quero você perto de mim, não quero que fale.... Não, que pense na Emma.... Agradeça a ela por ainda ter seu emprego, eu estava disposta a tira-lo. Mas, ela me convenceu ao contrário, disse me quevocêjátinha perdido muito. ”
“Eu fiquei quinze dias na clínica... eu estou melhor... parei de beber. ” Ele explica, seus olhos demostravam como era importante que ela o entendesse.
“Ótimo. Continue secuidado, masnãoespere comprar minha empatia com isso” Diz ríspida, sabendo quanto falar aquilo tinha requintes de crueldade. Pegou se pensando o que Emma acharia daquilo.
“Não,Regina nunca, eusóquero que sabia que eu sinto muito e que eu mudei”
Regina não achava que alguém era capaz de mudar assim da noite para o dia. Ela mesmo sabia de seus defeitos e maus costumes, não negava nenhum, mas se flagrava pensando, coisa que malmente fazia a meses atrás. Via as coisas com um filtro diferente. Realmente não queria ser uma mãe como a sua havia sido: distante, desumana, insensível e covarde. Sim, sua mãe se achava corajosa, mas ela a vira de outra maneira. Tinha juízo de que havia sido igual — ou pior — a sua mãe, e gostaria de não ser mais.
“Eu também. Eu sinto muito, masvocêprecisa desenvolver em si outro tipo de sentir... sentimentos de amorpróprio, principalmente. Procure o DoutorHopperele pode ajudá-lo. Se cure. Se respeite em primeiro lugar e depois disso podemos retomar a condição passada: Profissional. Mas, que fique claro, nem estou e não estarei livre paravocê. Nunca. ”
Ele acena caloroso com a cabeça.
“Você tem razão... Tem sim. Eu conversei com Archie algumas vezes, ele me falou essas coisas também... Regina? Você poderia tomar um café comigo? ”
“Sidney” Alerta a mulher.
“Juro. Só isso.... Quero conversar um pouco com você.... Estou um pouco cansada de só falar com enfermeiros e médicos, é bom ver um rosto familiar.... É só isso: um café e eu vou embora. ”
Foi o que a mulher fez, mesmo que sua consciência gritasse para não fazê-lo: sentou-se ao lado do homem. Ele pediu as bebidas e falou, falou dos últimos dias e de sua melhora; infelizmente, achara a morena, ele parecia mais afim de demostrar que estava bem do que realmente estava. Uma certa dose de vaidade e compostura sempre vai bem. Foram o pensamento quando viu o homem, minutos mais tarde, sumir pela porta do estabelecimento.
“Não importava o que significava, mas para mim, alguém que não se ame, não pode amarninguém. Tudo que surge disso é apego, é insuficiente. ” Reflete Regina.
~
Emma leva a mão ao cabelo, suspira frustrada, busca em sua mente todos os sorrisos que tinha dado só aquele dia. Não tinha mesmo motivos para estar tão irritada.
“Feliz aniversário, Emma” Gold diz, fazendo Emma girar nos calcanhares para olhar o homem. Ele estava a uma distância curta dela, fazendo Emma recuar um passo.
“Obrigada”
Emma não se sente à vontade com o homem.
“Lembra quando não queria vim para cá? ” Indaga ele, uma sugestão de sorrisos nos lábios. “Talvez, estivesse certa... As pessoas nessa cidade não são, vejamos... confiáveis. Falei com a psicóloga que lhe assistiu na prisão, ela me falou do seu medo de criar vínculos... ”
“Desculpe, mas eu não entendi onde quer chegar com isso”
“Isso é mentira? Estou enganado? ” Pergunta.
“Não é mentira. Mas está enganado sim. Principalmente, porque a psicologia explica tudo muito melhor que sua mente limitada. Então sim, eu gosto de me prevenir, evitar novos vínculos afetivos.... Espero que as pessoas sejam as primeiras a se mostrarem vulneráveis. ” Ela sabia que tinha melhorado até mesmo nesse aspecto. “E o que te faz vim até mim falar mal das pessoas que confio? ”
“Calma. Não precisa ficar na defensiva. Estava certa antes e está cega agora. ”
“Eu prefiro confiar nos meus instintos se é que me permite...”
