Your Hunger Games V - Fanfic Interativa
31 Tabitha Nakamura
Notas iniciais
Tabitha Nakamura
Ela foi colocada em uma cadeira. No mesmo instante dois homens de branco se aproximaram e perfuraram sua pele, colocando aquelas duas bombas. Ela não entendeu porque, mas estava mais preocupada em morder a língua para não gritar de dor. Após isso, não sentiu mais nada. Nem frio, nem calor, nem dor. Seus olhos foram logo se fechando. Enquanto ela lutava para permanecer acordada, sentiu que estavam abrindo sua barriga. Depois implantaram fios em sua cabeça. Colocaram em seu rosto uma máscara que a forçava á respirar. O que era aquilo? Iriam fazer experimentos doidos nela? Quando tomou conta de si, já estava prestes á cair num sono profundo.
º º º
Abriu os olhos. Estavam todos lá, em pé, respirando com dificuldade aquele ar gelado. Tabitha não sentiu a ponta do nariz, nem as bochechas. Estava muito, muito frio... Havia uma roupa quente lhe cobrindo os braços, o peito e as pernas. Era um macacão. Não era feito de lã, nem era grosso. Era um tecido fino e elástico. Quando encontrou o cronômetro, ele já marcava trinta segundos. Virou os olhos para o outro lado. Tributos já se preparando para correr. E bem no centro do círculo, um pinheiro. Um não, O Pinheiro. A Cornucópia ficava bem abaixo do pinheiro. Era uma árvore extremamente alta e grossa. Seu tronco tinha um buraco que servia como porta para entrar. Em seu interior deveria haver muitas armas e suprimentos. Algumas mochilas também estavam distribuídas pelo chão. O universo ainda parecia lento para ela. Seus pensamentos passavam a mil por sua mente. Quando conseguiu achá-los, descobriu que haveria um grande desafio entre a aliança. Como iriam se juntar sem antes passar pelo banho de sangue? A árvore estava bem entre ela e Edgard. Allegra estava á Leste e Robert á Oeste. Como numa bússola, ela sabia que deveria sempre ir á Norte. Norte... Edgard... Tirou aquilo da cabeça. Ainda restavam quinze segundos. Pense, Tabitha, pense... O que deveria fazer... Foi quando teve uma idéia.
- Ed! – sua voz nem parecia a mesma diante daquele mundo novo.
- Tabitha! – Edgard devolveu. Ao menos ele reconheceu a voz.
- Leste!
Edgard não respondeu. Tabitha torceu para que ele tivesse entendido. Assim que o cronômetro zerou, todos dispararam em direção a Cornucópia. Tabitha também disparou, porém para o outro lado, para Oeste. Pegou o braço de Robert rapidamente e o levou para o meio de algumas árvores parecidas com pinheiros. Tabitha limpou os cílios. Sim, eram pinheiros. Robert a seguiu. Logo que chegaram ao rio, ela notou que teriam de atravessar para ficar em segurança. Mas... Como atravessar sem antes morrer congelado no meio das águas? Como se o rio lesse seus pensamentos, uma ponte de gelo firme se formou. A água do rio ficou mais calma, e o gelo endureceu. Logo se tornou uma ponte com direito á corrimão. Atravessou a ponte com receio, e quando chegou ao outro lado olhou para Robert, esperando que ele atravessasse logo aquilo.
Foi até o outro lado da floresta. Assim estaria mais segura. Quando pararam para descansar, se perguntou se tinha pego algum suprimento. Não. Nem mesmo Robert teve tempo para pegar. Estavam sem nada. Agora só podiam torcer para que Allegra e Edgard tivessem seguido o exemplo deles. Tabitha tinha deixado claro que era para Edgard guiar Allegra para o Leste, enquanto ela guiava Robert para Oeste, porém... Sentiu um peso no peito... Por que tinha dito para ele guiar Allegra? Por que não disse para Allegra guiar Robert e então ficar com Ed? Agora eles estavam juntos... Burra! Por que tinha de ser tão burra... Até mesmo Allegra teria pensado nisso. Mas... Se ela tivesse feito isso, obrigaria Allegra e Edgard á atravessarem a carnificina. Na hora em que queria pensar em algo, nem se importou com o fato de não ficar perto de Edgard. A única coisa que queria era salvar a aliança. A sua família.
Robert se encostou em uma das árvores próximas ao local onde haviam parado. Descansar... como isso era bom e ao mesmo tempo preocupante. Ela não queria descansar! Queria ir atrás de Edgard, queria saber se ele estava bem. Sua preocupação só aumentavam, de acordo com os segundos. Até que ouviu o primeiro canhão. O medo lhe roubou os sentidos. E agora? E agora? O que faria... Se aquele fosse o canhão de Ed?
