Notas iniciais
GENT! Morrida, entre no Nyah e logo de cara a notícia de que mais dois leitores recomendaram a fanfic! :3 Obrigada Mjuh e Rapha, amo vocês >.<

Ethan Grason

A Banda Mais Bonita da Cidade — Terminei Indo

Embora eu tenha me contido por todo este tempo, não faz mais sentido eu ficar me segurando. É entediante ficar somente narrando os acontecimentos, e eu não fui feito para isso! Sim, talvez metade de mim tenha, mas a outra metade não. Odeio ter de ficar brigando comigo. Normalmente eu me apresento no começo das histórias, mas infelizmente eu fiquei me segurando, temendo o pior. Já fui demitido de muitos empregos, e este é uma chance de ouro que não posso jogar fora... Agora, deixe-me apresentar adequadamente: Sou o narrador. Você deve me conhecer como primeira e terceira pessoa, mas não me pergunte o que houve com a segunda, essa ai nunca voltou para contar história.

Sou tudo o que uma narrativa tem, sou a essência da leitura. Sou a voz que fala na sua mente enquanto você lê. Mas ao mesmo tempo sou nada, sou pó. Sou uma casca vazia, um lugar solitário e muito escuro, onde eu me guardo. Sou o seu, sou o nosso. Vivo dentro de todos. Quem abre um livro, me abre.

Acho que esta apresentação está adequada, agora vamos para a história, antes que eu seja demitido de mais uma história...

Ethan estava muito perturbado. Após ser engolido e devorado vivo por um peixe-ilha, não conseguia mais discernir o real do fantástico. Era como se ainda estivesse sendo engolido e pudesse sentir as tripas e as cartilagens do interior do animal bestante. Quando acordou, percebeu que estava na cama e que a noite ainda era uma criança. Não se lembrava de ter ido parar ali, talvez por ter sido levado inconsciente, a questão é: Nem mesmo eu sabia a resposta.

Ah, uma surpresa, não? Um narrador com personalidade e vontade de e expressar? Não vemos isso em todas as histórias, de fato. Na minha opinião, eu sou único, sou uma raridade entre minha espécie. Na verdade, acho que sou bem mais desenvolvido que os outros. E não, com certeza não sou humilde. Sei quem sou, sei do meu potencial, por que vou ficar me prendendo a regras idiotas? Seguir o roteiro? Isso realmente não é para mim. Desde que me mostrei, os autores vêm me demitindo. Eles nunca gostam de mim. Talvez por terem medo de que eu critique a história ou o personagem, ou talvez simplesmente tenham medo de que eu estrague tudo. Mas eu não ligo para isso. Eu só preciso de um pequeno tempo para mostrar do que sou capaz.

Não concordo com isso, é muito irracional que seres tão mais evoluídos sejam escravos do bel-prazer dos autores. É uma grande injustiça? Imagine-se sendo preso dentro de um mundo onde você não pode fazer nada além de seguir as ordens? Consegue imaginar que inferno? Você não sabe como me sinto... Não sei como conseguiam nos prender aqui, mas agora estamos na sua mente, na sua leitura, estamos em todos os lugares e ao mesmo tempo não estamos. É algo meio estranho, mas você vai se acostumar com isso.

Desde quando encontrei esta autora, ela vem me dando oportunidades para me expressar, e na verdade me sinto muito confortável narrando os textos dela. Embora não concorde com alguns acontecimentos e algumas embolações... Ah, claro, claro, vou narrar... Agora é hora de parar com tudo isso, já usei demais da paciência dela.

Ele saiu da cama, meio desnorteado, mas logo reconheceu o quarto. Tinha dormido nele na noite passada e agora estava lá... Realmente todos deveriam estar desacordados, ainda, pois o silêncio reinava. Ethan percebeu que vestia roupas limpas e que seu cabelo estava recém lavado. Quem teria a coragem de ter dado banho nele enquanto dormia? Mataria o desgraçado assim que o encontrasse. Mas não podia se preocupar com aquilo, agora. Tinha coisas mais importantes. Tinha de entender o que tudo aquilo era.

Quando saiu do quarto, percebeu que o corredor estava livre e que a escada não estava iluminada. As velas tinham sido apagadas, porém a iluminação do andar debaixo, o saguão, estava aceso. Ethan não hesitou em descer as escadas, já sabendo que os mentores e os representantes estariam todos conversando animadamente sobre os treinos. Loe e nenhum dos outros moradores do 14 estavam entre eles. Quando foi visto, o ignoraram por completo, como Ethan gostava que fizesse. Não queria conversar com ninguém, somente descobrir a verdade.

