Notas iniciais
Capítulo do divo Heikki, boa leitura e aproveitem!

Heikki Aaltonen

Heikki ajustou a gravata, aquilo não era sua praia, definitivamente. Ele detestava gravatas...

- Ei, deixa, eu coloco para você. – disse Lola, deixando de lado seu lacinho no vestido – Você vai acabar se enforcando deste jeito.

Heikki revirou os olhos e então sentiu um alívio quando o laço em sua garganta se soltou. Bem melhor. Lola, como sabia o jeito certo de colocar uma gravata? Heikkie tentou não pensar nisso.

- Ei, o que foi? Até parece que está com medo da multidão. – Lola riu.

- Não, não estou com medo dela. – Heikki suspirou. – É bem mais difícil do que você poderia imaginar, Lola. Quer dizer, todos parecem aceitar isto de uma forma tão... Pacífica. Não há questionamentos, não há... Ah, você não entenderia.

- Entendo, Heikki. Mas já estamos tão acostumados com tudo isso...

- Desta vez somente um volta para casa. E o que faremos? – Heikki perguntou, cruzando os braços. – Você irá morrer, se eu for voltar. Ou então eu morrerei. Ou então nós dois morreremos, e outro vencerá. Te conheço á quatro dias, mas sei que você é uma boa pessoa, Lola, não merecia estar aqui.

- As vezes nossos parentes pagam por... Pecados que nós mesmos cometemos. – Lola respondeu, olhando para o chão.

- Nossos... Lola?

- Nada, pensei alto, esqueça Heikki. – ela disse e então voltou á arrumar o laço de seu vestido.

Heikki não quis discutir. Seus mentores estavam mais distantes, e os seus estilistas também. Heikki só tinha este momento a sós com Lola. Depois, iria ir para a multidão, e então logo numa sequência de treinamentos... Nunca mais conversaria com ela, somente na Arena. Ele daria o melhor de si para retornar. Disso estava disposto. E o melhor de Heikki Aaltonen é... Digamos... Algo majestoso.

Heikki segurou o braço de Lola, e ela se virou. Os cabelos presos em inúmeras trancinhas até um rabo de cavalo a deixava mais alta, o penteado caia bem, além de não ser muito o tipo de Lola. Ela vestia uma roupa usada por mendigos, ou prostitutas, o que há de montes no Distrito 4. O Distrito conhecido como o Distrito do Sexo Fácil. Heikki olhou para a menina que conhecia em sua memória, aquela que havia ajudado ele á não levar uma surra feia, e então olhou para a que estava na sua frente. Nada. Elas não tinham nada em comum. Lola era melhor do que aquele... Ser que a Capital criara. Heikki imaginou se não estava tão ridículo quanto ela, e resolveu nem se olhar nos espelhos.

O jeito como as roupas rasgadas caiam no corpo de Lola, a deixava sexy. Os estilistas deveriam ter feito isso de propósito, queriam chamar a atenção para Lola. Qualquer homem olharia para ela, por puro instinto. Heikki respirou fundo e então soltou o braço de Lola.

- Posso usá-la?

- Me usar? – Lola ergueu uma sobrancelha.

- Como meu... Como um... Ah, não sei explicar...

- Diário?

- Exatamente! Como sabia?

- Ah, eu leio muitos romances... Geralmente começa assim. – Lola respondeu.

- Ahn, o que? Não! Nã...

- Haha, tudo bem eu estava brincando. – Lola sorriu. – Você quer me usar como diário porque?

- Para ver se você pode me entender? E para que eu não fique louco. – Heikki seria sincero a partir dali. Ele confiava em Lola mais do que gostaria, mas não conseguia mudar. Ela havia cuidado do braço dele, poderia guardar seus pensamentos e sentimentos, certo? Quem viu o Heikki de quatro dias atrás, não pode crer que ele está falando em: Sentimentos. Algo que ele abandonou á muito tempo. Lola. Que tipo de magia aquela menina usava?

- Certo, eu aceito ser usada por você. Somente se você deixar eu te usar, também. – Lola sorriu.

- Ahn... Não vou ter que ficar vendado e ter meu corpo fatigado, certo?

- Não! Eu... Eu não vou machucar você! – Lola cruzou os braços por cima dos seios.

- Eu sei disso. Por que acha que confio em você? – Heikki sorriu, como raramente faz.

- Você? Confiar em mim? Ah, que tipo de magia eu uso? – Lola riu.

- Eu me pergunto a mesma coisa. – Heikki concordou.

