You're A Wizard
4 Pirraça
Naquela noite John voltou para seu quarto com o coração acelerado. Sherlock não podia mesmo querer namorar, certo? Eles eram amigos, e praticamente viviam a vida um do outro, estando em Hogwarts o tempo inteiro e... Não, Sherlock estava certo, a ideia era boa demais pra deixar passar.
Apesar de não ter nada contra a relação entre funcionários no regulamento, os dois preferiram deixar isso discreto. Alguma coisa dizia a John que Minerva não ia gostar nada disso. E Sherlock estava se divertindo muito surpreendendo John em momentos aleatórios.
Então durante as próximas semanas John foi empurrado para armários de vassouras e salas vazias mais vezes do que ele poderia realmente se lembrar, mesmo que fizesse um esforço. Ele simplesmente não podia mais andar sozinho em um corredor vazio.
-Nós vamos ser pegos, Sherlock. – Sibilou sob um suspiro certa tarde quando foi puxado para dentro de uma sala muito fria. Era a primeira semana de dezembro, quase inverno – E enquanto o namoro não é proibido eu tenho certeza que dois professores não podem simplesmente se agarrar em qualquer lugar do castelo.
-Não seja sem graça John, o que é a vida sem os riscos? – Os olhos de Sherlock brilhavam.
John pensou em protestar, mas já tinha perdido. Seu quadril bateu contra uma mesa na sala escura e então a boca de Sherlock estava na sua, seus corpos tão colados que ele podia sentir o movimento rápido de seu peito, com a respiração acelerada de Sherlock.
Em algum momento John estava sentado sobre a mesa que ajudava a alinhar suas alturas, com as pernas enroladas na cintura de Sherlock e as mãos no seu cabelo, enquanto as mãos de Sherlock apertavam sua bunda como se ele fosse fugir.
Então houve um estalo e a sala não era mais escura. Seja quem fosse não tinha entrado, já estava dentro. Durante minutos. John sentiu seu rosto corar e quando seus olhos se acostumaram com a claridade ele pôde ver flutuando no fundo da sala, branco, velho, sorridente, e muito, muito pior do que a Minerva, Pirraça.
-Merda – John sussurrou escondendo o rosto no ombro de Sherlock.
John não sabia o que fazer, achou que talvez se não fizesse nada Pirraça poderia simplesmente ir embora, ou algo assim. Quando Sherlock tomou uma respiração para falar John apertou seu braço em advertência, e Sherlock fechou a boca, o que foi um alívio. Pirraça cruzou a sala com os olhos fixos nos dois que não tinham se movido um centímetro, e quando chegou à porta abriu-a lentamente e começou a cantar muito baixo:
-Holmes & Watson, sitting in a tree. K-I-S-S-I-N-G. – Fechando a porta com um clique quando saiu.
John olhou para Sherlock os olhos vidrados, isso não tinha acabado.
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Sherlock parecia ter esquecido o que passou na sala, mas John não. Quando Sherlock apareceu em um corredor entre o Salão Principal e sua sala de aula depois do almoço com os olhos brilhando de malícia na tarde do dia seguinte John fechou a cara.
-Não Sherlock. – John falava baixo, mas o tom era decidido. – Não aqui, não agora. Eu passei sete anos sendo atormentado e vendo pessoas serem atormentadas por ele. Ele não vai deixar barato por que nós somos professores, e se ele ainda não está fazendo alguma coisa basta esperar.
-Tudo bem, John. Talvez ele não tenha visto tanto, você sabe, ele atravessa paredes, depois de tudo. Ele podia ter acabado de entrar. – Sherlock falava com convicção, mas John viu que ele estava tentando passar uma segurança que ele mesmo não sentia e não mordeu a isca.
-Ele viu o suficiente. – John disse lembrando como eles estavam enrolados na outra noite e sentindo calor a despeito do vento gelado de dezembro. – Ele não vai ver mais.
Sherlock suspirou.
-Nem um beijo? – Sherlock sorriu esperançoso.
-Eu nem sei por que você está aqui, a sua masmorra fica pro outro lado.
-Sério John? Isso nunca pareceu incomodá-lo antes. –Sherlock disse em um tom baixo propositalmente atraente enquanto desamarrava seu cachecol.
-Eu não estou incomodado, só estou pensando o que você faz por aqui. – John disse dando um passo para trás e amarrando de volta seu cachecol. Sherlock pareceu ofendido com a distância tomada.
-Eu vou deixar você com suas deduções então – Disse enquanto se voltava pelo corredor em que veio sem olhar pra trás.
John ficou pensando se a conversa teria afastado Sherlock de alguma forma, pois não foi visto pelo resto do dia, nem no jantar. Mas quando John estava se levantando da mesa dor professores no Salão Principal a pequena coruja branca pousou no espaldar da sua cadeira com um bilhete no bico.
John sorriu abertamente enquanto leu:
“Eu espero que um encontro nos meus aposentos seja mais aceitável do que nos corredores do castelo então.
SH”
John seguiu para as masmorras enquanto a pequena coruja se servia da carne deixada no prato.
Notas finais
Bom, um pouco de Pirraça pq ele é o melhor. A música eu não quis traduzir, pq não vai fazer sentido em português.
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