Youre Everything
10 Sofrimento e família.
PDV Izzy 9:30 pm
Atendi ao interfone e o Guilherme – nosso segurança – disse que tinha uma moça lá na frente que queria falar comigo.
-Nós já dissemos que vocês estão ocupados, mas ela insiste em ficar.
-Tudo bem Gui, estou indo aí. – eu vi quando a Venetia entrou mas não falei com ela, segundo as normas de etiqueta é a pessoa que chega que deve cumprimentar, né? E ela por acaso, nem sequer me olhou.
Saí sem falar nada, eu seria rápido. Sai de casa e andei a “estradinha” que tinha de casa até o portão principal, isso ajudava a espantar os curiosos já que se você olhar aqui pra dentro, só consegue ver arbustos. Apesar de ser pequeno, era uma caminhada de uns 7 minutos, como eu fui correndo foi rápido.
-Oi Gui, onde está a moça? – perguntei entre arfadas.
-Ali senhor. – ele apontou para a moça. Não a reconheci de longe, por isso saí e me aproximei.
-Sabrina? – exclamei surpreso, mais surpreso ainda ao ver que ela estava com o meu carro.
-Oi Izzy, vim devolver seu carro. – ela me jogou as chaves, que peguei automaticamente. Eu não estava entendendo nada.
-What the fuck...? – murmurei e ela riu.
-Eu só não vim devolver antes por causa da impressa, eles não saiam da frente da casa de vocês e eu tive medo de que alguém me visse e pensasse em coisas que não deveriam ser pensadas... – ela explicou.
-Ok, mas como é que eu meu carro foi parar nas suas mãos?
-Oh! Você não se lembra? – ela pareceu surpresa.
-Não. – disse.
-Bom, foi logo quando vocês chegaram do show de São Francisco. – ela ia começar a falar mas eu a interrompi.
-O que você acha de dar uma volta? Ai você me conta o que aconteceu com calma. – perguntei e ela sorriu assentindo.
Nós entramos no carro e partimos.
PDV Axl 9:32
-Alguém sabe me dizer aonde está o Izzy?? – perguntei ficando nervoso. Do nada os gêmeos começaram a chorar e não tem santo que os faça parar.
-Não! Ele foi atender o interfone e não voltou! – Steven respondeu, correndo de um lado para o outro. Eu estava segurando o Matheus e o Duff estava com a Malu, Slash foi esquentar as mamadeiras caso isso seja fome e Steven estava subindo para pegar alguns brinquedinhos de plástico. A porra da Venetia só nos olhava e não fazia nada.
-Será que você não pode ajudar? – perguntei quase gritando pra ela, que pulou da poltrona com o susto. Os bebês não paravam de chorar e eu sentia que a qualquer momento ia enlouquecer ali dentro.
-O que você quer que eu faça? – ela perguntou.
-Não sei! Mas você não se diz a avó perfeita? De um jeito nisso então! – falei balançando o Matheus de um lado para o outro.
-Eles devem estar com fome! Espera o cabeludo chegar que eles vão calar a boca! – ela voltou a mexer no celular. Sabe aquela vontade louca que dá de bater em alguém? Pois era exatamente isso que eu sentia.
Olhei de relance para o notebook que estava em cima do sofá e vi de relance que a luz vermelha ainda estava piscando.
-Merda. – murmurei tentando segurar o Matheus com apenas um braço, enquanto desligava o computador.
-Que horas são? – perguntei para ninguém em especial.
-9 e 37, não pode ser fome, eles comeram á meia hora atrás! – Duff disse enquanto também tentava acalmar a Malu, mas nada feito.
Steven voltou carregando mil e um brinquedos, desde bonecas de pelúcia á carrinho de controle remoto.
-Pronto, eles devem se distrair com isso! – ele falou enquanto jogava tudo no sofá.
-Steven, liga pro Izzy, diz que a gente precisa dele aqui agora. – disse enquanto tentava distrair o Matheus com um carrinho vermelho que estranhamente tinha um sorriso na cara.
Steven pegou o celular e ligou pra Izzy, mas nada dele atender.
-Porra, quando a gente precisa dele, o merda não atende! – ele jogou o celular no sofá.
-Continua tentando Steven!
PDV Izzy
Ouvi o meu celular tocando e o peguei, era o Steven.
-Alguém importante? – Sabrina perguntou.
-É o Stee, vai ver que ele não lembra onde deixou o leite! – ri um pouco e desliguei o celular – Ele se vira!
-Mas você não acha melhor...? – não a deixei terminar de falar.
-Não, ele se vira. Continue o que você estava falando. – ela me olhou preocupada, mas depois continuou a falar.
-Como eu ia dizendo, eu encontrei você em um bar na Sunset Strip, não faço a mínima ideia de como você foi parar lá, e nem você pelo que estou vendo. Mas depois você me convidou para tomar um drinque e eu aceitei, nós ficamos conversando e, conforme o tempo passava, eu ia vendo que você estava cansado, até que simplesmente desmaiou na mesa. – eu simplesmente ri e ela acompanhou – Eu pedi pra um segurança colocar você dentro de um taxi, mas você insistiu para que fosse eu que lhe trouxesse, eu trouxe e quando chegou aqui os seguranças lhe pegaram e o levaram para dentro, eu ia deixar o carro, mas você disse que já estava tarde (apesar de já ser de manhã) e que era pra eu lhe trazer o carro depois. Desculpe pela demora, mas como já disse, os paparazzis não saiam da porta de vocês e eu também tenho que trabalhar...
PDV Axl
Merda, por que será que eles estão tão inquietos? Eles não estão com fome, não estão com calor, a frauda não está suja, está tudo perfeito, mas eles não parecem achar isso...
Graças a Deus, depois de alguns minutos de desespero, eles de repente pararam de chorar e dormira, do nada. Eu posso até arriscar que vi o Matheus sorrir, que porra é essa?
-Hey! Ela dormiu! – Duff disse o óbvio, olhando incrédulo para a Malu.
Logo depois que eles dormiram eu senti uma sensação estranha, uma paz que eu jamais senti na minha vida. Foi uma felicidade tão grande que me deu vontade de chorar, de gritar, de sorrir, de pular, foi como se eu voltasse a ter 10 anos de idade. Pena que passou tão rápido quando chegou, deixei o Matheus no carrinho e me sentei com a cabeça entre as mãos, o que estava acontecendo comigo? Eu estava arfando, como se de repente eu tivesse recebido a pior noticia do mundo. O telefone tocou e eu senti um calafrio.
-Não atende! – praticamente pulei em cima do Slash, que vinha com uma mamadeira na mão atender o telefone.
-Ok! – ele se afastou do telefone e ficou me olhando.
-Que foi? – perguntei quando ele arqueou uma sobrancelha.
-Você não vai atender? – ele perguntou.
-Não. – respondi enfaticamente.
-Por que não? – ele estava confuso.
-Ninguém vai atender essa merda! – praticamente me sentei sobre o telefone.
-Você está doido? – Duff se aproximou – Pode ser do hospital, podem ser noticias da Erin!
Ele se aproximou e eu comecei a chorar, ele me abraçou e me levou para o sofá. Pela minha visão periférica, vi que Slash atendeu o telefone.
-Sim.
-Sim, pode falar.
-Ok, nós estamos indo praí. – ele desligou o telefone. Eu só ouvia, minha cara ainda estava enterrada no ombro do Duff enquanto ele alisava meus cabelos, tentando me acalmar.
-Era do hospital – ouvi Slash falar e solucei ainda mais alto – Axl, calma. Eles não disseram o que queriam, mas pediram pra gente ir lá. Por que você não vai se trocar enquanto a gente arruma as crianças? – ele sugeriu e eu assenti, subindo pro meu quarto.