“Como fez com o pai do bebê? ” Debocha.
Emma abre a boca em surpresa. Sério que um homem que nem a conhecia, iria dizer aquelas coisas a ela?
“Eu sei como é difícil largar o velho e deixar que o novo se expanda em nós... Inclusive confiança e entrega. Deveria tentar..., mas, acredito, que ninguém se sujeitaria tanto, com um alguém que vê a vida com esse azedume” Responde Emma.
O homem se limita a rir. “Cuidado, principalmente, com a Regina” Profere sem irritação na voz. “Ela é manipuladora e uma péssima pessoa. ”
“Essa... pessoa que você descreve não é a Regina que eu conheço” Diz Emma na defensiva.
“Só um de nós conhece-a”
“Eu não tenho dúvidas disso. ” Diz Emma, o mirando em total descrença.
“Quer conhece-la? De verdade? Diga que deseja o bebê, e veja o que ela fara com você. Ela destrói qualquer coisa que fica entre ela e seus objetivos. ”
Emma ri incrédula. Aquilo era mesmo impossível. “Engraçado... a pessoa que você descreve mão é a minha Regina. ”
“Nós estamos do mesmo lado, querida. ” Revela ele como se fosse o obvio.
“Desculpe. Mas eu posso decidir as coisas por mim mesma.... Eu, realmente, não sei o porquê você parece tão intencionado em me fazer odiá-la.... Desista, não deu certo da primeira vez. E hoje? Isso não tem a possibilidade em dar certo. ”
Emma sem a intenção em ceder e sair ela dali, continua fuzilando-o com o olhar. Ele sorri mais uma vez, como se fossem velhos amigos e se despede com um aceno de cabeça, indo, mancando, até o seu carro do outro lado da rua e dando partida em seguida.
“Sério. Isso não acabou de acontecer. Não mesmo. ” Diz para si mesma, quando ouve a porta do Granny’s ser aberta, suspira aliviada a ver as amigas, as duas a abraça carinhosamente.
"Pensei que vocês tinham esquecido do meu aniversario" Revela Emma.
“Nunca? ” Indaga Mary
“Regina, nos fez prometer não te contar nada...” Fala Ruby.
“E disse para que não atrapalhássemos você durante o dia, deixássemos as felicitações para hoje à noite” Mary completa, com o semblante divertido.
“Mas, agora, você terá que nos contar tudo o que fizeram. ” Ruby completa animada.
As três se sentam no banco não muito distante, e Emma faz o que lhe foi pedido, conta da surpresa dos cisnes e até o café da manhã; além do passeio no píer do fim de tarde, quase romântico.
“Porque faltou o beijo? ” Ruby diz. “Isso não é muito difícil, e a noite nem terminou” Completa, com um sorriso generoso.
“Não me referia a beijos...” Emma fala. Ruby e Mary a olham com expectativa. “Eu meio que, talvez, tenha dito a ela que ainda gosto... amo o Neal” Sussurra envergonhada.
“Como assim você me diz a criatura de sua adoração que ama oex?” Ruby diz, exaltada.
“Emma... Realmente, não faz sentido algum” Mary diz, mais contida que a primeira.
“Se esse energúmeno chegasse agora aqui, o que faria? Ficaria com ele? ” Ruby questiona.
“Não.... Ele me fazia feliz, entende? Eu não comando os meus sentimentos e queria deixar claro a Regina. ” Emma explica.
“Ele te fazia feliz? ” Mary indaga.
“Sim. Eu só não entendo sabe? Eu queria entender o que aconteceu. O que sempre acontece.... Eu me sinto a pior das estupidas. ”
“Você não é estupida por se permitir... se permitir conhecer outras pessoas e outro amor. ” Ruby articula, mas tranquila dessa vez.
