Your Selection - Fic Interativa
11 Sonhos Dourados
Notas iniciais
Musica do capitulo: Golden Slumbers/Carry the weight
– Bela! – gritou Nicolas pelo apelido carinhoso que chamava a irmã.
– Vá embora! – a voz da princesa carregava toda a amargura da jovem e deixava evidente que ela estava chorando.
Ignorando o pedido da irmã Nick abriu a porta do quarto de Aurora. O aposento era digno de uma princesa, grande, bem decorado e com móveis luxuosos. O chão era coberto por um carpete branco, as paredes pintadas de um rosa bem claro. No centro uma enorme cama com dossel e lotada de almofadas entrava em harmonia com o resto da decoração. A princesa se encontrava deitada no meio de um amontoado de travesseiros, suas costas estavam viradas para cima e o rosto enterrado em uma almofada que abafava o choro.
Aurora sentiu o peso do corpo de Nicolas no colchão, mas o ignorou, apenas apertou ainda mais seu rosto contra a almofada para que ele não a ouvisse chorar.
– Bela, não fica assim, não gosto de vê-la chorar. Olha pra mim.
Como viu que suas palavras não surtiam efeito, o príncipe limpou a garganta e começou a cantar baixinho, com a voz afinada.
– Certa vez havia um caminho para voltar para casa
Certa vez havia um caminho para voltar para casa
Durma querida, não chore
E eu lhe cantarei uma canção de ninar.
Aos poucos Aurora foi parando de chorar e os poucos soluços que restavam foram engolidos pela melodia que seu irmão cantava. A garota finalmente tirou o rosto do travesseiro e ainda deitada olhou para ele. Ela tinha o rosto vermelho e molhado pelas lágrimas, mas estas já haviam parado de cair.
– Sonhos dourados enchem seus olhos
Sorrisos lhe acordam quando você se levanta
Durma querida, não chore
E eu lhe cantarei uma canção de ninar.
A jovem finalmente se sentou e abraçou o irmão pelo pescoço, que correspondeu imediatamente ao afeto. Depois de se soltarem, Nicolas depositou um beijo na testa de Aurora e a menina deitou com a cabeça em seu colo, tendo os cabelos afagados pelo príncipe.
– O que faço Nick? Por minha culpa Tobby vai ir embora. Eu devia ter dado ouvidos a ele e desistido daquela brincadeira estúpida. Agora toda a família dele será expulsa do palácio por minha causa, nunca mais o verei e ele nunca vai me perdoar.
A voz de Aurora falhou ao dizer as últimas palavras e seus olhos já estavam marejados novamente. Ela controlava a imensa vontade de voltar a chorar.
– Não posso dizer que tudo vai ficar bem. – começou Nicolas. – Se ao menos eu pudesse ajudar, mas não posso. Mas acredito que Tobby irá te perdoar. Não quero te ver infeliz Bela. Droga, eu sou péssimo em consolar pessoas, não queria admitir, mas o Noah seria bom em horas como essa.
– Você tem razão, você é péssimo em consolar. – disse Aurora, forçando uma risadinha para animar o irmão. – Mas você é bom em cantar. Cante para mim.
Nicolas deixou o quarto de Aurora assim que a garota prometeu que iria parar de chorar e lavar o rosto. Bela foi trocar de roupa, pois ficou de ir falar com Tobby. Enquanto isso, Nicolas andava com a cabeça na lua. Apesar de não gostar do rapaz e pensar que garotos na idade dele não prestam Nick não gostava de ver a irmã infeliz. Já sabia o que fazer.
Preso em seus pensamentos e sem prestar atenção no caminho, o príncipe trombou com uma pessoa no corredor.
– Droga, não olha por onde anda? – Nicolas praguejou de modo rude.
– M-me desculpe. – falou uma voz doce e assustada.
O jovem olhou para baixo e percebeu que acabara de gritar com uma selecionada e se repreendeu mentalmente por isso. Ele não podia deixar isso assim, já decepcionou muito sua família, não queria ficar conhecido pelos maus tratos que dava aos hóspedes do palácio. Respirou fundo e olhou para a moça que tinha um olhar espantado.
– Me desculpe Alteza, não tinha a intenção de...
