Notas iniciais
MEU DEUS EU TENHO AS MELHORES LEITORAS DO SITE!!!! Obrigada por não me abandonarem, vocês são incríveis! Eu vou agradecer a cada uma, respondendo todos os comentários, mas agora quero deixar mais um presentinho pra vocês! E quero dizer que eu estou bem! Estou bem depois de um longo e cansativo tempo, obrigada a todas que perguntaram e espero que se divirtam com mais um capitulo! Beijos!

“Fiquei cansado de estar sozinho

Agora o diabo não vai me deixar

É quase como se eu tivesse encontrado um amigo

Que está comigo para ver o fim amargo”

(Turn Off The Lights – Panic! At The Disco)

*

Os gritos ainda ecoavam pelos ouvidos de Luna, o que tornava difícil parar a tremedeira. Mesmo aconchegada nos braços de Blásio, não conseguia se acalmar e nem esquecer a dor que ainda queimava em seu braço:

— Daqui umas horas você não vai mais sentir nada – Disse o moreno em seu ouvido, mas ela não conseguia assimilar as palavras direito.

A cena que se desenrolava naquele corredor era um tanto bizarra. Daphne desmaiara de tanta dor, Crabble e Goyle vomitavam em um canto, enquanto Nott chorava baixinho. Draco e Hermione estavam agarrados um ao outro tentando manter a compostura e se dar apoio, mas era difícil quando 15 centímetros de seus braços ardiam como o inferno.

— Eu esperava que mais desmaiassem – Disse Bellatrix aparecendo – Vocês são uns pirralhos resistentes mesmo – Ela disse demorando o olhar em Hermione – Mas isso não significa nada, baratas também são. Agora chispem daqui os pais de vocês aguardam.

Aos poucos os garotos foram ter com os mais velhos, Blás relutou em soltar Luna, mas no fim a deixou com Hermione:

— Eu volto amanhã – Disse entredentes e partiu.

— Luna, você está bem? – Hermione perguntou preocupada.

A loura aos poucos foi voltando a si e conseguiu fixar no rosto da castanha, ela não entendeu direito a pergunta, mas conseguiu sorrir de leve. Ela estava entre amigos, não estava mais só tudo iria ficar bem. Hermione sentiu uma onda de afeto pela loura e a abraçou:

— Tá tudo bem agora. Vamos nos deitar e amanhã vamos estar bem. – Draco então levantou-se e deixou que Hermione se apoiasse nele e juntos ampararam a loura.

Andaram os três devagar pelos corredores, se não estivessem tão cansados seria lindo de se admirar. Eles andavam totalmente alheios de que ali um laço se formava entre eles, e que seria algo decisivo nos próximos meses que viriam.

Chegaram em um quarto de hospedes e acomodaram Luna por lá. Tick já tinha arrumado tudo, as coisas da loura já estavam lá como se vivesse a tempos no quarto.

— Eu acho que não deveria deixa-la sozinha – Hermione se manifestou – Me sinto estranhamente responsável.

— Não deveria – Draco sussurrou de volta – Mas entendo... – Esticou a mão e fez um carinho no rosto da castanha. – Fique com ela essa noite.

Antes que ele saísse, ela segurou em seu braço e beijou onde a marca estava. Podia ser só a imaginação de Draco, mas ele sentiu a dor amenizar. Despediram-se e ele seguiu para o seu quarto, desatento às sombras que espreitavam.

Hermione acomodou-se ao lado da amiga e a abraçou. Luna ainda não estava dormindo, e por isso sentiu-se mais relaxada, gostaria de agradecer a ela esse gesto, mas ainda não tinha forças. Seria um dia tão forte quanto Hermione? Ela ainda não podia se responder isso, no entanto afundou em sonhos feliz por tê-la como amiga.

Hermione sentiu o corpo de Luna ficar mais leve quando essa finalmente dormiu, e apesar de cansada ainda não conseguia fazer o mesmo. Fitou mais uma vez a marca que agora faria parte permanente da sua vida. Permanente é algo pesado, mas ainda assim não sentiu medo, nem remorso, nem arrependimento... a única coisa que conseguia pensar é que ela e Draco agora estariam iguais e marcados para sempre. E mesmo que chegasse tempos difíceis ela não conseguiria se arrepender, pois foi esse o caminho que ela escolheu para ela, e nesse caminho ela sempre poderia estar de mãos dadas com o Draco.

E com esse pensamento, finalmente adormeceu.

*

A lua já estava alta e finalmente a última luz da casa apagara e agora só teria que esperar mais alguns minutos para que os habitantes dela dormissem... Bom, ela esperava que nem todos. Estava aflita e com medo, se sentia exposta por estar ao ar livre, mas não conseguia deixar de achar que fizera a escolha certa.

