Notas iniciais
Oiiiiii amorinhas, Mas um capitulo para vocês.

Música: Dream ( tradução)

Amma entrou nos aposentos do príncipe segurando uma pilha de roupas de cama e toalhas recém lavadas. A criada, muito concentrada no que fazia, colocou a pilha em cima da cama e começou a separar cada peça que exalava um delicioso cheiro de amaciante. Distraída no seu trabalho não reparou que Nicolas estava dentro do closet e se assustou quando o mesmo foi ao seu encontro com o rosto serio.

A criada com um pouco de pressa endireitou a postura e se virou para ele. Nicolas tinha a camisa aberta, exibindo o seu peitoral definido o que a garota tentou com todas as suas forças ignorar. Ele estendeu para ela um cabide com outra blusa pendurada.

– O que você vê aqui, Amma?

– Uma de suas camisas Majes… Nicolas.

– A manga está completamente mal passada! Você não faz o seu trabalho direito?

– Sinto muito, Nicolas. Eu sou apenas encarregada de guardar as roupas e não passa-las.

– Não me interessa. Não me interessa quem foi o responsável, a única coisa que interessa e ter uma camisa passada e limpa, portanto de um jeito nisso — falou o príncipe entregando de forma brusca a blusa para Amma.

Ela respirou fundo e revirou os olhos. Estava cansada de ser mal tratada pelo príncipe. Não conseguia entende-lo, algumas horas ele era um cavalheiro, outras parecia um ogro. Já estava se cansando de tanta bipolaridade, se não bastava os problemas com a família, tinha que passar pelos problemas no trabalho. Amma ainda estava irritada com a ultima conversa dos dois, já estava quase estourando. Ela queira que as coisas fossem mais fáceis.

– Sim Majestade — disse ela de forma irônica enquanto fazia uma reverencia e saia do quarto batendo os pés.

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Amma entrou na lavanderia as pressas. O lugar era enorme, com dezenas de maquinas de lavar que funcionavam dia e noite para garantir que nada estava faltando a família real e aos hospedes do palácio. Varias criadas circulavam pelo local pegando roupas, guardando, passando uma maquina pra outra, era uma correria sem fim.

A garota foi andando ate o fundo da sala onde tinham algumas mesas de passar onde duas mulheres trabalhavam sem parar e conversavam animadamente enquanto agiam.

– Você de volta? — perguntou a mais velha Grettel.

– Sim, o príncipe não estava satisfeito com a blusa — falou Amma revirando os olhos e entregando a camisa.

– Aquele garoto não passa de um mimado que vive se escondendo na saia da mãe — comentou Josy, a mais baixinha do grupo.

– Se ele não fosse príncipe eu daria uns bons tapas nele — disse Grettel soltando uma gargalhada.

– Se isso chegar nos ouvidos dele, você pode ser punida. — falou Amma.

– Você acha que alguém daqui iria contar, criança? — perguntou Grettel chamando Amma pelo apelido que dera a ela por ser uma das mais jovens criadas — Aqui em baixo podemos dizer o que quisermos e todos daqui pensam o mesmo que eu.

Grettel e uma mulher um pouco rechonchuda que trabalha no palácio há anos. Apesar de estar na casa dos quarenta, já tem vários fios brancos espalhados pelo cabelo e varias marcas de expressão pelos anos de trabalho pesado. Viúva e sem contato com os filhos a um bom tempo, Grettel passava a maior parte do tempo fofocando. Apesar de um pouco ignorante, tem muita experiência de vida e varias historias de quando era mais nova para contar e vários conselhos ótimos para dar. Amma a via como uma segundo mãe.

– Espero que ele governe melhor do que trata suas criadas.

– Ele pode ser um pouco mimado, mas é uma boa pessoa — falou Amma.

– Você está defendendo o mimadinho? — Grettel pareceu indignada.

– Mas estou falando a verdade, quando ele quer ele pode ser muito gentil.

– Espere um pouco… — falou Grettel com um sorriso malicioso. — Eu conheço esse olhar, você esta tendo um queda pelo príncipe?

Amma achou essa ideia absurda, mas quando foi negar sentiu como se sua voz estivesse presa na garganta e começou a gaguejar.

– Você está que nem um pimentão. — comentou Josy dando uma risadinha.

– Eu sabia! Você tem uma queda por ele! — as duas mulheres começaram a gargalhar.

– Eu não estou! — negou Amma ainda sentindo suas bochechas quentes.

Mas será que era verdade? Amma sentia algo pelo príncipe, isso não podia negar, mas não sabia o que era, ou se sabia não tinha coragem de admitir. Ela tentou se convenceu de que era só atração, algo não muito difícil de se sentir por Nicolas.

