Your Hunger Games IV - Fanfic Interativa
12 Gomes vs. Mizashi
Notas iniciais
Conselho
Enquanto André rolava a caneta pela mesa, muito “entusiasmado”, Giulia se escorava nele, com o rosto em suas costas e os braços em sua perna. Caio estava inquieto, em sua nova forma, com o corpo, ainda era difícil manipular tudo, porém ele era visivelmente humano. Os órgãos e até o sangue correndo por dentro dele estavam lá para dar a “impressão” de que ele era uma pessoa completa, não somente uma alma. Enquanto o filho não chegava logo com a vadia da esposa, Travis estava conversando desanimadamente com Maju, que queria falar da família. Quando as portas se abriram e o casal estava lá, todos, todos mesmo, se endireitaram nas cadeiras da mesa do Conselho e fingiram estar muito entretidos.
- Oi, desculpe o atraso. – Denis entrou, se sentando em sua cadeira de costume – Estávamos esperando a mensagem de um amigo.
- Oh, tudo bem! Nós nem notamos o atraso! – Giulia sorriu simpaticamente. – Vocês nem fazem tanta falta assim.
- Arg... – Denis se engasgou. – Não fazemos? Que bom! Isso nos leva a um assunto que a Meell gostaria de falar!
- Eu? Mas a gente combinou que você ia... Ah, sim. Certo – ela notou todos os olhares sobre si. – Pois bem... Nósqueremosférias! Oba, todo mundo feliz, todo mundo concorda, então, vamos Denis...
- Ei, espere. – Travis ergueu a mão – Você disse “Nós queremos férias” – ele fez aspas com os dedos.
- S-Sim. – Mellyne se encolheu. Como a voz daquele homem era grossa!
- É sério isso? É piadinha, né? – Travis sorriu – Quer dizer, seria loucura vocês virem aqui, com a maior cara de pau, pedir pra sair do Conselho e largar a gente pra cuidar do bebê.
- É exatamente isso... – Denis, que conhecia o pai muito bem, sempre dizia “cão que ladra não morde”, pois seu pai não “mordia”. – Nós dois queremos um tempo para cuidar da nossa família. Sei que é meio em cima da hora, mas eu não me sinto seguro.
- Você estará mais seguro aqui, com o Conselho e os guardas-Avox do que no meio do mato.
- Nós pretendemos ficar na casa de um amigo. – Denis disse – Em um lugar onde a Capital não suspeita de nada.
- E onde é isso? – André quis saber. – Pelo que eu saiba vocês não tem muitos amigos além das pessoas da Revolta e o...
- Sim. Exatamente ele.
- Vocês vão ir pro Distrito 1?
- Sim. – concordou Mellyne com um aceno de cabeça. – O Prefeito nos adora.
- Mas é um lugar muito vulnerável! – Travis disparou, num tom muito pouco usado por ele: Preocupação. – Nós estamos no Distrito 3, e mesmo assim corremos perigo.
- Pai... – o tom de Denis era ainda mais incomum: Ternura. – Sei que o senhor nunca irá concordar com isso. – Mas eu quero e vou ir para a casa de mamãe, lá ela saberá o que fazer com a Mellyne, e o bebê. Você sabe o que eu quero dizer. Afinal, eu não era muito velho quando vocês começaram a Revolta. Eu tinha um ano, lembra. Ia completar um ano certinho quando a bomba atingiu o esconderijo no subsolo e matou o pai da Meell. Afinal: Você corria o mesmo perigo que ele.
- Não me compare com aquele verme inútil, imprestável, nojento e cheio de... – Travis olhou em volta. – Desculpe. Resumindo: Não me humilhe.
Denis olhou disfarçadamente para a esposa. Ele sabia que se fosse qualquer outra pessoa Meell já estaria pulando no pescoço, mas como era Travis... Ela nunca pensaria em erguer um dedo sequer. Às vezes ele gostaria de ser autoritário, talvez eles não brigassem tanto, assim.
- Eu... Concordo – Caio abaixou a voz a cada palavra – Não iria agüentar ver meus filhos correndo perigo no meio da Revolta. E é ainda mais perigoso, pois ela está grávida. Se morrer ela, morre o bebê. Serão duas vidas em vez de uma só.
- Bem... O que eu posso dizer? – Giulia deu de ombros – Se eu estivesse grávida também iria desistir da Revolta, nem pensaria em colocar em risco o meu filho.