PDV Duff
-O que eles queriam? – perguntei assim que ninguém mais ouvia os sons do passos do Axl.
-Eles realmente não falaram, apenas pediram pra gente ir pra lá o mais rápido o possível. – Slash falou enquanto arrumava os brinquedos que estavam na sala.
-Eu vou trocar o Matheus, Duff, você troca a Malu? – Steven perguntou segurando o Matheus, eu assenti e peguei a Malu no colo, levando-a para seu quarto.
-Bom, aqui em Los Angeles é calor, mas como nós vamos para um hospital, é melhor a gente colocar uma roupa de frio né Lulu? – perguntei sorrindo com o novo apelido, ela sorriu também, que fofa!
Separei um vestido roxo, mas vi que ela poderia sentir frio, então coloquei um conjuntinho amarelo do piu-piu, era uma calça de frio e uma blusa de mangas compridas, separei um boné também e um sapatinho de lã branco que o Izzy comprou.
-Pronto neném, você tá linda. – falei quando terminei de trocá-la.
Peguei a bolsa dela e coloquei duas fraudas descartáveis, uma de pano, uma chupeta e desci para pegar a mamadeira.
-Slash, ta ocupado? – perguntei assim que o vi descendo as escadas.
-Não, por quê? – ele se virou.
-Leva aqui a Malu lá pra baixo? Eu vou trocar de roupa.
-Ok, me dá ela. – ele pegou a Malu e a bolsa e eu fui pro meu quarto.
Tirei a bermuda e coloquei uma calça jeans, calcei um tênis e desci.
-Já estamos prontos? – perguntei.
-Sim, só falta o Steven vim dali com as mamadeiras. – assim que ele falou, Steven apareceu e nós saímos, foi ai que eu notei uma coisa.
-Cadê a avó deles? – perguntei e Slash respondeu.
-Foi antes da gente, acho que ela queria saber se o hospital ligou pra casa dela. – ele deu de ombros.
-Ok. – peguei as chaves do meu carro e chamei o Axl.
-Hey, quer vim comigo? – ele me lançou um olhar agradecido e entrou no meu carro, era um Picanto azul, eu sinceramente amei esse carro quando o vi, era leve, tinha teto solar, corria pra caralho, era confortável e flex. O único problema é que eu odeio dirigir, por isso sempre pego carona com um dos meninos, mas hoje isso não seria possível, o Axl não estava bem o suficiente para dirigir.
-Hey! – Steven bateu no vidro e eu o abaixei.
-O que?
-Pode levar a Malu aí? Eu não gosto de pensar que se alguma coisa bater em mim, pode machucá-la.
Destravei o carro e ele colocou a cadeirinha ali, prendendo com o cinto, Malu dormia tranquilamente na cadeirinha.
-Encontro vocês lá! – ele se afastou e entrou no próprio carro.
Acelerei e sem mais nenhuma palavra, nós rapidamente chegamos ao hospital, com Slash alguns metros a frente e Steven logo atrás. Descemos, Axl pegou a Malu e eu a bolsa, e nos direcionamos a recepcionista.
-Pois não? – A recepcionista se virou pra gente. Esperei Axl responder, mas ele estava com um olhar vago, como se não estivesse aqui.
-Er, ligaram pra gente, pedindo pra virmos aqui no hospital, tem a ver com a Erin. – falei ainda distraído com o Axl, que mantinha o olhar fixo na Malu.
-Qual o sobrenome? – a recepcionista perguntou.
-Everly. – ela digitou o nome e nos lançou um olhar estranho.
-Por favor, me acompanhem. – ela pediu e nessa hora avistei o Slash com o Matheus e o Steven, fiz sinal e eles rapidamente se juntaram a nós.
-O que aconteceu? – Stee perguntou.
-Ainda não sabemos, ela vai nos levar a algum lugar e acho que vai dizer. – respondi ficando preocupado com o Axl, parecia que ele estava em alfa sabe? Como se apenas o corpo dele estivesse presente.
Ela nos levou para um corredor escuro, e nós chegamos a uma sala pequena. Dentro dela estava uma senhora pequena e de aparência simpática.
-Por favor, sentem-se. – ela apontou para as cadeiras e Slash, Steven e Axl se sentaram, eu fiquei em pé atrás do Axl.
-Quem aqui é o senhor William? – ela perguntou e eu apontei pro Axl, que meramente levantou os olhos pra ela.
-Quer água Axl? – Steven perguntou, tão preocupado com o Axl quanto eu.
-Não, eu quero ouvir o que ela tem pra me dizer – respondeu com uma voz rouca, como se estivesse prendendo o choro, provavelmente estava mesmo.
-Bom, a situação aqui é delicada, como vocês já sabiam, a paciente Erin Ever...
-Para de enrolar! Fala logo o que aconteceu com a Erin! – Axl a interrompeu.
-Ok, ela veio a óbito as 9 e 40 desta noite. – a mulher disse sem rodeios.
Olhei preocupado para o Axl, é claro que eu fiquei um pouco chocado e triste com a noticia, mas o que mais me preocupava ali era o Axl. Ele não exibiu qualquer reação, simplesmente ficou encarando a mulher, ficando cada vez mais pálido.
Rapidamente me aproximei e lhe tirei a Malu, ele estava começando a arfar e eu tinha medo de que explodisse e a assustasse. Quando lhe tirei a Malu, ele nada disse ou fez, sabia que era mais seguro pra ela.
-Axl, você quer alguma coisa? Água? Ficar sozinho? – perguntei cauteloso, ele se virou pra mim e eu quase chorei ao ver tanta dor contida em um olhar.
-Duff, diz que isso não é verdade! Por favor! – ele implorou em uma voz baixa.
-Desculpa, eu não posso! – respondi desviando o olhar, eu não poderia apoiá-lo se ficasse chorando junto com ele.
Steven – que já estava chorando – correu e o abraçou, enquanto eu e Slash ficamos olhando aquela cena, chorando também.
-Duff, Slash, saiam daqui! – Axl pediu.
-Não Axl, nós não... – Slash tentou dizer mais ele o cortou.
-Por favor, saiam daqui com a Malu e o Matheus, liguem pro Izzy... – ele falava entre soluços, com a voz ainda abafada por causa do abraço do Stee.
-Ok – Slash e eu saímos da sala e fomos pra frente do hospital. Quando estávamos dobrando o corredor escuro, escutamos o grito do Axl.
-NÃÃÃOOOOOOOOOO! NÃO A MINHA ERIN! – eu quis voltar, mas o Slash segurou meu braço.
-Vamos fazer o que ele pediu, não vai ser bom pra ninguém se as crianças o virem assim. – assenti e fomos embora.
As lágrimas desciam pelo meu pelo rosto sem cessar e eu não fazia para impedi-las, sabia que seria inútil, milhões viriam atrás delas e eu nada poderia fazer para pará-las.
Tentei ligar pro Izzy umas 20 vezes, por fim, mandei uma mensagem.
PDV Izzy
Deixei a Sabrina na casa dela e me lembrei de que tinha desligado o celular, liguei-o e vi que tinham 23 chamadas não atendidas do Duff, 14 do Slash e uma mensagem do Duff. Ignorei as chamadas e vi a mensagem.
“Izzy, onde quer que você esteja, vem pro hospital agora! É mais do sério, e o nós – principalmente o Axl – precisamos de você!”
Fiquei assustado e fui direto pra hospital, será que a Erin piorou? Ou aconteceu alguma coisa com os gêmeos? Ou com os meninos? Será que foi com o Axl? O Duff enfatizava que principalmente ele precisava de mim...