“Ele me completava... ou, eu achava isso. E quando ele se foi eu fiquei perdida. Eu fiz tudo para que ele ficasse, eu dei tudo de mim. Fui cem por cento. Mas não foi o suficiente. ” Emma explica, no intuito de explicar aqueles sentires mais para si do que para as amigas, o olhar fixo em um ponto qualquer à sua frente.
“Porque não era para ser? Ele foi covarde com você. Fugiu” Ruby pondera.
“Você tem dúvidas em relação entre ele e Regina? Você sabe quanto isso é problemático? Ele não é....” Mary diz, sendo interrompida por Emma.
“Mary, não. Eu não escolheria ele. Ainda que Regina não fosse uma opção. Nossa relação morreu no segundo que ele me deixou. ”
“Tu me disseste que fez de tudo para que ele ficasse, mas ele não ficou. Você vê? Não está ao nosso alcance fazer que as pessoas fiquem, podemos ama-lasincondicionalmente, mas isso não vai faze-las ficarem, a única coisa que faz alguém que a gente ama muito ficar, é a reciprocidade... E esse amor — o amor de mão dupla — é o único real... e que vale a pena” Mary discorre, enquanto segurava uma mão de Emma, queria faze-la compreender, e não pela força bruta que nunca fez ninguém compreender nada, mas pelo amor, que era o melhor professor.
“Uma vez me senti assim... era apego. Eu o vinha como o salvador de mim mesma. O coloquei em um posto que nunca foi dele: me completar. Já nascemos completas. E quando ele se foi, eu morri de saudade.... Do modo como me sentia apenas ao lado dele” Ruby confidenciava, Emma lhe olhava diretamente e parecia entender – ou querer. Aquilo parecia com sua história. “Hoje, eu me sinto muito mais pronta para amar alguém, porque sei de uma promíscua básica para uma relação saudável: autossuficiência. Eu preciso me sentir feliz comigo mesma... e me sentir digno de receber o amor de outra pessoa... Além de nutrir um amor desprendido... A tranquilidade em deixar o outro ir ao caminho de sua felicidade, ainda que isso nos leve para caminhos contrários. ” Diz Ruby.
Mary e Emma a olham um tanto surpresa pela inteligência emocional. Emma tinha aprendido um pouco daquele tipo amor, que pelas palavras da psicóloga “era o único verdadeiro”. Emma sentia que ela estaria pronta para ir embora dali, caso aquilo fosse da vontade de Regina, muitos outros pontos ela sabia que tinha necessidade em mudar. Como acreditar que era digna. Aquilo era seu ponto fraco, e ela reconhecia. Reconhecer era o primeiro passo para mudar.
“Eu só espero que ela seja feliz... Ela merece ser amada...” Emma sorri ao lembrar-se de como era estar com Regina “Quando estou ao lado dela cada segundo é especial, eu, realmente, só quero que ela seja feliz, acima de tudo. E se ela me disser: fica. Eu fico... porque quando ela me sorrir, eu não a tenho a menor chance. ”
“Você a ama” Ruby fala surpreendida, mas com um sorriso complacente. Emma não responde, mas o sorriso, no qual parecia que tudo nela sorria em conjunto, era tudo.
“Você não vê, Emma? Esse rapaz nunca foi seu destino. Eu demorei a entender o que não era amor... não sei tudo, longe disso. Mas eu realmente sinto que eu conheço o amor quando o vejo. ” Mary diz, sob os olhos atentos de Emma.
“Aqueles sorrisinhos que surge quando o olhar de você duas se encontravam lá dentro? Esse cuidado todo... Vocês serão uma família linda. Vocês três” Ruby diz animada.
Emma não consegue não sorrir para ideia de ser uma família, os três. Quando chegara a cidade nunca imaginaria esse fim.