- Neste ponto de vista eu também acho certo – André colocou o braço sobre os ombros de Giu – Eu me mataria se o meu filho morresse na barriga da Giulia...
Giulia o encarou e então o beijou rapidamente, tentando ser discreta, porém todos do Conselho viram.
- Mesmo que eu não concorde, a maioria já ganhou – Maju disse. – Mas eu voto em sim. Por que... Também estou desistindo. – ela disse – Estava querendo achar um momento para falar isso.
- E por que está decisão? – Travis perguntou.
- Há muito tempo, eu tive de me separar de um grande amor meu. – ela contou – Ele era mentor, e seu tributo venceu, o que o tirou do meio dos mentores e colocou o jovem rapaz no lugar. Túlio era seu nome. Ele era do Distrito 10. Agora eu tenho a chance de sair do 3 e ir ver ele... Não vejo utilidade para mim aqui.
- Você é muito útil, Maju – André tentou impedi-la, porém isso só fortaleceu a decisão da garota.
- A Maria é cabeça dura. Teimosa. – Giulia disse – Se ela tomou essa decisão, ninguém irá tirar de sua cabeça.
- Certo. Então estamos perdendo 3 membros do Conselho em uma reunião somente? E na próxima, quantos sairão? – Travis disparou, com sua voz grossa e os olhos de predador. Ele havia ganho os Jogos com muito destaque, já que fora o único na história a matar todos os outros tributos e também por ter sido o menor tempo de Jogos, apenas dois dias. Isso o deixou conhecido por ser “temperamental, explosivo e impiedoso”, porém assim que se casou e pegou o bebê careca e magricela nos braços, sua carranca foi embora, e um coração mole apareceu. Não conseguia dizer não á Denis mesmo que fosse preciso. Ele sempre fora mimado pelo pai e pela mãe, até chegar na adolescência, quando se tornou rebelde e mimado demais, e só demorou alguns dias para Travis perceber que aquele menino merecia boas palmadas.
- Pai, não estou aqui para pedir permissão, estou aqui para avisar ao senhor de que meu envolvimento com o Conselho está encerrado. – Denis se levantou – Vou arrumar minhas malas e ir para a sua casa na Aldeia dos Vitoriosos, se caso precisar de algo, já sabe onde me encontrar. Passar bem.
º º º
Família Mizashi e Gomes
Lembra dessa casa? Ah, sim, eu lembro...
- Ela era a mais bonita da Aldeia. – Denis sorriu, orgulhoso – E eu que comprei ela.
- Bem... – Mellyne concordou – Eu era apaixonada por essa casa desde quando era uma menininha. Ela parecia uma casinha de bonecas muito arrumadinha porém sem bonecas e abandonada.
- Eu fiz uma ótima reforma nela! – Denis, ainda orgulhoso, observava o que havia feito com as próprias mãos.
- Pode-se dizer que você só está comigo hoje por causa dessa casa.
- O quê? – ele se virou, curioso.
- Bem... No bar eu só aceitei a sua cantada por causa da casa...
- Não acredito!
Flashback
Ela, Gomes, estava andando pela rua, quando viu a amiga acenar divertidamente. Natália estava de braços dados com o namorado. As duas se cumprimentaram animadamente e entraram no bar do Distrito 1. Se sentaram na mesa mais distante do lugar da porta. Se o pai de Natália a visse num bar... Ela estaria morta. Sorte que Mellyne não tinha este problema, já que o pai não estava mais lá...
- Me vê uma cerveja – o namorado de Natália pediu – E uma água com gás para a gatinha aqui. Quer alguma coisa? – perguntou a Meell.
- Hum, não. Não sou muito de beber...
- Ora, pegue algo, aproveite que é por minha conta.
- Um ice drink, então... – ela disse – De limão.
- Ok. – a garçonete foi ao balcão e logo voltou com as bebidas.
Do outro lado do bar Mizashi e Borges estavam sentados nas cadeiras do balcão, Mizashi tentando reerguer seu namoro com a garçonete. Borges estava olhando para ele, quase rindo.
- Cara, esquece a Lidiane... – ele sugeriu. – Você pega coisa melhor.
Denis suspirou e assentiu, desistindo de vez.
- Certo. Quem está na mira agora? – Borges o cutucou no ombro.
