Notas iniciais
Empolgada com a Ariel XD e claro, temos de conhecer melhor o Sanderson.

Ariel Meylle Clitord

Birdy — Light Me Up

Enquanto ria de mais uma das histórias de Sanderson com seus outros quatro irmãos. Sobre as artes que tinha cometido e alguns acidentes que antes eram lágrimas e agora eram risadas. Ele também explicou como a família trabalhava com o gado e administrava a pequena fazenda. Ariel escutava atentamente, pois nunca antes tinha ouvido falar em “abatimento”. Tudo o que Sanderson dizia parecia música para seus ouvidos, pois descobri coisas sobre outros distritos era algo muito interessante e raro para alguém do Distrito 14, que normalmente era mais afastado dos outros distritos. Enquanto digeria as palavras de como matavam cruelmente os animais, e como o papel de dar o golpe final na nuca dos bichos era de Sanderson, ela escudou alguns ruídos vindos do chão do outro lado da porta. Podia não ser boa e armas, mas o resto ela sabia muito bem. As horas estudando música tinham feito seu ouvido ficar aguçado e ela logo percebeu pelo peso e pela bota de cavalgar que quem vinha era seu pai. Um desespero repentino fez seu coração começar a bater acelerado no peito.

– Meu pai, é meu pai. – ela cortou o que Sanderson dizia.

– O que? Mas não ouço nada.

– É meu pai. – ela disse, com mais força agora. – Meu pai, Sanderson, faça alguma coisa!

– Mas o quê?

– Ele vai te matar... Ele vai arrebentar sua cabeça e então vai mostrar seus miolos e dizer para nunca mais deixar um garoto se aproximar.

– Nossa, seu pai é tão superprotetor assim? – ele riu, mas quando escutou a pancada violenta na porta, deu um pulo na cama.

ARIEL MEYLLE! SAIA DAÍ AGORA MESMO! OU EU ARREBENTO ESTA PORTA E O GAROTO QUE ESTÁ DO SEU LADO NA CAMA.

Como o seu pai sabia que estávamos na cama? – perguntou Sanderson, estremecendo.

– Eu disse, o meu pai é... É muito bom. – ela se levantou – Calma, pai, não aconteceu nada! Ele não me atacou!

Atacar? – Sanderson ergueu as sobrancelhas, mas sua voz foi cortada pela de Ethan:

ENTÃO ME DIGA POR QUE ESTÁ OFEGANDO E SUANDO DESSE JEITO.

– Estávamos pulando na cama. E eu estava me divertindo muito.

Ethan ficou calado por um tempo, mas só o suficiente para se irritar ainda mais.

– Eu disse para não chegar perto. – ele estava mais controlado, mas foi só impressão, pois assim que Sanderson soltou o ar que segurava, ele teve de dar outro pulo, pois alguma coisa amassou a porta, e depois outro amassado. Socos.

– S-S-Seu pai é estranho! – ele exclamou – Por favor, não deixe ele me matar.

– Duvido que eu seria capaz de impedi-lo – foi a resposta de Ariel.

– O quê? – sua voz foi abafada quando a porta cedeu e Ethan entrou, com a raiva evidente no rosto suado, vermelho e com os dentes a mostra. Como se fosse um urso raivoso. Um urso grande, peludo, com cara de homem e raivoso.

Ethan avançou, mas foi segurado por três Pacificadores pelas costas, enquanto mais dois entravam no quarto e o prendiam pela frente. Cinco homens... Pensou Sanderson, cinco homens para deter somente um. O que era aquilo? Uma aberração da natureza? Será que a zoofilia entre animais selvagens e mulheres realmente existia? Tentou afastar aqueles pensamentos repugnantes da cabeça, pois afinal Ariel era filha dele e ela não se parecia em nada com um lobo ou um tigre. Talvez... Ela tivesse puxado a mãe.

Ethan, mesmo lutando, foi contido e preso com algema. Ariel colocou as mãos na boca, mas era preciso, afinal o pai não poderia ferir tributos que estavam indo para a Capital. Seria pior para ele. E pior para a Capital. Afinal, eles já tinham saído do Distrito 14 e não tinha ninguém para substituir Sanderson. Isso o arrepiou. Substituí-lo... Realmente aquela coisa de trocar pessoas mortas somente para ninguém questionar o que tinha acontecido... Era asqueroso. E mesmo lutando contra ele não podia deixar de pensar que Ariel fazia parte daquela coisa asquerosa.

– Desculpe – ela disse, com a voz imersa numa tempestade.

– Tudo bem, você não tem culpa – ele abaixou os ombros, sentindo a tensão sair deles.

Ariel se sentou na cama, colocando as mãos no rosto.

– Ele é sempre assim... Acha que pode rachar a cabeça de qualquer um. – ela suspirou – Não sei quando vai me deixar namorar alguém.

– É coisa de pai – Sanderson deu de ombros. – Você está bem? Parece pálida.

– Só um pouco abalada.

Com uma calma estranha e um mover quase sussurrante com o braço, ele o levantou e a ponta dos dedos tocaram as bochechas de Ariel, delicadamente. Ele a acariciou, fazendo menção de tocar os fios de seus cabelos. Ela ruborizou, dando vida no rosto pálido. Sanderson sentiu a ponta dos dedos pinicando e logo recolheu a mão. Não tinha tocado em uma menina desde que Abigail tinha lhe dado um fora. E isso o abalou muito, na verdade.

Ariel levou um tempo até ter coragem de encará-lo. Ela tinha lágrimas nos cantos dos olhos.

– Eu sou uma medrosa – disse – Vivo num mar de medo o tempo todo...

– Não é bem assim... – começou, mas foi calado pelo começo de seu choro.

Enquanto era um chiado, tudo bem, mas logo se tornou mais alto e mais encorpado. As lágrimas desciam em maior quantidade e calor, enquanto suas bochechas, testa e nariz se tornavam vermelhos. Os olhos ficaram mais claros e os cílios se molharam, enquanto ela se forçava a não fazer caretas feias. Por longos minutos Sanderson apenas olhou para as mãos, unidas na perna, enquanto ela chorava tudo o que queria. Depois de um tempo, quando os soluços tomaram sua voz embargada, ele se aproximou, colocando as pernas cruzadas em cima da cama. Ariel se abraçava pelos joelhos, encolhida e frágil, como uma boneca de porcelana. Deslizou suavimente para perto dele, o que o surpreendeu, e por um segundo Sanderson pensou que ela fosse se deitar em seu ombro, numa chance de receber conforto, mas apenas sentiu-a derramando as últimas lágrimas, enquanto se mantinha em um mundo só seu, abraçada a si mesma.

Ele foi tomado por uma vontade de abraçá-la, mas não o fez. Não era hora para ser galanteador. Em vez disso, deixou-a sozinha com seus pensamentos, enquanto selecionava uma roupa no armário e ia tomar um banho. Estava precisando de um, afinal.

Ariel Meylle Clitord

Notas finais
Shippando Sanderiel.