Notas iniciais
Gente, um capítulo super cute da Lucy! Sério, normalmente eu fico mintos escrevendo os capítulos, mas o da Lucy fluiu tão rápidamente que eu o terminei quase antes de voltar para o ensaio!

Lucy Sant’Dio

Lugar Ao Sol — Charlie Brown

Lucy hesitou. E se não fosse mesmo para ela estar ali? E se a mamãe e o papai realmente não queriam-na por perto. E se eles queriam descansar em paz... ? Lucy estaria atrapalhando? A menina suspirou. Deixou tudo o que achava. Deixou todas as perguntas. Deixou até mesmo Lunna para trás, e pisou no cascalho do Cemitério.

- Estou indo. – ela disse, enquanto ouvia as vozes de seus pais á chamando em sua cabeça. – Eu não sei qual é o de vocês...

“Você saberá” eles sussurravam. Lucy olhou para os túmulos. Uma garota da idade dela já saberia ler, mas como ela era inocente e burra demais, Lunna achou melhor trancar Lucy no sótão, sempre que a menina cismava que deveria estar na escola. Lucy não conseguia ler, as letras ali não faziam sentido nenhum para ela. Mas de certa forma, ela foi guiada até dois maiores túmulos. Á princípio Lucy achou que todos os caixões deveriam ser cobertos por panos, mas olhou em volta e só viu a terra cavucada entre os outros túmulos. Lucy tentou ler o primeiro nome do primeiro caixão. Sem sucesso. O sobrenome também era ainda mais difícil. As letras não se encaixavam em sua cabeça. Então ela viu, no segundo caixão, a palavra que havia obrigado seu avô á lhe ensinar. A palavra que poderia lhe dar orgulho.

- Sant... Dio. – os olhos de Lucy brilharam. – É esse aqui!

Lucy poderia ter pulado de alegria, mas se conteve. Os panos para quê serviriam? E por que os caixões não estavam enterrados no solo? Lucy balançou a cabeça, e se lembrou de que havia deixado as perguntas para trás, lá na entrada do Cemitério. “Este pano não serve para nada”, pensou consigo mesma, e segurou tecido, que era de seda marrom, e o puxou.

Lucy segurou a respiração. Nunca em sua vida ela poderia ter uma lembrança mais vívida do que esta. Ela estava lá, desembalando seus próprios pais. Os cabelos de mamãe ainda estavam dourados, mesmo depois de três dias de sua morte (que fora o tempo que ela havia ficado trancada no sótão), Lucy ouvia seu estômago roncar, mas a única coisa que conseguia sentir de fato era a necessidade de respirar novamente. Ela tocou no vidro que revestia o caixão da mãe, e viu que ela estava deitada em almofadas vermelhas e a base do caixão era de ouro puro. O vidro era cristal. Mas forte como um tijolo. Lucy olhou para o rosto da mãe, logo reconhecendo as bochechas sempre rosadas. Ela tocou seu rosto, sim, tinha herdado isto.

Lucy sentiu outro ronco no estômago, e também sentiu sua nuca se arrepiar, ao ver o cabelo castanho do outro túmulo também de vidro e em base á ouro. Ela entrou no meio dos caixões e ficou nas pontas dos pés. Até conseguir ver o rosto. O nariz, a sobrancelha grosa, até mesmo o queixo... Uma cópia de Lunna. Mas de um jeito engraçado, ela achava o pai bonito. Muito bonito. Lucy se debruçou sobre o vidro e sorriu para o rosto do pai. Sua pele estava muito branca, e o cabelo precisava de uma aparo dos lados, a barba tinha de ser feita, mas... Ele era perfeito, pensou Lucy. A menina estava fascinada. Seu pai era concreto, ele existia.

- Estou com você, Lucy.

A menina se virou, mas nada viu. Somente o vento fazia mais algum movimento ali no Cemitério. Um lugar de luto e tristeza se transformou no melhor lugar da face da terra. Lucy desejou mais do que uma vez poder morar ali. Poder se debruçar sobre o vidro do pai quantas vezes quiser, e o melhor (ou pior), desejou pela milésima vez poder se aninhar no peito paternal de Lucca Sant’Dio.

º º º

Lucy escutou novamente a voz de papai. Ele dizia que sempre a amaria, mesmo depois dela se casar. Disse que ela era u orgulho para ele, e que poderia ser a mulher mais bonita da face da terra, até mesmo mais bonita que sua mãe. Lucy acreditou, mas não a ponto de dizer que sua mãe era menos bonita do que ela. Sua mãe era a perfeição, como o vovô dizia.

Lucy ficou horas á fio conversando com o papai, e quando a mamãe chegou para conversarem juntos, Lucy já havia se deitado sobre o vidro do caixão de seu pai. Lucy borrava o vidro com sua respiração, mas não piscava os olhos de seu pai. Ele era tudo o que ela sempre quis. E ele era tudo que ela queria se tornar um dia. Um dia Lucy iria falar á Lunna que ela também era importante. Um dia, Lucy acharia um bom namorado pra dizer á Lunna que ela também era amada.

O dia ia se fechando, e, mesmo que Lucy merecesse todo o tempo do mundo para seu momento, o tempo não á perdoou. Quando Lucy se deu conta, os pingos de chuva já haviam começado á ficar grossos. Lucy olhou o céu e viu uma grossa massa de nuvens negras cobrindo-o. Ela teve o pensamento de voltar para casa correndo. Mas iria deixar seus pais ali, se caso voltasse. Mas era só colocar o pano e... Mas Lucy não queria deixá-los lá, na chuva. Queria ficar perto deles, juntinhos, como sempre deveria ter sido. Lucy suspirou. Mesmo que ficasse mil anos trancada no sótão, aquilo valeria a pena. Lucy olhou para o ouro. Eles tinham colocado seu pai lá dentro de algum jeito. Ela viu alguns puxadores para carregar o caixão e então viu dois botões e os apertou. O vidro se levantou, e de lá saiu um ar muito frio. Lucy sorriu e se aninhou em papai. O paletó dele estava congelando, e a pele nem se fala, mas Lucy se deitou sobre o pai, e sorriu, inspirando aquele cheiro de cadáver. Ele era seu. Até que enfim. A chuva começou, e Lucy pegou o pano e colocou sobre si e sobre o pai. O abraçou e quase que por um segundo apenas pode sentir o peito dele subir e descer, e suas mãos se enroscarem em seus cabelos louros. E seu peito ficar quente, e Lucy disse á si mesma que aquele era o seu lugar. Junto de papai. Junto á quem ela realmente era.

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Lucy Sant'Dio (miniatura de Selene Densverouix *u*)

Notas finais
Gente, essa música do Charlie Brown é tão bonita... EU amo ele! E acho que combinou muito, pois a Lucy sempre quis ser livre. E quem tem boas músicas nacionais (sem ser sertaneja, funk) MPB, Roupa Nova, Rock-Nacional, Pop-Rock, Pop, Blue, Rap, Jazz, qualquer coisa de boa qualidade, ok? Beijos!