You're A Million Ways To Be Cruel - NÃO CONCLUÍDA
6 Something Is Changing
Notas iniciais
“Não é fácil ser esse tipo de amante
Se você nunca me liga
Não é fácil ser esse tipo de amante
Se você não vai me ligar
Ah eu sou dedicado, e vou lhe perdoar.”
(Turn It On – Franz Ferdinand)
Fazia duas semanas que já estava em casa, aguentando um inferno de calor e tédio que a deixavam bastante irritada. Seus pais viajaram para casa de sua avó e ela quis ficar. Ela tinha apenas 14 anos e claro que seus pais não aceitaram, mas ela os confundiu e eles partiram sem ela. É óbvio que tentaram voltar quando o feitiço quebrou e se viram na Escócia sem a filha, mas Hermione disse que era uma bruxa e podia muito bem se virar sozinha.
A garota preferia ficar só pois acumulara uma certa aversão a algumas manias de seus pais, eles eram trouxas e faziam tudo muito lento, na opinião dela. Além disso ela esperava muito que Draco a escrevesse, e tinha que estar em casa quando a bendita coruja chegasse.
– Ai – Ela gemeu ao sentir uma pontada em sua barriga.
Fazia uns dias em que ela estava estranha, e hoje além de melancólica ela começou a sentir uma dor horrível em seu ventre.
Tomou todo o chá que havia colocado em sua xicara, e sentou-se na sala. Era deprimente ficar sozinha, sem poder usar magia e sem vontade de sair. E a saudade de Draco só aumentava, também estava louca por notícias. Será que Voldemort voltou mesmo? A essa altura Draco já era comensal? Ele providenciou o que precisava pro ritual? Ele pensou em uma solução para o que fazer com os pais trouxas dela? Tudo isso a angustiava ainda mais.
– Ah Draco, me sinto tão só – Lagrimas sem seu consentimento, começaram a descer.
Hermione teve um estalo. Dores + Sensação de incomodo há dias + Melancolia... Ela começou a rir:
– Estou tão avoada, que esqueci dessa coisa maldita – É claro que era só a TPM.
De repente, ela queria um abraço. Lembrou-se do abraço de Draco e a tristeza bateu mais forte. Mas o que ela poderia fazer? Deitou-se desolada no sofá e fechou os olhos para tentar conter as lágrimas.
– Maldita TPM – Ela resmungou – Maldito louro aguado! – As lágrimas desciam em cascatas, fazendo o seu nariz entupir. Ela odiava a sensação, e por pura insanidade culpou Draco por isso.
*
Duas semanas se passaram e Draco nem havia percebido. Tantas coisas estavam acontecendo em sua casa, e mais que isso tentava entender porque se sentira elétrico com um simples tocar de lábios, que dera em Hermione.
Voldemort realmente voltara, e pior que isso, não estava contente com o seu pai. Aparentemente o Lorde achava que Lucius deveria adivinhar que ele estava vivo. Voldemort estava contente demais com o seu retorno, e seu pai tinha influencia demais dentro no Ministério para ser punido, além disso ofereceu uma parte da enorme Mansão Malfoy, para que o Lorde usasse como quartel general.
Além disso, os planos de guerra recomeçaram e a primeira coisa que queriam fazer, era soltar os comensais que estavam presos. Draco foi apresentado ao Lorde, pois era um recém-nascido quando ele caiu.
– Muito prazer em lhe conhecer menino Malfoy – Ele sorriu para Draco com seus dentes amarelados. – Quantos anos você têm meu garoto?
– 14 milorde – Ele respondeu relutante.
– Muito novo, muito novo – Ele murmurou e depois gargalhou – Não faz mal! Terá idade o suficiente para se juntar a mim, quando a guerra estourar.
Era isso, seu destino estava traçado. Curvou-se diante de seu novo mestre e pediu licença retirando-se para o seu quarto.
Sem perder tempo, abriu o livro de magia negra e releu a lista de ingredientes necessários.
– Vai dar certo Hermione, vai dar! – Ele murmurou enquanto rabiscava o pedido que deveria fazer para a loja. Mais do que nunca Hermione precisava fazer a troca de sangue, Voldemort e nenhum dos comensais poderiam saber da existência dela, antes do ritual.
Enquanto despachava a coruja com o pedido, lembrou-se do endereço de Hermione. Olhou em volta como se buscasse alguém, talvez se saísse ninguém notaria a sua presença.
