Your Hunger Games V - Fanfic Interativa
33 Tabitha Nakamura
Notas iniciais
Tabitha Nakamura
Cantar Faz Feliz o Coração — Roupa Nova (http://www.youtube.com/watch?v=5p1gHVOjN8Q)
Pela primeira vez na vida se sentiu feliz por estar na arena. Estava perto de Edgard, havia conhecido pessoas maravilhosas e se sentir querida. Isso era perfeito demais! Ela sorria, só conseguia fazer isso. Enquanto olhava para a neve caindo do lado de fora da toca, ia se encolhendo o tempo todo. Todos estavam dormindo, mas a felicidade não permitia que ela dormisse. O rosto de Scott apareceu no céu. Ele era um garoto muito bom, ela pensou. E se Edgard morresse, pensou. E se ele morresse? Ela iria se sentir triste? Mas é claro que iria se sentir triste! E se não tivesse tempo de se confessar a ele? Suspirou no ar frio. Tinha de fazer aquilo antes que fosse tarde demais.
Pela primeira vez dentro daqueles últimos dias, ela pensou em Sayume, Ayume e Yume. Nossa, parecia ter sido outra vida! Como se aquela não fosse a verdadeira, como se fosse de outra pessoa... Seria bom se fosse mesmo... Algo dentro dela dizia que o frio iria congelar a todos se continuassem ali, parados. Deveriam se mover o quanto mais para o sangue ferver. Se deleitou ao notar que Edgard segurava firma a sua cintura. Empurrou os óculos para trás. Não deveria mais ficar ali. Com preguiça, se levantou do colo de Edgard, acordando-o. disse o que deveriam fazer e ele a ajudou a acordar os outros. A foice estava em suas mãos, como se ela tivesse dormido segurando a arma. De repente notou o quanto aquilo já parecia fazer parte de seu corpo. Segurar a foice já era normal, quanto mais se apoiar nela ou usá-la para coisas banais.
Assim que todos acordaram, resolveram comer algo, o que era essencial. Robert parecia sofrer mais do que os outros. Talvez ele fosse mais sensível ao frio. Seus dedos e membros tremiam, e seu rosto estava azul. Mesmo assim, eles comeram a comida congelada, sem se preocupar. O fogo era algo que simplesmente o vento não permitiria fazer. Embora houvesse muito vento, parecia que o oxigênio era algo em muito menor quantidade que qualquer outro gás. Isso incomodava a todos, pois ninguém estava acostumado com aquilo. Tabitha sabia porque aquela sensação se cansaço aparecia rápido. Eles estavam num lugar mais alto que o normal, por isso o oxigênio era menor. Quanto mais alto, menos oxigênio. E mais frio. Os pés de Edgard lhe abriam o caminho, ela seguia e nunca se sentia só. Ela gosta dele, e gosta de ficar com ele. Seu riso era tão feliz com ele, seu melhor amigo era o seu amor. Ah, como queria voltar a velha infância...
Olhou para a mão que balançava ao lado do corpo de Edgard. Queria segurá-la, porém se conteve. Nunca teria coragem de fazer aquilo... De repente Allegra não era sua inimiga e sim a sua falta de confiança. Quanto mais queria ficar perto de Edgard, mais se repreendia. A cada hora que se passava, ela sentia o amor crescer dentro dela, até que preenchesse todo o peito e tivesse de escorrer para o resto do corpo. Inundada por amor, ela se via como uma criança. Feliz pelo simples fato de estar com ele. Não precisava de mais nada. Agora estaria feliz para sempre. Ela sabia que não era forte e nem tão habilidosa, mas iria defender Edgard com sua própria vida, se preciso.
Não, não somente Edgard, mas a aliança inteira. Decidiu que, se caso isso ocorresse, deveria agir como uma pessoa inteligente. E uma pessoa inteligente nunca deixa um amigo para trás. Seu peito doeu. Amigo. Aquela palavra que um dia ela imaginou que nunca iria fazer parte de sua vida. Como tudo mudou. Ela tinha amigos, tinha um quase-namorado e uma vida feliz. Do que mais iria precisar? Tempo. Ela ira precisar de tempo. Do que adiante estar feliz agora, se lá na frente não se sabe se alguém do grupo vai partir. Ela precisava de tempo para interagir com eles, para passar tardes sem fim com eles, rindo, conversando, e rindo mais. Como amigos faziam. Percebeu o quanto sua vida era perfeita. Talvez algumas pessoas nunca tivessem tido a oportunidade que ela tinha. Sentia-se honrada. Era uma pessoa grata a vida, por tudo o que tinha ganhado.
Talvez agora ela tivesse coragem de dizer a Allegra que adorava tê-la como rival, que adorava passar o tempo com Robert e que adorava o sorriso de Edgard. O céu de noite tornava tudo ainda mais lindo. Ela quase podia cantarolar. Uma menina, simples, feliz, de olhos puxados. Era impossível expressar a alegria que se passava dentro de suas veias. O frio nem a preocupava mais. Chegando no lado, ela bebeu com um sorriso nos lábios a água pura. Encheram as garrafas que tinham e atravessaram o rio, chegando perto da Cornucópia. A Lua era a coisa mais bonita naquela paisagem. As árvores altas e imponentes estavam com neve em seus galhos, e isso dava um toque de delicadeza. Céu era negro, mas não azul escuro, era negro de verdade, como os cabelos de Tabitha. As estrelas recheavam e salpicavam, como se quem tivesse pintado-a ali estivesse querendo formar uma dança. O vento que balançava as árvores também deixava a música bem mais alta. E o Grande Pinheiro era a principal obra de arte, não havia uma árvore tão grossa e alta em toda a Arena. Talvez fosse a mais grossa e alta da história do planeta.