Quando a ansiedade ficou insuportável, ela finalmente tomou coragem de escalar a árvore alta que tomava conta da casa. Se esgueirou pela calha da casa e agradeceu por ser magra. Finalmente encontrou a janela que queria, para sua surpresa foi surpreendente fácil abri-la. Pulou para dentro da forma mais silenciosa possível e ficou satisfeita em ter escolhido encolher seu malão, porque nada disso seria possível se tivesse que carregá-lo.

Olhou o quarto mais uma vez e sentiu alivio por ter entrado pela janela certa. As paredes estavam tomadas com o brasão da Grifinória e fotos bruxas. A menina encaminhou-se para a cama e ficou nervosa. Como faria aquilo sem alarmar a outra?

— Patil... – Sussurrou – Patil, sou eu. – A morena nem se mexeu. Pansy resolveu balança-la. – Parvati acorde.

— Hum, sai Padma. – Ela murmurou ainda de olhos fechados.

— Não é a Padma, é a Pansy.

Sem saber se ouvira direito, ela abriu os olhos e tomou um susto ao ver a amiga parada ali:

— Meu Merlin Pansy! Quando eu te dei meu endereço foi para você me mandar cartas e não para invadir meu quarto no meio da madrugada!

A morena estava consternada, não conseguia nem assimilar direito o que estava acontecendo. Ela estava em um sonho tão bom! Antes que pudesse se recompor ouviu um choro baixinho e ficou chocada em ver Pansy chorando:

— Eu só não sabia para onde ir! – Ela soluçou. Ao notar o estado dela, ficou séria. Sentou-se e puxou a amiga para a cama:

— Conte-me o que aconteceu.

— Você não vai querer saber.

— Eu sou da Grifinória, eu aguento.

Então Pansy começou o seu relato. Quando terminou Parvati estava tensa e seu cérebro já desenvolvia modos de resolver a situação.

— Não acredito que seu pai queria que você... – Não conseguiu completar

— Que eu fosse comensal, sim – Ela disse magoada. Patil se encolheu inconscientemente.

— Você não pode usar magia. Não pode voltar a Hogwarts – Patil começou a enumerar – E... sinto muito, mas também não pode ficar aqui.

Pansy sabia que ela diria isso, mas não contava que fosse ficar tão decepcionada. Ela de fato, nesse curto tempo se afeiçoou à garota.

— Eu entendo... – Respondeu sem transparecer magoa, mas sem sucesso.

— Não estou dizendo isso por mim, mas meus pais iam surtar – A outra assentiu – Porém eu não vou te deixar desamparada. Tem algum lugar mais que possa ir?

— Bem... – Parkinson ficou ainda mais nervosa e mordeu os lábios.

— Desembucha logo! – A outra exigiu.

— Oweasleymedeuoendereçodele – Ela disse rápido e baixo

— Infelizmente não sei falar a língua das cobras – Ela sorriu irônica, mas com os olhos ternos – Repete Pansy, só assim posso ajuda-la.

— Tá bem! – Suspirou em derrota – Ronald Weasley me deu o endereço dele, satisfeita??? – Mesmo que a situação pedisse seriedade, Parvati não conseguiu segurar a risada.

— Eu sinceramente não sei o que deu nos grifinórios esse ano – E gargalhou ainda mais – Bom, mas agora falando sério isso é perfeito. Não só pelo Rony, que você obviamente estar caidinha, mas a família dele é da Ordem. Se tem alguém que vai protege-la, são eles.

— Eu sei, mas eu... – Ela baixou a cabeça. Passou anos esnobando o Weasley e toda a sua família, seria injusto correr pedindo ajuda só porque ela não sabia lidar com essa situação.

— Eu entendo o que está pensando, mas eu quero te dizer que é o melhor caminho e você é inteligente o suficiente para concordar comigo – A outra permaneceu calada. – Só me responda Pansy, você quer voltar para o seu pai? Você quer ser seguidora dele?

— Não! Essa é a única coisa que eu tenho certeza!

— Então já tem a sua resposta. Vamos mandar uma coruja para o Weasley, eu aposto que ele vai vir correndo – Ela disse para animá-la, mas a morena não conseguia deixar de se sentir culpada e extremamente mal – Pansy, agora você vai poder consertar todas as coisas que estão fazendo você baixar a cabeça agora. Esse é o melhor jeito.