Cheguei em 5 minutos no hospital, ignorando qualquer tipo de lei de transito ao fazer isso.
-O que aconteceu? – perguntei ao encontrar com o Slash e o Duff na recepção do hospital, em um lugar mais afastado e chorando.
-A Erin Izzy – Slash respondeu com a voz embargada.
-Ela morreu. – Duff completou se engasgando e tentando não acordar a Malu ao mesmo tempo.
-Ela o que? – perguntei chocado.
-Por favor, Izzy, não nos faça repetir – Duff pediu com a voz embargada.
-Tu-tudo bem! – gaguejei um pouco – E cadê o Axl?
-Tá com o Steven e a assistente social, é só você seguir direto esse corredor e dobrar no corredor mais escuro, é um dos últimos, a sala dela é lá. – Slash me explicou e eu segui o que eles disseram.
Mal dobrei no corredor – que era realmente o ultimo – e ouvi alguém gritar, logo depois, alguma coisa foi quebrada, apressei meus passos e abri a porta.
-Mas que porra ta acontecendo aqui? – perguntei ao ver a cena. A mulher que devia ser a assistente social estava segurando um copo vazio, o que possivelmente devia ser a jarra, estava aos cacos no chão, com o Axl em cima e o Steven atrás, chorando. Assim que me viu o Axl caiu de joelhos no chão, rasgando a calça, fazendo com que os cacos de vidros entrassem em sua pele.
-Não Axl! – quase gritei me aproximando dele e fazendo se levantar, uma tarefa impossível, ele estava fraco demais.
-Izzy... Oh Izzy! – ele falou enquanto me abraçava.
-Eu sei, eu sei! Vamos levantar? – perguntei gentilmente e ele assentiu, se levantando tremendo, com as calças encharcadas de água, sangue e vidro.
O ajudei a se sentar na cadeira e a assistente social saiu, falando que ia chamar um enfermeiro para cuidar dele ali mesmo.
-Izzy... Me diz... Me diz que isso não é verdade! – ele falou aos soluços enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto, não agüentei e comecei a chorar com ele.
-Desculpa Bill, mas eu não posso. – falei segurando suas mãos.
-Mas... Eu não posso aguentar, não agora! Não quando ela acabou de voltar pra mim! Não quando... quando eu tenho dois filhos pra criar! Não quando a mãe dela quer a guarda deles, não assim Izzy!
Fomos interrompidos com a assistente social, que abriu a porta e entrou seguida por um enfermeiro. Ele pegou uma cadeira e se sentou na frente do Axl, pegando sua maleta.
Depois que a perna dele já estava livre de qualquer caco de vidro, ele passou um remédio ali e fechou com gases e esparadrapo.
-Obrigado! – eu disse quando ele terminava e saia.
-Sr. Rose, sua esposa lhe deixou uma carta – a assistente social disse e na hora o Axl se levantou, o que não foi uma boa coisa levando em consideração a perna dele. Por isso, ele caiu sentado de novo.
-Deixa que eu pego – Steven disse e pegou o envelope, transmitindo-o para o Axl, que o pegou sem emitir qualquer reação, apenas encarou o envelope, depois de um minuto disso, eu resovi quebrar o silencio.
-Você não vai abrir? – perguntei.
-Eu... Eu não posso!
-Você quer que eu abra? – Steven perguntou.
-Não, eu vou abrir, mas não agora.
-Vocês querem ver o corpo? – a assistente social perguntou e eu sentir o Axl tremer.
-Eu acho que é melhor só vermos no velório. – falei com vontade de vomitar.
-Vocês tem que me falar onde vai ser o velório e o enterro, precisamos preparar o corpo o quanto antes.
-Eu vou embora! – Axl se levantou do nada e mesmo mancando, saiu o mais rápido que pode da sala, meio minuto depois, escuto o terrível som se alguém vomitando.
-Eu vou atrás dele. – Steven falou saindo da sala.
Eu tive que ficar afinal, quem mais iria resolver essas coisas?
PDV Axl
Assim que sai do hospital, comecei a vagar sem rumo pela cidade, pedi pro Steven não me seguir, garantindo que não pararia na primeira boca de fumo ou bar que encontrasse.
Andei sem parar por horas nas ruas de Los Angeles, sem nenhum lugar específico para chegar, depois de um tempo, minha perna já latejava tanto que eu não conseguia dar nem mais meio passo, reparei onde estava e vi que me encontrava numa das belas praias da Califórnia, não que eu me importe, a vida perdeu todos os sentidos quando eu soube que a minha Sweet Child tinha... bem, você sabe.
Fui literalmente me arrastando para a beira da praia e me sentei na areia, olhando para a imensidão azul á minha frente. Fiquei lembrando das vezes que eu e a Erin tínhamos ido ali, mergulhávamos sem preocupação, namorávamos e voltávamos pra casa.
Lágrimas escorriam tão rapidamente pelo rosto que não valia a pena parar para enxugar uma por uma, de repente, senti dos braços pequenos me abraçando e um cheiro que eu não esperava: o cheiro de casa.
-Eu sabia que ia encontrar você por aqui maninho! – Amy, minha irmã de 18 anos, estava bem ali na minha frente.
-Amy? – perguntei confuso.
-Dãã! Queria que fosse quem? Papai Noel? – ela perguntou rindo e se sentando ao meu lado.
-O que você está fazendo aqui? Você não estava em Lafayette? – perguntei enxugando as lágrimas, que com o susto, pararam de cair.
-Sim, isso é uma longa história. Mas me diga, por que essa cara triste? – ela perguntou me olhando com carinho, um carinho que eu não via há muito tempo. Desde que saí de Lafayette, não tive noticias nenhumas de ninguém, não que eu não quisesse, mas o meu padrasto não deixava ninguém ter telefone em casa.
-Ah Amy! – falei me deitando em seu colo, fazia tanto tempo que eu não fazia isso! Em Lafayette, Amy era a minha melhor amiga, quase uma psicóloga.
-O que aconteceu Cherry? – era assim que ela me chamava desde que aprendeu a falar, e não importa o quanto eu suborne ela, Amy jamais vai parar com essa mania irritante.
-A Erin! – falei com a voz abafada devido o meu rosto estar enterrado nas suas pernas.
-O que quê tem ela? Eu li em algum lugar que ela estava mal, ela piorou? – perguntou acariciando meus cabelos.
-Não Amy, ela... ela... morreu – terminei de baixinho, falar em voz alta fazia parecer mil vezes mais real.
-Oh Cherry! Eu sinto muito! – ela me abraçou forte enquanto eu chorava.
-Isso não podia ter acontecido Amy! Não podia! Simplesmente não podia! – falei desesperado.
-Shhh – ela tentou me acalmar – O que aconteceu?
-Ela já estava internada desde que teve os gêmeos, logo depois piorou e de lá a situação vinha ficando cada vez pior e hoje eu soube que... – ela me abraçou antes que eu terminasse, compreendendo a minha dor.
-Seu celular está tocando. – ela falou olhando para o bolso da minha calça jeans, que vibrava.
-Deve ser um dos meninos querendo saber se eu já estou em coma alcoólico. – falei tentando fazer uma piada, o que obviamente não deu certo.
-Alô!
-Axl? Onde você está? Tá todo mundo preocupado com você! – Slash disse.
-Eu to bem, avisa todo mundo que eu to bem, eu to na praia, onde nem sequer tem bar. – falei.
-Ok, que horas você vai pra casa? Quer que alguém vá te buscar aí?
-Sim, eu to sem carro e acho que não conseguiria ir andando pra casa.
-Tudo bem, é a praia próxima ao hospital? O Izzy vai estar aí em 15 minutos.
