Notas iniciais
Bom capítulo, lindos!

Simbad Somma

Kaya encarou-lhe fixamente.

— O que foi? – perguntou, por fim.

- Você realmente ia mentir pra mim. – ela respondeu.

Simbad desviou o olhar da menina loura, e ficou em silêncio. Kaya revirou os olhos e se levantou. Segurou a mão de Simbad e o levantou, também. E ainda segurando sua mão, se pôs á andar pelo corredor. Ela não queria esperar pelo pedido de desculpas dele. Respirou fundo e então soprou a franja para fora dos olhos.

- Você estava fingindo á quanto tempo? – Simbad perguntou, depois de um tempo.

- Agora. Só. – Kaya informou. – Eu... Eu achei muito legal você ter dito antes que era meu irmão, ok?

- Ok. – Simbad concordou. – Você fingiu para me testar?

- Sim. – Kaya respondeu sem olhar para ele. – Queria ver do que era capaz. Sabe, às vezes meu cérebro recicla as lembranças que perco.

- Tipo agora.

- É, tipo agora. – Kaya abriu um leve sorriso, se sentindo muito melhor.

Simbad também percebeu a tensão sair do ambiente, e estava mais fácil olhar para Kaya, agora.

- Me perdoa, Kaya.

- Sim, eu perdôo você. – ela respondeu. – Nem mesmo que eu quisesse poderia dizer não á você.

Ele não respondeu, por outro lado, deixou que ela o conduzisse, até chegarem á uma porta de mármore gigante. Kaya parou e ficou observando as figuras entalhadas nela. Eram como se... Deuses estivessem comendo e rindo diante de uma farta mesa. Havia anjos e arcanjos. Ninfas e sereias. Simbad ficou impressionado com o acabamento e o talento da pessoa que tinha feito aquilo.

- Nossa. – Kaya suspirou.

- Sim. – concordou Simbad. – Vamos ver o que tem ai dentro.

- Certo.

Kaya empurrou a porta, que, por incrível que pareça, era leve. Os dois entraram e lanternas á vela se acenderam pelo teto e pelas paredes. Os dois olharam para o chão de pedra, uma pedra maciça e forte. Havia uma mesa de madeira no meio do salão. A mesa era farta, uvas das mais frondosas parreiras, água da mais cristalina fonte, doces e salgados feitos pela própria Demeter... Eles se impressionaram. Uma música de harpa começou á soar pelo local. As paredes eram simplesmente pilares maciços em estilo grego, como um templo. E eles estavam no céu. Literalmente. As nuvens entravam e saiam pelos vãos dos pilares.

Uma figura surgiu a partir de nuvens de tempestade. Era a mais formosa mulher que Simbad já tinha visto. Por alguns segundos ele pensou que era uma cópia adulta de Kaya, porém logo notou o jeito cor-de-rosa que os olhos da mulher brilhavam. A pele era mais rosada do que a de qualquer ser humano, e ela vestia roupas gregas e eróticas. Adornada de ouro e jóias preciosas, ela brincava com o coração de Simbad. Por um momento ele se sentiu capaz de transar com ela.

- Bem vindos, jovens afortunados do Labirinto. – a voz dela era como o canto de um sabiá. Ela era a mulher perfeita. Seus seios eram enormes! – Estão diante da mesa dos deuses! Sou a guardiã da mesa, filha de Afrodite. – ela piscou para Simbad, e seu coração desmanchou. – E de Zeus. Kaya, a menina coragem, tão forte como Ares e tão astuta como Atena. Simbad, o garoto. Tão rápido como Hermes e tão reservado quanto Dionísio. Que os deuses os louvem! Agora, ceiem á mesa dos deuses, e desfrutem das melhores comidas da face da terra.

- É uma armadilha? – Kaya perguntou, desconfiada.

- Não, pequena Kaya. – a mulher sorriu alegremente. – Eu existo. Sou Melody, a melodia do Olimpo. Sou a única que pode permitir que vocês se sentem nos lugares divinos.

Kaya observou Melody de cima-embaixo. Simbad percebeu que ela não tinha se convencido.

- Melody, a propósito, podemos deixar nossas armas conosco? – Simbad perguntou.

- Armas? Vocês chamam isso de armas? Os deuses Patrocinadores estão presenteando os dois com armas de verdade. Kaya, para você um kit de facas poderosas, e uma espada eletrificada pelo próprio Zeus. Simbad, fique com isto.

- O que é isto?

- Você saberá quando tiver de usar.

Ele olhou para aquilo e então entrou em dúvida. Kaya agarrou suas armas e então as colocou contra seu corpo. Olhando fixamente para Melody. A mulher sorria como se aquilo fosse um “obrigado”. Porém Simbad sabia exatamente o que era. Kaya não era boba...

