Your Hunger Games V - Fanfic Interativa
9 Armas Brancas
Notas iniciais
Kido Mizashi
Kido estava já acordado, esperando a chegada de seus colegas de treino. O professor de hoje seria Ethan, que, na opinião dele, era o mais capacitado de todos os vitoriosos. Ethan preparava os alvos e trazia espadas, lanças, adagas, arcos e flechas de dentro do depósito. Mas Kido não queria treinar. Ele queria ficar vendo o filme dos Jogos. Havia algumas semanas que o pai tinha, finalmente, permitido que ele assistisse aos Jogos. E todos os dias na TV exclusiva da Capital para os Jogos era um ao diferente. E hoje iria passar o filme exclusivo dos Jogos que abriram oficialmente o Jogo da Sorte.
- Ei, Kido, me ajude com esse caixote – pediu Ethan, levando-o no ombro.
Kido se aproximou e pegou o caixote das mãos de Ethan, que foi para o outro lado. Era muito pesado, e Kido não era exatamente o garoto fortão, mas, com muito esforço, conseguiu levar até o depósito.
- Para quê são todas essas caixas? – ele perguntou.
- Para os treinos, é claro. Você sabe que somos nós quem dá o verdadeiro treino aos tributos antes de eles irem para a arena, e a Capital gosta de sempre nos deixar garantidos. São armas novas, vindas de lá. Algumas nem eu sei usar. A maioria não é arma branca.
- Isso é interessante – ele abriu um dos caixotes. – É bem maior que uma pistola.
- Sim, e bem mais preciso e mortal. – Ethan sorriu – Uma bala pode matar na hora, quando atirada no local certo. Tem visor para calcular distância e é aprova de fogo.
- Muito interessante mesmo. – ele deslizou a mão sobre a arma – E as balas?
- São de borracha. A Capital jamais forneceria balas de verdade. Eles sabem que a Revolta não foi totalmente excluída de nossas mentes. – Ethan suspirou – São uns idiotas. Se quiséssemos Revolta, já teríamos feito há muito tempo. Somos mais fortes que qualquer outro Distrito.
- Não se gabe tanto, nós somos fracassados, lembra?
- Fracassados? – Ethan ergueu a voz – Fracassados é o que a Capital tenta passar de nossa imagem! Eles sabem o perigo que nós podemos ser. Tentam nos agradar, demonstrando confiança e não permitindo nossos jovens nos Jogos, mas que merda isso irá resolver?
- Este ano eu faço dezoito – disse Kido. – Sou o mais velho da nova geração, não vi problema algum na minha adolescência. Por que se preocupa tanto?
- O problema não é a sua adolescência. O problema é a adolescência dos outros. Você acha que não somos invejados? Mas é claro que somos! Qualquer distrito daria tudo para conseguir a nossa liberdade. Até mesmo uma Revolta poderia ser feita a partir daí. Mas, é claro, seríamos massacrados.
- Os distritos?
- Não, os distritos iriam nos massacrar – respondeu Ethan, com cuidado – Pois eles nos vêem como aliados da Capital. O que não somos, em hipótese alguma.
- Mas se vierem contra nós e nós os ajudarmos na derrubada da Capital, talvez eles confiassem na gente.
- Eles confiariam se nós tivéssemos resgatado todos os Distritos na Revolta. Foi um fracasso, sim, mas nós saímos na vantagem. É o que eles pensam.
- Mas então por que a Revolta foi fracassada? Meu pai disse que éramos fortes e que Panem inteira estava lutando. Somos maiores que a Capital, então por que perdemos?
- Mortes. Nos Jogos morrem 23 jovens. Na Revolta morrem 30 vezes mais. – Ethan disse. – Se nos revoltássemos, não saberíamos quem por no comando. Se nos revoltássemos de verdade, iríamos matar a nós mesmos. O Conselho já sofria com muitas brigas entre seus membros, imagine toda a Panem discutindo quem deveria estar governando.
- Isso não é motivo. Mesmo que muitos morressem, as novas gerações não iriam sofrer com os Jogos.
- Kido, você ainda é uma mente muito imatura... – ele pressionou as têmporas – Não restaria ninguém vivo.
O garoto o encarou, e então riu.
- Não foi isso que aconteceu na hipótese de Suzanne.
- Suzie era sonhadora. A Capital não vai ficar de braços cruzados enquanto os Distrito se revoltam. E o Distrito 13 é tão pobre que a cada dia uma pessoa morre de fome lá. A Capital quase matou você e sua mãe.
- Eu sei. – Kido deu de ombros – Ela morreu, de um jeito ou de outro.
- Você é muito frio, hein. – Ethan disse, sarcástico – Quando minha mãe morreu, e eu tinha trinta e cinco anos, eu chorei muito.