– Eu que lhe devo perdão Srta... – ele olhou para o broche dourado com o nome da selecionada que estava preso em seu vestido cor vinho. – Srta. Alejandria. Perdoe-me por tamanha grosseria, ando muito distraído e estressado ultimamente.
A jovem deu um sorriso e assentiu. Era realmente muito bonita, com a pele branca em contraste com os olhos escuros e cabelos castanhos. A boca tinha um batom bem claro quase da cor da pele que realçava a cor forte do vestido.
– Deixe-me redimir pela minha grosseria. O que acha de um passeio pelos jardins do palácio? Amanhã depois do café passo para lhe buscar em seus aposentos.
– Seria maravilhoso.
– Se me da licença, tenha assuntos importantes para tratar. – Nicolas falou, beijando a pequena e delicada mão da garota, dando um sorriso galante e seguindo seu caminho pelo corredor.
– Mamãe? – gritou o garoto entrando na biblioteca.
A Rainha Liara, que estava distraída sentada perto da janela, levou um susto e quase derramou o chá quente da xícara de porcelana que tinha em mãos.
– Nicolas! Você me assustou! – disse a rainha, deixando a xícara em cima da mesinha de centro e colocando a mão no coração.
– Eu preciso lhe contar algo.
– O que houve? – perguntou a mulher ao ver o nervosismo do filho.
– Eu que planejei a brincadeira com as garotas.
– Você o quê?
– Eu queria fazer algo divertido, estava entediado da seleção e estava com raiva por me obrigarem a casar. O cavalariço não tem nada haver com isso, eu o obriguei a me ajudar. Falei que se não me ajudasse eu o mandaria embora do palácio. Aurora, só entrou nessa por que falei que nada ia acontecer. Era só uma brincadeira. Não sabia que iria tão longe.
– Você tem ideia do que suas ações acarretaram? – questionou a rainha, com uma voz calma, mas firme. – Uma das selecionadas pediu para ir embora, ela entrou em estado de choque. E se ela resolver contar isso a alguém? O que falaríamos para as pessoas? Que estamos tendo problemas com pestes no castelo? Que o futuro governante de nosso país esqueceu de crescer?
– Me perdoe, não pensei em meus atos, não sabia que iria ganhar essa repercução. Quanto à garota que quer ir embora, não podemos tentar convence-la a ficar? Talvez lhe oferecer algo.
– Ela vem de uma casta alta. Ela estava desesperada Nicolas, ficou histérica, tive que ficar com ela por um bom tempo para acalma-la. Quero que você concerte isso. Vamos conversar com elas sobre o ocorrido. Você não tem ideia do que estou sentindo.
– Tobby! – Aurora gritou, correndo até o garoto que se encontrava sentado em um tronco com a cabeça baixa.
A princesa sentia um grande alívio ao voltar com suas roupas tradicionais, suas botas de couro eram ótimas para corrida. O garoto pareceu se animar um pouco ao vê-la, mas não demonstrou tanto entusiasmo. Tobby apenas levantou a cabeça e deu um sorriso com o canto do lábio, mas seus olhos demonstravam toda a tristeza que sentia. Ele se levantou e ficou de frente para Aurora.
– Me perdoa, não sabia que isso aconteceria. Tentei falar com minha mãe para assumir a culpa, mas ela nem me ouviu. Por favor, eu não queria que isso acontecesse, sua família perdeu o emprego por minha culpa e você não vai mais me perdoar. — a esse ponto Aurora não conseguiu impedir que as lágrimas caíssem.
– Aurora, pare de chorar! Eu nunca ficaria com raiva de você, eu aceitei te ajudar, somos igualmente culpados.
Ela o abracou forte e voltou a chorar em seu peito, molhando a camisa de Tobby com suas lágrimas. O rapaz estava muito triste por ir embora, amava o castelo e com certeza sua família passaria dificuldade, mas não conseguia ficar com raiva de Aurora. A princesa afastou dele, enxugou as lágrimas e olhou em seus olhos.
– Quando você vai? — perguntou com o rosto todo vermelho.
– Amanhã cedo. — falou o jovem abaixando a cabeça.
– Eu não quero que você vá, o que farei sem você?
– Esta tudo bem, eu vou lhe escrever com frequência. — ele falou para reconfortar a amiga, mesmo sabendo que talvez não pudesse cumprir com a promessa – Só prometa que não vai se esquecer de mim.