- Acho que vou experimentar alguma coisa mais “experiente”. – ele indicou Natália.
- E aquele cara?
- Ta tentando ela também. – Mizashi sorriu. – Mas eu sou melhor.
- Hum... – Borges observou – Ele foi pro banheiro. Que tal agirmos agora? Ela tem aquela amiguinha.
- Há-há! – Denis riu – Aquela que você beijou?
- É... Valeu apena apanhar depois... – Borges esticou as pernas
- Valeu você apanhar mesmo.
- Por quê?
- Ela tava de saia, cara! – Mizashi sorriu abertamente.
- É, talvez tenha valido muito mais para você... – Borges suspirou – Vamos, eu vou falar com a amiguinha e você fala com a Nath.
- Ah, voltou a ser o burrinho apaixonado? – Denis passou o braço pelos ombros do companheiro. – Vai amarrar seu bode nesse quintal, mesmo?
- Ei, sai pra lá! Meus dias de “burrinho apaixonado” terminaram bem quando eu deixei de gostar dela. – Borges ajeitou a camiseta – Mas isso não me impede de tentar alguma coisa.
- Bem... Um chute no seu saco pode te impedir. – Mizashi riu e caminhou calmamente até a mesa das meninas.
“Só faltam essas na minha lista”, ele pensou.
Namorador? Atrevido? Idiota? Oh, quem poderia ser? Natália puxou o braço da amiga fortemente, enquanto sussurrava em seu ouvido.
- Garota, olha quem ta vindo aqui...
- Hum... Ah, o Mizashi. Fala sério. Ele não se cansa?
- Acho que não... E... Oh, céus, o Borges...
- Oba! Vou dar um chute nas bolas dele, de novo. – Meell sorriu.
- Mas e se o meu namorado chegar? O que eu faço? – Natália parecia suplicar por ajuda.
- Bem, diz pra ele que esses dois estão nos incomodando. O seu namorado é fortão.
- Tudo bem. – Natália colocou uma mecha para trás das orelhas. Nem parecia ter vinte e seis anos.
- Olá, como vão as lindas? – Mizashi sentou no lugar do namorado de Natália.
- Bem, e você. – Gomes respondeu pela amiga, que estava muito apavorada. Não era à toa que Natália só havia conseguido um namorado agora.
- Estou ótimo. E ai, Natália, não a vejo muito em lugares como este, que não merecem sua divina presença...
Borges se arriou na cadeira ao lado de Gomes. Oh, quem poderia ser? Um burrito apaixonado... Mellyne forçou um sorriso para ele, porém ficava de olho na porta do banheiro, esperando ansiosamente o momento em que o namorado de Natália iria voltar.
- E a senhorita, está sozinha?
- Não está vendo a minha amiga aqui do lado? – Meell indicou – Não, eu não estou sozinha.
- Oh, que pena... Adoraria te pagar uma ou duas cervejas.
- Eu odeio cerveja. – Gomes revirou os olhos. – Só tomo vinho e ice drink!
- Oba, eu adoro vinho... – Borges chegou mais perto com a cadeira – Que tal você ir lá em casa, a gente pode pegar algum vinho velho da adega do meu pai...
- Você nem tem uma casa! – Gomes o fuzilou – Não teve nem coragem de se voluntariar para os Jogos. Você realmente espera que eu vá te dar uma chance? Você realmente está pensando que eu serei idiota de ir pra sua casa atrás de “vinha da adega do seu pai”?
Borges sorriu.
- Adoro mulheres difíceis...
- Ora, idiota, não se conteve com o beijo que me roubou?
- Não, eu quero mais. – ele se aproximou, o hálito fedendo a alho.
- Sai daqui, coisa ruim! – Gomes tentou escapar para perto de Natália, que estava sendo assediada por Mizashi.
Homens! Por que não eram todos como Rodrigo? Ele era calmo, zeloso e melancólico... Um ótimo futuro marido. Natália tinha muita sorte de ter conseguido fisgar este peixe, agora estava com um peso morto nas costas, enquanto ele ao saía do banheiro logo. Se Mellyne tivesse uma adaga ou uma faca, que seja, iria conseguir se defender. Borges era o melhor do Distrito em luta corporal, e já havia ganho dela uma vez. E Mizashi era o melhor em arco e flecha, o que não o qualificava para se defender agora, já que não havia arco e nem aljava por perto. Gome estava quase pronta para pegar a faca da mesa, quando sentiu um arrepio lhe subir, e as pernas se cruzarem rapidamente.