-To esperando por ele. – falei e logo depois desliguei.
-Quem era? – Amy perguntou.
-O Slash, ele disse que o Izzy tá vindo nos buscar, onde estão as suas coisas? – perguntei olhando para os lados, ela riu.
-Que coisas?
-Como assim? Amy, me responde, como você chegou até aqui? – perguntei seriamente.
-Na praia?
-Não! Em Los Angeles, para com gracinhas! – falei e pela primeira vez, ela ficou corada.
-Eu fugi de casa.
-VOCÊ O QUE? – perguntei me levantando com dor de cabeça, mais essa agora!
-Eu não aguentava mais! Peguei uma carona com um amigo que estava vindo pra cá! Não deixei bilhete nem nada, apesar de eu saber que o Bailey só vai sentir minha falta a noite, quando a mamãe dormir! – ela riu seca.
-Desculpa maninha! Ele abusou de você? – perguntei lhe abraçando.
-Não, mas foi quase, diversas vezes eu escapei por pura sorte! – ela falou lagrimejando.
-Tá tudo bem agora! Eu juro que aquele filho da puta não vai encostar um dedo em você enquanto estiver aqui comigo.
-Eu senti tanto a sua falta Cherry! Esses últimos 4 anos vem sendo tão difíceis!
-Passou maninha! Passou!
Ela riu e enxugou as próprias lágrimas.
-Eu era quem devia estar lhe consolando, não ao contrário. E mesmo sofrendo, você é perfeito!
Isso me lembrou uma coisa.
-Amy, como você me achou aqui? – perguntei confuso.
-Não sei, eu cheguei em Los Angeles em menos de meia hora e não sabia por onde começar a procurar a sua casa, então simplesmente resolvi seguir meus instintos e sai andando pela cidade, fui guiada por essa lua linda que está em cima da sua cabeça, quando vi já estava na praia. – ela deu de ombros.
-Isso foi perigoso Amy! Ainda mais a essa hora da noite! – falei cansado, eu não tinha força nem pra brigar com ela.
-Ao contrário do que você pensa, eu sei me cuidar maninho! – ela bagunçou meus cabelos e logo em seguida eu ouvi uma buzina, era o Izzy. Dei a volta no carro puxando a Amy comigo, sentei ao lado do Izzy e ela sentou atrás.
-Axl? Como você está? E quem é ela? – perguntou apontando pra Amy.
Izzy não devia estar reconhecendo-a, afinal, foram 6 anos pra ele, que veio pra L.A. mais cedo que eu, quando ela tinha 12 anos. Izzy era nosso vizinho e sempre foi meu melhor amigo, mas ele e a Amy nunca se deram muito bem.
-Não tá me reconhecendo Jeffrey? – Amy perguntou sorrindo, ela sabia que o Izzy odiava o nome e adorava provocá-lo.
-Pigmeu? – corrigindo, eles se provocavam mutuamente.
-Dãã! E para de me chamar assim, eu cresci! – ela deu um tapa na testa dele, se eu não estivesse me sentindo tão morto, eu teria rido da cara dele.
-Um centímetro e meio? – ele riu – Que nada pigmeu, continua a mesma baixinha de sempre.
-Vai te fuder Jeffrey! – ela mostrou o dedo do meio pra ele.
-Será que dá pra vocês pararem? – perguntei irritado.
-Desculpa – os dois abaixaram a cabeça e o Izzy voltou a dirigir.
-O que ela tá fazendo aqui afinal? – Izzy perguntou pra mim.
-Obrigada pela parte que me toca! – Amy foi ignorada por nós dois.
-Ela fugiu de casa, sabe como é o Bailey, né? Tem uma hora que mais ninguém aguenta, fora que ele queria estuprar ela. – falei e o Izzy se assustou, freando com tudo, fazendo com que eu quase voasse e a Amy fosse pra frente e batesse a cabeça no meu banco.
-Você tá bem? – ele se virou pra ela, e eu sabia que não pra perguntar sobre o que acabou de acontecer.
-Sim, o idiota que se diz meu pai não deu sorte nas tentativas. – ela falou massageando a testa.
-Ainda bem, e desculpa por isso. – Izzy voltou a dirigir normalmente.
-Tanto faz – ela deu de ombros e se encostou no banco.
Depois disso chegamos em casa rapidamente.
-Caralho! Cherry, por que você não me mandou uma carta dizendo que morava nessa mansão? Eu já tinha me mudado á mil anos! – ela falou quando passamos pelo portão principal.
-Você mesma se respondeu, seria insano sair de Lafayette antes de ter 18 – falei.
-Olha quem fala! Com quantos anos tu saiu de lá então? 30? – ela falou irônica, para o bem dela, resolvi ignorar e permaneci em silencio até o Izzy colocar o carro dele na garagem.
-Izzy, como você recuperou o carro? – perguntei.
-Longa história, depois eu conto. – ele falou e desceu do carro, eu fiz o mesmo.
-Izzy – chamei e ele virou – apresenta a galera e a casa pra Amy? Eu vou pro meu quarto.
-Tudo bem Axl, sobe tranquilo, eu cuido da pirralha! – ela mandou língua pra ele, que riu. Eu revirei os olhos e fui direto pro meu quarto, quero dizer, primeiro eu vi se os meus filhos estavam bem, assim que eu tive certeza disso, fui pro quarto.
Preparei um banho e quando estava tirando a roupa, notei uma coisa estranha caindo no chão, me abaixei pra pegar e vi a o envelope que o hospital tinha me entregado, ao olhar para a letra da Erin no papel, voltei a chorar igual a uma criancinha sem a mãe. Pensando melhor, era exatamente isso o que meus filhos eram agora, órfãos de mãe.
Sentei na borda da banheira só de cueca e fiquei encarando o papel, depois de um tempo, resolvi que eu ia primeiro tomar banho.
Depois do banho troquei de roupa e me sentei na cama com o envelope, apesar da minha vontade, eu não ia conseguir abri-lo sozinho.
PDV Amy
A viajem de Lafayette pra cá foi longa, ao contrário do que eu disse pro Will, eu não vim pra cá com um amigo, e sim com um grupo de imigrantes que eu conheci, fiquei meses juntando dinheiro para pagar a viagem e depois de dois longos meses de viagem, eu finalmente cheguei aqui. Mas claro que eu não ia contar isso pro meu irmão agora, já basta tudo o que ele está sofrendo, não precisa de mais essa preocupação.
-Sabe que eu sempre quis conhecer o Slash, o Duff e o Steven? – falei pro Jeffrey enquanto nós saiamos da garagem.
-Você escuta o Guns? – ele perguntou surpreso.
-Mas é claro! – revirei os olhos – Ou você acha que eu não ia escutar a banda do meu maninho?
-Até onde eu lembro, você nunca botou fé no nosso projeto, pelo contrário!
-Naquela época vocês nem tinham um nome! E convenhamos, aquele guitarrista de vocês era horrível, como era mesmo o nome dele? – falei tentando me lembrar.
-Thiago – ele falou abrindo a porta dos fundos, que dava pra uma cozinha, muito linda por sinal.
-È, esse mesmo, ele era péssimo! – comentei enquanto via a bagunça que estava, era mamadeira pra uma lado, frigideira de outro, pratos sujos pra lá e juro que até vi uma frauda jogada de qualquer jeito em um canto.
Entramos na sala e tinha um loiro e um moreno sentados.
-Steven? Slash? – perguntei incrédula, sabe, eu nunca pensei em como eu reagiria se eu encontrasse com algum famoso (O Axl e o Izzy não contam), mas a reação foi estranha, eu simplesmente congelei onde eu estava.
-Izzy? Que porra é essa? – Slash se levantou de boca aberta.