- Quando tudo isso acabar, será que você poderia...

Uma corneta soou, interrompendo a todos, e fazendo-os silenciar. Todos em estátua, assustados, até mesmo as pessoas da Capital. “Primeira carruagem em 59, 58, 57...” Heikki olhou de relance para Lola, e entoa soube que era hora de subir na Carruagem. Ele acompanhou os outros dois tributos do Distrito 4, e então subiram a bordo. Nicholas e Lyra. Nick e Ly ficaram na frente deles, enquanto Lola e o próprio Heikki faziam de tudo para sumirem atrás das capas dos dois. Nicholas usava uma capa negra, meio camuflada, e em uma de suas mãos estava um arco grandioso. Heikki se impressionou. Nunca uma arma fora permitido em um Desfile. Deveria ser uma arma de enfeite, mas mesmo assim impressionava. Já Lyra era algo diferente... Ela usava um sutiã feito de conchas e uma saia gigante verde que nem os mares do Distrito 4. Uma sereia? Heikki riu. Nem de longe Lyra poderia encantar homens á ponto de levá-los até o fundo do mar. Pelo menos não homens como Heikki. Já Lola... Heikki teria de pensar algumas vezes nesta probabilidade, o que o fez ficar mais zangado consigo mesmo por estar começando á confiar quase cegamente em Lola. Como? Ela não tinha feito nada demais.

As carruagens andavam lentamente, mas os cavalos pareciam bem domesticados e fortes para estarem tão acostumados com aquela velocidade. Obra da Capital, claro. Os olhos de Heikki permaneceram fixos no final daquela rua quase interminável. Ele não queria olhar para os lados, somente para o Presidente. Ele estava convicto de que não iria amarelar. Heikki já havia participado de Gangs de assassinos cruéis, ele não se borrava nas calças por causa de um velho babão com barba branca chamado Snow. Que era nome de cachorro das neves.

- Heikki... – a carruagem começou á ir para os lados, em direção á multidão, somente para extasiá-los e ansiarem por mais. Eles eram loucos, pensou Heikki. Mas isso não era um problema para ele. Já para Lola... Sempre que a carruagem se aproximava demais, todos dentavam tirar um pedaço da “roupa” de Lola. Como recordação. Heikki suspirou e então trocou de lugar na carruagem, com ela. Lola agradeceu com um olhar quase nulo, e então foi a vez de Heikki ser mimado. Até que ele não achou ruim. Todos queriam passar as mãos em seus músculos, e perguntavam se ele não era velho demais para os Jogos. Mas Heikki negava com a cabeça e continuava com o nariz em pé. A Capital o idolatrava. Ele se sentia bem com todo aquele... Poder.

- Bem vindos! Bem vindos! Sejam todos bem vindos! – o Presidente Snow os saudou quando a última carruagem chegou. – E que a sorte esteja sempre a seu favor! Este ano, nos Jogos eventuais, teremos o Massacre Quaternário. – Todos aplaudiram de pé, com exceção dos Tributos, que já estava de pé. – Foi definido que recordaríamos nosso passado de... Garra e força! – ele sorriu. – E que a rede foi alçada! Tributos, cacem suas chances da vitória, e assim batam asas em direção á vida! Quando um Tributo vence uma edição, ele se torna Vitorioso, e junto com isso ele renasce. Ele se torna um novo homem! Uma nova mulher! Com força e com inteligência! Que um de vocês possam ser esse homem ou essa mulher. Agora, vão! E tragam de volta a nossa aventura!

As carruagens partiram, no mesmo ritmo de sempre, até elas chegarem á seus devidos números marcados no chão. Era como se os cavalos já soubesse que era lá onde eles deveriam ficar. Heikki desceu, junto com Lola, e depois foram Nick e Ly.

- O que foi aquilo? – a mentora de Lola cutucou seu ombro. – Trocar de lugar no meio do Desfile? Panem inteira estava vendo!

- Desculpe... – Lola abaixou a cabeça, envergonhada.

- Você é tão estúpida quanto... quanto uma mula! Não deveria nunca ter saído daquele Distrito! Pergunto-me eu o que a Meell estaria pensando ao escolher você! Eu a conheço de longa data, sei que ela tem sempre seus motivos mas... Você... ?

- Me perdoe... – Lola olhou triste para cima, mas logo abaixou a cabeça.