Perto da árvore, um grupo de tributos estava em volta de uma fogueira que, independentemente do vento, queimava e ardia com vigor. Mar o fogo não era comum, ele era... Azul. Era uma chama muito fina, porém parecia quente. Tremeluzia e parecia dançar a mesma dança das estrelas. Isso fez com que Tabitha se alegrasse.
Deve haver um lugar dentro do seu coração, onde há paz brilhe mais que uma esperança sem a luz que ela traz já nem se consegue mais encontrar o caminho da esperança. Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens se fazendo irmão e estendendo a mão...
Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança
Ela se lembrou da musica que papai e mamãe cantavam na cozinha. Aquilo era tão triste, porém parecia tão alegre no momento. Papai e mamãe não eram lembranças tristes, eles estavam dançando ao seu lado. Sem mover um músculo, seu corpo também dançava. Mas ela não dançou. Era estranho. O vento dava a sensação de estar rodopiando. E quanto mais vivia, mais se sentia feliz.
Mas tudo durava pouco, pois, quando ela abriu os olhos, descobriu que os Carreiristas haviam notado a presença de seu grupo. E vinham a toda a velocidade em direção a eles. Preparados e prontos para lutar, cada um escolheu uma presa. Eram cinco contra quatro. Robert trincou os dentes ao ver Brenda. Já se sabia quem ele iria atacar primeiro. Allegra também já tinha escolhido Blair, e Edgard sussurrou para ela que iria atacar Alec. O que sobrava para ela era Dominica ou Danilo. Na verdade, os dois.
O primeiro impacto da batalha aconteceu ente Robert e Brenda. Os dois se odiavam, era visível. Brenda era forte, bruta, musculosa. Robert era inteligente, alto e forte. A briga deles foi de punhos. Enquanto se batiam e derrubavam um ao outro, do outro lado da batalha, Allegra também foi com tudo em cima de Blair. A menina, muito boa em luta, por sinal, também estava lutando corpo a corpo. Edgard não teve dificuldade em lutar contra Alec. Os dois tinham armas, Edgard a espada de Robert e Alec uma lança. Tabitha colocou a foice na frente de seu corpo.
Dominica e Danilo a rodearam. Eles não teriam pena dela, Tabitha sentiu. Se defendeu com a foice de um ataque rápido de Danilo. Mas não conseguiu fazer o mesmo com o ataque dos punhos de Dominica, que a atingiu bem no queixo. Robert conseguiu dominar Brenda e estava sobre ela, enquanto a mesma tentava em vão se desvencilhar. Allegra também já estava cansada de tanto ter de correr atrás da ágil Blair. Edgard tinha conseguido abrir um corte fundo na bochecha de Alec, fazendo sangue e dor percorrer o corpo do garoto, porém este não desistia. Sua resistência mesmo com a dor era impressionante. O suor já escorria a testa de Ed. E ela, enquanto tentava se defender de dois Carreiristas. De repente um clarão tomou conta do lugar, lançando-os longe. Ela entendeu. Diante de seus olhos, sua família passou. Diante de seus olhos estavam esperando por ela. Estendiam-lhe a mão. E era isso que deveria fazer. Como não tinha percebido isso antes? Era tão óbvio! O tempo todo eles estiveram esperando por ela!
Tateou até encontrar o corpo de Edgard. Ainda estavam atordoados. Disse com firmeza o que deveriam fazer. Ela já tinha decidido isso antes, então não tinha o porque para pensar sobre isso agora. Era só fazer e pronto. Enquanto o clarão permanecia, ela ouviu os passos largos da aliança correndo e fugindo dali. Ela sabia que logo os Carreiristas estariam no encalço deles. Mas agora era hora de lutar. Uma luta da qual ela tinha fugido a vida inteira. A foice na mão direita, a confiança na mão esquerda. A luta começaria assim que a primeira gota de escuridão tomasse a visão de todos.
Quando os Carreiristas conseguiram olhar para a Aliança adversária, conseguiram ver que... De todos que estavam ali, somente um havia sobrado de pé. Era uma menina, uma garotinha. Esta tinha olhos puxados e cabelos negros. E ela cantava. Cantava com o coração feliz. A letra da música não dava para se identificar, porém parecia que era uma cantiga feliz.
Cantar faz feliz o coração.
Tabitha aceitou e caminhou saltitando em direção aos adversários. Primeiramente, acertou a perna de Danilo, o mesmo deu um tapa em seu rosto. “O que pensa eu está fazendo, menina?” ele perguntou. “Você é só uma criancinha, quer mesmo tentar contra nós?” Alec mencionou. Mas ela estava surda, cega e muda. Somente uma coisa lhe movia: A Música. Algo que havia ficado tão congelado dentro dela. Sim! Era aquele fogo, o fogo do amor que sentia por Edgard que fez a pedra de gelo derreter. E agora não tinha mais volta. E quem disse que ela queria voltar? Aquilo era sua vida, aquilo a fazia feliz! Era somente aquilo! Aquele fogo!
Eles já deveriam estar longe. Isso a deixava ainda mais cheia de alegria, e de repente sua alegria se derramou, contagiando os outros. Não. Não contagiava ninguém. Era só sua imaginação. Mas até que parecia que o céu, as estrelas e a Lua estavam cantando e concordando com ela. Era maravilhoso.
- Anda! – pela primeira vez ela disse algo – Me matem!
Uma faca passou voando e cortando todo o ar, toda a música. E se alojou em seu coração.
Papai e mamãe estendiam a mão para ela. E agora ela poderia alcançá-los.
Notas finais
--YHG--
Agora sinto que minha dívida está paga. Desculpem o incomodo e irei escrever o capítulo do Logan logo, ja já eu volto. Beijos.
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