– Nunca! — Aurora falou e uma lagrima solitária começou a escorrer pelo seu rosto.
– Não chore, por favor. — Tobby limpou a lagrima com o polegar. — Tem algo que gostaria de fazer antes de ir, queria fazer a muito tempo, mas não tinha coragem.
O coração de Tobby batia forte quando ele colocou as duas mãos no rosto de Aurora. Muito tempo ele queria fazer isso, mas lhe faltou coragem. Tinha medo de ser rejeitado, ou que a garota mudasse sua relação com ele. E consciência não lhe faltava, sabia que ele não passava de um mero empregado do castelo e ela a princesa, nunca daria certo. Como estava indo embora, não tinha nada a perder.
Com as mãos no rosto da garota Tobby olhou para a boca de Aurora, pequena e avermelhada naturalmente, tentadora. Começou a aproximar seu rosto do dela lentamente, quase em câmera lenta, não queria perder nada daquele momento. Enquanto ficavam mais próximos, o jovem começou a inclinar a cabeça para a direita para que tivesse mais acesso aos lábios da menina. Aurora podia sentir a respiração dele em seu rosto e vice-versa.
– Aurora! — a voz de Nicolas despertou os dois.
Tobby assustado afastou-se rapidamente de Aurora, com medo de que Nicolas visse os dois juntos. Sentiu-se um idiota por ter perdido a chance de beijar Aurora, chegara tão perto. Aurora estava completamente corada e tinha a respiração desregular, o rapaz também sentia seu rosto queimando e seu coração batia forte.
– Aurora, mamãe que falar com você. — Nicolas falou quando chegou perto dos dois.
Ele não percebera, por sorte conseguiram se afastar antes que Nick pudesse ver alguma coisa.
– Aurora, você esta bem? — perguntou o irmão. — Você parece meio nervosa e esta vermelha.
– Esta tudo bem. — ela respondeu.
– Tobby, você também precisa vir. Ela convocou os dois.
Logo os três chegaram à biblioteca onde a rainha aguardava com o rosto inexpressivo. Na porta Tobby fez uma breve reverencia antes de entrar atrás de Aurora.
– Nicolas me contou o que realmente aconteceu. — falou a rainha Liara.
Tobby e Aurora se entreolharam confusos e depois voltaram o olhar para a mulher diante deles.
– Estou realmente envergonhada com a atitude de meu filho — ela voltou a falar, dessa vez especificamente para Tobby — Ele te ameaçou então você é apenas vitima nessa história, portando não precisara deixar o castelo. Só peço que quando lhe fizerem ameaças assim me procure, pois brincadeiras assim não serão mais aturadas.
Tobby assentiu. Sabia que Nicolas assumiu a culpa, mas mesmo sabendo que era errado não questionou. Com certeza não aconteceria nada com o príncipe e com a princesa, mas se ele fosse considerado culpado pelo ato seria expulso.
– Aurora, pela sua participação você estará de castigo até a segunda ordem. Sem passeios ao jardim, sem brincadeira ao ar livre, sem sair do palácio a menos que eu autorize ou que tenha alguma aula ao ar livre. No tempo livre, quando eu estiver no Salão das Mulheres você poderá ficar lá com as garotas, tirando isso você ficará no seu quarto. Um guarda ira acompanha-la vinte e quatro horas por dia para se certificar de que você esta cumprindo com o que falei. Vocês dois estão liberados.
Com certeza sua vida seria um inferno, não poderia fazer nada, mas mesmo assim Aurora se sentia aliviada por Tobby ficar no palácio. A princesa apenas assentiu e se dirigiu a porta com o amigo atrás dela. Antes de sair lançou um olhar agradecido para o irmão, que olhou para ela com compaixão.
– E já você — a rainha falou com Nicolas. — me decepcionou novamente. Não acredito que fez algo tão infantil assim. Eu estou com vergonha de você.
A voz da rainha falhou e ela colocou a mão no rosto como se estivesse prestes a chorar. As palavras atingiram Nicolas como um tiro e ele sentiu uma dor no peito. Causou vergonha para sua mãe e a decepcionou novamente. Sentiu um gosto amargo na boca, mas continuou com a cabeça erguida.
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