– TICK! – Imediatamente o elfo de materializou – Se eu lhe der um endereço, consegue me levar até lá?
– Tick pode, meu senhor – Ele fez uma reverencia – Tick, faz qualquer coisa pro mestre Malfoy.
Draco procurou o pedaço de pergaminho que Hermione lhe dera e deu ao elfo.
– Senhor, se a senhoria permitir... ? – O elfo estendeu a mão e Draco entendeu o recado.
Deu a mão ao elfo, e antes que pudesse piscar, ele aparatou. Quando abriu os olhos, estava em um quarto completamente lilás e um tanto infantil. Por um instante acho que o elfo lhe levara para o lugar errado, mas antes que pudesse questionar a porta se abriu e Hermione apareceu:
– Draco? – A garota empunhava a varinha e sua expressão estava chocada. – Mas que droga! – Ela baixou a varinha e passou as mãos no rosto – Você me deu um baita susto!
– Tick, pode ir. Depois eu chamo – Draco dispensou o elfo, que sumiu com uma reverencia – Olá Hermione, desculpe-me aparecer assim. – Ele sorriu.
– Não tenho proteção anti-bruxo aqui. Imagina o meu pânico quando eu ouvi a aparatação! – Ela gritou, seu rosto estava vermelho e ela estava furiosa.
– Calma Hermione – Ele disse em dúvida. Não havia motivo para todo esse escândalo – Eu devia ter avisado que vinha, mas não achei que fosse problema.
– Devia mesmo! – A hostilidade se fazia presente – Fiquei esperando uma notícia sua por duas semanas! Nem viajei por causa disso – Era uma mentira mas ela não se importava em lhe fazer sentir culpa
– Minha vida estava agitada. Muita coisa está acontecendo em minha casa e...
– Você podia ter me mandado pelo menos uma palavra! – Ela sabia que era um reação exagerada, mas seus hormônios não estavam nem ai. Draco irritou-se com a atitude dela, ele estava ali para lhe dar notícias e não ouvir reclamações.
– Você quer calar a boca? – O tom severo a fez se sentir magoada – Vim aqui lhe dar notícias, mas se ficar surtando ai eu vou embora.
Ao ouvir as palavras dele, ela se deu conta de que estava fazendo papel de boba, além disso ela estava com saudades.
– Não quero que vá embora – As lágrimas foram involuntárias e surgiram em um fluxo interminável.
– Você está chorando? – Ele nunca vira ela chorar daquele jeito.
– Não estou não – Ela ficou de costas para ele para tentar esconder as lágrimas – Eu não estou no meu normal esses dias, e ac...
– Hermione, você está sangrando! – O tom de alarme dele a fez arrepiar.
– O QUÊ? — Ela virou-se e viu ele apontando para ela.
– Você está sangrando sua maluca, não está sentindo nada? – Ela olhou para ele achando que devia ser palhaçada, mas a expressão dele era de uma preocupação genuína.
Ela olhou para o short branco que vestia e realmente viu que estava sangrando. A vergonha foi visível, ela queria se enterrar por ter sido tão descuidada. Sem pensar, apenas querendo sumir da vista de Draco, ela passou por ele e se trancou em seu banheiro.
– Merda, droga! – Começou a xingar sem parar, enquanto tirava a roupa e se metia embaixo do chuveiro.
Draco ficou em pé, com cara de tacho, tentando entender o que acabara de acontecer. Ele ouviu o barulho do chuveiro e resolveu bater na porta:
– Hermione? Você está bem? – Ela grunhiu de lá, será que ele não entendia que isso era embaraçoso?
– Vai embora! – Ela tentou esconder a humilhação. Ele insistiu na porta
– Não me faça arrombar a porta, Granger! – Ele cansou dos joguinhos.
– Como você não entende Malfoy? Eu não quero você aqui, vai embora!
– Ah você não quer? Pois bem, só vou sair daqui quando você me explicar o que raios está acontecendo!
Ela quis bater sua cabeça na parede, quando ouviu ele se sentar ao lado da porta. Suspirou, o que ele queria? Até que ela se sentiu acalmar, e seus neurônios voltaram a funcionar. Draco era um garoto, e além disso era bruxo. Ele não devia fazer ideia do que era isso, ou porque agira daquela forma antes, com os gritos e choros, da mesma forma que nem Harry e Rony conseguiam associar as tais ‘crises de mulher’ à TPM!
– Droga! – Ela disse ao se dar conta de que teria que explicar a ele. – Tudo bem Draco, eu explico a você.