Ela se abaixou e abraçou os joelhos. Assim parecia estar mais segura. Uma vez tinha tirado a conclusão que, quando mais nos encolhemos, mais frio sentimos. Mas de repente uma sensação de fogo a invadiu... Sim... A preocupação, o medo, a vontade de saber se estava tudo bem... Eram como fogo. Um fogo que a mantém viva e aquecida. Era como se ela só vivesse para saber se estavam bem.
- A Carnificina acabou. – disse Robert – eles só liberam os canhões depois do banho de sangue. Acho que agora todos já seguiram seus caminhos.
- Então só um morreu?
- Sim. – ele concordou – Espero que não seja nem Ed e nem a Alle... – Robert se abaixou ao lado dela. – Você gosta dele, não?
- De quem?
- Não seja ingênua! É claro que estou falando do Edgard.
- Ah... – as bochechas de Tabitha ruborizaram.
- Pela sua reação eu vejo que sim. Mas não se preocupe. Estou apaixonado, também.
- Por quem?
- Quem? – Robert riu – Nossa, Taba, você parece tão inteligente para consegue ser tão ingênua... Eu estou falando da Allegra! Mas é claro, ela gosta do Ed... Não sei o que esse garoto tem! Parece que as meninas se atraem por ele! Parece que a mãe dele passou açúcar nele!
[N.A: Normal, mamãe passa açúcar em todos os bebês dela...]
Enquanto se remoia por medo, ela nem notou a noite chegando. Não, não era noite... Era uma tempestade. O céu foi rapidamente coberto por nuvens e raios cortavam os céus. Robert cutucou seu ombro dizendo que deveriam ir para um lugar mais seguro. Mas onde? Ela se levantou e o seguiu, atravessaram o rio enquanto uma ponte surgia e chegaram até um monte. Um não, três montes. Eram grandes e com picos altos, que sumiam de vista. Robert encontrou um abrigo perto dos três montes. Era uma pequena e singela cabaninha no meio de densas folhagens. Ninguém conseguiria ver se não estivesse procurando com atenção. No tapete de Boas Vindas também estava escrito No Máximo Duas Horas. Aquilo queria dizer... Ela pensou, mas não conseguia ligar uma coisa com a outra.
- Só podemos ficar aqui por duas horas – Robert comentou. – Vamos entrar e ver o que tem ai dentro.
Tabitha concordou com um meneio. O que tinha dado nela? Era óbvio que as duas horas queriam dizer aquilo! Ela se perguntou porque não estava conseguindo pensar direito. Antes de se separar de Edgard e Allegra ela estava pensando tão rapidamente, mas agora... A preocupação tinha tomado espaço em sua cabeça, e agora ela não pensava em mais nada. Aquilo a deixava nervosa. Ainda mais nervosa.
No interior da cabana, havia somente um ambiente: Uma mesa, seis cadeiras, três armários e uma janela. Simples. Robert tinha aberto um dos armários, descobrindo um pacote com cordas. No segundo armário haviam suprimentos (duas garrafas d’água, uma vasilha com feijão, uma vasilha com carne crua e algo parecido com café). No terceiro armário tinham acessórios mais divertidos. Uma foice e uma espada. Tabitha logo reconheceu que a foice deveria ser dela, e a espada de Robert.
A tempestade começou por volta de trinta minutos depois. O céu estava completamente negro, e a cabana escura. Nada se via ali. Tabitha e Robert estavam sentados diante da mesa, com suas armas e suprimentos em mãos. Esperaram por mais uma hora. A tempestade ainda era forte quando Tabitha decidiu que teriam de sair dali antes que a cabana se tornasse um inferno (como normalmente acontecia quando um tributo fica tempo demais num lugar). Os dois saíram da cabana e logo sentiram a chuva castigá-los. Enquanto caminhavam, ouviam o barulho de vento. Uma ventania forte se aproximava. E quando os encontrou, o vento não mediu esforços. Logo foram varridos até o outro lado dos montes. Perto do rio, fizeram a volta no mesmo, indo para o outro lado da Arena. O lado Oeste. Tabitha nem teve tempo de pensar que deveria encontrar Edgard. A chuva parou e o céu de repente ficou limpo e branco, como era antes. Molhados, eles tremiam de frio. Parecia que aquele lado da Arena era bem mais frio. Ao chegar numa praia de areia branca, perceberam um fenômeno que não deveria ocorrer. O mar daquela praia estava congelado. Como, Tabitha não entendia. Mas nos Jogos tudo podia acontecer.
- Ali! – ela ouviu alguém gritar.
Ergueu a foice, exibindo-a. colocou um pé para trás, para se apoiar. Estava pronta para enfrentar algum oponente. Enquanto seus inimigos corriam em direção a eles, Robert e Tabitha formulavam a sua estratégia através de sussurros.
