You're My Only Song

21 Operação cupido: Iniciar!


Notas iniciais
Eu quero dizer, antes de me devorarem, que eu sei que prometi o capítulo para até domingo, mas eu enfrentei um problema chamado: irmã retardada que esqueceu de pagar a internet. Mas enfim, aqui está e não venham com reclamações pra cima de mim, porque sabem que eu aceito todas e ainda tento melhorar.

Carter

Carter havia perdido o sono pela noite. Acontecia bastante quando ela ficava acordada até tarde. Pra passar o tempo daquela noite, então, ela decidiu ler um livro qualquer, emprestado de C.C., mas nem tudo estava indo bem pela madrugada.

Carlos desceu às escadas e ele estava claramente chorando.

– Carlos, tá tudo bem? – A garota perguntou se levantando.

– Tá, eu só tô indo embora – Carlos disse procurando por um cabide onde pudesse achar seu casaco, mas não tinha nenhum – Onde ficam os casacos?

– Os empregados levam pra sala de estar, mas pra onde você vai? – Carter perguntou.

– Achar o hotel do meu pai – Carlos disse.

– Você tem dinheiro? – Carter inquiriu.

Carlos parou e refletiu um pouco.

– Não.

– Sabe em que parte de North Richland Hills seu pai está?

– Não.

– Sabe o nome do hotel?

Carlos suspirou já sem paciência.

– Não.

– Isso significa que você não vai embora – Carter caminhou até ele e o pegou pelo braço – Vamos lá em cima no quarto de hóspedes e você vai me contar o que o Logan fez pra te deixar assim.

Carlos nunca dissera que foi Logan, mas Carter sabia que o irmão estava cada vez mais apto a cometer presepadas desastrosas nos últimos tempos. Ela empurrou Carlos no quarto de hóspedes, mesmo que contra a vontade, e pegou a ele um pijama no armário.

– Espero que sirva – Ela disse.

– Vou me trocar na sua frente? – Carlos perguntou com as bochechas tingidas de vermelho vivo.

– Eu já vi essa coisa muitas vezes, meu bem – Carter rolou os olhos – Deixa de ser bobo, vai, eu me viro.

Ela ficou de costas e ouviu calmamente enquanto Carlos tirava as roupas da viagem e colocava o pijama. Lá e cá ela ouvia soluços, mas resistia à tentação de virar a abraçar seu amigo.

– Pronto – Carlos disse.

Carter virou a tempo de vê-lo limpar uma lágrima.

– Ah, Carlos – Ela disse e o deu um abraço, o que só o fez chorar mais. Ela o levou até a cama e o deitou, ficando sentado ao seu lado – Fica calmo, tá bem? Eu tô aqui. Fala pra mim o que o babaca do Logan fez?

Carlos não pareceu gostar de ela chamar Logan de babaca, mas contou calmamente cada detalhe. No momento, Carter se sentia ouvindo a novela no rádio, porque Carlos interpretava até as falas e o jeito que Logan disse e no final, ele estava se acabando em lágrimas.

– Calma, Carlos. Não chora. O meu irmão só tem sido um pouco impulsivo – Ela falou. Não era mentira, mas também não era totalmente verdade. Carter estava completamente a par do que realmente havia feito Logan querer se afastar de Carlos, mas ela sabia que o moreno se recusava até em pensar nisso, pior ainda seria se alguém lhe pedisse para contar a Carlos. Mas se ele não contou, não seria Carter que iria fazê-lo.

– Não são só impulsos que fazem alguém dizer isso – Carlos falou choroso.

– Carlos, eu tenho certeza que o Logan não está... Bem... Querendo te machucar com essa atitude – Carter disse, com medo de que estivesse falando demais – Dorme um pouco e amanhã eu falo com ele. Tenho certeza que ele está arrependido.

– Eu queria que ele estivesse mesmo – Carlos disse – Queria que ele se arrependesse como ele fazia antes, mas eu disse pra ele que não queria.

– Você fez o quê? – Carter disse tão incrédula que Carlos até parou de chorar, assustado.

– Não lembra? Eu disse a ele que preferia que ele tivesse mudado e parasse de ser o Logan que sempre vem arrependido – O latino explicou.

– Não acredito – Carter bateu na própria testa. Ela sabia que o garoto menor tinha cometido apenas um dos maiores erros que podia ter cometido com Logan.

– O que eu fiz de tão errado?

– Quantas vezes você disse ao Logan que não gostava de uma coisa e ele repetiu? – Ela perguntou.