-Não é isso o que você está pensando Slash. – Izzy tentou falar alguma coisa, mas Slash o interrompeu.
-Com tudo isso o que a gente ta passando, você ainda trás uma garota pra casa? Eu entendo que você quer um alivio e tal, mas trazer ela pra nossa CASA? Não acha que é um pouquinho demais? – ok, a minha paralizacão já era, eu não admito ser ofendida por ninguém, nem pelo meu ídolo.
-Você por acaso tá me chamando de prostituta? – dei dos passos pra frente.
-Olha garota, eu não sei do que você prefere ser chamada, mas te garanto que essa não é a melhor hora...
-Que porra Slash, eu sei que não é a melhor hora! – me estressei – Por que você acha que eu to aqui, afinal?
-Não acredito Izzy, uma groupie? – Steven arqueou uma sobrancelha.
-Que nojo! Não! – falei me afastando deles.
-Ela é a Amy Bailey, irmã do Axl. – Izzy disse e todos me olharam de olhos arregalados.
-Irmã? Do Axl? – Steven parecia que tinha levado um tapa na cara.
-A própria – falei mal-humorada, me sentando no sofá.
-Eu não sabia que a irmã dele era loira! – ele falou apontando pra mim.
-Eu ainda to aqui sabe? E eu sou loira porque o meu pai é loiro, o Axl puxou pra mamãe, que é ruiva. – expliquei.
-Ah, ta explicado. Desculpa por tudo – Slash veio pra minha frente – Vamos recomeçar?
-Ok
-Prazer, sou Saul Hudson, me chame de Slash! – ele pegou a minha mão e dei um leve beijo, eu ri.
-Prazer mister Slash, sou Amy Bailey! Cara, eu sempre quis conhecer um guitarrista de verdade! – falei lhe dando um abraço e ele correspondeu.
-Peraí Pigmeu! – Jeffrey se intrometeu na conversa – E eu sou o que por acaso? Um violonista?
-Mas você não conta Jeffrey! Eu te conheço desde que nasci provavelmente! – revirei os olhos, é eu tive que aguentar se chamada de pigmeu a minha infância inteira! Por pura sorte eu não sou uma pessoa traumatizada!
-Infelizmente eu lembro dessa parte! – ele resmungou.
-Bom, se vocês não se importam eu vou pegar algo pra comer, com licença. – falei indo pra cozinha.
Abri a geladeira e vi que a minha única opção era leite, ninguém merece! Ele não comem por aqui não? Procurei mais um pouco e finalmente achei um pedaço de torta, que sorte!
Coloquei esse pedaço num prato e caminhei feliz pra sala, quando no meio do caminho...
PLAFT!
-Que porra...? – sem querer dei um grito ao perceber que tinha dado de cara com alguém, e lá se vai a minha torta...
-Porra! Olha o que você fez! – gritou um cara alto e loiro.
-Eu fiz? Foi você que passou correndo por aqui! – me defendi.
-Você deveria olhar por onde anda, isso sim! – ele quase gritou.
-Ah, cala a boca! – falei.
-Cala você!
-Você acabou com a minha torta e ainda me manda calar a boca? – olhei incrédula pra ele.
-E você acabou com a minha blusa!
-Eu quero outra torta! – falei com raiva, quem ele pensava que era?
-E eu quero outra blusa! – pelo visto ele compartilhava do mesmo sentimento.
-Foda-se! – falei.
-Hey! O que tá acontecendo aqui? Daqui a pouco as crianças vão acordar com todo esse barulho, e se isso acontecer, eu juro que mando vocês dois pra cuidarem dela! – Izzy apareceu, seguido por Slash e Steven.
-Essa tampa de Yakult que se meteu no meu caminho e ainda se acha no direito de brigar comigo. – o loiro falou para o Slash (Izzy começou a ter um ataque de risos assim que ele falou “tampa de Yakult” eu fechei a cara)
-Eu estava vindo calmamente quando essa girafa se mete na minha frente e ainda acaba com a minha torta! – retruquei.
-E quem é você afinal? – ele se virou para mim.
-Amy Bailey!
-Uma groupie? – ele perguntou e eu contive minhas mãozinhas pra não lhe dar um tapa na cara.
-Porra, não! Eu não sou a porra de uma groupie! – foi aí que eu finalmente o reconheci – Sou a irmã da porra do vocalista da tua banda! – ele arregalou os olhos.
-Irmã do Axl?
-E por acaso vocês tem outro vocalista? – perguntei.
-Não pode ser, até onde eu saiba a irmã dele mora em Lafayette...
-Não mais.
-É ruiva...
-Por que vocês sempre pensam isso? Nossos pais são diferentes!
-Não é tão irritante...
-Foda-se
-É relativamente mais alta...
Lhe amostrei o dedo do meio em um gesto ofensivo (dãã)
-E não tem olhos azuis, e sim verdes.
-Vocês me imaginavam como uma cópia feminina do meu irmão?
-Er...bem, sim! – Steven confessou.
-Credo, povinho sem imaginação! – falei voltando pra cozinha, agora eu teria que arranjar outra coisa pra comer!
-Merda, não tem nada aqui nessa porra! – falei pra mim mesma, ao abrir a geladeira.
-Talvez você queira pedir uma pizza! – ouvi uma voz atrás de mim e me virei, era o Steven.
-Obrigada, qual é o numero? – perguntei.
-Vem aqui pra sala, nós todos vamos pedir pizza! – ele chamou e eu fui.
Cheguei à sala e estavam Slash e Izzy.
-Do que você vai querer Amy? – Slash perguntou.
-De 4 queijos. – falei e eles me olharam estranho.
-Ok, então são 1 de calabresa, 1 de 4 queijos, 1 mista e uma de frango com catupiry.
-Isso mesmo! – Izzy confirmou e ele ligou para a pizzaria.
-Vou tomar banho. – informei e subi. Quando cheguei lá em cima notei o problema, onde eu iria ficar? Por sorte – ou não – Duff estava saindo de um quarto com outra camisa.
-Hey Duff, onde é o quarto do Axl? – perguntei na cara de pau.
-O 4 a esquerda – ele apontou.
-E de quem são todos esses? – perguntei me referindo ao 9 quartos que sobraram, é eu contei, são 10 no total.
-O primeiro a direita é um armário, só tem treco velho aí dentro, o segundo provavelmente vai ser o seu, já que é o único quarto de hóspedes vago, o terceiro é o meu, o quarto é o do Matheus e o quinto é o do Slash. Já na esquerda, o primeiro é um quarto que só tem brinquedos pros dois, apesar deles ainda não brincarem, e tem um piano aí também, o segundo é o da Malu, o terceiro é o Steven, o quarto é o do Axl e o quinto é o do Izzy. – ele ia apontando conforme falava.
-Obrigada! E foi mal pela camisa!
-Tanto faz – ele deu de ombros – Eu é que tenho que pedir desculpas, acabei com a sua torta!
-Bom, estamos quites né? – perguntei rindo e ele riu também.
-Verdade, sabe se eles pediram alguma coisa pra comer? – ele perguntou.
-Pizza.
-Sério? Tomara que eles... – o resto não deu pra escutar por que ele já estava lá em baixo.
Caminhei um lentamente para o quarto do Axl, preferir não entrar no quarto dos bebês, vai que eles tenham sono leve... Fui também observando a beleza dos quadros que tinham ao longo do corredor, eram lindos.
Bati de leve na porta do Axl e não obtive resposta, bati de novo e ele finalmente respondeu.
-Agora não Duff, eu já disse que... – abri a porta e o interrompi.
-Não é o Duff, sou eu. – falei entrando e sentando na beira da cama.
