Your Hunger Games IV - Fanfic Interativa
14 Câmara Secreta
Notas iniciais
Bianca S. Rosa
Bianca uniu as mãos e soprou sobre elas o ar úmido e quente de sua boca. Ela e toda a turma estavam andando há alguns minutos já pelo labirinto de tumbas. Ela sabia que logo chegariam a Câmara Secreta, que era o lugar onde deveriam ficar até o final. Ela lamentava ter de vir para o labirinto todos os dias de agora em diante, porém estaria na companhia do guarda-costas e de D. Saturn, alguém que despertava uma rara curiosidade sobre ela. Bianca sabia que deveria ser bem cuidadosa. Se Rosely suspeitasse de algo, sua cabeça iria voar. Papai nunca gostara de suas maluquices com computadores e jogos. Mas o que ela podia fazer? Afinal não havia nascido para a luta, mas sim para a tecnologia. E sentia que poderia compartilhar isso com D. Saturn.
- Chegamos – anunciou sussurrando – O frio é castigante, porém vocês irão ficar muito mais seguros aqui embaixo do que em qualquer outro lugar. Logan irá passar as noites com vocês, para que possam dormir em segurança. Eu passarei os dias, para que não se percam no labirinto. Se quiserem qualquer coisa é só chamar. – Ela se virou e então deu um celular para Saturn – Me ligue se tiver alguma urgência. A porta do labirinto só se abre por fora, então não hesite em me ligar.
- Eu irei lembrar. Mas qual seu número?
- Está programado. Quando você apertar a tecla de chamada, automaticamente irá ligar para o meu número. – ela mostrou.
- Isso é realmente interessante. Sabe de que marca é esse celular?
- Na verdade ele é de várias marcas – ela sorriu, cautelosa – Desmontei meus celulares antigos e criei este. Eu mesma fiz todos os aplicativos... Se quiser depois ver, eu posso te mostrar.
- Ficaria honrado. – ele sorriu – Então, Kyioh, você também gosta de criar coisas.
- Sim. E não é de família. – ela riu, corada.
- Bom, tenho certeza que seríamos uma bela dupla. – ele segurou suas mãos e então a abraçou.
Bianca ficou em estátua. Estava assustada demais. Seus olhos pretos quase saltando para fora dos olhos. O peito de D. era quente e acolhedor, e ela mal conseguia preencher o lugar com seus seios, que não eram lá muito dela, já que 60% deles era o sutiã. Ela sentiu algo úmido em sua bochecha, até perceber que ele a estava dando um beijo.
- Obrigado por toda a ajuda, de verdade. – ele disse olhando dentro de seus olhos – Muito obrigado, Bianca.
- T-Tudo bem. – ela respondeu, ainda meio em choque. – Eu adoro ajudar! Claro, ajudar é o meu lema, ér... Você... Precisa de algo?
- Cobertores quentes seriam bons – D. Saturn olhou para Darin e Bolina – E vocês, querem algo?
- Nadica. – Bolina estava de mãos dadas com Darin.
- Eu também não faço questão de nada. Nós não sentimos frio ou calor. – Darin disse.
- Certo, então só os cobertores. Logan, poderia ir buscá-los, por favor? Espere! Logan? O que você está fazendo aqui?
- Estou acompanhando a senhora, senhora Bianca. – Logan disse.
- M-Mas... A porta! LOGAN! A porta! Ela só abre por fora! Você tinha de ter ficado do lado de fora! Como iremos sair agora? – Bianca entrou em desespero. Uma vez ela já havia ficado presa dentro do labirinto de tumbas, e somente cinco dias depois a encontraram quase morta, comendo os restos de decomposição de seus antepassados.
- M-Minha senhora, me perdoe, eu não tinha pensado nisso! – Logan correu pelo corredor e virou a direita.
- Meu Deus, o que faremos agora? Morreremos, com certeza! Ninguém mais sabe que estamos aqui...
- Espere, tenho certeza de que há um jeito de sair daqui. Não existe somente uma saída – D. Saturn colocou uma mão pesada em seu ombro. – vamos procurá-la. Você conhece realmente todo o labirinto?
- Para falar a verdade... Só conheço até a metade, onde é a Câmara Secreta, onde estamos agora, o resto eu fui proibida de desvendar com meus irmãos...
- E seus irmãos, eles não podem ajudar?
- Não! Meu irmão mais velho é um terror, e minha irmã está vidrada em conseguir deixar meu pai com orgulho... Eles... Se eles soubesse que estou tentando ajudar um traidor da Capital... Eles me matariam, com toda a certeza. Iriam entregar vocês ao meu pai, e iriam torturá-los. Depois seríamos mostrados em praça pública, como traidores... Oh! É isso que eu sou agora, não? Uma traidora...
- Você costuma falar demais quando está nervosa – D. Saturn notou – E isso geralmente me irrita.