"Eu não sei se nota, mas quando me diz sobre ele tudo emvocêmuda,vocêfica tão indiferente e pessimista... E ao falar dela, eu quase posso te ver brilhar. Acho queteráduas coisas importantes a dizer a Reginae uma delas é que oNealé passado. Alguémque te causou mais lagrimas que sorrisos não poder ser seu amor... E quevocêEmma precisa deixar isso no passado, eu acredito que foi real e é tão recente, mas assim como amor nasce ele morre” Ruby diz para Emma, com as melhores palavras que encontra.
“E, amor só não é o suficiente para fazer um relacionamento prosperar. ” Mary completa.
“Eu sei o que está fazendo, ainda queinconscientemente, dizer que ainda o amor é mais fácil do que admitir: eu estou amando novamente... passar por tudo, entende? Entãovocêse agarra as boaslembranças, mas elas são apenas isso. E mesmo elas sendo boas e te deixarnostálgica,isso não é suficiente, evocê, lá no fundo sabe. ” Diz Ruby.
“Reflita sobre isso... com carinho, e deixe seu coração guia-la, ele sempre sabe." Mary fala com carinho.
Emma faz o que lhe foi pedido. A resposta era unanime: Sim. Ela queria isso. Sua consciência acaba lhe mostrando o outro lado da moeda.
“Vocês não acham que talvez estejamos sonhando demais? ” Emma questiona.
“Talvez? Mas não mata sonhar... Emma não decline. Se acha que deve, apenas faça, pense nas consequências depois” Ruby diz séria.
“Ainda que essa história envolva uma terceira pessoa...” Mary diz. Indecisa para dizer o que pensava.
“O bebê é dela. Eu, realmente não teria coragem de seguir nisso sozinha, me sinto covarde? Sim, mas também é a verdade.... Nua e crua.... Eu acredito quando vocês falam como ela era indiferente e fechada.... Mas olha as coisas que ela fez... o modo que age... Ele teria as melhores chances com ela. ” Emma explica.
“Ela me surpreendeu muito quando nos procurou para falar da sua festa... talvez, ela sinta o mesmo. Faça a ver isso. ” Mary propõe.
“Como? ” Indaga Emma.
“Faça a coisa mais difícil. Seja honesta. Sem segredos. Abra seu coração. Vale a pena o risco, mesmo se você se machucar. Você vai saber ... você saberá que tentou. ” Mary responde.
“Certo. Faze-la ver que também sente algo por você. Então continuamos no plano a.” Diz Ruby.
“Qual seria o plano b? ” Emma pergunta.
“Olha. O plano a envolvia amor... O b, bem, você pode imaginar.”Diz maliciosa, rindo em seguida
“Você quer que Emma... seduza a prefeita?” Mary questiona, incrédula.
“Quê que tem? ” Ruby pergunta, estreitando os olhos.
Emma ri da situação. Não era como se ela mesma não tivesse pensando na possibilidade.
“Bem nada, mas e depois? ” Mary volta a perguntar.
“Eu ia ganhar o coração dela. Faze-la feliz, amada, protegida... ” Emma divaga, com um sorriso bobo nos lábios.
“Se tem uma coisa que Regina não precisa é proteção. ” Ruby interrompe.
“Eu sei” Emma, diz orgulhosa “E é por isso que seria tão especial fazê-lo. ”
“Você será feliz, Emma” Mary diz, emocionada, abraçando de lado a garota.
~
As três ouvem passos e viram-se para mira-la. A mulher caminhava, seus saltos fazendo barulho no piso de mármore cada vez mais altos na medida que se aproximava. Emma sabia quem era, antes de olhar, a imponente mulher se aproximava rapidamente.
“Parece que mais alguém quer um momento a sós com a aniversariante” Ruby sussurra suficientemente baixo para que apenas Emma ouça, fazendo-a rir.
“Estou a meio metro do paraíso. ” Emma responde, sem desviar a atenção de Regina.
