Notas iniciais
Nova tributa. Distrito 4.

Skyller Bourbon

“Skyller Bourbon”, ele disse. Skyller teve vontade de gritar: É Evans, não Bourbon. Mas isso não a livraria da Colheita. Ela era adotada pela família Bourbon fazia alguns anos, porém seu sobrenome de verdade era Evans. Desde que se tornou a herdeira Evans, ela simplesmente parou de existir. Seus pais não exerciam poder algum no Distrito. Trabalhavam, um trançando redes (mamãe) e um pescando peixes para vender no mercado do porto (papai). Eles foram mortos na frente dela, quando ainda era uma criança inocente. Porém Skyller não deixou barato. Foi atrás da gangue e os degolou. Garganta por garganta. Do mais velho para o mais novo, o irmão do líder, que tinha seis anos. Skyller olhou para ele, e então para o pedaço de vidro em suas mãos. Coberta de sangue, ela levou o caco para a artéria do garoto.

- Ei! Por que está fazendo isso? Você é má! – ele disse.

- Muito pelo contrário, meu jovem, eu sou a vingança. Não a vilã, mas a vingança. – sem olhar muito, fez o sangue jorrar para seu peito de menina-moça.

Teve de controlar seu desejo de vingança. Por muito tempo, na verdade. Sempre se fazendo de injustiçada e de pobrezinha. O que era fácil, já que sua aparência inofensiva dava privilégios a ela. Com os cabelos ruivos e o rosto pálido, magra de dar dó e com o corpo pouco desenvolvido (devido a problemas de saúde, anorexia e vários outros traumas).

Agora, sorteada, ela sentia que finalmente poderia saciar sua fome de justiça. Ela ergueu o braço, sinalizando que era ela a tal Skyller Bourbon. Logo foi escoltada até os degraus do Edifício da Justiça (seu lugar preferido, na verdade) e anunciaram rapidamente seu colega de jogo, que ela não deu muita bola. Apertou a mão dele aceitou ser conduzida até a sala. Lá esperou por seus pais adotivos. Fingiu estar muito aflita e desesperada, mas não ousou chorar. Isso ela não fazia na frente de ninguém. Nem na sua própria frente (o que, sim, ela considerava algo).

O tempo voou. Ela esperou sem problemas, até que a noite chegasse, e junto, o trem que os levariam até a Capital. Levariam? Sim, ela, os mentores e a representante do distrito. Ah, e claro, o garoto parceiro dela. Quando estou no trem, tentou parecer não muito impressionada com tudo aquilo. Não queria dar na cara.

- Winter – disse a representante – Winter Winnie Waynn.

- José Bezerra. – o mentor sorriu docilmente. – ao seu dispor. – piscou para Skyller, que fingiu corar (na verdade ela queria cortar a garganta do homem).

- Natharia. – a mentora riu. – Yamashita Natharia.

- Skyller Bourbon, ou Evans, tanto faz.

- E eu sou o Kevin! – o garoto bateu a mão na mesa.

Todos voltaram seus olhares de “Que diabos é isso?” para Kevin.

- Ah, foi mal. – ele coçou a cabeça – Sou meio bobo às vezes... – todos continuaram a encará-lo – Que foi? Não me socializo muito. – ele corou – É verdade, não sei a hora certa de dizer algumas coisas... Mas posso ser útil! Sei tudo sobre plantas marinhas, peixes e qualquer tipo de adaptação para climas.

Skyller sorriu, com o sorriso que nunca havia usado na vida. Um sorriso verdadeiro. Sim, ela nunca tinha conhecido alguém “bobo”.

- Você é uma gracinha – encolheu os ombros. – Mas gosta de... Vingança? – seus olhos se tornaram mais sombrios.

- Claro! Uma vingança bem bolada é o tipo de prato que eu posso comer até cru. – ele riu sadicamente.

Os mentores continuaram a não entender nada.

- Quer ser meu namorado? – ela ergueu uma sobrancelha.

- N-N-Namorado? – Kevin quase caiu da cadeira.