Carlos estava com o olhar rodando através do quarto, mas a garota já sabia que ele não ia encontrar nada nem que ele voltasse no tempo pra assistir o filme das vidas deles.

– Nenhuma – Ele respondeu, como esperado.

– Justamente – Carter disse – Logan é muito... Quadrado. Quando uma pessoa diz que não gosta, ele nunca repete isso. Se você disse que não queria que ele fizesse isso... Logan nunca vai te pedir desculpas a não ser que você peça primeiro.

– E o que eu fiz? – Carlos perguntou.

– Nada. Só que, a não ser que você diga a ele que se arrepende disso, ele também não vai dizer que se arrepende.

– Eu nunca disse a ele que não queria que ele pedisse desculpas – Carlos falou inocentemente.

– Pra uma pessoa pedir desculpas, o que ela tem que fazer primeiro? – Carter perguntou com um sorriso sarcástico.

– Se arrepender? – Carlos perguntou e mordeu o lábio inferior.

– Bem... – Ela rolou os olhos – Eu vou tentar conversar com ele. Mas eu te garanto que ele tem suas razões.

– Por que você não me fala quais?

– Carlos, eu tenho uma coisa em comum com o Logan – A jovem se virou calmamente – Eu não compartilho os segredos dos outros.

– Mas...

– Boa noite, Carlos – Carter puxou a cordinha do abajur e o fez se apagar. Carlos se encolheu sobre a cama e se cobriu. Carter saiu do quarto e fechou a porta calmamente. Por sorte, ela conseguiria ler o livro e conversar com seu irmão na manhã seguinte.

.

Como previsto, nenhum dos dois acordou antes das sete, e Carter já estava quase no final do livro.

– Carter? – C.C. perguntou quando desceu às escadas, toda arrumada – Perdeu o sono?

– Sim – Carter disse sorridente – Já estão indo para o aeroporto?

– Sim – C.C. acenou enquanto terminava de abotoar a camisa de cima – Sabe se tem maçã?

– Papai deve ter comprado algumas ontem – Ela apontou a cozinha e a ruiva se retirou.

Carter continuou a ler e, depois de quinze minutos, finalmente terminou o livro, mas ficou zangada porque descobriu que tinha continuação. Rolou os olhos e subiu às escadas bem a tempo de ver as portas do quarto de hóspedes e do quarto de Logan se abrirem. Logan e Carlos saíram. O primeiro com as costumeiras olheiras um pouco escurecidas.

– Bom dia – Ela disse.

– Bom dia, Carter – Logan falou – Er... Bom dia, Carlos.

– Bo-bom dia – Carlos disse de cabeça baixa.

Carter já estava ficando completamente irritada com aquela situação, mas sabia que não podia fazer nada. Não agora.

– Carlos eu vou te arrumar uma escova de dentes e, Logan, esperar por nós pra tomarmos café juntos – Ela comandou.

– Carter... – Logan começou.

– Cala a boca e entra aí de novo – Ela o empurrou pro quarto e fechou a porta – Vem, Carlos.

Carter esperou do lado de fora do banheiro de hóspedes, enquanto Carlos escovava os dentes. Depois de alguns minutos, Justin apareceu enrolado em uma toalha.

– O que houve ontem à noite? Ouvi gritos no quarto do Logan – Carter ergueu as sobrancelhas. Carlos não tinha mencionado que a briga tinha sido alta.

– Carlos e Logan brigaram.

– Carlos? O pequenininho? – Justin perguntou – Quando ele chegou?

– Ontem de madrugada, enquanto íamos deixar nossos pais. Encontramos ele e os antigos amigos do Logan e convidamos pra cá e... – Carter continuou, desenrolando a história inteira enquanto Justin só ouvia e ficava com uma cara de preocupação – Mas seu pai não disse que...

– Cala a boca! – Carter correu e tampou a boca dele, bem na hora que Carlos vinha saindo... Um fato normal, se ela não tivesse tapado a boca dele com a própria boca. Ela o largou e virou-se para o latino sorrindo, mas ele estava corado como um tomate – Desculpa – Ela disse sem graça – Vem, vamos tomar café.

Carter encontrou Logan esperando-os na sala de estar, com o livro que ela leu durante a madrugada no colo.

– Logan, vem – Ela chamou.

A família inteira tinha saído para o aeroporto, e dessa vez Logan e Carter não precisaram ir. Mesmo assim, ficar apenas eles dois, Justin e Carlos na mesma mesa não estava indo muito bem.