- Seu idiota, tire as mãos daí! – ela socou-lhe o nariz, porém foi em vão, já que, como eu informei, Borges era ótimo em lutas corporais.
- Vamos, vadiazinha, eu sei que você quer... – ele tentou novamente.
- EI, cara, não é assim que se chega numa garota – Mizashi disse.
- Cala a sua boca, eu sei que faço. As mulheres de hoje não gostam mais de cantadas, e sim de ação.
- Borges, por favor, não me faça passar vergonha... – Denis se levantou da cadeira, indo em direção ao amigo.
- Tire esse idiota daqui! – Gomes tentava arrastar a cadeira até Natália, que agora estava nos braços de Rodrigo.
Denis colocou a mão sobre o ombro de Borges.
- Ei, Felippe, por favor, cara... Esquece, vai...
- Cale a sua boca, idiota, você é quem deveria estar arrastando ela pra cama, afinal, ela é filha do Klaudios.
- Olhe, camarada, os assuntos entre ela e a família dela só interessam ao meu pai. E, cá entre nós, ele não ficaria muito feliz em saber que um homem como eu estaria num caso com uma garotinha como ela. Venha, vamos – Mizashi segurou firme o ombro de Borges, afastando-o.
- Pensei que fosse meu amigo – Borges se virou tão rápido quando a luz, e socou o nariz de Denis, fazendo instantaneamente o sangue jorrar como uma cascata de vampiros.
Todos no bar voltaram suas atenções para a briga que agora estava começando. As mesas foram tiradas do caminho, as mulheres foram afastadas pelos “cavalheiros” do bar, e o homem que comandava a sinuca usou o quadro de placar para a notar os nomes de Denis e Felippe para fazer o placar.
- Vamos, apostas! – o dono do bar gritava. – Quem ganhar fica com a mocinha aqui! – ele ergueu a mão de Mellyne.
- O que? Tá me dando como troféu?! Seu idiota filho de uma figa!
- Ela braba! – riu a garçonete. – Venha, querida, isso não é lugar para mulheres... Você pode levar uma voadora...
- Eu sei me defender! E ninguém vai brigar aqui! Afinal, tudo foi um mal entendido.
Borges a encarou.
- Eu vou amassar a cara desse muleque, e quando terminar vou te amassar e te matar, e vou te estuprar, também, e enfiar você dentro do túmulo dos seus pais, onde você deveria estar quando nasceu!
- Não ouse falar dos meus pais!
Denis aproveitou a distração para dar um socar por baixo o queixo de Felippe. Borges caiu no chão, pronto para matar Mizashi com as próprias mãos. Enquanto os dois rolavam (Borges por cima e Mizashi por baixo) Gomes cruzou os braços, esperando eles desistirem. Quando Borges finalmente desistiu, o rosto de Denis já era uma mancha deformada de sangue puro e vermelho. Isso era bonito, refletiu Mellyne. O sangue era uma mistura interessante em contraste de pele e cabelos...
- Só não te mato pois ainda considero a nossa amizade. – Borges empurrou seu prêmio. – E nem quero mais saber de você. Já me causou muito problema.
- Ah, ótimo. Já vai tarde! – ela revirou os olhos.
Natália se ajoelhou do lado de Denis, limpando seu rosto com alguns panos sujos do que parecia carvão.
- Você só o está sujando mais... – Gomes revirou os olhos.
- Pelo menos eu estou tentando ajudar! – Polônia revidou.
Meell revirou os olhos. Foi até a pia do banheiro e pegou um dos copos de se tomar Milk-shake, o encheu e voltou para onde Denis estava caído. Derramou o copo em seu rosto, fazendo a mascara de sangue e carvão saírem de seu rosto.
- Ai! Vadia, entrou no meu olho... – ele se sentou rapidamente.
- Ta reclamando do que? Pelo menos eu fiz alguma coisa! – ela sorriu.
- Leve ele pra sua casa. – Rodrigo disse.
- O quê? Leve ele pra sua! – revidou Gomes, ofendida.
- Ei, ei, eu moro com meus irmãos!
- E eu com meus pais, que odiariam ter um garoto sangrando pra cuidar. – Natália deu de ombros.
- O que? – ela encarou a amiga – Vocês estão de esqueminha juntos, não? Vocês estão falando isso de propósito!