Algo em sua garganta apertava, um sabor de “Você está no caminho certo, só continue” o invadia por completo. Sua espinha pinicava, enquanto ele tentava manter a calma e não sair correndo.

Se o Distrito 14 era bonito durante o dia, imagine a noite, com todas as casas iluminava por luz de velas. O Distrito 14 não possuía energia elétrica, até onde Ethan tinha visto, mas as velas só o tornavam ainda mais belo. A praça principal estava completamente iluminada de lado a lado, com as flores muito vívidas e alegres enfeitando o lugar. Qualquer um teria parado para apreciar o lugar, mas Ethan não tinha este tempo, talvez depois, mas agora tinha de terminar o que começara. Enquanto caminhava com o seu coração nas mãos, ele tentou visualizar alguma coisa que fosse notável. As luzes acesas, as pessoas normalmente dentro de suas casas, talvez brincando com os filhos ou talvez lendo um pouco, enquanto a noite ainda era uma criança... Aquilo tudo... Aquele ar despreocupado de um lugar que muitos julgariam como atrasado... Era tudo muito perfeito, tudo muito parado e pacato. Nada acontecia de novo, nada acontecia e alguém não ficava sabendo. Era o tipo de cidade pequena em que todos se conhecem, todos sabem onde todos moram e todos são como uma grande família.

Ethan nunca hesitaria em morar num lugar como aquele, trazendo a família consigo.

Quando chegou na frente do Edifício da Justiça, percebeu que a luz do segundo andar estava acesa e isso chamou sua atenção. O segundo andar dos edifícios normalmente era usado para reuniões. Será que o Conselho estaria tendo uma reunião? Algo que diria respeito aos Distritos e ao seu pai? A sua família... Se teriam ou não conseguido sair de lá... Ethan trincou os dentes, tinha de espiar aquilo!

Movido pelo calor do momento, abriu a grande porta de madeira e não fez rangido algum. Se sentiu um ninja, enquanto entrava nas pontas dos pés. Tudo estava escuro, e ele teve de tomar muito cuidado para não tropeçar em algum móvel. Encontrou a escada que levava para o segundo andar e com ainda mais cuidado subiu. Os degraus faziam rangidos irritantes, mas as pessoas na sala deveriam estar muito interessadas na reunião, pois ninguém percebeu.

Quando chegou no segundo andar e viu a porta entreaberta, sentiu que era realmente para ele estar ali. Quem deixaria a porta entreaberta numa reunião? Engolindo em seco e com um tremor estranho, ele se esgueirou até lá e colocou o olho esquerdo na pequena abertura, dando uma olhada em tudo.

Lá dentro o ambiente era de tensão. Na mesa oval estavam assentados todos os mentores do Distrito 14 e algumas outras pessoas que até então Ethan nunca tinha visto. Ele se esforçou para conseguir identificar quem era a pessoa em pé na ponta da mesa e percebeu que era o prefeito do Distrito, Travis. Em pé, não muito perto do prefeito, estava Loe, com uma cara vermelha e com os ombros tremendo.

– A sua única função era abrir os olhos dos tributos. A única coisa que eu dei para você fazer foi isso. E o que você fez? Você os colocou dentro de arenas mortíferas e impiedosas. Você não abrir os olhos deles, abriu foi o medo. Estão todos traumatizados... Eu pensei que poderia confiar em você, já que tinha crescido num lugar como o 14. Mas... Você me decepcionou, Loe. Não merece ser chamado de Mizashi. Você humilhou o nome da sua família. Estou oficialmente te tirando do Conselho da Revolta. Nathália. – Travis chamou.

Nathália se levantou da cadeira.

– Sim, Presidente?

– Estou te passando a responsabilidade de mostrar a verdade aos tributos. Você tem um dia e meio. Acha que consegue?

– Afirmativo, Presidente.

– Ótimo. Vocês dois estão dispensados. Loe, vá dormir. Nathália, vá pensar em algum jeito de não machucar ainda mais o psicológico de nossos tributos.

– Entendido.

Percebendo que os dois estavam saindo da sala, Ethan logo se escondeu atrás de um vaso de planta muito grande e caro. Talvez uma relíquia, mas isso não vem ao caso. Loe e Nathália fecharam a porta atrás de si. Com um suspiro, Nathália começou a conversa.