– Esta sim! — exclamou Josy.

– Ele e bonitinho, apenas isso. — falou Amma.

– Eu sabia!

– Pobrezinha de você. — comentou Grettel balançando a cabeça — Com tantos rapazes no mundo as meninas só se apaixonam pelas pessoas erradas?

– Eu não estou apaixonada! Eu disse acho ele bonitinho!

Amma ficou irritada e saiu de perto batendo o pé. Parecia que todos queriam irrita-la naquele dia.

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Mellie estava nervosa, não deveria estar, a garota não costumava ficar nervosa com essas situações. Ela estava na porta do Salão das Mulheres, pois fora liberada das tarefas por ordem do príncipe. Teria um encontro com ele e quando saiu da sala sentiu os olhares invejosos das outras selecionadas. Suas criadas separaram sapatilhas confortáveis para ela usar com o lindo vestido floral, por isso podia supor que fossem andar um pouco.

Logo Nicolas virou o corredor e Mellie não pode deixar de conter um sorriso. Ele chegou, lindo e bem vestido como sempre, suspendendo o canta dos lábios em um sorriso discreto.

– Senhorita Ream. — falou Nick, beijando a mão de Mellie.

– Majestade.

Os dois foram caminhando de bracos dados ate a plantação de uva. Mellie ficou maravilhada com a beleza do lugar, apesar do céu límpido e o sol forte, as parreiras cediam uma sombra por onde passavam. Cachos de uvas maduras e grandes pendiam sobre a cabeça do casal e por algumas falhas entre as folhagens permitia que raios de sol iluminassem o chão por onde pisavam.

Mellie ficou olhando a uva que parecia estar deliciosa, porém não teve coragem já que o príncipe estava ao seu lado e não queria que ele achasse que ela era uma esfomeada. Porém para a surpresa da garota Nicolas ergueu o braço e alcançou o cacho mais maduro que havia ali e arrancou cuidadosamente uma uva e aproximou-a da garota que instintivamente abriu seus lábios.

A garota corou ao olhar para os olhos do príncipe e não ficou surpresa quando um caldo doce explodiu em sua boca, que juntando-se ao aroma adocicado do local tornou aquele momento perfeito.

– O que achou? — perguntou o príncipe.

– É deliciosa — respondeu Mellie com um sorriso.

– As uvas cultivadas aqui são as melhores de Illéa — orgulho borbulhava de suas palavras — Os vinhos do palácio são todos feitos com elas.

– Não entendo muito de vinhos.

– Apesar de apreciar muito, sou apenas um humilde sommelier -

– Um o que?

– Sommelier é alguém com prazer em experimentar bons vinhos.

Mellie sorriu se sentindo um pouco estupida pela sua ignorância. Acalme-se, pensou ela respirando fundo. A selecionada se sentiu mais a vontade para pegar mais uma uma uva e colocar em sua própria boca.

– Me conte mais sobre você — disse o príncipe enquanto caminhavam — Sua cor preferida, comida, o que você gosta de fazer no tempo livre, seus medos, paixões.

– Minha cor preferida e lilas e adoro massas. E qual e a sua?

– Gosto mais de verde e gosto de cozidos.

– Eu gosto muito de observar as estrelas, cavalgar e tirar fotos.

– Minha irmã ira gostar de você — disse Nicolas sorrindo ao lembrar da irmã — Ela ama cavalgar.

– Seria ótimo ir cavalgar um dia com ela, se Vossa Alteza permitir e claro.

– Pode me chamar apenas de Nicolas.

– Eu também sou modelo e atriz.

– Interessante. E quanto a sua família?

– Minha mãe morreu quando eu tinha treze anos.

– Sinto muito.

– Tudo bem. Eu moro com meu pai e meu padrasto.

– Seu padrasto? — perguntou Nicolas arqueando as sobrancelhas.

– Sim, depois da morte de minha mãe, meu pai… se assumiu gay.

– Deve ter sido estranho para você.

– Um pouco no começo, com o tempo fui me acostumando com o Erick e se meu pai esta feliz não irei me opor a isso.

Quando o encontro acabou Nicolas levou a garota de volta ao quarto e se despediu com um beijo em sua bochecha com o qual Mellie ficou vermelha e deu-lhe um breve sorriso de despedida.

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Nicolas desceu para o almoço, apesar não querer comer na presença de tanta gente. Tinha feito uma promessa para si mesmo que se empenharia na Seleção e isso incluía fazer as refeições — ou pelo menos grande parte delas — na companhia das selecionadas. Ele foi o ultimo a entrar no salão e parecia estar com um bom humor. Estava faminto e já estava ficando irritado na verdade, mas queria se redimir pela pegadinha por isso se forçava a parecer bem humorado.