O quarto dele era lindo, as paredes eram todas brancas e tinham alguns prêmios e discos de ouro pendurados nelas. A cama de casal ficava no centro, com duas cômodas ao lado e duas luminárias. Tinha uma poltrona encostada na parede e uma televisão de LSD que devia ser do meu tamanho. Haviam também duas portas, uma devia ser do banheiro e outra do closet.
Meu irmão estava deitado na cama em formato fetal, abraçando um envelope branco, seu cabelo também estava molhado, ele devia ter saído do banho a pouco tempo.
-Amy, seu quarto é o segundo a direita, amanhã eu vou lhe dar o meu cartão e você irá poder comprar roupas e que mais quiser. – ele falou.
-Will – me aproximei dele e passei a mão por seus cabelo – Por favor, pare de se preocupar comigo. Eu não consigo imaginar o quanto você está sofrendo, mas estou aqui para lhe ajudar, eu nunca vou sair do seu lado.
Ele me olhou com os olhos marejados.
-Eu sei Amy, me desculpe por ter deixado você lá.
-Agora não tem mais importância, eu estou aqui com você, não estou? – ele assentiu.
-Amy, a Erin deixou isso pra mim. – ele me amostrou um envelope.
-Você ainda não abriu? – perguntei surpresa, ele sempre foi tão curioso.
-Eu não vou conseguir fazer isso sozinho, abre pra mim? – ele me deu o envelope e eu abri cuidadosamente, dentro dele tinham mais três envelopes e uma carta solta, resolvi ver logo a carta solta.
-Tem isso aqui... – olhei pra ele e vi que esse estava olhando para o teto – Quer que eu leia? – perguntei insegura e ele balançou a cabeça, indicando que sim.
-Ok, vamos lá – murmurei pra mim mesma, começando a ler...
“Ao meu querido e único amor (nem sei como fazer essa carta pra você.)
Dizem que a pior dor é a dor da perda, sinto muito que você tenha que passar por isso, mas vai ser inevitável.
Muita coisa do que eu tinha pra lhe dizer, eu disse naquele dia. Eu não tenho medo da morte, tenho saudades do tempo em que podia viver, porque aqui nesse hospital, sinto que já não vivo mais.
Há pessoas que entram em nossas vidas por acaso, completamente por acaso, e por lá ficam. Sinto que com nós dois aconteceu exatamente isso, ainda posso me lembrar do dia em que te conheci: Lá estava eu no meio do Rainbow, tinha acabado de ganhar um emprego de modelo em uma das melhores agencias aqui de Los Angeles e tinha ido lá com umas amigas para comemorar. Escuto que uma banda de rock vai se apresentar e fico curiosa, Guns n Roses, esse nome não me era estranho, mas também não era um nome que eu já estava acostumada como agora.
Bebo meu drink enquanto vejo a banda se ajeitar para começar o show, até onde eu sabia eram 4, os dois loiros (um extremamente alto e outro de estatura mediana) e dois morenos, um de cabelos lisos e uma boina e outro de cabelos cacheados e uma cartola engraçada. Eu, como uma pessoa que não entendia nada de rock até então, penso que a banda está completa. Mas de repente, quase no ultimo momento, entra a pessoa mais linda que eu já tive o prazer de conhecer, era relativamente alto, ruivo com uma badana azul na cabeça e vestia uma calça de couro apertada, uma camisa preta dos Sex Pistols e uma jaqueta de couro por cima, apesar de estar um calor dos infernos em Los Angeles. E ah! Como eu pude esquecer? Você também estava com brincos, colares, pulseiras e um óculos que o fez ficar estranhamente sexy, apesar de já ser mais de meia noite e não precisar de óculos de sol.
Até aí eu achava que já tinha visto o cantor mais bonito depois de Elvis Presley, mas foi apenas quando ele abriu a boca – muito sexy por sinal – que eu pude me apaixonar completamente, lembro-me que naquele dia em especial, vocês cantaram rocket Queen, paradise city, Mr. Brownstone e encerraram com My Michelle. Pelo que me lembro, nessa noite o Izzy me chamou para “sair” e eu recusei, logo depois veio o Duff e o Stee, todos eu recusei, meu unico alvo foi o que não me convidou, foi o ruivo que ficou sentado na mesa, só tomando uma cerveja e observando tudo ao redor, o que aliás, foi uma coisa que eu sempre admirei em você, sua confiança. Você sabia que eu lhe queria – á essa altura, o bar inteiro já sabia – mas nessa noite você não moveu uma palha pra ficar comigo, o que provavelmente fez eu ficar ainda mais atraída.
No outro dia voltei ao bar pra vê-los,e de musica nova, ouvi Welcome to the jungle, quando o show acabou e você de novo, se sentou no mesmo lugar, eu meio que perdi as esperanças. Mas para a minha completa surpresa e felicidade, você apareceu do nada e se ofereceu para me levar pra casa, não recusei é claro, mas fiquei em duvida das suas intenções por mim. Eu não queria ser uma garota de uma noite só das quais vocês já estavam acostumados e provavelmente enjoados. Por isso não deixei você avançar o sinal naquele dia. E o resto você sabe, nós nos tornamos amigos, depois namorados, noivos e quando íamos finalmente nos casar, eis que o destino nos prega uma peça. E como a covarde que sou, fugi. Fugi pretendendo nunca voltar, quero dizer, eu pensava que um dia, quando nosso filho já estivesse grande o suficiente, eu lhe contasse sobre o pai e ele fosse procurá-lo, loucura eu sei, por isso mudei de ideia, mas infelizmente já era tarde demais.
Meu pais me proibiram de vê-lo, alegando que se eu saísse de casa, não poderia voltar nunca mais. E eu tinha medo – não por mim, mas pelos nossos filhos – de que um dia eu saísse de casa, fosse lhe procurar, e você não acreditasse em mim. Ou pior: que não me amasse mais. Eu sei, isso é besteira, mas no auge da minha depressão, pensei até em tirar a minha vida, só que isso seria injusto, porque se eu não mais vivesse, mataria os meus filhos, ou então se eles fossem criados pelos avós, eles nunca chegariam a conhecer o pai, e isso não estava nos meus planos.
Você quer saber por que eu não me despedi? Foi pelo mesmo motivo que eu estou deixando essa carta, tudo se resumi a essa pequena frase de um dos meus autores favoritos:
“Como dizer adeus a alguém que você não pode imaginar viver sem? Eu não disse adeus. Eu não disse nada. Apenas fui embora”
E apesar de eu estar escrevendo essa carta, eu preferiria não escrever nada, mas penso que seria mais doloroso para você. Desculpe-me se me equivoquei, não era a minha intenção.
Por ultimo, eu queria fazer um pedido a você: não chore!
Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre. Eu estou indo embora, mas em troca lhe deixo algo mais valioso e especial: os nossos filhos.
Também deixo aqui um ultimo conselho: Se tiver que amar, ame hoje. Se tiver que sorrir, sorria hoje. Se tiver que chorar, chore hoje(apesar de eu ter pedido pra você não fazer isso, a ultima coisa que eu quero é lhe reprimir, que isso fique claro). O ontem já foi e talvez o amanhã não venha.
Acho que já ocupei demais do seu tempo aqui, leia isso e guarde, guarde em um local que você não vá lembrar, por que você não deve se prender a esse papel, não deve se prender as minhas lembranças, não mais. Se apaixone de novo, e por favor, seja feliz, é tudo o que eu desejo para você meu amor.
Com todo amor e carinho,
Da sempre sua,
Erin Everly.