- Pode ir embora, Melody, se precisarmos chamaremos você. – ele disse.

- É. Se precisarmos. – Kaya apoiou.

- Certo. Quando precisarem de mim, toquem o sino que eu dei ao Simbad. – ela sorriu. – Irei ajudá-los da melhor maneira possível.

Melody desapareceu, novamente, com um raio explodindo no chão. Kaya deu um passo para trás. Ela olhou para Simbad, que admirava o sino pequenino e gracioso, com a letra M entalhada nele.

- Ei, pare de ver isso como se fosse algo... Divino. – ela suspirou.

- Seu ciúmes é lindo. – Simbad sorriu, guardando o sino no bolso.

- Não é ciúmes. – Kaya revirou os olhos. – Afinal eu ganhei muita mais arma que você!

- A minha é mais forte.

Kaya deu de ombros e se virou para a mesa, correndo para comer algo delicioso, antes que desaparecesse. Os dois se empanturraram de comida e vinho. Quando tiveram sono, a mesa desapareceu e uma cama confortável e quente apareceu. O céu ficou escuro, e a noite reinou. As luzes das lanternas á vela brilharam mais forte, e isso deixou tudo com um ar erótico que Simbad conhecia bem. Ele se deitou na cama, deixando as armas ao lado da mesma. Olhou para Kaya, que estava rindo dos fios de eletricidade que corriam por sua espada. Simbad notara que Kaya era louca por eletricidade, que ela tinha ficado mais que feliz ao receber a espada. Ele também sabia que ela era do Distrito 3, e que isso era normal para alguém de lá, porém, vê-la rindo á toa o deixava feliz.

- Venha dormir um pouco, Kaya. – ele chamou, por fim.

- Dormir? Na mesma cama que você?

- O que há de mais?

- E se você tentar me atacar?

- O que?

- Sim, e se você pular em cima de mim e...

- Kaya...

- Simbad!

- Kaya você sabe que eu nunca faria isso com você. – ele disse, com sua confiança mais alterada do que nunca.

- Quem sabe? Você fez hoje mesmo.

- Pensei que tinha me perdoado.

- Perdoei, Simbad. – Kaya o encarou. – Perdoei sim.

- Então por que continua com essa idiotice?

- Pois mesmo que eu te perdoe, isso não mudará o que você é. Sei que você... Era acostumado e tudo mais, só que...

- Eu não consigo! – Simbad gritou, com a raiva correndo sua veia principal. – EU NÃO CONSIGO MAIS, KAYA! Desde aquele dia em que você me viu vomitar, eu não consigo!

- O que você não consegue? – ela perguntou, gritando, também. – Não é só por que você não consegue algo que tem de gritar comigo!

- Eu não consigo mais ficar excitado! Não dá! Já tentei! – ele sentiu o rosto vermelho de vergonha e ódio.

Ela ficou calada.

- Mas... Por quê? Por que não?

- Os Pacificadores devem ter feito algo comigo que eu não sei... – ele limpou o canto dos olhos, tentando se livrar das lágrimas. – Eu... Não sei se posso me chamar de homem, agora...

Kaya revirou seus olhos e se sentou ao lado de Simbad.

- Independente se você fica ou não excitado, Simbad, você é homem.

- Mas não sou completo...

- É sim. Desde que você tenha um pinto no meio das pernas, você é sim. Não importa se você consegue ou não ter filhos, ou se você consegue ou não deixá-lo “alegrinho”.

- Você fala isso com tanta naturalidade...- neste momento ele queria esconder seu rosto.

- Porque é natural, Simbad. Não precisa ter vergonha. Eu nunca menstruei, sabia? Eu sou impotente no sentido de ter filhos, mesmo assim sou uma mulher, e me orgulho. Sei que jamais terei herdeiros, mas mesmo assim eu não desisti.

- Desistir?

- Sim. Você desistiu de ser homem, porém eu não desisti de ser mulher. Sei que não tenho o que milhares de mulheres se orgulham de ter, porém eu não deixei de me cuidar, não deixei de limpar a casa e não deixei de correr atrás de meninos.

- Não vou correr atrás de meninos...

- De meninos não, mas de meninas. – ela piscou, fazendo corar instantaneamente.

Simbad refletiu sobre o que Kaya disse.

- Vou dormir com você. – ela falou, entrando debaixo das cobertas. – Porém se você tentar alguma coisa...

- Não vou. – ele garantiu, e ela sorriu.

Notas finais
Bom, os dez primeiros que comentarem irão participar do sorteio para... Ganhar 500$ nas dádivas. =D Estamos em 790 reviws! Quando chegarmos aos 800 eu irei fazer o sorteio! Boa sorte.