Não teve nada demais além de Carter perceber que Carlos não estava sequer olhando na cara de Logan e assim que todos terminaram, ela tomou uma atitude.

– Logan, preciso falar com você – Carlos olhou pra ela como se fosse ter um ataque, mas a jovem se levantou firme em sua cadeira – A sós.

Logan não teve escolha se não segui-la. Carter o levou até um dos quartos e o fez sentar na cama.

– O que eu fiz? – Ele perguntou.

– Não se faz de tonto. Está deixando as ordens do papai à frente de tudo – Carter afirmou irritada.

– Eu não vou deixar que ele faça nada com o Carlos e você sabe – Logan disparou.

– Logan, você prefere magoar o Carlos do que repudiar as ameaças do papai?

– Esse tipo de ameaça não é tão simples e não envolve só o nosso pai. Eu não vou mais falar sobre isso – Ele se levantou e se preparou para deixar o quarto, mas Carter lhe segurou o braço com força.

– O Carlos está magoado com você – Ela percebeu que o olhar dele perdeu um pouco de vida ao ouvir isso – Não deixa ele ficar assim. Ele quer que você se arrependa, acredite. Ele quer muito.

Logan fechou os olhos por alguns segundos, como que para se concentrar, então abriu a porta, libertou seu braço.

– Não deixa ele assim – Carter advertiu.

– Eu tenho que fazer isso.

– Não, não tem – Carter explodiu – Você tem vinte e dois anos e, sinceramente? Eu sinto falta do Logan de dezesseis que venceu a barreira de uma cegueira e dos nossos pais pra ir atrás do homem que amava e que eu sei que ainda ama. Eu não te reconheço mais porque você não é mais o Logan, você é só uma pessoa qualquer que aceita cegamente o que o papai diz sem estar disposto a lutar pelo que quer... Eu não sei quem é você, mas traz meu irmão de volta – Ela bradou dando ênfase no final. Depois disso, ela atropelou Logan e saiu do quarto antes dele, indo para o seu.

Precisava se acalmar e, principalmente, tirar o robe rosa que estava usando à noite inteira e que já tinha passado por migalhas de pão, lágrimas de Carlos e suor do calor da sala.

Depois de um banho e roupas saudáveis, Carter desceu as escadas, apenas para encontrar Logan com punhos cerrados fortemente, quase esmagando o celular.

– O que aconteceu? Cadê o Carlos? – Perguntou apreensiva.

– Carlos está na cozinha... Mas foi o papai o que aconteceu – Logan disse, quase jogando o telefone em Carter. Ela o pegou e chegou as mensagens.

Não me venha com essa história de novo. Não me importa o que sua mãe diga, eu irei cumprir o que eu falei.

Carter olhou desolada pro rosto do irmão.

– Sabe que ele não pode fazer isso – Ela disse.

– Ele vai, Carter. Conhece o papai e sabe que a culpa é minha – Logan disse esfregando o cabelo com as mãos.

Carter sabia do que ele estava falando. Há seis anos, enquanto estava no hospital, Logan tinha encorajado seu pai a confrontar sua mãe e agora eles estavam enfrentando um Ross completamente independente e impulsivo que não ouvia mais conselhos de ninguém. Nem mesmo a força de vontade de Lois era párea à dele.

O pouco que ela conseguia conter, não iria englobar o que Ross estava disposto a fazer para afastar Logan de Carlos e a pior parte é que se Logan contasse algo para Lois, a ação seria feita imediatamente. Ver o pai de Carlos na noite passada e saber que ele ainda guardava ódio, apenas tinha despertado mais ainda o desejo de Ross, Carter tinha certeza. Ele queria atingir tanto Logan quanto Carlos na zona que doía mais: a família.

– Eu não vou deixar que ele faça isso – Carter assegurou – Eu cancelo todos os contatos dele antes disso.

Logan sorriu de seu jeito característico, sempre entortando um pouco a boca.

– Eu agradeço, mana, mas eu sei que você não pode fazer isso – Ele disse.

– Papai também não pode fazer aquilo com o Carlos – Carter garantiu – Vamos apenas chamar o Carlos pra sair. A gente procura os seus amigos pela cidade e chamamos eles pra um passeio.

– Como vamos achar meus amigos? – Logan perguntou confuso.

– Eu tenho contatos, meu bem – Ela balançou o celular na frente dele brincando.

