Your Love Is My Drug
7 Capítulo Sete
Notas iniciais
I don't care what people say
The rush is worth the price I pay
I get so high when you're with me
But crash and crave you when you leave
A terceira aula foi a salvação do dia. Química. Não que seja minha matéria preferida, mas a aula do nosso professor é tão legal que até faz a gente gostar de queimar os miolos com as fórmulas. Até ganhei uma trufa por ter respondido certo o exercício que ele me mandou resolver na lousa.
Depois o intervalo. Descemos para o pátio. Nada pra fazer. Sentamos os dois num canto e falamos alguma coisa do fim de semana.
- Por que você não apareceu na comunidade? O povo ficou me perguntando de você.
- Agora você virou arroz de festa lá também?
- Pois é. Culpa sua, você que me mandou ir lá e eu acabei viciando.
- Então. Eu fui pra casa do meu pai.
- Não tem internet na casa do teu pai?
- Tem. Mas quando eu vou pra lá eu não consigo ficar com a cara no computador. Eu passo o tempo inteiro com a galera do condomínio. Eles combinaram de ninguém viajar nesse feriado e fazerem um piquenique noturno.
- Sério?
- Aham. Eu participei. Depois a gente teve a ideia de fazer tipo um Halloween ontem à noite, mas como eu tive que voltar pra cá miou pra mim. A essa hora o povo deve estar dormindo depois da farra. Iam até bater nas portas dos apartamentos pedindo doce, pode?
- Aah, qual é. Eu já fiz isso quando morava em prédio. Uma semana antes do Halloween a gente imprimiu uma folha e colocou no quadro de avisos do hall, avisando que no dia 31 de outubro iríamos bater às portas e pedir doces.
- Eu já participei uma vez, há alguns anos. Mas cara, lá tem gente de até dezoito anos que super se animou em participar.
- Hey! Infância forever!
Eu ri.
- E você, o que fez no fim de semana?
- Fora ir na casa da minha prima só pra pegar a câmera pra poder tirar algumas fotos pro povo da comu ver o meu cabelo? Ham... Eu pensei em você o tempo todo.
Então não fui a única a não conseguir te tirar da cabeça? Óbvio que eu não disse isso.
- Ah. – disse meio sem saber o que fazer.
- Ansiosa pro show?
- Bastante. E você?
- É, também. Mas ultimamente eu tenho andado mais ansioso por outra coisa.
Ele se virou, trouxe o meu rosto pra perto e me beijou.
Como explicar o que eu senti naquele momento? Fui pro céu e voltei? Que coisa capenga... Mas foi mais ou menos isso. Depois de passar o fim de semana inteiro com aquele garoto na cabeça, ser beijada por ele... É, é difícil descrever. Até por que... Por que era mesmo que ele tava fazendo aquilo?
Bateu o sinal. Ele me soltou.
- Vamos subir? – falou.
- V-vamos. Disse meio desconcertada.
Na aula de artes, mostramos a maquete pra profe, e o resto do tempo custou a passar.
Não fui pra escola o resto da semana. Não porque eu não quis. Tomei chuva na terça e peguei um resfriado. Mal liguei o computador, e quando liguei, foi só pra postar as notícias no blog.
Lucas me ligou na quinta, mas eu estava dormindo. Minha mãe me avisou e eu tentei retornar, mas em casa ele não estava e o celular, fora de área. Tentei várias vezes, sem sucesso, acabei desistindo. Depois esqueci.
Era sábado de manhã quando o meu celular tocou e eu atendi com a voz fanhosa.
- Você tá fugindo de mim, Bia? Não apareceu na escola a semana inteira, não me atende nem retorna...
- Bom dia, tudo bem com você?
- Tudo. Bom dia. E você?
- Péssima, obrigada. Minha mãe não te avisou que eu estou resfriada?
- Avisou, mas você não me retornou. Eu acho que esse resfriado ainda é o motivo de você estar fugindo de mim. O que há com você?
- Isso não faz sentido. Eu tentei te ligar. Mas você não estava em casa e o seu celular tava fora de área. Foi a Bianca que me atendeu, ela não passou o recado?
- Ah, por isso. A Bia nunca passa recado.
- Então você ainda acha que a culpa é minha? E caso você não tenha notado, eu estou com a voz fanha por causa do nariz ainda entupido. – pausa. – Era só isso?
- É, acho que sim. Queria saber onde andava você.
- Ah tá. Então tchau.
- Espera. Você ainda não... – desliguei. Como se eu escolhesse hora pra ficar doente! E também não tenho culpa de ter tomado chuva, quando eu saí de casa estava o maior solão e eu nem peguei guarda-chuva. Mas quando eu estava voltando, caiu aquele toró e eu acabei chegando em casa molhada até a alma.
Sentei no sofá e liguei a tevê. Parei num desenho, minha mãe avisou que ia ao mercado e eu fiquei assistindo. Dali a dois minutos a campainha tocou. Saí na porta pra ver quem era. Lucas.
- Por que você desligou na minha cara?
- Não desliguei. Caiu a linha. Não obstante em tentar ligar de novo você veio aqui?
- Não. Percebi que era uma idiotice te falar o que eu ia te falar por telefone.
- Não estamos mais no telefone. Pode falar.
- Você vai me deixar aqui no portão, falando com você como um mendigo implorando um prato de comida?
Entrei em casa sem dizer nada. Peguei a chave do portão, voltei e abri.
- Pronto.
- Então tá. Posso te fazer uma pergunta primeiro?
Dei de ombros.
- Você ficou brava por causa de segunda?
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