“Pergunte se ela está apaixonada por você” Diz Ruby. Emma quase engasga. Vira todo o corpo no banco para encarar Ruby, que levanta a mão antes que ela pudesse protestar. “Eu sei, eu sei. Essa pergunta é mesmo boba. Ela está, com certeza. Olha só! Tenho até medo de que ela ateie fogo em você com esses olhos obscuros e.... quentes dela”. Antes que Regina, de fato, chegasse mais perto, Mary e Ruby levantam-se e deixam as duas sozinhas.
“Oi” Diz Regina, sentando-se ao lado de Emma.
“Oi”
“Tudo bem?”
“Sim. E você?”
“Claro...” Regina responde, com os olhos em Emma, ela estreia-os enquanto a estuda.
“O que você estava conver-“ Dizem as duas em uníssono. Regina sorri e faz um gesto para que Emma continue.
“O Sidney, o que ele queria? ” Diz Emma. Uma absoluta emoção de antecipação a fez se mexer no banco.
“Pedir desculpas e demostrar o quão arrependido está” Regina revira os olhos, tenta não soar tão curiosa em saber “E o Gold? ”
“Além de se achar um sabichão? De alguma forma conseguiu saber coisas ao meu respeito, coisas que falei apenas a Priscila... A psicóloga, digo. Disse algumas bobagens apenas. ”
“Como? ”
“Que não deveria confiar nas pessoas daqui, sobretudo em você” Diz, baixo como se aquilo lhe custasse sair de sua boca. “Bobagens” Reafirma.
Regina acena levemente em negativa. “Se pudesse te pedir algo, seria para não se aproximar dele... Ele é manipulador. Mas... infelizmente, ele não está tão longe da verdade assim” diz a verdade mais uma vez.
“Peco em confiar em você? Sério, sem essa. Eu conheço você, esse olhar, você é completamente confiável”
Regina lhe sorrir com carinho.
“Vamos para casa? ” Indaga Regina.
“Ia propor isso agora mesmo. Vamos nos despedir do pessoal? ” Indaga Emma, levando-se.
“Não... Vá você, eles realmente não vão notar minha ausência” Responde Regina. Emma franze as sobrancelhas, não achando em sua mente a menor chance daquilo acontecer. “Faça isso por mim, eu realmente prefiro não me despedir de ninguém” Completa Regina, Emma concorda. “Não demore”
Alguns minutos sozinha, quase fez Regina levantar-se para buscar a garota, mas não o fez. Enquanto esperava Emma, sua mente lhe trouxe uma doce memória.
Assim que Emma parou ao seu lado, com um sorriso imenso — fazendo-a sorri também — pois tinha cumprido a missão que se proporá. Emma estava do modo que ela desejava ver no fim daquele dia.
A viagem até a casa fora rápida. Após tomar banho e vestir-se Emma foi a procura de Regina no intuito de agradecer pela milésima vez e desejar-lhe boa noite. Bate à porta do quarto de Regina, sem respostas. Chama-a, nada. Abre a porta, deixando a luz do corredor banhar o quarto, definitivamente ela não estava ali.
Uma melodia suave vinda do andar inferior, faz a garota estreitar os olhos. Um pensamento lhe salta e ela sorri, indo em direção a escada. A música enchia o ar quando ela alcançou o último degrau, ela rodopiou, sorrindo. Era real. Apressou-se até a sala a sua esquerda, onde, com mais certeza agora, ela sabia que Regina estaria.
Encostou seu corpo no batente da porta, a sala, bem iluminada, com o instrumento imponente bem no centro. Era convidativo. Logo, acima um lustre pendia, os cristais pareciam tremeluzir. Adorável. Mas, bem, Regina estava ali, então ela afastou o olhar de quaisquer outras coisas para admirar a mulher, que secretamente amava. Divina. Ela trajava um hobby negro de tecido fino que caia perfeitamente, uma camisola da mesma cor podia ser observada por baixo, ambos cobriam seu corpo de maneira sensual. Linda. Os olhos fechados e o lábio inferior ora, preso entre os dentes, ora com um sorriso de canto, deixava Emma com o coração palpitando. As costas retas, numa postura fidedigna. A cabeça se curvava para um lado ou outro de acordo para onde os seus dedos, ágeis, dedilhavam, espalhando o som suave, por todo ambiente.