Ele sorriu consigo mesmo, sabia que ela cederia.
Ela saiu do chuveiro e pegou a sua toalha, secando-se. Procurou a sua roupa, e percebeu que não trouxera nenhuma. Suspirou, bem não seria nada que ele ainda não tinha visto. Enrolou-se na toalha e saiu, ele estava sentado em sua cama e a olhava de forma inquisitória. Ela ignorou e passou direto pro seu guarda roupa, abriu a porta e se colocou atrás dela para ter um pouco de privacidade. Procurou um de seus absorventes e o fixou em uma calcinha e pôs o mais rápido que pôde. Jogou a toalha de lado e colocou um vestido simples e solto, sem prestar a atenção direito.
– Você tomou banho? – Ele perguntou.
– Mas é claro, eu estava suja.
– Era só sangue – Ele sorriu – Algodão, uma poção curativa e pronto. – Ele revirou os olhos, ela deveria saber o obvio. Ela sentou ao lado dele e o olhou séria
– Draco, não era só sangue! – Ela começou – Era uma coisa de mulher, acontece todo mês e você realmente não deveria ter visto. – A expressão confusa dele foi hilária, e ela quase riu.
– Você sangra todo mês? – Hermione não segurou a risada e Draco fez uma carranca para ela.
– É como um ciclo, querido – Ela foi gentil, sabe como ele é instável. – A cada 28 dias, nós meninas mulheres, passamos por uma fase meio louca, de choro, acessos de raiva ou alegria demasiada. Inchamos, nos sentimos desconfortáveis e temos muita vontade de comer chocolate e depois de toda essa multipolaridade de emoções a gente bota tudo isso pra fora através sangue. – Ela fez uma careta, mas era o mais próximo que ela conseguia exemplificar para ele sem ficar constrangida. – Mas você não devia saber dessas coisas.
– Por que não?
– Bom... é uma coisa de mulher – Outra careta – Muito intima.
Draco fitou ela intensamente, de repente ele se sentiu ligado a ela de uma forma totalmente diferente. Ela lhe contou algo que ele nunca iria descobrir, se ela não falasse e gostou disso. Hermione, por outro lado, olhava para todos os cantos menos para ele. Enquanto esquadrinhava o quarto aleatoriamente, ela viu uma coruja chegando. O bicho entrou, deixou a carta em seu colo e voou de volta por onde veio.
Com a entrada do bicho, Draco interrompeu suas linhas de pensamento e prestou atenção à carta que Hermione abria. Uma medalha caiu da carta e ele pegou. A medalha exibia o leão e as cores da Grifinória, e se sobrepondo a eles um “M” dourado:
– Malfoy? – Draco debochou
– Não, monitora. – Ela o fitou – É uma carta de Hogwarts, da Minerva. Sou a nova monitora da Grifinória.
– Parabéns – Ele falou enciumado, ele queria ser monitor também.
– Você pode receber uma carta também. – Ela sorriu pra ele – Ia ser legal, não ia ser muito estranho esbarrar com nós dois juntos, se você também fosse monitor. – A imaginação da castanha já voava longe.
– Isso me lembra, Hermione, do que eu vim fazer aqui – Ele começou – Voldemort voltou mesmo. – Ele fez uma pausa dramática, e Hermione tremeu involuntariamente – E claro, com certeza haverá uma guerra. O plano do Lorde, é primeiro libertar os comensais que estão em Azkaban, e com isso a perseguição aos trouxas, mestiços e sangues ruins vai recomeçar. Não podemos, sob hipótese alguma, sermos vistos juntos amistosamente.
– Mas... – Ele tentou interromper
– Calma! – Ele pediu impaciente – Eu já providenciei o pedido de tudo que vamos precisar, eu li e reli várias vezes o ritual e consigo fazer. Não preciso fazer muita coisa, só pronunciar as palavras corretas e dar um pouco do meu sangue – A expressão de medo de Hermione fez ele sorrir – Não é nada demais, não vamos nos preocupar com isso agora. O ritual só vai poder ser feito em abril...
– Abril? Mas vai demorar muito.
– Não vai ser nada demais esperar, vamos estar na escola – Ele deu de ombros – Podemos esperar até lá, têm que ser feito em noite de Lua de Sangue, e ela só vai ser em abril. Depois disso você vai, finalmente, poder se juntar a mim e ser apresentada aos meus pais. – Hermione fez uma careta – Além disso, Voldemort já disse que assim que tiver idade, me juntarei a ele, isso significa que...
