Notas iniciais
Um sussurrou. Apenas um sussurro. Isso o cortou.

Noah Christhurt

No meio daquela confusão toda, ele perdeu Lucy de vista. Mas não tinha tempo para isso. Noah lutava no automático contra Nicholas. Os dois eram fortes, porém Noah tinha muito mais habilidade, e conseguiu desferir um golpe em sua costela, fazendo-o cair no chão e então matá-lo enfiando a espada em seu coração. Ele olhou em volta, a procura de uma nova vítima. E lá estava Janine, com as mãos na boca. Ele viu Lucy vir correndo na direção da menina e então passar pelas cosas delas e continuar correndo, até sumir novamente naquele banho de sangue. A princípio não havia ocorrido nada demais, mas logo depois desse meio tempo, Janine caiu no chão, com o corpo inerte. Morta. Noah conseguiu ver um rastro de sangue. Não importa do que Lucy tinha feito, mas fora eficiente.

Ele continuou á lutar, tanto contra os outros tanto contra a vontade de ir atrás de Lucy para saber se ela estava bem. Mas quando a fumaça abaixou, e todos os inimigos já estavam mortos, ele viu a Aliança viva, e ofegante. E, claro, para seu alívio, Lucy estava com o arco no ombro, mirando em um corpo já caído no chão. Todos estavam suados e sem fôlego. Com arranhões e alguns cortes, porém estavam vivos e quase inteiros. Kaya mancava, e Simbad estava desmaiado em suas costas, mas tirando este fato, os outros eram quase como jovens cheios de energia.

- Isso foi demais! – gritou May.

- Sim! – concordou Mandy.

Heikki correu até Lola e tocou a sua sobrancelha. Foi só ai que Noah percebeu que ela sangrava, e muito. No alto na cabeça, havia um talo, um corte gigantesco. Ele ia de sua sobrancelha até o couro cabeludo, em uma diagonal perfeita. Heikki a beijou e então fez de tudo para segurá-la quando ela desmaiou.

Noah suspirou e colocou a espada no chão. Ele se sentou, exausto e deixou as conseqüências da luta vir como uma avalanche.

- Sobrou só a gente? – então as cabeças se viraram todas em direção á pequena Lucy. – Quer dizer... Ali está a Anne, ali a Janine, o Nicholas, a Helena, o Marco, o Kane, a Lio... Somente o Iago não está aqui.

- É... Pelos meus cálculos só estão no Labirinto nós e ele. – concordou May.

No céu de concreto apareceu a insígnia da capital, e logo após ela os mortos da noite. Anne, Janine, Iago, Nicholas, Helena, Marco, Kane, Samanta, Esmeria e Lio. Dez tributos de uma só vez.

- O Iago... Também morreu. – sussurrou Lucy.

Por alguns segundos todos ficaram se entreolhando. Estavam encarando o óbvio: Eram os únicos tributos ainda vivos na Arena. Noah notou que nunca tinha pensado no que fazer quando isso acontecesse. Quer dizer, ele não queria matar nenhuma das pessoas ali. E acreditava que ninguém ali quisesse. Eles ainda estavam em silêncio, quando uma luz apareceu no meio deles, e a foto de alguns adolescentes na faixa de idade deles apareceu. Raquel, dizia a primeira foto. Lilith, dizia a segunda. Carter, Tabatha, Zoe e Acacia.

- Esquecemos deles. – Noah disse – Esquecemos até mesmo da Acacia. Eles ainda estão no Labirinto.

- Sim. – concordaram os outros.

E mais um momento de silêncio absoluto percorreu o recinto...

- Temos de nos separar. – comentou Mandy – Se pudermos evitar o quanto antes este momento, melhor – o “momento” que ela queria dizer era quando só sobrassem eles.

- Ok. – Noah concordou com um meneio de cabeça – vamos tirar na sorte. Vamos escolher números de um á quatro, e quem escolher o mesmo número fica na sua dupla. Assim fica mais fácil.

- Tudo bem. – Heikki disse – Mas eu ainda prefiro tomar conta da Lola.

- Certo, — Noah concordou – Mas só porque ela é do seu Distrito.

Então ele juntou os outros num circulo e fizeram uma pedra com a mão.