- Ei, ele apanhou por sua causa, nada mais justo que você fazer um jantar pra ele...
- Eu sou péssima na cozinha. Desde que não querem que ele morra comendo...
Mizashi se levantou, cambaleante, se apoiou no balcão e sorriu.
- Eu vencia ele fácil...
- Ah, claro – Gomes o cutucou no ombro – Então você queria paquerar a minha amiga?
- O que? Ah, bem, eu não sabia do namorado dela... – ele olhou de relance para Rodrigo.
Natália se aninhou em Rodrigo. Denis suspirou, seguindo Gomes. Que merda, se seu pai ficasse sabendo que ele havia perdido uma briga e estivesse na casa da Gomes seria seu fim. Tentou esquecer isso, afinal talvez conseguisse alguma coisa com isso. Embora ele mal quisesse olhar para ela, Meell era a única da lista que ainda não tinha sido excluída nem riscada. Certo, ele pensou, já estou sem uma namorada a duas semanas, casos extremos pedem medidas extremas...
- Pare ai. – ele pediu – Se eu vou ter uma intoxicação alimentar que seja pelo menos com comida boa. Vem, pra minha casa.
- Não sou sua cachorrinha. – ela colocou as mãos na cintura.
- Por favor, não quero arriscar ser visto na sua casa...
Ela ergueu uma sobrancelha.
- Está com medo de estragar sua reputação?
- Minha reputação é inabalável, porém minha relação com meu pai...
“Será que vai ser naquela casa?” Gomes pensou. Será que valia a pena? Somente ver como era a casa por dentro... Talvez... Ela suspirou.
- Tudo bem. Mas se você sair contando que foi um encontro eu corto suas tripas e tempero para o meu gato!
- Seu gato é carnívoro? – Denis sorriu animadamente.
- Sim. Eu o chamo de Murf.
- Murf? Isso é nome pra gato carnívoro?
- Quando era menorzinho, caiu numa lata de tinta e ficou todo azul, então meu irmão o chamou de Smurf, e assim ficou.
Ele assentiu, colocando as mãos no bolso e sentindo a leve chuva começar a cair. Era uma garoa, porém o céu estava negro, e isso queria dizer que iria chover mais. Ele tratou de apertar o passo, vendo que Gomes também fez o mesmo. Ainda não tinham passado pelos portões da Vila dos Vitoriosos, e essa seria a parte mais complicada. Se ele conseguisse ficar mais de 5 metros de distancia dela, talvez ninguém percebesse que estavam juntos. Ele começou a correr devagar, enquanto olhava de relance para ela. A jaqueta já estava encharcada.
De repente, ele viu uma bomba ser atirada na lama. Ah, não era uma bomba, era a Gomes que tinha caído. Ele, enquanto ria, voltou e a ajudou alevantar.
- Imprestável... – ela o ofendeu.
- Que foi? Só estou rindo... Pelo menos fiz alguma coisa, certo?
Ela sorriu e cruzou os braços, limpando-os com as mãos tremendo. Denis revirou os olhos. Fazer ou não fazer, eis a questão. A jaqueta era nova, e estava limpa, além da chuva. E ela estava cheia de lama e... Arg! Se xingou mentalmente enquanto oferecia a jaqueta para ela. Ela aceitou, para sua surpresa e decepção. Denis acenou para o porteiro e ele os reconheceu, fez um positivo com a mão e abriu os portões. Ele passou rapidamente, puxando a Gomes pelo pulso, levando-a para as portas do fundo da casa. Ela estava sujando o jardim de lama... Mas então ele parou e percebeu: Também estava sujando o jardim com a lama de seus sapatos. Deu de ombros e fez uma nota mental para chamar o jardineiro depois.
Abriu a porta dos fundos com as chaves, tirou os sapatos e entrou andando rapidamente para o banheiro, onde, atrás da porta, tinha um “segundo guarda-roupas”. Ele trocou as roupas molhadas pelas secas e semi-sujas, preservando somente a cueca, e levou uma toalha para a Gomes, que o esperava na varanda, olhando a chuva. De repente um clarão o cegou, e ele segurou firmemente no pilar que sustentava o telhado da varanda.
- Você não tem medo disso? – ele perguntou, entregando a toalha, ainda sentindo a eletricidade percorrer sua espinha.