P.S. Eu fiz mais três cartas que estarão aqui dentro, uma você entregará aos meninos agora e a outra, você vai entregar para os nossos filhos quando achar que é a hora certa, quanto eles tiverem a capacidade de entender o que está escrito.
P.S.2. Eu te amo.”
No final da carta até eu chorava, eu nunca cheguei a conhecer Erin Everly, mas pelo que pude ver, ela amava muito o meu irmão, e eu respeito qualquer pessoa que goste dele de verdade.
Olhei para o Axl e ele estava chorando silenciosamente, eu entendo quando ela disse que não era para ele chorar, ela não estava falando de agora – o que seria inevitável – e sim do futuro, para ele não ficar se remoendo ou preso ao passado. Eu também achei legal ela ter feito as duas cartas pro filhos, quando crescerem, eles vão querer saber alguma coisa sobre a mãe, e felizmente, eles vão ter algo a dá-los.
-Você quer que eu entregue a outra carta para os meninos lá em baixo? – perguntei.
-Sim, mas não agora, por favor, fique comigo, eu não sei se vou aguentar passar por isso de novo, e agora é pra sempre! – ele se deitou no meu colo igual como fez na praça e começou a chorar, depois de uns 20 minutos, ele dormiu. Dei um beijo em sua testa e o cobrir, que pelo menos enquanto ele durma, não sofra como está sofrendo. Peguei a carta que era destinada ao pessoal da banda e desci.
-A pizza já chegou? – perguntei me sentando ao lado do Slash.
-Não, você não ia tomar banho? – ele perguntou.
-Eu primeiro fui falar com o Axl, ele está tão triste. – comentei abaixando a cabeça.
-Eu sei, ele tá pior do que quando a Erin o deixou pela primeira vez, acho que porque agora ele sabe que ela não vai voltar. – ele comentou triste.
-Quando vai ser o enterro? – perguntei fazendo de tudo pra prolongar o momento, eu não queria entregar a carta, não queria vê-los sofrer como o meu irmão agora a pouco.
-Amanhã a tarde, de manhã vai ser o velório. – ele falou.
-Hum. – comentei sabendo que já era a hora.
-Pessoal! – eu levantei e todos me olharam – Eu... Eu tava lá em cima com o Axl e ele abriu o envelope que a Erin deixou pra ele. A surpresa é que ela não deixou uma carta só pra ele, ela deixou uma pra vocês também – informei e todos pararam o que estavam fazendo na hora.
-E cadê? – O Izzy perguntou e eu dei a carta pra ele, saindo da sala.
-Hey! Aonde você vai? – ouvi o grito do Steven e me virei.
-A carta é pra vocês, não pra mim. Eu não quero me intrometer. – respondi.
-Amy – para a minha surpresa, foi o Izzy que me chamou assim – Querendo ou não, agora você já é parte da família tanto quanto a Malu e o Matheus. Se você ficar aqui, você não estará se intrometendo.
-A Erin pode não ter lhe conhecido, mas garanto que se você tivesse chegado semana passada, o seu nome estaria aqui também. – Slash falou.
-Mas não está... – eu tentei dizer.
-O Izzy está certo, querendo ou não, agora você já entrou para o Guns, então faz parte da sua obrigação como membro da família, apoiar os outros, que no caso, somos nós aqui! – Duff falou.
-Obrigada, ter vocês me aceitando na casa de vocês foi a melhor coisa que eu ouvi nesses últimos tempos. – falei sincera.
-Então senta aqui e escuta o Izzy! – Slash falou me puxando para o lugar que eu estava sentada.
-Bom, acho que agora eu á posso ler, né? – Jeffrey (acho que eu nunca vou deixar de chamá-lo assim) começou a ler a carta.
“Caros Duff, Izzy, Slash e Steven
Primeiramente, queria agradecer por todo o carinho que vocês me acolheram quando ainda nem me conheciam, sei que não sou a melhor companhia do mundo, e vocês deveriam ganhar um premio por me suportarem por tanto tempo. Queria agradecer o modo que me defenderam em algumas brigas com o Axl, o modo como me ajudaram e principalmente, por estarem cuidando dos meus tesouros nesse momento.
Eu queria esclarecer uma coisa: Depois de tanto pensar em quem seriam os padrinhos e as madrinhas, decidi – sem o conhecimento do Axl – que os dois terão dois padrinhos, o que vocês acham? Eu pensei em o Duff e o Izzy serem os padrinhos da Malu (como eu já havia prometido ao Duff – é loiro, eu não esqueci!) e o Slash e o Steven serem os padrinhos do Matheus. Eu sei que legalmente não pode ser assim, mas desde quando seguimos as regras?
Bom, eu queria pedir a paciência de vocês, pois vem tempos muito difíceis pela frente, eu sei que eu não vou sobreviver, não estou com medo e muito menos com raiva. Mas infelizmente vocês todos vão sofrer por isso, e eu sinto que o Axl pode se entregar a dor. Se ele quiser fazer isso, por favor, não deixem! A responsabilidade sobre vocês vai aumentar, pois terão que cuidar de duas crianças e um adulto, se sentirem muita dificuldade, chamem a Berta, tenho certeza de que ela não se importaria de ir praí alguns dias a mais.
Cuidem bem dos meus filhos, é a única coisa que peço, não que eu não saiba que vocês vão cuidar, mas sabem como é mãe, né? Ainda mais uma de primeira viagem que não vai poder acompanhar de perto o crescimento dos filhos. Coloquem os dois nas melhores escolas que encontrarem, mas não os deixe ficarem muito mimados, não vai ser legal.
Agora o principal, não deixe que a minha mãe fique com eles. Eu sei o que ela quer, ela quer manipular o Axl através das crianças, tirar todo o dinheiro dele e o proibir de ver os filhos. Tudo por ganância, eu sei que ela é minha mãe, mas ela não presta.
Quanto à música, Duff, Izzy Steven e Slash, nunca desistam do sonho de vocês! Vocês chegaram ao topo e vão se manter aí por um bom tempo! Vocês são especiais! Nunca conheci ninguém que tocasse com mais animação que o Steven, ou que fizesse letras tão profundas quando o Izzy, ou ainda que entrasse numa banda de Hard Rock, sendo um punkmaníaco! Duff, você faz a diferença nessa banda, e So fine(Axl me amostrou a demo), é linda! Slash, seus riffs são ótimos, você tem um jeito de compor que é divino! E o Axl, meu Deus, nunca conheci alguém com a voz tão perfeita quanto a dele, como ele muda o tom em milésimos de segundos, é genial, perfeito!
Eu não quero me despedir de vocês, e se eu der sorte, não vou pessoalmente, apenas por essa carta. Odeio despedias, mas infelizmente sinto que essa vai ser necessária, tanto pra mim, quanto pra vocês. Todos nós evoluímos, e de uma forma ou de outra, amadurecemos. Mas agora eu sinto que a minha jornada aqui na Terra acabou, a morte vem me buscar, e eu a receberei de braços abertos, ansiosa por uma nova aventura, uma nova terra de conhecimentos. Por que a morte nada mais é do que uma farsa, vocês sabem disso.
Eu amo vocês, todos, sem exceção, nunca se esqueçam disso. Vocês sempre foram os amigos mais sinceros que eu já tive, os únicos que gostavam de mim pelo que eu era, e não pelo que eu tinha ou pelo que eu representava.
P.S. Izzy, aqueles projetos que você me amostrou são perfeitos, não os desperdice guardando-os!
P.S.2. Meninos, se o Izzy não quiser mostrar mesmo assim, não o perturbem ok? Ele tem todo o direito de ter sua privacidade, não é egoísmo da parte dele não querer mostrar as letras, é apenas pessoal demais e ele tem o total direito de não se expor.
