Your Lie in April - Too Far
1 Capítulo 1 - Prologo
Notas iniciais
Arima entrou no cemitério e parou em frente do tumulo de Kaori que já não era visitado desde a última vez que ele tinha estado lá.
Os pais dela tinham deixado o país, pouco depois da morte da filha, deixando-a para trás.
Segundo o que a tia lhe tinha contado, graças aos tratamentos que Kaori tinha recebido para prolongar a sua vida, eles tinham contraído várias dividas que não conseguiam pagar.
Só se sabia que eles ainda estavam algures na Ásia. Mas, onde?
Agora que olhava para trás, também não tinham procurado muito. A divida do Miyazono não era de tal maneira séria para que se preocupassem muito com ela.
Aliás, Arima tinha quase a certeza de que, se eles tivessem conversado calmamente sobre as razões para não conseguirem pagar naquele momento, seriam perdoados.
Afinal, quem castigaria os pais que tinham acabado de perder a filha de catorze anos?
Mas já se tinha passado um ano e não havia noticias deles. Já ninguém queria saber. Já ninguém se lembrava.
Arima limpou o pó de cima do tumulo dela.
Ele lembrava-se. Sempre que praticava ouvia-a ao seu lado. Sempre que tocava num concerto, sentia-a ao seu lado. E, por vezes, quando fazia uma vénia perante o público, conseguia vê-la ao seu lado, como da primeira vez em que tinham tocado juntos. Com as lágrimas nos olhos. Com a esperança de que tivesse tocado no coração de uma pessoa. De que, pelo menos uma pessoa não se esquecesse daquele momento. Não se esquecesse dela.
Depois disso, tudo se tinha desmoronado e, durante semanas depois da morte de Kaori, Arima culpara-se. Tinha sido por sua causa que ela tinha estado tanto tempo em pé. Tinha sido por causa dele que ela tinha ido parar ao hospital.
A tia, felizmente, fizera-o ver que a saúde de Kaori já se estava a deteriorar muito antes de o conhecer. E, antes de fugirem do pais, os pais de Kaori tinham confirmado o que a tia tinha dito.
Kaori tinha uma doença chamada Ataxia de Friendreich e não viveria durante muito mais tempo. Em vez de o culparem, agradeceram por ter feito a filha feliz nos últimos meses da sua vida.
— A nossa menina era fraca. – dissera a mãe, com um sorriso – Mas, quando a víamos a tocar, não conseguíamos dizer-lhe para parar.
Arima compreendia esse sentimento. Aliás, achava que, quem quer que fosse que a ouvisse a tocar, não conseguiria dizer para que parasse, aqueles que não apreciavam muito o seu estilo.
Se quisesse admitir, depois da morte dela, Arima tinha começado a ir a concursos e concertos para violinos. Talvez numa tentativa desesperada de esquecê-la. Claro que não resultara. Nos poucos que tinha passado com ela, apercebera-se de que gostava dela, mas agora sabia que tinha estado perdidamente apaixonado por Kaori.
Ainda estava. E isso preocupava toda a gente que o conhecia. A sua tia tinha-o direcionado para um psicólogo mas, no fim, não tinha ajudado em nada.
Haveria de passarm era o que Arima pensava, um bocado tristemente. Tinham-lhe oferecido uma bolsa completa numa escola de música prestigiada, na América. Ele partiria dali a um mês, quando acabasse o 9º ano.
A distância far-lhe-ia bem. Pelo menos era o que a tia lhe dizia.
…
Os Miyazono tinham fugido para a China e, depois de alguns meses difíceis, estavam agora a morar numa pequena casa com dois quartos, ligada a uma pastelaria onde os dois trabalhavam.
Era o aniversário da filha e, tal como era costumeiro, um bolo foi preparado pelo pai, com todos os ingredientes que ela adorava. Mas, ao contrário dos anos anteriores, a casa estava em silêncio.
A energética Kaori tinha desaparecido, afinal.
Ele cortou duas fatias e estendeu uma à esposa.
— Achas que fizemos o correto? – perguntou ele, seguindo a esposa até ao quarto. Pelo caminho, passaram por uma fotografia onde Kaori segurava o seu violino, com um sorriso brilhante na cara – Ao olhar para aqui, não tenho bem a certeza-
— Devias ter. já se passou um ano. – a mulher abriu a porta do quarto engolido pela escuridão. Estava assim desde que se tinham mudado para aquela casa. Quando ligou a luz, as várias fotografias de Kaoria com os amigos iluminaram-se. A um canto, o antigo violino de Kaoria encontrava-se coberto de pó – Bolo?
Sentada numa cadeia de rodas, posicionada em frente às fotografias, ela virou a cabeça lentamente.
— Não. – murmurou Kaori.
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