Notas iniciais
Olá, Jujubas! Bom capítulo e nos vemos lá embaixo!

Noah Christhurt

Se dissessem ao Noah pequeno que seu futuro seria este, ele já teria o mudado á muito tempo.

º º º

Um mês antes de seu nascimento, o pai morreu. A mãe pegou nojo e desprezo pelo garoto, em vez de o aninhar em seu peito. Ela o deu á um casal, dizendo que quando o garoto crescesse serviria de trabalho. Mas o casal já tinha outros planos para o menino. O “vendiam” para outros clientes. Noah era usado. E a minoria eram mulheres.

Se sua vida tivesse sido um mar de rosas, talvez ele não fosse tão importante agora. Talvez ele não teria se rebelado. Talvez Lucy ainda estivesse aqui. Mas as borboletas são livres, elas voam. Vou logo lhe contando um defeito meu: Não sei guardar segredos. Sim, logo uma borboleta morrerá. Não por estar presa em um recipiente, ou por alguém arrancar suas asas. Mas por ela ter coração. Caráter. E perguntas. Muitas perguntas. E como já sabem, não sei esconder segredos. Sim, ela morrerá. Mas irá dar a vida á milhões de pessoas, e ao Noah.

- Porque o amor é bom. – isto com certeza não sairá da sua mente.

Mas deixe-me parar de ser estraga-prazer. Não, a história não ficará mais chata agora que você sabe do final. Não, você não sabe do final. Não sabe da metade da história que ronda esse casal. Casal. Talvez essa não seja a melhor maneira de classificá-los.

Noah era usado, e também tinha de roubar alguma coisa de seus clientes. Se caso voltasse para casa sem nada, os pais adotivos batiam nele até o sangue estar espalhado em poças pelo chão. Mas havia um homem que era o pior. Noah abominava todos os dias que ele entrava pela porta de seu quarto.

O homem apagava seus cigarros na pele branca e macia do menino. Gostava de introduzir “coisas” nele. E o pior, depois o usava. Noah sempre teve a mera semelhança com Hiller, sua vizinha. O pai abusava dela. E por isso, eles se tornaram amigos. Noah era um menino de oito anos, e Hiller tinha dez. Eles nunca ficavam conversando por mais de três minutos, mas tinham uma amizade profunda como se eles se conhecessem desde o nascimento. Em um momento feito pelo próprio Deus, houve um enterro pelo qual o pai de Hiller e os pais adotivos de Noah foram chamados para comparecer. E os jovens não podiam ignorar aquela oportunidade. Como não tinham outro assunto á não ser o que sofriam, eles começaram á compartilhar algo que para nós poderia ser chamado de “fazer amor por amor”. Mas para eles era mais como... Usar o outro com carinho. Foi só uma vez. Noah já tinha treze anos, e Hiller quinze. Ela já era uma adolescente linda, com os cabelos loiros e cacheados, e olhos castanhos e de um tom puxado para o âmbar. Ela era linda, pensava Noah. E ele era um patinho feio, ruivo e pequeno. Seus ombros eram caídos, e seus braços eram finos. Ele passava fome, e ela tinha tudo em casa. O peito de Noah não era reto, dava para ver suas costelas, já Hiller tinha uma leve saliência na barriga, e seus seios já informavam que nutrientes ela tinha demais. Noah tinha canelas finas e feias. Hiller tinha pernas grossas e morenas. Noah era um menino fraco e tímido. Hiller era sedutora e alegre. Como ela se atraiu por ele, Noah nunca pode entender. Mas que Hiller foi sua primeira paixão, a isso foi. Quando se deitaram juntos, na cama da garota, Hiller disse que sentia como se o pai nunca tivesse explorado-a em seus banhos, ou lhe abusado enquanto ela tentava fazer a tarefa de casa. Noah assentiu, e respondeu que não conseguia sentir nada, somente que, pela primeira vez, era ele quem colocava algo pra dentro. Hiller riu do garoto, e lhe beijou o rosto. Noah corou, e abriu um leve sorriso. Hiller estava deitada sobre ele, lhe esmagando os órgãos internos, mas ele nada disse. Ela era cheinha, como gostava de pensar, essa era sua sorte.

Quatro meses depois descobriu que Hiller iria se mudar para o céu. Nenhum mapa poderia levá-lo para ela, mas ele sabia que a veria novamente. Hiller tinha engravidado, e o pai achava que o filho era dele e matou a menina. Noah ficou horrorisado, e quase disse que o filho poderia ser seu. Quase. Se dissesse, talvez ele morresse também.

O que se esperar de um adolescente de treze anos? Assim que descobriu tudo, Noah começou á ser abusado pelos pais, também, e começou á sofrer o dobro. Em um momento em que estava cortando as pernas com um gilete, uma idéia lhe veio á cabeça: “Fugir, ser livre”. Isso, ele só precisava fugir! E fugiu. Fugiu e se abrigou junto á uma mulher idosa e cega, que lhe chamava de Urso, o nome do cachorro que morrera á quatorze anos atrás, no mesmo acidente que seu marido.

Noah lhe contou sobre Hiller, e ela lhe contou sobre Mário, o esposo falecido. Noah lhe contou sobre seu passado que havia abandonado. Ela lhe contou sobre os terríveis anos que passou com o filho doente por causa de uma epidemia que levou seu filho embora. Noah disse que se sentia bem junto á ela ao lado da lareira quentinha, tomando um chocolate quente e comendo bolachas de trigo. Ela lhe contou que o via em seus pensamentos como se fosse seu filho de verdade, e Noah se sentiu em casa.

A velha tinha uma padaria, e lá Noah começou á trabalhar, junto com Doar e Junone, os sobrinhos da velha cega. Ele era responsável por pegar as entregas, e fazer a massa do pão. O que lhe deu músculos e um tanto a mais de massa. Era trabalhoso levar os sacos de farinha até o reservatório, ou apertar a massa até ela ficar mole como massinha, mas era bem melhor do que ser usado por homens com cigarros, ou viver o tempo todo á barreira da morte.

Doar era irmã de Junone, e tinha um filho, chamado Higor. Junone era o pai de Higor, mesmo que eles não contassem isso á ninguém. Este tipo de relacionamento era não tolerado no Distrito 1, e Doar poderia morrer em praça pública se alguém descobrisse, por isso Noah tratou de fechar sua boca.

Noah se deitava no sofá de sua nova casa, e ficava pensando em Hiller. Esse era o único assunto que se permitia pensar, agora. As vezes ficava pensando em como Doar sabia decorar os bolos com pedras de ouro e de brilhante, ou em como Junone era bem mais forte que ele, e em como ele conseguia fazer cem fornadas de pão apenas de uma vez. Noah se sentia parte da família, com eles. Sim, Doar, Junone e a velha eram negros, mas Noah ainda se sentia da família. Um ruivo? Sim, o que tem?

Se não fosse esse o passado de Noah, hoje você não estaria agradecendo por seus esforços. Talvez hoje você não fosse livre. Talvez hoje você não fosse uma borboleta.

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Noah Christhurt (ele tem 17 anos, Tributas, ele é o MEU ruivo, ok)

Notas finais
Mandem reviws para o Noah! Esse gato!