- Não. Na verdade as tempestades são românticas, não? – ela riu.
- Pois é... não. — Denis piscou, um pouco indiferente. — Sabe, dá para escrever uma ou duas poesias, mas...
A Gomes riu. — Você tem medo de tempestades? — Ergueu uma sobrancelha, desdenhosa, fazendo o outro desviar o olhar.
— Er... não estou muito acostumado, pois é... — Ele coçou a nuca, um pouco corado. — Sabe, minha casa tem isolamento acústico e... — Olhou em volta — Mas a sua casa é bem bonita... isso sim... e bem mais limpa — Suspirei — A minha seria um atestado de Óbito para alguém alérgico. — Disse, se largado ao sofá, mais para dentro da casa — Uhm... — Se mexeu, sem jeito.
— Você disse que escreve poesia? — A Gomes riu, interessada.
- Ah, sim, poesia... — ele pegou o controle na mesa de centro — Mas eu não costumo mostrar para pessoas.
- Então para quem você mostra?
- Para mim, talvez... — ele ligou a TV — veja um pouco de TV, vou dar uma checada no meu nariz, ele dói muito...
- Tudo bem. — ela deu de ombros e mudou até um canal que a interessasse.
Denis foi até o banheiro, percebendo que seu nariz estava bem inchado, havia um talho em cima da sobrancelha e um corte na parte interior do lábio. Ele lavou o rosto, que ainda tinha alguns vestígios de sangue, cuidando para não passar álcool demais.
- Vem cá! — ela gritou do sofá. — Aatim!
- Hei, eu disse que tinha poeira... Você é alérgica?
- Não.
- Então por que espirrou?
- Acho que estou gripada...
- Oh, quer um cobertor?
- Mas é claro que não! Está pensando que vou deixar você cuidar de mim?
- Não, claro que não. Eu também não seria idiota. — ele revirou os olhos — Certo, por que me chamou?
- Ahn, olhe a TV, estão escolhendo os 10 melhores Tributos de todos os tempos. E advinha quem é a número 3?
- Natália.
- Sim.
- E a dois é você — ele revirou os olhos — Só porque foi a mais nova a vencer...
- E o número um é o... Arg!
- Meu pai. — Denis sorriu, orgulhoso — Claro que é ele, afinal ele é demais! Matou todos os tributos em apenas dois dias!
- Grande merda.
º º º
- Ta tendo flashback de novo, Meell?
- Ah, o que? – ela se virou.
Denis sorriu e se endireitou.
- Acho que já sabem da nossa chegada – ele apontou para Juliana. – Oi, pequenina.
Denis bagunçou os cabelos de Juliana.
- Oi! – ela sorriu – Eu trouxe o Smurf! E a Emanuella.
- Oh, que coisa mais linda! – Meell pegou Emanuella no colo – E onde está seu pai?
- Na guerra! Eles conseguiram dominar a norte da Capital!
- Oh, que boa notícia! – Mellyne sorriu e abraçou a sobrinha. – E onde está sua mãe?
- Na lavanderia! – ela disse, empolgada. – Ela vai pra guerra, já que é a única professora de armas qualificada aqui do Distrito. A melhor e mais inteligente. Você sabe...
- Sim, sei. – Meell a cutucou – Então eu vou ficar com vocês, aposto.
- Sim, e eu quero fazer muitas coisas com você, Tia Meell! Vamos pintar as unhas, depois ver filmes de comédia romântica e falar de garotos!
- Ah, claro, claro. Isso se a Manu não resolver usar a fralda... – ela sorriu – Vamos pra minha casa, vou fazer pipoca pra você, meu docinho.
- Eba! – Juliana saiu correndo em direção a casa de sua tia.
- Bem. – Denis pegou Emanuella do colo de Mellyne – Não vejo essa bebêzinha desde quando ela ainda estava na barriga na mãe!
- Venha, Murf, tem pipoca pra você também...
Notas finais
Emanuella: https://fbcdn-sphotos-c-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/993073_512054715538448_884804030_n.jpg
Smurf: http://www.papeldeparede.fotosdahora.com.br/wallpaper/02Animais//gato_branco_m.gif
Casa:http://www.fotosgratis.fot.br/img/flores/foto-flores-Fotos-Gratis---Casa-clA-ssica-com-jardim-de-flores-649185.jpg
Juliana & Smurf: https://fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/993620_364403487021337_489412641_n.png
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