– Vou estar com você – Ela disse firme – Me juntar a ele, com você.
– Era o que eu esperava que você dissesse. – Ele sorriu sincero e os dois ficaram em silêncio, apenas se fitando.
– E os meus pais? O que vamos fazer com eles? – Draco pareceu surpreso, ele simplesmente descartou os pais dela da equação em que pensara.
– Onde eles estão agora? – Perguntou depois de uns segundos de silêncio.
– Eles estão na Escócia, os confundi para irem sem mim – Ela deu um sorriso de lado e ele gargalhou.
– Nossa, não esperava por isso – Ela baixou o olhar ficando contente em surpreendê-lo. – Bem, acho que devemos fazer isso. Os confundi-los para pensar que não têm filhos, e claro fazê-los acharem que são outras pessoas ou apagar a mente deles.
A Granger mordeu os lábios, e uma pressão desconfortável surgiu em seu peito. Ela faria mesmo isso com os seus próprios pais? Draco a fitou intensamente e pôde ler a hesitação em seu rosto, ela levantou o olhar e o encontrou a encarando. Só de ver os seus olhos, ela suspirou em derrota e perguntou:
– Quando faremos isso?
– No último dia da folga que temos para as festas de fim de ano. Você se despede deles e antes de embarcarmos eu venho e a ajudo com os feitiços. Então você estará livre.
“E serei só sua”, ela completou mentalmente. Mas uma vez o silêncio recaiu sobre eles.
Hermione lembrou-se da pressão dos lábios dele nos seus, ao fita-lo esquivamente, e ficou vermelha ao constar que queria isso loucamente, de novo. Ele adorou ver a vermelhidão em seu rosto, apesar de saber que ela estava envergonhada e de não desejar que ela se sentisse assim, pelo menos não com ele.
– Tudo bem, eu já vou – Ele pulou da cama, e se pôs de pé – TICK! – O elfo se materializou, e Hermione voltou de seus sonhos.
– Mas já? – Ela começou a fica melancólica – Mas você acabou de chegar – Ela choramingou.
– Eu preciso ir, podem sentir minha falta – Ele viu uma lágrima descer pelo canto do olho dela, e estranhou mas logo lembrou-se de tudo que ela disse e tentou sorrir – Eu mando notícias logo, não vou esquecer – Rapidamente, sem que ela pudesse apreciar o toque, ele limpou a lágrima dela.
– Tudo bem – Ela cedeu. – Não se esqueça.
E antes que ele pudesse evitar, viu-se inclinando para ela e encostando seus lábios nos dela. Novamente ela fechou os olhos e quando os abriu, ele já tinha ido.
*
Mais tarde, Hermione estava tomando sorvete na cozinha e passando toda a conversa que tivera com Draco em sua mente. Lembrou-se com detalhes, da maneira sombria que ele se vestia, mas também de como seus olhos brilhavam com a raiva, ou como sua sobrancelha franzia quando estava em dúvida, as ondinhas que formavam no canto de sua boca quando sorria, ou como seus cabelos bagunçados caiam em seus olhos.
– Não devia estar pensando nisso – Repreendeu-se – Voldemort voltou, eu vou mudar meu sangue. Mudar a minha vida de vez, tudo está mudando e eu pensando no modo como lábios de Draco Malfoy, parecem suaves nos meus.
Mal acabara de dizer as palavras, e uma coruja comum de igreja, irrompeu em sua cozinha, trazendo um grande embrulho e uma carta. A garota estranhou, pois não havia ninguém no mundo bruxo para lhe dar cartas. Soltou o embrulho, que era uma caixa retangular, e a carta da ave e ela se foi. No envelope, só continha seu nome e ainda mais curiosa rompeu o lacre e abriu a carta.
"Herms,
Adivinhe quem também é monitor? Isso mesmo, pode aplaudir. Quando cheguei em casa a carta estava com a minha mãe, que já me procurava feito louca. Eu disse que estava nos jardins e ela acreditou. Com isso, acho que nos veremos ainda mais esse ano.
Ah meu pai disse que vamos ter uma nova professora em Hogwarts, e essa vem direto do Ministério, espero que bote linha em Potter e naquele pobretão do Weasel.
Isso é tudo por hoje, te mando outras cartas se houver necessidade.
Malfoy.
P.S: São chocolates na caixa, espero que goste."
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