Beijos com muito carinho
Erin Everly”
Quando ele terminou de ler Steven estava soluçando, Slash e Duff choravam em silencio e Izzy disse que ia ao banheiro.
Me ajoelhei ao lado de Steven e o abracei.
-Não fica assim Steven, ela sabe que foi o melhor pra ela. – falei tentando lhe acalmar.
-Eu, snif, eu se-sei que sim. Mas ela n-não devia ter mo-morrido. Não foi justo, lo-logo agora q-que ela t-teve os b-bebês – ele falava enquanto eu o abraçava.
-Infelizmente o mundo não é justo Steven – falei pensando na minha infância e na do Axl, realmente, a vida não foi justa com a gente.
A campainha tocou e o Slash foi abrir a porta.
PDV Slash
Devia ser a pizza, abri a porta e o entregador me deu as caixas.
-Quando deu? – perguntei deixando as caixas em cima de uma mesinha e abrindo a carteira.
-87 dólares senhor. – ele falou e eu entreguei – Sinto muito pela sua perda.
-Desculpe-me? – perguntei não entendendo do que ele estava falando.
-A Srt.Everly, sinto muito por isso.
-Mas como você sabe disso? – perguntei pasmo.
-Todo mundo sabe, não se fala de outra coisa nos jornais. – ele falou me olhando estranho e foi embora.
Peguei as caixas de pizza e fui correndo pra sala.
-Liga essa porra agora! – falei largando as caixas de qualquer jeito no colo do Duff e pegando o controle.
-Merda Slash! Essas caixas estão quentes! – ouvi Duff reclamar e nem liguei. Procurei o primeiro canal de noticias que me veio a mente e coloquei lá.
-Prestem atenção nisso! – falei.
“-Nessa ultima noite de quinta feira, a ex-modelo Erin Everly, que já estava internada há quase uma semana, não resistiu á uma parada cardíaca e faleceu. Segundo os enfermeiros que estavam presentes no local, foi tudo muito rápido, eles ainda tentaram reanimá-la mas não obtiveram sucesso. Algumas pessoas no local disseram que viram alguns integrantes da banda Guns n Roses pelo local esta noite, segundo essas pessoas, o vocalista da banda, Axl Rose, parecia muito abalado ao sair do local, e quando o fez, seguiu a pé pelas ruas, aparentemente sem rumo. A correspondente Valéria Fernandes fala agora diretamente do hospital.
-Boa noite Fátima, estou aqui falando com a mãe de Erin Everly, que deixou a carreira de modelo ao saber que estava grávida do vocalista Axl Rose. Depois do parto, elas teve algumas complicações e essa noite veio a falecer. Sra Everly, você pode me dizer se esperava essa noticia?
-Bom, pra dizer a verdade, desde que ela se envolveu com o briguento que você mencionou, eu esperava sim, essa noticia. E infelizmente essa noite, isso veio a ocorrer.
-Mas e agora, quem vai ficar com a guarda dos gêmeos?
-Por enquanto é o pai que está tomando conta, mas logo o caso vai chegar á mão dos juízes e eles vão fazer o que é certo.
-E na sua opinião, o que seria o certo a se fazer?
-Não é óbvio? Os meus netos tem que ficar sob a minha guarda e a do meu marido! Aquele irresponsável mal sabe cuidar de si mesmo! Vai acabar matando os meus netos!
-Obrigada pela entrevista Sra. Everly!”
Outra noticia entrou ao ar.
-Quem aquela filha da puta pensa que é? – Amy deu um pulo no sofá e se aproximou da TV com as mãos fechadas em punho.
-Calma Amy, socar a TV não vai adiantar de nada! – falei segurando seus pulsos quando ela se aproximou da TV.
-Onde ela mora? Quem é ela? – ela perguntou.
-É a Venetia, mãe da Erin que quer com todas as forças a guarda dos netos. – expliquei.
-Ela não pode conseguir isso! Como ela pode dizer que o meu irmão é um irresponsável que mal sabe cuidar de si mesmo? Ela não tem amor a vida?
-Ihh! Já vi que temperamento de extressadinho é coisa de família! – Duff zombou.
-Cala a boca Madonna! – rachei de rir com essa, e pelo visto, o Izzy e o Steven também. Duff mostrou o dedo do meio pra ela, que por sua vez, mandou língua.
-Hey! Parem com isso! Por que a gente não come e depois pensa no que fazer com a Venetia? – perguntei e eles assentiram, alguns a contra gosto (lê-se Amy e Duff)
-De quem é a mista? – perguntei quando estávamos na mesa.
-Minha! — Steven gritou e eu dei a pizza pra ele.
-E a de frango com catupiry? – perguntei e Izzy levantou a mão, geralmente quem come essa é o Izzy e o Axl, mas como o ruivo estar dormindo...
-4 queijos? – perguntei e o Duff e a Amy levantaram a mão. Isso vai acabar dando em merda!
-Ótimo! Dividam-se! – falei entregando a pizza e me mandando, indo comer a minha de calabresa. Nós sempre pedíamos uma tamanha família para cada um de nós, às vezes comíamos tudo, outras vezes, deixamos alguma coisa para o outro dia, mas isso era bem raro.
Depois de uns 10 minutos, não existia mais nada na mesa, ou melhor, tinha o ultimo pedaço da pizza de 4 queijos, observei o Duff e a Amy acabarem de comer quase no mesmo instante. A pizza vinha com 13 pedaços iguais, 6 ela comeu, 6 ele comeu. Estava escrito nas estrelinhas que eles iam brigar por esse ultimo pedaço.
Assim que ele levantaram os garfos ao mesmo tempo, prendemos a respiração.
-Duff, esse pedaço é meu! – Amy avisou e Duff riu.
-Pirralha, você comeu metade da pizza, esse é meu! – Duff disse enquanto tentava puxar a pizza pra si.
-Pirralha é esse teu cabelo ensebado! Agora mesmo que eu não te dou a minha pizza! – ela puxou a pizza pra si, mas o Duff não cedeu.
-O meu cabelo não é ensebado! Pra sua informação, eu lavo ele todos os dias!
-Até mesmo quando tá em turnê? – Amy arqueou um sobrancelha e Duff bufou.
-Quando eu to em turnê é mais difícil encontrar tempo até pra fazer sexo! E o meu cabelo não é prioridade quando se trata do meu amiguinho aqui embaixo! – Amy riu.
-Deve ser amiGUINHO mesmo, né?
-Pirralha, você vai ver quem é o amiguinho aqui! – Duff levantou e desamarrou o cinto.
-Não precisa Duffizinho, eu acredito em você. – Amy disse e Duff a olhou confuso – A propósito, obrigada pela pizza! – ela pegou o pedaço e saiu correndo.
-Volta aqui sua projeto de gente! – Duff saiu correndo atrás dela e eu comecei a rir, ela tinha conseguido enganar ele direitinho!
-Quem vai lavar a louça? – Izzy perguntou.
Olhei para o Steven.
-Stee, já sabe né? – perguntei sorrindo maroto e ele assentiu.
-Agora! – ele gritou e nós também saímos correndo.
-Voltem aqui seus...! – ainda ouvi Izzy gritar, mas eu já estava no meu quarto e nada me tiraria de lá, a não ser...
-Merda Malu! — murmurei pra mim mesmo enquanto ia para o quarto da pequena, ela estava com fome.
Notas finais
Espero que esse capitulo tenha esclarecido algumas coisas, mais tarde eu volto com um capitulo bônus que eu fiz, ok?
P.S. Créditos para um site de apelidos, onde eu encontrei o "tampa de Yakult" "Madonna" "pigmeu" e outros que vão aparecer pelos próximos capitulos!
Beijinhos.
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