Carter decidiu subir e ligar para todos os seus companheiros e donos de hotel que conhecia. Ela tinha que descobrir onde estavam todos e porque estavam num clima tão chato no aeroporto. Pelo que ela pode notar, os pais de todo mundo ali eram meio conturbados, tirando o pai de James. Mesmo assim ela sentiu a tensão que tinha entre Kendall e seu pai e aquela mulher loira.

Deu pra perceber que a mãe de James era bastante barraqueira e que os pais de Carlos e Jo tentavam ao máximo evitar isso. Talvez fosse difícil chegar lá e pedir que os filhos fossem sair com ela e Logan, já que muitos pais tinham coisas uns contra os outros, mas ela iria tentar pelo bem de todos.

Podia não dar certo, mas depois da briga de Carlos e Logan, Carter colocou uma coisa na cabeça: ela iria reunir uma a um, todos aqueles casais que no passado foram à casa dela e mostraram o quanto um pertencia ao outro. E ela não ia desistir facilmente.

– Carter – Justin abriu a porta lentamente – Tá tudo bem?

– Ah, sim, amor. O que foi? – Ela perguntou.

– Não. Nada. É só que... O Carlos é sempre tão triste ou ele tá doente? – Ele perguntou.

Carter ficou um pouco preocupada com o latino naquela hora. Não era de se esperar que Carlos estivesse sorridente e falante, mas ela também não gostava de saber que ele estivesse aparentando estar doente.

– Ele teve uma briga com o Logan, eu já disse – Ela falou – Eles vão se acertar. Ah, se vão.

– Entendi – Justin estranhou um pouco.

Carter sabia que ele era uma das quatro pessoas que sabiam sobre o segredo da ameaça de Ross e Logan, sendo que duas dessas pessoas eram Ross e Logan e a outra era ela própria.

– Não se preocupa, Justin. O papai não vai fazer nada quanto a isso – Ela garantiu.

– Não lembro do seu pai quebrando uma promessa em nenhum dos últimos seis anos – Justin disse – Fico grato que ele não tenha prometido nos separar.

– Quando ele descobriu, você já tinha dinheiro o suficiente guardado pra sustentar nós dois e mais quatro – Ela falou – O que ele podia fazer? Te demitir.

– Bem, agora ele me sustenta de graça – Justin deu de ombros e sorriu – Sem falar que nem tudo o que eu faço pela família é pago agora. Estamos retribuindo favores.

– Você nem é mais nosso empregado, pra quê queria que ele te pagasse? – Carter inquiriu erguendo uma sobrancelha.

– Consideração pelo genro? – Justin perguntou.

Ela riu um pouco.

Era bom saber que seu pai tinha aceitado Justin bem–pelo menos mais que sua mãe. Os dois tinham uma boa relação. Conversavam normalmente e tudo mais. Carter parou pra pensar só agora que, talvez Logan tivesse contribuído para aquilo. A preocupação extrema de Ross em não ter um filho homossexual se sobressaiu à preocupação, que em Lois era muito maior, de ter uma filha namorando um de seus empregados.

Com o tempo a mãe aprendeu a conviver com Justin. Ele estava trabalhando em algo mais digno depois do casamento. Isso deixava a garota feliz. A família estava quase completa. Só faltava Carlos ali com eles, para deixar Logan feliz. Na verdade, faltava outra coisa.

Como irmã mais velha, Carter sabia de muitos segredos. E ela sabia que faltava alguma coisa para outra pessoa da família. Talvez um dia ela pudesse realizar o sonho dessa outra pessoa, mas por hora ela estava mais preocupada em não deixar os corações do pequeno latino, Carlos, e de seu teimoso irmão, Logan, partidos.

– A gente tem que fazer umas ligações, pode me ajudar? – Ela perguntou.

Justin assentiu e os dois começaram a ligar para todos os hotéis. Encontraram Sunny e Jo num hotel no centro, James estava um pouco mais longe e Kendall ficava do outro lado da cidade. Só não conseguiram achar Lucy e Camille, mas elas em breve iriam descobrir.

– Pode me arrumar algum histórico das famílias Stone e Roberts na cidade? – Ela perguntou – Sim? Sério? Obrigado. Então, me liga quando conseguir.

Carter desligou o telefone e olhou vitoriosa para seu marido.

– Hora de irmos botar alguns casais pra dar o próximo passo – Ela sorriu e Justin piscou.

Notas finais
Okay... Próxima narração: Sunny.