Your Hunger Games III - Fanfic Interativa
80 Mas Da Janela Já Não Entra Luz
Notas iniciais
Darin Astaroth
Darin continuou por seu caminho, até que se cansou e deu de cara com um paredão. Ele olhou em volta. Entulho por todo lado. Ele teve uma idéia, fazer um forte para se proteger. Ele então se colocou á montar um forte, até que a sucata ficou camuflada e então lhe faria abrigo. Darin se sentou e então observou o fio de sua lâmina. Uma espada negra e luminosa. Ela brilhava. Ele não se arriscaria em tocar a lâmina, pois com certeza se cortaria. Ele a guardou no estojo e então a colocou de lado. Olhou para o corredor, e não viu nenhum sinal de vida. Darin suspirou e encostou a cabeça na parede, respirando fundo e digerindo o fato de agora estar nos Jogos.
- Não posso morrer agora. – ele disse para si mesmo.
Permaneceu em silêncio, pensando em coisas que somente ele pensaria. Darin ela acostumado com aquele ambiente, silencioso. Ele tinha passado quase a vida toda em uma biblioteca, não era á toa que ele tinha se entendido muito mais consigo mesmo do que com o resto do mundo. Darin não via necessidade de ter uma vida social. E agora que Bolina tinha morrido, ele percebia como tinha sido um burro ao conversar com aquela garota. Como não devia ter dado atenção á ela. Talvez ele estivesse não tão desconfortável como estava agora. O silêncio era seu lar, porém ele tinha se acostumado com a voz de Bolina falando freneticamente, fazendo perguntas e dizendo coisas irrelevantes. Darin suspirou. É por isso que ele não deveria ter se misturado com uma humana. Em pensar que tinha até... Beijado ela... Ah, como ele tinha sido um trouxa!
- Somente você é que te entende. – ele resmungou para si mesmo.
Darin tentou se lembrar de alguma história do mundo antigo, porém nada parecia ser conveniente para aquele momento. Foi quando se lembrou dos treinos, sobre a Grécia e a Roma... Ele então se decidiu pensar em mitologia grega, um de seus assuntos preferidos. E seu monstro preferido era, claro, o Minotauro. O Minotauro vivia num labirinto, um labirinto feito com Dédalo... O Minotauro era filho da mulher do Rei Minos com um touro que Poseidon tinha dado ao rei para sacrificá-lo em nome do deus, porém Minos quis ficar com o touro e Poseidon o amaldiçoou fazendo sua mulher se apaixonar pelo touro e... Ele sabia que Dédalo fora preso com seu filho dentro do labirinto. Ícaro, se não se enganava. Eles tinham tido a idéia de voar... O Labirinto continuou lá, até onde Darin sabia, e sete jovens e sete meninas tinham de ser enviados para o labirinto, para saciar o monstro. Jovens... Aquilo fazia tanto sentido para Darin!
- É a Arena.
Aquilo estava óbvio. O Labirinto era a Arena. Os sete jovens eram dos 24 garotos, e as jovens eram as 24 meninas lá. O Minotauro era a Capital, e eles tinham de fugir para sobreviver. Darin abriu um pequeno sorriso. Ele adorava ficar brincando com as palavras, com a história e consigo mesmo.
- Fico tão bem comigo mesmo... – ele suspirou.
Darin adorava sempre que ficava sozinho. Isso o deixava... Livre. Ele adorava ter a cabeça livre para pensar o que quisesse. Ele adorava isso! Se deitou no chão do forte e então fechou os olhos. Ele poderia dormir, agora que estava camuflado com as ferrugens. Ele colocou a mão por baixo da cabeça. Para apoiá-la, e então se desligou do mundo. Dormir para Darin nunca fora muito difícil. Ele simplesmente decidia adormecer e pronto. Ele gostava muito mais do tempo que ficava dormindo do que o que ficava acordado, já que a cada hora Darin se decepcionava com os humanos.
Seu sonho fora difícil de ser compreendido. Ele estava em um lugar de trevas, nada estava visível. Ele não sabia por onde andar. A cada passo tropeçava e caia. Porém ele continuava á andar, não queria ficar naquele lugar. E em um desses tropeços ele caiu num buraco profundo. Lá ele encontrou luz. Uma luz tão ofuscante que ele não conseguia ver nada á sua frente. Era a mesma coisa que estar nas trevas. Ele andava e tropeçava, porém agora ele sabia que não iria mais cair em buraco nenhum.
Darin acordou. Simplesmente abriu os olhos. Algo que ele não gostava muito era de ter sonhos. Ele odiava não ter controle do que pensava. Ele era bom em fazer vínculos entre fatos. As trevas era a vida dele antes de Bolina, e a luz era sua vida depois dela. Porém agora ele não sabia se estava nas trevas ou na luz. Sabia que tinha mudado e que não conseguia mais ver todos os humanos igualmente. Raramente ele sabia que existia alguém como Bolina. Pela primeira vez se permitiu pensar nela. Tentou entender o que passou pela cabeça dela quando se atirou na frente daquele escorpião. Talvez estivesse somente empurrando-o mas tinha sido lenta demais, ou então realmente tinha se oferecido.
Ele tentou tirar aqueles pensamentos da cabeça. Bolina não daria a vitória para ele, agora. Darin estava na vantagem, pois estava sozinho e não tinha mais ninguém além de si mesmo. Ele só precisava disso. Nada mais. Sua cabeça pensava melhor que duas. Ele sabia que nunca brigaria consigo mesmo, e que sempre iria escutar sua razão. Então ficou feliz por Bolina ter morrido.
Chorou. Ele tinha ficado feliz pela morte dela. Da luz. Que se dane a luz, vá se atirar de um precipício. Que a luz morra. Ele não precisava de uma garotinha mesquinha de cabelo cacheado e bochechas gordas para estar com ele, ele só precisava de si mesmo. Ah, que raiva! Darin estava sendo fraco, Darin não admitia fraqueza, principalmente a sua. Porém era impossível impedir as lágrimas de caírem. Elas agiam por conta própria. Ele não podia fazer nada. Somente chorar em silêncio. Bolina fazia falta, afinal, ela já tinha virado algo de sua vida. Ser irritado por ela já tinha virado comum.
Ele tinha de admitir. Mesmo ela sendo um peso, tinha gostado de certa forma de sua pessoa. Darin suspirou e tentou novamente tirar aquela garota da cabeça. Quem diria que um dia ele sofreria com essa coisa de “humanos”.
Uma Lembrança
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