Regina abre os bonitos olhos e mira Emma, lhe sorrindo, acena de leve com a cabeça, no convite mudo para que ela se aproximasse. Foi o que a garota fez, parando ao seu lado. Os movimentos cessaram. Regina girou o corpo para ficar de frente para Emma.
“Agora entendo porque é um prazer para você tocar... Ignora completamente quando eu disse que tocava” Ela diz bem-humorada “Adoraria ouvir mais vezes” Emma confidencia.
“Difícil. Nos resta o quê? No máximo, duas semanas? ”
“Eu decidi ficar. ” Diz, sentando-se ao lado dela. Regina arregala os olhos e sorri ao ouvi-la, mas tão logo quanto surge, o sorriso desaparece.
“Espero que eu não tenha forçado você”
“Não, claro que não... Essa música acho que já ouvi...”
“The Swan. ” Diz, fazendo Emma sorri “Afinal, ela é minha princesa favorita” Completa piscando para outra. Regina volta a atenção para o piano, tirando algumas notas suaves e tristes do instrumento. “Você fez, não é? ” Indaga, depois de algum tempo em silêncio.
“O quê? ” Emma questiona confusa.
“O pedido. Quando entreguei a flor, me recordei do que me contou: sobre elas serem as flores do desejo. ”
“Ah... Sim”
Regina parecia absorta naquele mudinho. Sentia uma alegria inegável naquele momento. Emma estaria ali e ela não estaria sozinha de novo, muito menos Emma. Sua mente lhe trazia agravantes, como sempre fizera: o bebê, o risco de alguém de fora residir ali. A pluralidade em sentir, sempre tendendo ao lado negativo. Mas, não agora. Ao lado de Emma, tudo resplandecia. Ela tomaria as precauções mais tarde, agora, empurrava para qualquer recôndito escondido em sua mente, focando apenas na presença encantadora dela. Sua fascinante presença. Do sorriso acolhedor. Do abraço que já sentia saudades. “Eu sou também o que eu escolhi ser” Viajava em uma nova música, quando decide revelar:
“Espero que ela suporte dois pedidos. ” Revela Regina, sem olhar para Emma.
“Você? ” Emma pergunta retoricamente, não esconde a adoração na voz.
“Sim. Não vou pedir que me conte o seu..., mas... bem, eu pedi para que você ficasse. Aqui. Na cidade...”
“Comigo...” Completa Regina em pensamento.
Emma pensa que, talvez, seus amigos estivessem certos, e um futuro com Regina não fosse tão impossível como temia. As palavras de Regina, seu pedido para que continuasse na cidade lhe traz recordações da sua psicóloga. Quando a mulher veio se despedir dela, após abraça-la e sorri carinhosamente, lhe sussurrou:
“Pare de desperdiçar tanto de si, criança. Quando aparecer alguém que seja essencial, você saberá. ”
Sua alegria sumira.
“Espere pelo amor. ” Completa a mulher.
Emma a olha com a expressão triste. Afinal, ela havia pensado que aquilo, com o Neal, era amor.
“O amor vai chegar, e você saberá reconhecê-lo” prometera Priscila, e ela quis muito acreditar nela, esperava que sua profissão lhe tivesse feito sábia. E que tivesse certa. Porque, de todas as coisas no mundo, este era seu anseio de órfã: amor. E ela com certeza não tinha recebido isso de Neal Cassidy.
E, então, ela tinha conhecido uma garota, de olhos amendoados, que carregava tanta beleza e... tristeza. Tinha uma tristeza que era tão profunda, mas que também podia se iluminar num segundo, e quando viu aquele sorriso, se perguntou como seria fazê-la sorrir.
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