- Já! – Noah falou, e eles mostraram os números nos dedos.

Noah tinha escolhido o número um, pois era o número do seu Distrito. A primeira mão que ele viu, foi a de Lucy, pequena e com o número três indicando. May fizera o número três, também. O que o deixava com Mandy. Kaya e Simbad fizeram o número dois. Ele teve de lutar contra a vontade de pedir para ficar com Lucy, mas ele não podia cuidar dela para sempre, afinal. Lucy já era uma mocinha, quase uma meia-mulher. E ela tinha de aprender á se virar sozinha. E além disso, May era uma ótima amiga, e fora ela quem explicara tudo direitinho para Lucy, algumas horas atrás. Noah sorriu para Mandy, que retribuiu o sorriso, porém correu para um abraço apertado com May. E Lucy correu para suas pernas, o abraçando forte. Noah tentou desgrudá-la, mas era quase impossível.

- Eu não quero ficar com a May, eu não quero ficar com a May, eu não quero... – ela chorava e rolava a cabeça de um lado para o outro.

- Sem birra, Lucy, você sabe que é justo. – Noah segurou seu rosto fino – Você já é uma mocinha, tem de se virar sozinha daqui em diante. Você tem de aprender á cuidar de si mesma, Lucy. E além do mais você consegue sobreviver sozinha.

Seus olhos, em um azul púrpuro, estavam brilhando, e os dois sabiam o que estavam rondando entre eles: Não, ela não conseguia. Noah não esboçou algum sentimento quando ela e May seguiram pelo corredor contrário do dele e de Mandy. Noah virou as costas, sem se dar ao trabalho de pedir para que Mandy o seguisse.

- E então vamos para onde? – ela perguntou, após um silêncio mortal.

- Para a porta, onde mais? – ele riu, irônico.

- Hum... Legal. – ela comentou.

Ficaram mais um tempo em silêncio. Noah não consgeuia entender porque tinha sugerido aquilo de sorteio, sendo que Mandy adoraria ficar com May, e ele com Lucy. Suspirou. Às vezes ele se odiava...

- Ei, olhe ali – Mandy apontou.

Noah seguiu seu dedo, que apontava para uma abertura na parede. Era um vale com três cachoeiras caindo em um único rio. Uma atrás, e duas dos lados. Ele entrou na sala e logo viu os coelhos saltando e os esquilos correndo nas árvores. Pés de banana e limão estavam espalhados pelo lugar, e as laranjeiras deixavam um perfume ótimo no ar. Um corredor de perfumadas flores roxas e amarelas enfeitavam ainda mais a paisagem. Aquilo era um paraíso, pensou Noah.

- Uau. É ainda melhor do que o lugar dos pais da Lucy! – comentou Mandy, dando alguns passos e então passando a mão pela grama.

Noah a encarou. Como podia dizer isso? O “lugar dos pais da Lucy” não era somente um vale com cachoeira qualquer, era onde a Lucy tinha sido feita! E também emanava um gosto de amor muito maior do que ali. E além do mais, o “lugar dos pais da Lucy” tinha um ar mais aconchegante, e acima disso...

- É tão romântico... – a voz sedutora de Mandy cortou os pensamentos de Noah.

- O que? – ele a encarou.

- Eu decidi que, já que você será o último homem que eu talvez veja, então... – ela colocou as facas de um lado e a espada do outro. – Você poderia me fazer sentir prazer... – ela tinha um olhar sedutor, um jeito felino de dizer “olá, Noah”. Abrindo a armadura e a tirando. – E você também adoraria isto, que eu sei... – sua voz continuava melancólica e... Nossa! Ela era toa linda... Noah, de repente, teve o súbito desejo de agarrá-la e apertá-la contra si. Não transar com ela, mas sim abraçá-la. – Talvez seja sua última oportunidade, também. – ela levantou a blusa, tirando-a. – E é uma ótima história para perder a virgindade, não é, Noah... – ela estava sem sutiã... ELA ESTAVA SEM SUTIÃ! A cabeça de Noah girou á mil por hora. – Oh, você não é mais virgem... Que ótimo, assim eu sei que você é bem experiente... – Ah, como ela estava brincando com seu psicológico! Ela abaixava a calça tão lentamente... – Venha, Noah.