- Hihi, desculpe – ela tocou seu braço – Não foi de verdade. Queria ver sua reação. Já que não está acostumado com isso. Nunca namorou e...

- Já namorei minha melhor amiga!

- Isso não é nada. – ela pensou – Eu matei uma gangue inteira, e um menino de seis anos. Ah, e já tive dois namorados, claro.

- Dois?

- Embora eu tenha matado eles... – ela continuou pensativa.

- Estou com medo de você... – Kevin engoliu em seco.

Os mentores riram.

- Gostamos de você, Skyller – ela comentou – E acho que Kevin é bem interessante mesmo. Tem cara de estudioso...

- Arg, odeio estudar! – ele exclamou. – Por isso mato as aulas de história! Quem quer saber o que houve com Panem?

Skyller riu sarcasticamente.

- Panem? A Panem de cento e oitenta e cinco anos? A Panem que governa o mundo inteiro, que conseguiu sobreviver todos esses anos? – ela exclamou – A mesma Panem que hoje está te mandando para a morte? Ah, por que ela seria importante?

- Skyller tem razão. A história de Panem é importante. – Winter disse, severamente.

- EI, não me dêem sermões. Meus pais já fizeram isso. “Você é culpado por ter essa má sorte”. “Você é tão ignorante assim?” “Olhe o que fez, sua mãe está chorando! Pirralho culpado”. Eles só sabem olhar pro próprio umbigo! – Kevin resmungou. – Eu aceito ser seu namorado, Skyller, mas com uma condição.

- Haha, e qual é? – ela entrou na onda.

- Que você me ensina a ser um assassino.

º º º

Skyller tirou a roupa e se deixou cair na cama. Estava cansada, exausta. Kevin estava em outro quarto, enfim. Não queria dividir a mesma cabine com ele... Ela colocou o pijama que estava sobre a cama e então se deitou debaixo dos cobertores. Quem a visse agora pensaria que ela era somente uma injustiçada, forte e destemida, menina com garra mas fraca, ao mesmo tempo.

Skyller não se entendia. Querer saber porque aquela aura negra e ao mesmo tempo rosa sobrevoava sua cabeça. Tinha sido tão doce com Kevin, e ao mesmo tempo tão fria. Era difícil entender-se. Imagine as outras pessoas! O que pensariam que dela? Que era uma louca bipolar, com certeza. Mas... E se tiverem razão... ? Skyller dormiu firmemente.

Não queria ter sonhos, porém um a assombrou. Ele veio de supetão, sem ser chamado. Era um sonho um tanto quanto diferente. Onde ela era o centro das atenções, onde seu sorriso doce era dado a todos, e onde seus pais adotivos estavam trancados numa masmorra. Onde a escola era os Jogos, e ela, a diretora.

Acordou com um sorriso maléfico grudado em sua face, porém teve de desfazê-lo, já que deveria ser sutil e gentil com todos. Assim iria levantar falsas idéias de sua vulnerabilidade. E a confiança dos outros, conseqüentemente. Skyller descobriu com o tempo que, quanto mais inofensivo, mais as pessoas confiam. E ela precisava da confiança. Kevin já havia confiado nela, principalmente agora que pensavam que eram “namorados”. Ele não iria tentar beijá-la, pois não sabia nem a hora certa de falar, e isso já era um indício de confiança. Skyller cerrou os punhos. Não deveria confiar em ninguém. Nem no boboca do Kevin. Os Jogos faziam as pessoas pensarem nas possibilidades. E formarem estratégias. Isso era automático, pois ninguém queria de fato morrer. Skyller estava decidida a vencer sozinha. Até não restar nenhum para contar história. E assim seria.

Notas finais
Skyller: http://24.media.tumblr.com/f5181b614baae58412b9a5c4806effac/tumblr_mq63htuVPN1sbp9kzo1_500.jpg
Kevin: http://ia.media-imdb.com/images/M/MV5BMTUyODI4NTEzN15BMl5BanBnXkFtZTcwMDEwNTg0Nw@@._V1._SX509_SY764_.jpg
Próximo é do Distrito 14.