Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
30 Ariel Meylle Clitord
Notas iniciais
Ariel Meylle Clitord
Enquanto ria de mais uma das histórias de Sanderson com seus outros quatro irmãos. Sobre as artes que tinha cometido e alguns acidentes que antes eram lágrimas e agora eram risadas. Ele também explicou como a família trabalhava com o gado e administrava a pequena fazenda. Ariel escutava atentamente, pois nunca antes tinha ouvido falar em “abatimento”. Tudo o que Sanderson dizia parecia música para seus ouvidos, pois descobri coisas sobre outros distritos era algo muito interessante e raro para alguém do Distrito 14, que normalmente era mais afastado dos outros distritos. Enquanto digeria as palavras de como matavam cruelmente os animais, e como o papel de dar o golpe final na nuca dos bichos era de Sanderson, ela escudou alguns ruídos vindos do chão do outro lado da porta. Podia não ser boa e armas, mas o resto ela sabia muito bem. As horas estudando música tinham feito seu ouvido ficar aguçado e ela logo percebeu pelo peso e pela bota de cavalgar que quem vinha era seu pai. Um desespero repentino fez seu coração começar a bater acelerado no peito.
– Meu pai, é meu pai. – ela cortou o que Sanderson dizia.
– O que? Mas não ouço nada.
– É meu pai. – ela disse, com mais força agora. – Meu pai, Sanderson, faça alguma coisa!
– Mas o quê?
– Ele vai te matar... Ele vai arrebentar sua cabeça e então vai mostrar seus miolos e dizer para nunca mais deixar um garoto se aproximar.
– Nossa, seu pai é tão superprotetor assim? – ele riu, mas quando escutou a pancada violenta na porta, deu um pulo na cama.
– ARIEL MEYLLE! SAIA DAÍ AGORA MESMO! OU EU ARREBENTO ESTA PORTA E O GAROTO QUE ESTÁ DO SEU LADO NA CAMA.
– Como o seu pai sabia que estávamos na cama? – perguntou Sanderson, estremecendo.
– Eu disse, o meu pai é... É muito bom. – ela se levantou – Calma, pai, não aconteceu nada! Ele não me atacou!
– Atacar? – Sanderson ergueu as sobrancelhas, mas sua voz foi cortada pela de Ethan:
– ENTÃO ME DIGA POR QUE ESTÁ OFEGANDO E SUANDO DESSE JEITO.
– Estávamos pulando na cama. E eu estava me divertindo muito.
Ethan ficou calado por um tempo, mas só o suficiente para se irritar ainda mais.
– Eu disse para não chegar perto. – ele estava mais controlado, mas foi só impressão, pois assim que Sanderson soltou o ar que segurava, ele teve de dar outro pulo, pois alguma coisa amassou a porta, e depois outro amassado. Socos.
– S-S-Seu pai é estranho! – ele exclamou – Por favor, não deixe ele me matar.
– Duvido que eu seria capaz de impedi-lo – foi a resposta de Ariel.
– O quê? – sua voz foi abafada quando a porta cedeu e Ethan entrou, com a raiva evidente no rosto suado, vermelho e com os dentes a mostra. Como se fosse um urso raivoso. Um urso grande, peludo, com cara de homem e raivoso.
Ethan avançou, mas foi segurado por três Pacificadores pelas costas, enquanto mais dois entravam no quarto e o prendiam pela frente. Cinco homens... Pensou Sanderson, cinco homens para deter somente um. O que era aquilo? Uma aberração da natureza? Será que a zoofilia entre animais selvagens e mulheres realmente existia? Tentou afastar aqueles pensamentos repugnantes da cabeça, pois afinal Ariel era filha dele e ela não se parecia em nada com um lobo ou um tigre. Talvez... Ela tivesse puxado a mãe.
Ethan, mesmo lutando, foi contido e preso com algema. Ariel colocou as mãos na boca, mas era preciso, afinal o pai não poderia ferir tributos que estavam indo para a Capital. Seria pior para ele. E pior para a Capital. Afinal, eles já tinham saído do Distrito 14 e não tinha ninguém para substituir Sanderson. Isso o arrepiou. Substituí-lo... Realmente aquela coisa de trocar pessoas mortas somente para ninguém questionar o que tinha acontecido... Era asqueroso. E mesmo lutando contra ele não podia deixar de pensar que Ariel fazia parte daquela coisa asquerosa.
– Desculpe – ela disse, com a voz imersa numa tempestade.
– Tudo bem, você não tem culpa – ele abaixou os ombros, sentindo a tensão sair deles.
Ariel se sentou na cama, colocando as mãos no rosto.
– Ele é sempre assim... Acha que pode rachar a cabeça de qualquer um. – ela suspirou – Não sei quando vai me deixar namorar alguém.
– É coisa de pai – Sanderson deu de ombros. – Você está bem? Parece pálida.
– Só um pouco abalada.
Com uma calma estranha e um mover quase sussurrante com o braço, ele o levantou e a ponta dos dedos tocaram as bochechas de Ariel, delicadamente. Ele a acariciou, fazendo menção de tocar os fios de seus cabelos. Ela ruborizou, dando vida no rosto pálido. Sanderson sentiu a ponta dos dedos pinicando e logo recolheu a mão. Não tinha tocado em uma menina desde que Abigail tinha lhe dado um fora. E isso o abalou muito, na verdade.
Ariel levou um tempo até ter coragem de encará-lo. Ela tinha lágrimas nos cantos dos olhos.
– Eu sou uma medrosa – disse – Vivo num mar de medo o tempo todo...
– Não é bem assim... – começou, mas foi calado pelo começo de seu choro.
Enquanto era um chiado, tudo bem, mas logo se tornou mais alto e mais encorpado. As lágrimas desciam em maior quantidade e calor, enquanto suas bochechas, testa e nariz se tornavam vermelhos. Os olhos ficaram mais claros e os cílios se molharam, enquanto ela se forçava a não fazer caretas feias. Por longos minutos Sanderson apenas olhou para as mãos, unidas na perna, enquanto ela chorava tudo o que queria. Depois de um tempo, quando os soluços tomaram sua voz embargada, ele se aproximou, colocando as pernas cruzadas em cima da cama. Ariel se abraçava pelos joelhos, encolhida e frágil, como uma boneca de porcelana. Deslizou suavimente para perto dele, o que o surpreendeu, e por um segundo Sanderson pensou que ela fosse se deitar em seu ombro, numa chance de receber conforto, mas apenas sentiu-a derramando as últimas lágrimas, enquanto se mantinha em um mundo só seu, abraçada a si mesma.
Ele foi tomado por uma vontade de abraçá-la, mas não o fez. Não era hora para ser galanteador. Em vez disso, deixou-a sozinha com seus pensamentos, enquanto selecionava uma roupa no armário e ia tomar um banho. Estava precisando de um, afinal.

Ariel Meylle Clitord
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