- Eu não conheci minha mãe, não me importo com isso. Como posso ter saudade ou me sentir triste por uma pessoa que eu nem conheci.
- Realmente frio. – Ethan murmurou – Não continue assim.
- Não consigo ter sentimentos, você sabe. – Kido revirou os olhos – Olhe, não quero falar disso, é muito chato. E, afinal, essas meninas não vêm logo, não?
- Que meninas – Esmeralda pigarreou.
- Ah! Até que enfim. – Ethan sorriu – Olá, queridinha.
- Oi, Ethan.
- Onde está Lua e América? – Kido perguntou.
- Lua está com catapora. América está ajudando a avó.
Kido sorriu.
- Bom dia, Tesouro.
- Meu nome é Esmeralda, não tesouro. – ela revirou os olhos.
- Para você é o baú inteiro.
- Ah, pare de ser galanteador – ela riu, corada.
Ethan suspirou. Jovens...
- Venham. O que vocês viram aula passada?
- A Tia Nath mostrou como atirar um tridente. – sorriu Esmeralda. – E, claro, eu me sai muito bem.
- Uhm, legal. – Ethan comentou – Vou então passar a lição de facas para vocês. Já treinaram com as novas?
- Ainda não. – Esmeralda sorriu – Quero ter o gostinho de tocar nelas.
Ethan abriu o caixote que continha facas, todas afiadíssimas e com cabos preto e prateado. Kido não se interessou muito, final não fazia seu estilo aquele tipo de arma. Já Esmeralda ficou muito animada. Ethan pegou quatro e deu duas para cada um. Uma de tamanho 7, outra de tamanho 3.
- Eu já vi muitos atirados, mas o melhor vivo até hoje sou eu. Então prestem atenção, pois ninguém ensinará a modalidade melhor do que eu.
Esmeralda cutucou a costela de Kido.
- Ele se acha demais, não?
- Só está falando a verdade. – respondeu, indiferente.
Ethan acertou o alvo, estando trinta metros longe. Não tinha sido seu melhor lançamento, porém foi bom o bastante para tirar o ar dos pulmões de Esmeralda. Ela queria ser a melhor atiradora, tinha que ser. Treinava sua mira com arco e flecha todos os dias, junto com o pai.
- E então?
- Maravilhoso! Posso tentar? – perguntou.
- Claro. – Ethan lhe deu espaço – Vá mais para frente. Isso ai está bom. Pode atirar.
Esmeralda se preparou e jogou a faca, porém ela deu um giro no ar e caiu no chão, sem nem mesmo chegar perto do alvo.
- Coloque um pouco mais de força – Ethan aconselhou.
E assim foi a tarde inteira. Kido, não muito interessado naquilo, somente observou os erros e acertos de Esmeralda. Quando era o final da tarde, ela finalmente acertou o centro do alvo, dando um pulo e gritando para Ethan que havia acertado.
- Sim, acertou. Mas em uma luta você não era tempo para calcular por isso você tem de treinar seus reflexos, mas isso deixamos para a próxima aula. Nossa que fome, vou comer alguma coisa – e deu as costas, sem se importar com os alunos. – A aula acabou.
Kido suspirou.
- Você não tentou nenhuma vez. – Esmeralda disse.
Kido revirou os olhos, suspirando novamente. Com a faca virada na direção de seu punho, ele segurou o cabo com os dedos, e flexionando o braço e o soltando rapidamente fez a faca voar reto em direção ao alvo, que era o pescoço da vitima.
- Uau! Você é muito bom. – Esmeralda sorriu. – Deve ter treinado muito!
- Não. – ele disse, sem se importar com o elogio. – Eu não treinei nunca para isso, é perca de tempo. Quem é que mata com uma faca? Em lutas as facas são péssimas escolhas.
- Não acho. Meu pai disse que venceu os Jogos com facas, e ele era muito bom.
- Meu pai usou um arco – Kido riu – E adivinhe, no final teve de lutar com uma espada, pois não conseguiria com as flechas. Essas armas, facas, adagas, arcos... São idiotas. Toscas. A pior é a zarabatana.
Esmeralda deu de ombros. Compartilhavam idéias bem diferentes.
- Eu é que não acho graça em espadas e lanças.
- Não me importo com sua opinião – Kido colocou a sua faca em cima do caixote. – Pouco irá mudar a minha vida.
E virou as costas.
- Ei, espere, você não quer ver as estrelas hoje?
Ele pensou.
- Nós não fomos ontem – continuou Esmeralda. – Nem antes de ontem.
- Não estou com humor para ver estrelinhas. – Kido respondeu, frio.
- Não me importo com sua opinião. Às oito horas, no morro. Leve cobertor e se possível alguma comida rápida.
Kido sorriu.
- Certo, te encontro lá.
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