- Taba! Rob! Até que enfim, encontramos vocês! – Allegra tomou fôlego. – Estávamos tão preocupados!
- Onde... – Tabitha a encarou.
- Logo atrás de mim. – Allegra piscou.
E estava mesmo. Vindo correndo com certa dificuldade, Edgard estava inteiro e salvo. Pela primeira vez Tabitha agradeceu por Allegra ter ficado ao lado dele. Talvez se tivesse sido o contrário, Edgard nem ela estivessem vivos. Descobriu que o único motivo para não ter sido morta ou presa naquela cabana, era Robert. Se não fosse ele, ela nunca teria pensado na regra das duas horas.
- Tabitha! – Ed sorriu. – Você realmente é genial! Eu e Allegra teríamos morrido se você não tivesse atraído a atenção dos Carreiristas.
- O quê? Atrair a atenção?
- Sim. – concordou Allegra – Eles estavam olhando feio para nós dois, mas quando você gritou, eles logo olharam para você! Obrigada.
- E-Eu nem tinha percebido... – a menina corou – Não foi nada... Faria isso um milhão de vezes, se fosse preciso.
Allegra deu dois tapinhas em seu ombro. Agora que estavam juntos, Tabitha sentiu que nada seria uma ameaça. Eles poderiam combater qualquer um! A menina exibiu sua foice, e Robert a sua espada. Contaram como havia conseguido aquilo e como tinham passado por uma tempestade terrível. Ao contrário deles, Allegra e Edgard não tinham visto tempestade nenhuma.
- Talvez a chuva só estivesse do lado Oeste. – supôs Robert.
- Sim. – Allegra concordou. – Eu e o Ed não tivemos problema nenhum! – ela se segurou em seu ombro – Não é, meu Ed?
- Claro. – Edgard concordou – Nós nos escondemos no alto de um pinheiro perto da Cornucópia.
Tabitha assentiu. Ela não queria continuar com aquilo. Sabia que jamais teria coragem de chegar em Ed e simplesmente se segurar em seu ombro, como Allegra fazia com tanta naturalidade. Aceitou sua derrota. Afinal, por que pensava que tinha chance? Estava na cara que os olhos de Edgard estavam sempre em Allegra e não nela. Pensou se ele estava mesmo somente com pena dela quando foi visitá-la. E o desenho... se perguntava o que ele havia feito com o desenho que ela fizera. Em silêncio, ela seguia a aliança. Eles queriam levar Tabitha e Robert até um esconderijo “Super seguro”, como tinha descrito Allegra. Era uma toca, para ser mais exato um buraco feito de gelo e terra. Um iglu subterrâneo. Quando entrou no buraco, logo notou o quanto era pequeno. Eles teriam de ficar sentados. Ela não queria ser a primeira a entrar, por isso deitou Robert com esse papel. Logo foi Allegra e depois Edgard. Ela ficou por último, quase na porta da toca. De lá, qualquer um iria vê-la.
- Ei, Taba, não quer vir no meu colo? – Ed propôs. – Pra você não ficar tão na vista.
Ela assentiu e sentiu ele colocar as mãos debaixo de suas axilas, levantando-a e colocando-a em seu colo, como se ela fosse uma criancinha. Seu coração estava descontrolado. Não... Não dava! Não importava quanto de vantagem Allegra tivesse, ela nunca conseguiria aceitar a derrota. Nem parar de gostar de Edgard. Estava meio congelada. Parada. Ele riu e se abaixou, fazendo-a se encostar em seu peito. Edgard não era tão grande nem alto assim, tinha quatorze anos, porém perto de Tabitha ele era bem grande, como um irmão mais velho.
- Está aquecida? – perguntou.
- Sim. – ela respondeu com felicidade esbanjada num sorriso calmo.
Enquanto aquela cena de amor clichê e enjoado se prolongava, Allegra olhou para Robert, de braços cruzados.
- E você? Não vai me oferecer seu colo, não? – perguntou.
- O quê? – Robert ergueu as sobrancelhas – Por que eu ofereceria? Não sou babá de ninguém!
- Ora, seu idiota, não é óbvio que estou com frio?! Trate de me abraçar!
- Não é minha obrigação, não sou seu namorado! – Roberto rebateu.
Allegra se inclinou e, sem pedir permissão, se sentou entre as pernas de Robert, se encostando em seu peito e pegando seus braços, para envolvê-la. Assim, ela suspirou e fechou os olhos, pronta para dormir.
Tabitha olhou para o rosto de Edgard. Ele também tinha dormido. Sorriu e então, fechando seus olhos, tomou o mesmo rumo que os companheiros.
Notas finais
Lembra um pouco eles, ne, haha. Beijos, e o próximo é da Elena.
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