Notas iniciais
Sei que estão sendo capítulos pequenos, mas logo vai ser Arena e por isso é apenas introdução.

Noralinne Mercure

"Eu matei você"

Quando abriu os olhos, percebeu que estava atrasada.

O Sol já brilhava e ela tinha marcado de se encontrar com Ethan antes do café da manhã. Não foi surpresa que, quando saiu do quarto, encontrou a mesa com todas as cadeiras ocupadas, menos a dela. Tentou disfarçar, enquanto passava por eles, mas logo sua mentora a chamou. Noralinne não queria comer, não tinha acordado com fome. Dali duas horas estaria na Arena e ela tinha que encontrar Ethan. Ignorando o que a mentora dizia ou as perguntas de Max se ela tinha acordado bem, abriu a porta e a fechou antes que alguém fosse impedi-la. Apertou botão do elevador sem parar, num tique nervoso, enquanto as mãos tremiam e os ombros se enchiam de tensão. Estava quase indo pelas escadas, quando surgiu o elevador. Entrou nele e ficou apertando o botão do apartamento 3 freneticamente. Mesmo que o elevador já estivesse andando, ela ainda apertava.

Quando as portas se abriram, ela jogou o corpo para frente, empurrando a porta do apartamento e descobrindo dois mentores na mesa do café da manhã e um representante. Nem Charlie ou Ethan estavam lá. O apartamento Três era idêntico ao Dois e Nora logo concluiu que o quarto de Ethan seria o segundo no corredor à esquerda. E acertou. Encontrou Ethan e Charlie, sonolentos, deitados na cama abraçados. A menina ruiva chorava baixinho, enquanto Ethan enterrava queixo entre seus cabelos. Quando a viu, ele sorriu e então apertou ainda mais o abraço na pequena companheira. Nora se aproximou da cama e subiu nela, tomando o outro lado de Ethan. Lá, ela ficou deitada, vendo as costas dele, o subir e abaixar de ombros e os pequenos e sardentos braços de Charlie, envolvendo Ethan.

– Pesadelos – ele disse após um longo silêncio – Charlie está tendo pesadelos.

– Todos estão – Nora interrompeu, enquanto olhava para o corpo e Ethan, se virando para ficar de barriga para cima. Ele ainda abraçava Charlie, mas seu outro braço convidava Nora para um aconchego. Ela não hesitou.

– Só não comece a chorar – ele disse em seu ouvido, baixinho para que a pequena não ouvisse – Não sei se conseguiria lidar com duas meninas choronas.

Nora lhe cutucou a costela.

Meninas não são choronas. – os olhos dela era selvagens, do tipo “Eu te mato aqui e agora se precisar”.

– Claro, talvez não você – Ethan riu, puxando Charlie para cima de seu peito – Ei, agora vamos parar com isso, ok?

Charlie levantou o rosto. Lágrimas secas ainda estavam em suas bochechas e os cabelos ruivo grudavam em seu suor. Quando viu Noralinne, ela pulou para o pescoço da menina, que por reflexo tentou se desvencilhar. Mas quando notou que era um abraço, parou e retribuiu.

– Eu matei você – a voz de Charlie era fina e muito fraca – Me perdoa.

– Não... Entendo.

– Eu atirei em você... – Charlie sussurrou – Eu sou uma menina má. Eu matei você.

– Eu perdôo, Charlie – Nora a soltou – Mas prometa que não chorará mais.

– Me mate. Por favor, me mate na Arena – ela grudou as unhas nos ombros de Nora, balançando-a forte – Me mata!

– Não vou – Nora tirou os braços da menina de perto de si, enquanto a encarava feio – Agora sim você é uma menina má, desistir desse jeito é terrível, sabia? Eu não vou matar você, Charlie, somente para que você sofra mais.

A garota tinha um brilho intenso nos olhos verdes, estava pronta para derramar mais lágrimas.

– Você é má – Charlie concluiu.

– Sim, eu sou – Noralinne disse com firmeza – Mas não sou fraca ou covarde. Eu não vou desistir até que saiba que é impossível vencer. Até lá eu continuarei lutando. E você deveria fazer o mesmo. Mas espere, você é apenas uma pirralha, não?

– Não sou pirralha – Charlie disse firme.

– Então prove – Os olhos de Nora brilhavam.

– Pode deixar – a pequena desceu da cama – Vai se arrepender por me subestimar, Noralinne Mercure.

– Estou morta de medo, Charlie Belcourt.

Com um travesso sorriso nos lábios, Charlie deixou o quarto batendo a portas fortemente. Ethan soltou o ar que estava prendendo e então encarou Noralinne, com reprovação e admiração. Enquanto isso, ela recolheu as pernas e as dobrou em cima da cama, relaxada e como se nada tivesse acontecido. Ethan estava com a boca aberta, e de algum modo Nora gostava de ter surpreendido-o.

– Como conseguiu fazê-la parar de chorar?

– Eu não consegui, ela quis.

– Mas eu fiquei a noite inteira tentando e...

– Ethan – Nora o encarou – Você jamais conseguirá acalmar uma mulher. Acredite, jamais. Você não é o cara certo para isso.

Ethan ficou ligeiramente ruborizado.

– Mas que coisa mais delicada de se dizer – ele exclamou – Como se você fosse a rainha da simpatia.

– No meu distrito, simpatia também é algo parecido com feitiços ou juramentos. Você faz uma simpatia com um deus e ele lhe concede o que for que queira.

Ethan suspirou.

– Você entendeu.

– Sim, entendi – Nora o pegou desprevenido – Agora me abrace. Sabia que eu fiquei tremendo no elevador que nem uma idiota?

Ethan sorriu, compreensivo, enquanto a envolvia num abraço forte.

– Estou com medo.

– Eu também. – ele respondeu, ainda no abraço. Sentir o corpo quente e forte de Ethan era uma sensação maravilhosa. Os músculos flexionados para sustentá-la, eram firmes. Seu coração batia rapidamente, o que mostrava que ele estava muito nervoso ao abraçá-la. Isso irritou Nora, mas ela não questionou.

– Vamos para a Arena dentro de duas horas – falou – É melhor que você vá se preparar.

– Sim – concordou Ethan, enquanto a soltava – Fiquei sabendo que os Jogos não serão mentais, mas sim físicos. Vamos para uma arena de verdade.

– Entendo – concordou Noralinne. – E ela tem doze partes.

– Doze situações – Ethan interrompeu-a – Meu mentor ficou sabendo que são reconstruções de arenas muito populares. A primeira foi a mais aprovada pelo público durante os cinqüenta anos de Jogos. Por isso que eles fizeram partes, cada parte é um pequeno pedaço de outra arena. E o conjunto inteiro das partes é chamado de Labirinto, e ele fica no subsolo, cada parte é equivalente a um nível. Quanto mais alto, mas perto da saída. Começaremos no nível 1, onde estaremos muito abaixo do nível do solo do planeta Gliese.

– Entendo – concordou Noralinne. – Obrigada.

E com um rápido movimento, se encaminhou para a porta do quarto, indo embora. Já pensava em como seria o Banho de Sangue e que tipo de Arena era aquela.

Notas finais
Beijos!