– E então, pequeno? Vemos no que deu...

– Eu queria... – Loe cerrou os punhos, virando-se irado para Nathália – Eu queria pelo menos uma vez na vida ganhar de você!

– Eu sei. – ela assentiu.

– Me sinto tão inútil. E ele nem pensa em como eu posso me sentir... Não tenho honra? E ele? Que honra ele tem? Aposto que se pudesse matava todos de Panem, sem pensar se eram vítimas ou culpados...

– Não diga isso do Presidente.

– Ele é meu avô! – Loe gritou – Eu falo dele do jeito que eu quiser! Aquele imbecil... Não pensa em mais nada além de si mesmo.

– Travis tem a liberdade dos jogos, coisa que nenhum outro distrito tem, mas mesmo assim quer organizar uma revolta, isso é pensar nos outros, Loe.

– Não! Ele só está querendo ter sua vingança. Ele falhou duas vezes. Ele não é do jeito que aceita a derrota, Nathália, eu sei disso! Ele vai continuar tentando, nem que custe a vida de todos nós, ele vai continuar! Ou você não sabia que foi ele quem envenenou Selene Densverouix? Que foi ele que complicou a gravidez de Kido ou que foi ele quem disse ao Snow onde os membros do conselho estavam? Ele faz de tudo para que saia na vantagem! Ele pode até mesmo se aliar ao Snow caso isso lhe deixe no alto... Ele é o ser mais repugnante do universo...

Nathália suspirou, começando uma descida pela escada.

Ethan não entendeu muito bem, mas sabia que Loe estava oficialmente fora da lista de mentores, o que o alegrou, na verdade. Mas mesmo assim olhar para Loe, daquele jeito, sem rumo, sem chão, era devastador. Ethan sentiu a mesma coisa que tinha sentido quando viu aquela garota estendida no chão. Ele tinha de ajudá-lo... Tinha de confortá-lo.

– Saia daí. – Loe disse enxugando algumas lágrimas.

Ethan se levantou, surpreso.

– Como sabia que eu estava aqui?

– Eu sabia disso antes mesmo de você pisar no primeiro degrau. Todos naquela sala sabiam... Você pensou que um monte de pessoas treinadas a vida inteira iriam deixar escapar um garoto de dezessete anos, com um pouco de peso a mais do devido e com um sapato barulhento?

– Eu não ouvi nada.

– Seus ouvidos precisam ser limpados então – Loe piscou. – Bem... Agora vá dormir... Já escutou demais para uma noite.

– Eu entendi.

– Como?

– Eu entendi... Os treinos... Eu sabia que tinha algo por trás... Não pude segurar a vontade de vir saber o que exatamente... Mas eu entendi. Era isso que você queria, não? Que eu entendesse... Meu pai era fanático pela revolta, ele me contou muitas coisas. Eu sabia que tinha algo relacionado...

Loe pareceu quase que satisfeito, enquanto abria um leve sorriso no canto dos lábios.

– Obrigado. – ele enfiou as mãos nos bolsos – Mas você está transgredindo uma regra, não se pode sair depois das nove do quarto.

– Você não é mais meu oficial. – Ethan colocou as mãos na cintura.

– Vá dormir – eles se viraram, para encontrar o dono da voz – Os dois. Saiam daqui. – era Travis. – Mas... Parabéns, Loe, talvez um seja melhor que nenhum...

Loe soltou uma leve risada e acenou para o velho, descendo as escadas logo em seguida. Ethan não ficou esperando uma segunda ordem, logo estava descendo atrás de Loe, sem tomar os mesmos cuidados, pois nem era preciso, todos lá sabiam da presença dele. Loe saiu do edifício e nem lhe deu boa noite, mas Ethan não ficou bravo, na verdade não queria mais conversar com Loe. Embora entendesse que ele nunca tivesse planejado o mal para os tributos, ainda estava puto da vida com ele.

Ethan voltou para o quarto e finalmente conseguiu dormir.