Todas as selecionadas se levantaram e fizeram uma reverencia. Antes de se sentar Nicolas deu um beijo na bochecha da mãe e na de Aurora, e posteriormente sentou em seu lugar.

A refeição foi servida, a mesa farta como sempre. Alguns múrmuros de vozes podiam ser ouvidos em algumas partes da mesa, mas Nicolas comia silenciosamente em seu canto. Ele olhou para a garota ao lado que comia silenciosamente e começou a observar suas feições. O cabelo castanho escuro caia sobre seus ombros em camadas e a franja jogada de lado dava movimento a ele. Ela tinha olhos castanhos escuros e a pele bronzeada, com sardas quase invisíveis espalhadas pelo rosto, mas o que Nicolas particularmente gostou foi de sua boca carnuda. O príncipe se inclinou um pouco para ver o seu broche preso no vestido acinzentado.

– Esta apreciando a comida do palácio senhorita Kravchenko — o príncipe pronunciou seu sobrenome com um pouco de dificuldade.

A garota que não esperava por isso tratou de engolir a comida rapidamente e beber um gole de vinho para desfaçar.

– Sim Majestade, a comida do palácio e maravilhosa.

– Fico feliz que tenha gostado, isso e o que todos os visitantes dizem.

– Eles tem razão, a comida daqui e deliciosa.

Nicolas bebeu um gole de vinho, pensativo.

– Gostou de algo em especial?

– O mousse de limão esta delicioso.

– A torta de framboesa também não fica para traz.

– Não gosto muito de tortas Majestade.

– E do que a senhorita gosta? — questionou Nicolas

– De ler, por exemplo.

– Gostaria de conhecer a biblioteca do palácio senhorita?

– Se algum dia eu poder, ficaria honrada.

– Que tal amanha após o café da manha?

– Vai ser uma honra Majestade!

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Nicolas voltou para o quarto orgulhoso de si mesmo, pela primeira vez estava se esforçando em algo e estava adorando aquela sensação de completo que sentia no peito. Mas não queria parar por ali, estava se esforçando de verdade, então pegou a caixa de fixas que seu pai lhe deu e colocou em cima da cama. O príncipe passou um bom tempo em sua escrivaninha no quarto, lendo as fichas para saber mais sobre as garotas com quem estava saindo.

Amma entrou no quarto com uma bandeja com algumas frutas, biscoitos, suco de laranja e cafe,colocando-a na parte vaga da escrivaninha. Nicolas olhou para ela e suspendeu o canto da boca em um sorriso discreto. Amma teve a consideração de lhe trazer um lanche sem que lhe pedisse, talvez não fosse tao inútil assim, pensou ele.

– Obrigado Amma.

A criada só assentiu e saiu andando com a cabeça baixa.

– Amma… — chamou Nicolas com a voz suave.

– Eu já mandei passarem a blusa, esta no seu armário.

– Obrigado por cuidar de mim e me desculpe ter sido grosso hoje de manha. Eu estava de mal humor e acabei descontando em você. Me perdoe. — ele falou andando ate ela.

Amma olhou para aqueles enigmáticos olhos azuis. Não esta tudo bem, ela pensou. Estava cansada de ser tratada mal, pensou muito na possibilidade de voltar a servir o Noah. Seria a melhor a opção, porem não tinha coragem. Ela sentia algo quando estava com Nicolas que não conseguia entender. Talvez Grettel tivesse razão.

– Esta tudo bem — falou Amma sem conseguir dizer não para aqueles olhos azuis suplicantes.

– Eu estou tao cansado de estudar essas fichas, estou aqui enfornado nesse quarto faz duas horas. Esta um saco aqui e muito quente — falou Nicolas mudando de assunto enquanto pegava um morango da bandeja e ia pra janela.

Nicolas correu os olhos pela extensão do exterior do palácio e seus olhos pararam no lago na clareira do bosque. Não dava para ver direito dali, pois as arvores tampava grande parte, mas o príncipe reconheceu aquele lago. Era o mesmo lugar que ia brincar com Noah quando os dois tinham dez anos e ainda se davam bem. Fazia anos que não voltava naquele lugar.

– Tive uma ideia! — exclamou Nicolas de repente voltando a se virar para Amma, que arruma a escrivaninha — O que acha de dar um mergulho?



Notas finais
Ideias, sugestões, criticas, xingamentos, uma estrelinha para saber que tem algum ser de luz lendo????