- Oh, perdão, Dimitry...
- Eu também odeio quando me chamam pelo nome. É D. Saturn, ok?
- Tudo bem. – ela ficou avermelhada, porém a escuridão permitiu que ninguém visse. – Então... Enquanto o Logan não volta... O que faremos? E se for perigoso ir para o outro lado do labirinto?
- Vocês trouxeram algum alimento? Água? – Darin perguntou. – Essa era uma das principais coisas na arena. Água e comida. Também tínhamos de achar lugares o mais possivelmente iluminados, pois não tínhamos Sol.
- A Arena era projetada para não trazer Sol, porém vocês não sofriam tanto por isso. – D. Saturn disse – Mas aqui é a vida real. Se não tivermos acesso á Sol, água e comida, se ficarmos expostos ao frio e se não respirarmos ar puro... Iremos morrer em poucos dias.
- Eu consegui ficar viva por cinco dias. – Bianca contou – Uma vez fiquei trancada com meus irmãos aqui embaixo, e meu irmão mais velho teve a idéia de usar os cadáveres ainda em decomposição como alimento. Nós também nos cortamos, para beber sangue e fingir que era água. E dormíamos abraçados, para nos proteger do frio.
- Hum... – D. pensou – Seu irmão não era muito esperto em relação a sobrevivência. Num lugar como este, muito pouco higiênico, é impossível não encontrar ratos ou ratazanas em qualquer esquina.
- Não tínhamos fogo. Não tínhamos pedras para raspar uma na outra, nem gravetos. – Bianca o encarou – Você comeria tudo... Crú?
- Vocês comeram órgãos em decomposição, então eu não vejo problema em comer um rato no espeto...
Bianca cruzou os braços. Darin soltou uma risada fraca, se deitando no chão e puxando as pernas de Bolina para servirem como travesseiro. Bianca olhou para aquilo... Nenhum garoto nunca quis se aproximar dela... Ninguém nunca lhe mandou uma carta de amor, ou um bilhetinho anônimo no dia dos namorados. Na escola todos fugiam dela, pois ela era a “Filha do Snow”. A Víbora, como muitos a chamavam. Nem ao menos a conheciam, e já a comparavam ao pai. Pessoas horríveis, na opinião dela. Bianca sorriu, enquanto observava Bolina massagear os cabelos de Darin com doçura.
- Quer fazer isso em mim? – D. Saturn a tirou de seus devaneios.
— Ah, não, claro que não. – ela virou para o outro lado. – Onde será que o Logan está...
- Acalme-se, tudo vai acabar bem. – Saturn colocou novamente suas mãos pesadas sobre seus ombros. – Afinal é isso o que acontece nas histórias... Tudo acaba bem.
- Não. Não nessa história. – Bianca se sentou no chão, encostando as costas na parede, estranhamente úmida. – Se meu pai perceber minha ausência, o que não quer dizer que ele irá se importar, com certeza irá querer me encontrar e ter uma resposta.
- Se isso acontecer, eu lhe mostrarei lealdade, e irei te defender até o fim. – D. Saturn se sentou ao seu lado – Você foi muito boa comigo e com meus amigos, o mínimo que podemos fazer é agradecer por isso. – ele virou a cabeça de lado, a encostando em seu ombro. – Vou descansar um pouquinho... Ei, quer café?
- Ah, não, obrigada, eu não gosto de café.
- Oh, céus, eu sabia que ela não poderia ser perfeita...
º º º
Conselho
Quando você quer alguma coisa, e ela não está ao alcance, o que você faz? Ora, isso depende da pessoa. Se for alguém fraco, irá desistir e não irá mais voltar a tentar. Se for alguém decidido, irá passar por todos os problemas e fará de tudo para alcançar. Mas e se a pessoa não souber o que fazer? Travis suspirou, coçando os olhos. Estava já quase amanhecendo, e ele ainda não conseguira fechar os olhos. O que estaria acontecendo com Denis uma hora dessas? Será que seu neto estava seguro? Aquele medico parecia meio jovem demais, mas fora indicado por Giulia com rapidez... Travis só queria conseguir mostrar ao filho que ele poderia, sim, cuidar dele e de sua família. O lugar seguro era ao seu lado. De repente uma agonia quase inesgotável tomou conta dele. Agora um sentimento estranho estava tomando-o. Desespero. E se não voltasse a ver Denis nunca mais? E se aquele fosse o fim, tanto para ele, quanto para o filho? Algo parecia ter cortado a relação dos dois. Os fios da amizade estavam rompidos. E tudo por causa daquela Gomes! Ele teve vontade de esganá-la.
Parecia que Denis o estava empurrando para longe, enquanto ele corria para perto do filho. Por fim desabou, com os olhos cansados. Era agora ou nunca, iria ter de dormir.
Fale com o autor