Parvati então saiu do quarto para buscar a coruja. Pansy ficou presa em seus pensamentos de ódio a si mesma e por toda a situação que está sendo obrigada a viver, mas tinha que admitir que uma parte de si ficava aliviada com esse novo caminho que se abriu em sua vida.

*

Ronald Weasley não conseguia dormir de jeito nenhum. Harry já roncava alto ao seu lado, mas ele nem cochilar conseguia. Odiava admitir a si mesmo que o motivo era que uma semana havia se passado e nem sinal de Parkinson. Não que ele quisesse saber dela, é só que...

— Eu sou um idiota! – Admitiu frustrado.

Não aguentava mais ficar em seu quarto, então saiu da cama e foi tomar um ar. Sabia que a falta de notícias dela, era algo bom e que na verdade nem sabia como agiria se ela de fato lhe escrevesse.

Esse pensamento se mostraria à prova em breve, porque no horizonte surgiu uma enorme coruja e essa pousou aos seus pés e de lá não saiu.

*

Hermione acordou e ainda era cedo. Olhou o sol que começava a aparecer e notou que Luna ainda dormia. Adorava a sua amiga, mas tinha que admitir que o cabelo dela não era o tom certo de louro que gostaria de ver pela manhã. A castanha, então, se espreguiçou, depositou um beijo na bochecha da amiga e foi atrás do tom certo de louro.

No caminho, de repente, sentiu-se vigiada, mas continuou andando e ignorou o fato, afinal estava em uma casa repleta de gente e quadros mágicos. O quarto de Draco, e agora o seu também, não ficava muito longe então logo estava lá. Ao chegar, estranhou o fato da porta estar entreaberta.

— Draco? – Chamou antes de entrar – Mas o que?

Hermione chocou-se com a cena que viu. Draco dormia profundamente apenas com um short e ao seu lado, entrançado nele estava Pansy Parkinson. Hermione viu vermelho por um segundo, mas logo seu cérebro lhe alertou para a estranheza da cena, afinal, Pansy não olhava na cara deles desde que os dois se assumiram em Hogwarts. Seguindo esse raciocínio, ela se aproximou da cama:

— Será que poderia me explica o que está acontecendo aqui? – Ela disse fria e puxando o braço da impostora.

— Ora se não é a Granger? – A mulher abriu o olho, afinal estava ansiosa para o desenrolar disso a horas – Não é obvio? O Draco me chamou de noite, enquanto você estava fora.

Hermione gargalhou:

— Não sei quem é você, mas a Parkinson não é! – A expressão da outra se tornou confusa – A verdadeira Pansy Parkinson, treme só de olhar na minha direção e não fala com Draco a semanas. Por isso... – Hermione agarrou o cabelo dela e puxou com uma força absurda, tirando-a da cama – É melhor você me dizer quem é, ou teremos problemas.

— Me larga sua imunda! – Ela empurrou Hermione com mais força fazendo-a a outra lhe soltar. – Estou vendo que para uma ex sangue ruim você é muito esperta. – Belatrix então sacudiu a varinha e desfez o feitiço ilusório de si. Hermione ficou surpresa, mas não muito:

— Esperava mais da soldada mais fiel do Lorde – Ela disse com ironia. – Não acredito que se prestou a esse papel.

Bellatrix estava roxa de raiva. Achava que uma peça boba dessas seria o suficiente para fazer Hermione largar o Draco, ou no mínimo fazer um escândalo. Jamais imaginou que a outra fosse fria e calculista, a ponto de pensar racionalmente ao ver uma cena de possível traição. É claro que ela, Bellatrix Lestrange, sabia mais truques que esses, mas não esperava desafio algum. De fato, a garota em sua frente não se assemelhava à nenhuma das garotas histéricas que costumavam andar com Draco.

— Cala boca sua falsa bruxa! – Lestrange disse com raiva. – É claro que sou melhor que isso, e fingir ser a sem cérebro da Parkinson não é fácil.

— Imagino que não – Hermione teve que concordar. – Agora posso saber para quê esse circo? Quer dizer, incesto acho que é um pouco demais até para você não? – Bella horrorizou-se com o que ela sugeria, no entanto não sabia mais como reagir. Ela foi ali com a certeza da vitória e agora teria que se retirar antes que ficasse pior:

— Isso não terminou sua vadia! Acha que pode entrar pela porta da frente da casa da minha família, só porque tá trepando com o Draco? Eu estou atenta às suas ousadias com o meu Lorde, se acha que pode chegar e tomar o meu lugar, saiba que não será fácil. Não sou nem o idiota do Snape, para fazer algo sem verificar os fatos...