º º º

Noah se viu por cima de Mandy, com ela deitada na grama alta. Algumas flores estavam por perto, e seu suor pingava entre os seios dela, enquanto ele beijava e lambia sua pele. Mandy segurava seus cabelos ruivos com força, e gemia alto. Isso o excitava como nunca. Suas pernas roçavam entre as dela. Ele estava na loucura insana do sexo.

- Lucy... – sussurrou baixo, enquanto a imagem de Lucy sorrindo e jogando pedras nele aparecia em sua mente. – Lucy.

- Noaah! – a voz de Mandy cortou seus pensamentos e seus olhos se abriram, ele a beijou no pescoço e então os movimentos ficaram mais frenéticos e mais intensos. – No-ah...

Se isso estivesse acontecendo em qualquer outro momento, Noah teria adorado. Mas hoje ele estava se sentindo culpado. Culpado por Lucy. De certa forma, parecia que ele a estava traindo. Mas como...?! Não fazia sentido! Eles nem estavam juntos, eles não tinham mais nada... Noah não precisava mais protegê-la. Ele não precisava mais se lembrar dela! De como seus olhos eram de um azul tão lindo que o fazia lembrar do céu, ou de como os cabelos dela pareciam ouro. O que está acontecendo? Por que seu coração batia forte quando ela sorria, por que ele se alegrava com a alegria dela? Por quê? Lucy, você que é, tão doce e pura, sente o mesmo que eu? Você está pensando em mim? Lucy, você consegue ouvi-lo? Meu coração?!

- Não deveria estar aqui... – ele disse, ofegante.

Mandy segurou seus cabelos e puxou sua cabeça, levando-o para um beijo longo, demorado e molhado. Ah, como ela o excitava.

- Não... – ele lutou para se erguer, porém, como se protestasse, Mandy o puxou para baixo. Ela não o deixaria escapar tão facilmente. Seu sorriso era desafiador, e ela parecia ainda mais linda do que nunca. – Eu não posso.

Mandy arranhava as costas de Noah com as unhas, e ele se arrepiava. Mandy sabia como animar um homem, ele tinha de admitir.

- Por favor... – sua voz saiu como um sussurro. Mas Mandy não parava – CHEGA!

Sua voz era grossa, saiu alta e muito raivosa. Ele mesmo se assustou. Mandy o encarou, enquanto Noah se vestia como podia.

- Não deveria... Você não pode contar isso á ninguém! – ele cerrou os punhos.

- Claro, desde possamos repetir... – ela sorriu, maliciosa.

- Olha, isso não deveria ter acontecido. – ele pressionou as têmporas.

- O que foi? É por causa da pentelha, não é? – disse ela. Espere um momento! Ela chamou a Lucy de quê...?

- Não repita isso de novo! – ele quis agarrar sua garganta. – Se chamá-la assim eu...

- Certo, certo, você me mata... Blá-blá-blá.

Mandy nem se deu ao trabalho de ver se estava nua, ela simplesmente se levantou e correu até o rio, pulando na água e saindo nadando.

Porque disse aquilo? Por que Lucy? Como você consegue fazer isso?!

De uns tempos para cá ela tem mexido com aquilo que bate no seu peito. Sua missão era só protegê-la. Então por que não a tiro da minha cabeça e do meu peito? Ele se perguntava. Quando a vejo ferida é como se algo dentro do meu coração se contorcesse.

Como você consegue fazer isso Lucy? Uma garotinha! Lucy o que você esta fazendo comigo? Me diga! Preciso saber. Jamais alguém iria poder responder aquilo por ele.

Jamais ele saberia porque sua filhinha tinha ficado em sua mente enquanto ele transava com outra mulher. Jamais... Jamais a veria novamente. Tantos “jamais” corriam pela linha de vida de Noah... Ele se sentia sujo.

Ele se sentia incompleto.

Notas finais
Olha a foto que eu achei:http://animespirit.com.br/uploads/fanfics/capitulos/fanfiction-animes-fairy-tail-como-eu-te-odeio-416575,300920121804.jpg
Me lembrei automaticamente de Nucy. Quero agradecer pela Jujuba Mia Misha por me ajudar a fazer o capítulo! Beijos, Jujubas!