Notas iniciais
Gente, eu definitivamente amei o Darin, ele é perfeito!

Darin Astaroth

Aquilo tudo era inútil. Darin sabia que não lhe restava mais nada. Sentia que não deveria ter feito aquilo, mas fez. Largou a gola do menino que havia acabado de matar, e então se encolheu na parede da mercearia, começando á rir descontroladamente, até os Pacificadores chegarem. Darin tinha doze anos e havia acabado de saber que iria para os Jogos. Os Pacificadores não poderiam castigá-lo agora. Ele somente olhou para os homens de branco, e levantou-se, sentindo que iria ser a primeira notícia na Capital. Ele havia matado um garoto só por ter pego o último sorvete da mercearia.

Darin voltou para casa, com raiva. Ele odiava aquele ambiente alegre e colorido demais. Passou pela cozinha, onde papai preparava uma bela macarronada, e deixou Mana vendo seus desenhos no canal Panem Escola. Ele subiu os degraus de sua residência que nunca chamava de casa, e abriu a porta do quarto, onde havia um aviso escrito em japonês “Perigo, Cuidado, Darin”. Darin era fascinado pelo antigo mundo. Sabia todas as capitais dos Estados Unidos, sabia falar japonês fluentemente, conhecia os grandes donos da Ásia, e se divertia ouvindo as músicas da América. Mas o que mais o interessava era algo ainda mais antigo, chamado de “Segunda Guerra Mundial”. Darin se impressionava com Hitler e seus comandos. Era fascinado pela história, e queria ter conhecido Hitler. Queria que ele tivesse sido seu pai.

Darin olhou em volta, respirando fundo o ar seco e úmido de seu quarto. Seu único lar e conforto. Paredes brancas, carpete sujo e cinzento, janelas com os lençóis tampando-as e nenhuma luz vinda do mundo, somente de sua lâmpada. Ele se jogou na cama, onde estavam os livros de história que ele havia... Roubado de sua biblioteca pública, perto da Praça. Ele sentiu uma paz interior extrema. Tinha prazer de ficar só.

- Darin, você me empresta o seu...

- Não! – Darin pulou da cama e foi andando e bufando em direção á irmã xereta e chata. – Eu já disse para não entrar no meu quarto!

Darin sentiu dor de cabeça. Sua irmã o estava matando aos poucos. Ele ficou grato por ter sido escolhido para os Jogos. Darin odiava o pai, odiava a irmã e odiava perguntas desnecessárias. Ela sabia que não emprestaria nada e por isso nem precisava ir perguntar. Darin bateu a porta, emburrado. Sabia que Mana iria começar á chorar, e que logo seu pai viria para colocá-lo de castigo, mas quando mais só ficasse, melhor seria. Darin bufou novamente e se jogou na cama. Pegou um dos livro que estava por perto, e começou á ler em voz alta.

“Os gregos tinham uma hierarquia em seu ‘mundo mitológico’. Primeiro vinha Urano, depois Cronos e então os deuses maiores: Zeus, Poseidon e Hades. Em muitos anos de estudo, nuca se comprovou nenhum dos mitos contados pelos nativos gregos da época, porém, eles defendiam sua cultura á todo custo. Leia á seguir um dos mitos mais conhecidos:

‘O Nascimento de Atena’”

Darin parou ali. Respirou fundo, e então fechou os olhos. Onde estava? Quem era ele? Darin se sentou em sua cama e colocou as mãos no rosto. Tirou a camiseta e então a jogou no chão, com raiva. Não sabia de onde a raiva vinha, por onde ela subia, mas atingia-o na cabeça como uma pancada violenta. Darin desabotoou a calça e tirou os óculos, limpando os cantos dos olhos. Espirrou, e então abaixou as calças. Tirou a cueca e então se encaminhou para o banheiro do quarto. Entrou debaixo do chuveiro e o ligou. Uma água extremamente fria penetrou sua pele e o congelou instantaneamente.

Darin ficou imóvel, e depois descongelou, quando a água começou á mornar. Logo ela estava tão quente que a sua pele ficava vermelha como fogo, mas ele adorava aquela temperatura. Quanto mais quente um banho, melhor. Ele colocou a cabeça debaixo da água, sentindo o couro cabeludo reclamar, mas pouco se importou. Já estava acostumado com aquilo. Claro, ele vinha tendo caspa e os cabelos vinham caindo aos poucos mas... Nada muito grave.

O corpo de Darin ficou mole, com o tempo que ele ficava debaixo da água quente. Ele relaxou muito, e seus dedos enrugaram. Ele finalmente fechou o chuveiro e pegou a toalha que fedia á cachorro molhado. Se secou com os últimos lugares que ainda estavam secos e sem uso, e então a pendurou novamente no boxe do banheiro. Ficou na frente da privada e olhou para ela. Parecia que ela o encarava, desafiando-o á acertar a pedra do vaso sanitário. Ele cerrou os olhos e então apontou para ela. Sim, ele a acertou, e sorriu, rindo de si mesmo. Abaixou a tampa e deu a descarga, quando se lembrou que não deveria ter feito isso no horário do banho de Mana. Mas que se dane, se ela se queimar no banho o problema é dela. Ele iria para os Jogos mesmo.

Logo ouviu os gritos de dor da menina.

- Ponto. – sussurrou, enquanto saia do banheiro e parava em frente ao seu guarda-roupas caindo aos pedaços.

Pegou uma cueca que havia usado duas vezes (a mais limpa) e a colocou, procurou por algo descente, mas só achou uma bermuda jeans surrada. Pegou uma de suas camisas de botão (que ele pegara “emprestado” do pai) e a colocou, fazendo questão de não fechar os últimos botões. Penteou os cabelos e colocou os óculos, e logo notou o quanto estava ficando cego. Seria difícil na Arena se ele não puder entrar com os óculos.

Abriu a porta do quarto e então desceu as escadas apressadamente. Ele tinha de ir para algum lugar que o desse mais conforto do que o seu quarto cheirando á lixo, mofo e que parecia que algum animal havia morrido ali dentro. Ele saiu pela porta, sem se importar com o pai, e com a irmã que estava lhe olhando com cara feia, enquanto seu pai molhava a pele vermelha e queimada de sua filhinha com água da torneira.

- Família, hein? – Darin falou para si mesmo.

Darin é um garoto de poucas palavras. Ele costuma não falar muito, e ignorar as pessoas por completo. A raça humana é a coisa mais nojenta do mundo. E Darin sabia disso. Ele mantinha sua sanidade em alto nível, enquanto não se envolvia com conversas alheias que não iriam trazer nada de produtivo em sua vida. Desde que fora adotado, Darin vem tentando se controlar mais ao desejo de matar pessoas, e por isso começou á ficar mais reprimido e introvertido. Ele costumava ser uma sombra, passando pelas pessoas quem que elas o percebessem. Darin foi diagnosticado com autismo assim que completou doze anos, e agora ele ria á toa, assim que acabava de matar alguém. Ele sentia prazer de ver o horror no rosto dos seres humanos.

Darin era de uma raça superior.

Darin Astaroth

Notas finais
Gente, fala sério, olha que nerd mais gato...!