— Aparentemente é – Hermione interrompeu – Se não saberia que Pansy Parkinson jamais pisaria aqui por conta própria. – Bellatrix ficou vermelha e Hermione sorriu – Pare com isso tia Bella eu não quero tomar o seu lugar! – E dessa vez ficou séria – Vou conquistar o meu próprio lugar e para isso não preciso ficar sabotanto e nem roubando o lugar de ninguém.

Esse foi o maior feitiço que Bellatrix poderia receber. Aquelas palavras soando verdadeiras, ditas por alguém que tinha aço e determinação nos olhos. Lembrou-se de quando seus olhos eram assim, muitos anos antes de Azkaban. Mesmo que não tivesse o que responder, não deixaria barato. Ninguém lhe dizia coisas desse tipo na sua cara e saia impune. Antes que pudesse sacar a sua varinha, uma quarta pessoa entrou no quarto:

— Draco, meu amor... – Narcisa parou abruptamente quando viu as duas – O que está acontecendo aqui? – Disse um pouco nervosa e antes que Bella respondesse, Hermione disse:

— Nada dona Narcisa, a Bella aqui só veio avisar a mim e ao Draco que o café está pronto. – E sorriu.

Bella ficou chocada com a mente rápida e sagaz da menina, e principalmente a desenvoltura profissional para mentir. Narcisa não acreditou nenhum pouco, mas fez aquilo que era profissional e fingiu que não viu nada de errado:

— Ah então vamos todos tomar café!

*

Mais tarde, depois do café Hermione relatou tudo ao Draco. O louro quis tomar alguma providência, mas Hermione pediu para que deixasse as coisas com ela:

— Não tem porque se estressar com isso – Ela disse – Eu não acho que ela vá tentar algo do tipo de novo. Mas ela me disse algo que me deixou curiosa, algo a respeito de Snape... – Draco fez uma careta

— Bom, eu soube que o Lorde não ficou contente com o alarido que ele fez sobre você ser sangue ruim e no final, você não ser. Ele não foi visto desde então. – Hermione ficou séria.

— Imagino que é o preço por mentir para o Lorde. – E ficou pensativa a respeito das próprias mentiras.

— O que está pensando? – Ele perguntou – Conheço essa cara e não é coisas agradáveis.

— Eu estava pensando nas nossas próprias mentiras. – Ele a encarou confuso – Ontem nós juramos lealdade ao Lorde, mas antes disso prometemos ser leais uns aos outros, isso me lembra que Blás só está do nosso lado porque mentimos para ele. – Draco logo entendeu o que ela quis dizer.

— É diferente, tínhamos que nos proteger. Ninguém podia saber que estávamos juntos antes. E ele não vai lembrar nunca, então estamos bem.

— Mesmo assim, não gosto da ideia de mentirmos para ele...

— Então não minta!

Os dois se viraram para ver quem entrava. Estavam em um dos primeiros corredores principais, e Blásio Zabini acabara de chegar ali.

— As caras de chocados de vocês está hilária – Ele disse – Agora imagina a minha cara ontem de madrugada, em meio a uma dor infernal por conta da marca, começar a ter flashes de coisas que nunca vivenciei antes, mas que pareciam reais.

Os dois permaneceram em silencio. Ambos sabiam que ele viria, ele havia falado na noite anterior, mas jamais imaginara que ele só entraria. O que fazia sentindo, estavam na parte onde ficava o quartel general, e Blás, como eles, era um soldado.

— Blás, eu... – Hermione começou.

— Não, eu de verdade não quero ouvir nada. Eu já passei a noite toda me torturando com tudo o que aconteceu. Por um lado, eu mereci essa merda, eu torturei você, mas aí vocês me deixaram no escuro esse tempo todo e ainda tem o lance da Pansy. Vocês quase a mataram...

— Mas... – Draco tentou.

— Eu não terminei, merda – Ele suspirou – O que a Granger fez, não é nada diferente do que eu iria fazer a ela para me vingar. Então acho que no final somos todos bostas do mesmo saco. – E deu um sorriso irônico – Além disso acho que interrompi um diálogo que com certeza terminaria na Hermione convencendo o Draco de que deviam me falar a verdade, então no final vocês não são tão merdas assim.

Os dois deram sorrisos amarelos, porém aliviados. No fundo estavam satisfeitos que essa mentira não faria mais parte da vida deles e agora estavam mais leves. Além disso, se isso fosse descoberto em outro tempo, onde os ânimos tivessem mais tensos, talvez houvessem desfeito o grupo.

— Bom, eu vou ir ver a Luna. O Lorde quer que nos apresentemos a ele essa manhã. Acho que vem aí nossa primeira missão.

Notas finais
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