Heikki observava tudo aquilo. Lola era como uma criança com a mãe rígida a sua frente. Lola era uma criança, de certa forma. Sua mentora era uma cobra de sete cabeças, e Heikki somente ficou em silêncio. Seu mentor estava observando a cena, também. Ele respeitava as ações de Heikki. Talvez por já ter sido um tributo Carreirista e saber como é estar de verdade na arena. Olhe, quando você é um Carreirista, você mata pessoas muito mais do que qualquer outro. Claro, suas chances de vencer são maiores, mas isso também lhe trás a dor de ver seus próprios irmãos de sofrimento morrerem por suas mãos, somente por causa de uma determinação da Capital. Os pensamentos de Heikki eram tão complexos que ele não sabia se conseguiria exibi-los á Lola.

- Você é como um cachorrinho, Lola. – Heikki riu enquanto se jogava na cama.

- Ela só é rígida demais. Sei que se importa comigo.

- Que seja. – Heikki arrancou a gravata que tanto o incomodava. – Você está com fome?

-Não. Não depois do que vi. – Lola tirou o amarrador do cabelo, e as mil e uma trnacinhas caíram sobre seus ombros, deixando-a como uma... Hippie.

Heikki olhou para o lado, aquele não era o melhor momento de Lola, ela já estivera mais bonita. Claro, quando estava sentada no sofá da casa da avó, trocando os curativos de seu braço, e colocando a franja ondulada o tempo todo para trás da orelha, que teimava em cair. Agora ela estava... Menos...Perfeita. Isso, ela não era como antes. Como um cabelo pode mudar uma pessoa, Heikki não sabia, mas que ele preferia a Lola de antes, sim, ele preferia.

- Vire-se. – mandou Lola.

Heikki virou de lado, e então observou a janela gigantesca, onde dava para ver todos os edifícios da Capital. E em alguns as pessoas espiavam de suas janelas para tentar ver o que se passava no Prédio dos Tributos. Lola jogou o seu vestido de farrapos para o lado, e então entrou no banheiro. Heikki ouviu a porta se bater, e então se virou, tirando a camisa branca e a calça social. Ele odiava aquilo. Mas quando viu as marcas enquanto abria os botões de sua camiseta. Agradeceu por não tê-lo colocado sem nada, como geralmente fazer com Tributos do 4, o que é uma roupa típica no Distrito 4.

- Acho que entupi a pia com toda aquela maquiagem! – Lola resmungou, enquanto saia do banheiro, ela vestia somente sua lingerie, assim Heikki se virou rapidamente. Mas ele também não estava tão bem assim... Mas uma cueca box não lhe mostrava tanto quando algo que... Ah, ele não deveria estar se tomando por pensamentos alheios.

Lola abriu a porta do closet, e então jogou uma camiseta e uma calça de pijama azul marinha para Heikki, e colocou uma camisola do mesmo tipo.

- Acho que temos de combinar nossas roupas. – riu Lola.

- Eles são idiotas. Prefiro nem usar isso aqui.

- Ah, claro, ai você vai ficar semi-nu, somente massageando as minha retinas com todas essas marcas que você ainda não me respondeu o que são.

Heikki sentiu o sangue subir seu rosto, e então enfiou rapidamente a camiseta em seu corpo. Não, as marcas não...! Ele não confiava tanto em Lola a ponto de dizer o que lhe fizeram quando criança. Heikki suspirou, enquanto ouvia Lola rir, ela se sentou ao seu lado e então disse perto de sue ouvido:

- Obrigada, Hei. – os pelos de sua nuca se arrepiaram com o hálito quente de Lola.

- De nada. – respondeu Heikki.

Ela sorriu e então se deitou ao lado dele.

- O que eu posso lhe dar como recompensa por não ter me deixado nua lá?

- Ahn... Que tal um beijo. – Heikki automaticamente se lembrou de algo que parecia ter ocorrido á muito tempo atrás: Os lábios dela. Lola sorriu, como se soubesse que ele queria aquilo. E então se inclinou, levantando-se da cama e segurando o rosto de Heikki, e o beijando suave e doce. Heikki somente fechou os olhos.

- Paguei seu favor. – ela disse.

- Que ótimo. – ele sorriu.

Lola soltou uma risadinha envergonhada, e então o beijou mais uma vez, só que agora Heikki sabia que ela estava começando á pegar intimidade demais. Ele segurou suas mãos e se afastou dela o máximo que pode.

- Que tal começarmos devagar? – ele propôs.

Notas finais
Gente, no próximo capítulo eu vou fazer somente para perguntas e respostas, então mandem suas dúvidas em reviws, e eu irei respondê-las assim que postar o próximo. Beijão, da Meell!