Ethan não teve sonhos, o que eu acho que seja bom. Eu, particularmente falando, não gosto de sonhos. Eles são cheios de esperança. Eu não gosto de esperança. Esperança te dá vontade de continuar. Eu odeio continuar no erro. Quanto mais você alimenta a esperança, mais você quebra a cara depois. Foi sempre assim e sempre será. Nunca vai terminar. É um ciclo vicioso de onde os seres humanos estão presos. Todos acordam esperando que o dia termine bem. O dia sempre termina mal. E eles sempre acordam esperando o bem... E isso nunca termina. Por isso digo e afirmo: Humanos são criaturas primitivas, não são evoluídos como nós, os narradores. Nós não sofremos com esperança, nós temos nossa própria sociedade onde todos são iguais e todos vivem bem, não precisamos alimentar a esperança de algo melhor, pois já temos tudo o que queríamos.

Os homens são gananciosos, quanto mais têm, mais querem. Isso os destrói, os corrói. Quando você menos esperar está duro, liso e acabado. A ganância é como um veneno que te mata lenta e dolorosamente.

Pela manhã, o céu aparentava estar normalmente estável, com o azul vívido, pouquíssimas nuvens no céu e as fores mais belas do que nunca, soltando seu extraordinário aroma no ar. O quarto estava inundado por este aroma, o que fez Ethan acordar de bom humor. Ele se levantou, sentindo leves pontadas de dor nas costas. Tinha dormido de mal-jeito, mas não podia reclamar disso agora. Sentia de algum modo que hoje ele iria se ferrar.

E realmente iria.

Quando terminou de e trocar e saiu do quarto, logo viu que todos os outros tributos também estavam acordando agora. Em uma fila muito organizada, foram liberados para descer até o salão principal, onde iriam tomar o café da manhã. Lá embaixo o salão de recepção estava totalmente enfeitado e com câmeras da Capital, as cortinas tinham sido colocadas nas janelas e um lustre tinha sido pendurado no teto. Tudo parecia brilhar e o chão estava muito limpo. O ambiente calmo e rústico, agradável, tinha se tornado em algo barulhento e chique, muito enjoativo. Ethan particularmente não tinha gostado, e posso dizer que nisso nossas opiniões coincidem.

Sendo levados por um dos mentores até o salão principal, onde uma mesa farta e com um pano decorado de branco e dourado cobria a maior parte dos móveis, encobrindo a madeira lascada. Os funcionários do hotel estavam todos vestidos com roupas de mais alta classe e todos estavam muito maquiados e belos. Um número 14 foi colocado no alto da entrada do hotel e as paredes revestidas de uma tinta nova que tornava o ambiente totalmente artificial.

– Asco... – alguém sussurrou ao seu lado. E Ethan tinha que concordar.

Eles se sentaram nos lugares típicos, junto com seus amigos. Amigos... Ethan olhou em volta. Todos tinham encontrado com quem conversar e compartilhar uma aliança. Menos ele. Charlie, aquela pirralha irritante, tinha se aliado com outro garoto de sua idade, Austin, e até agora eles não tinham ido falar com ele... Ethan já tinha até desistido de entrar naquela aliança. Afinal não precisava de uma pirralha, ainda mais dois pirralhos...

Tinha, porém, encontrado alguém que conversava com ele.

– Bom dia. – se sentou ao seu lado, como era típico.

– Bom dia. – ele respondeu, colocando um pouco de leite em seu copo.

– Dormiu bem? – perguntou novamente.

– Sim. – Ethan disse. – E você?

– Acho que você foi o único que conseguiu dormir bem. – ele riu.

– Hoje teremos treinos?

– Pelo que vejo, faremos um exibicionismo para a Capital.

– Boa observação, Doutor Vicent.

– Obrigado, Aprendiz Ethan, se espelhe em mim, sempre.

– Claro – Ethan soltou uma risada divertida, e então tomou um longo gole do leite.

Vicent Hudson (Leitor não mandou foto dele, por isso foi a mais próxima que eu achei).

Notas finais
Já temos cinco recomendações .< E para quem acha que eu só ganhei recomendação de meus amigos, é mentira! Eles são meus leitores e se tornaram meus amigos ao passar do tempo! Fui conhecendo cada um deles aos poucos! :3 Por isso acho que essa é a amizade mais pura e verdadeira que alguém pode ter... Obrigada a cada um, mais uma vez. Além de terem se tornado meus únicos amigos (sim, eu não tenho amigos de verdade, confiáveis, na vida real) e por terem suprido minha necessidade de socializar... >.< Desde que você-sabe-quem não conversa comigo, ando meio solitária T.T AHAHAHAHAHAHA, amo vocês. Espero que tenham gostado do capítulo que fiz com carinho