Your Hunger Games III - Fanfic Interativa
11 Hippies Me Dão Medo.
Notas iniciais
Heikki Aaltonen
Então ele saiu da Gang. Era o único lá que já possuía 18 anos, e logo faria dezenove, que benção! No centro do Distrito 4, todos eram convocados e era uma notícia da Capital, uma notícia para Panem inteira. Era hoje a “colheita” do Massacre, sorte dele que na colheita de verdade ele já teria completado dezenove anos.
Heikki parou ao lado de dois homens mais velhos, com roupas de pescador e cheirando á atum. Ele cruzou os braços e ficou olhando para a tela do centro da plataforma, lá mostrava a insígnia da Capital, e o hino da mesma tocava como fundo.
O prefeito Snow apareceu na tela e todos se silenciaram, sem avisos prévios, ele começou um discurso:
- Caros cidadãos de Panem. Os cumprimento. Vim anunciar o Massacre Quaternátio, que já está planejado e já possui seus lutadores. Durante seis longos anos, eu e a Idealizadora Chefe, Meell, do Distrito 1, a primeira Idealizadora vinda de um dos Distritos, escolhemos á dedo os Tributos deste ano. E tenho a honra de anunciar que este ano iremos relembrar o nosso passado. Como no primeiro Massacre, iremos ter somente um vencedor, e como no segundo, teremos o dobro de lutadores. Eu escolherei uma dupla de jovens e Meell juntamente com os Patrocinadores, irão escolher outros. Estes já foram escolhidos e agora irão ser convocados. Sem mais delongas, eis os Tributos que representaram o Distrito 1: Do grupo da Meell, Noah Christhurt e Lucy Sant’Dio. Do meu grupo, Callie Marshall e Fellipe Augosto. Do Distrito 2...
Heikki fechou os ouvidos, e só os abriu novamente quando viu os lábios de Snow se moverem num quatro.
- Do Distrito 4, Lola Stonem e... – ele leu o papel em sua mão. – Heikki Aaltonen.
Pronto, sua vida tinha acabado.
Heikki se ligou e gritou bem alto: — Eu vou ter dezenove!
Mas ninguém respondeu, todos estavam atentos aos nomes que Snow anunciava. Heikki começou a andar entre a multidão, enquanto todos se aglomeravam para ouvir o que a Capital tinha á dizer. Ele se enfureceu, e deu um soco no nariz de um cara qualquer.
Ninguém o notou, foi o que Heikki pensou, pois uma mão tocou seu ombro, assim que ele se virou, levou um soco forte o bastante para o fazer cair no chão.
- Parem! Parem! – ele ouviu uma menina gritando. Mas não conseguia virar o rosto para descobrir quem era. – Ele está nos Jogos! A Capital precisa dele!
Aos poucos Heikki sentiu quem os socos iam acabando, e então ele não sentiu mais nada, somente seu braço quebrado e uma dor alucinante no nariz. As mãos de alguém o tocou no rosto, fazendo-o dar um tapa na pessoa.
- Ei, eu não vou bater em você. – era a voz da menina. – Você quebrou o nariz.
Heikki sabia disso, não precisava que ninguém dissesse aquilo para ele.
- Meu nome é Lola Stonem. Estamos juntos nestes Jogos. Deixe-me limpar o sangue...
- Sangue?
- Sim, está bem feio. – Lola se inclinou sobre ele, ocultando sua visão turva, e com a barra de seu vestido, limpou o sangue que se espalhava pelo rosto de Heikki. – Venha para a minha casa, vou cuidar de você. Temos somente três dias, e ai a Capital vai te encher de coisas e... Consertar o seu braço. Não se preocupe
- Eu não preciso de ninguém, eu não preciso da sua ajuda. – Heikki tentou se levantar sozinho, oscilando. Lola o segurou para que não caísse.
- Vamos. – ela somente respondeu.
Heikki não disse nada. Talvez ele pudesse conhecer a sua parceira um pouco melhor.
Heikki observava enquanto aquela menina o apoiara-carregava, ela parecia realmente estar preocupada com ele, e Heikki pensou que talvez essa pudesse ser uma das qualidades daquela estranha. Lola havia livrado-o de perder o couro, e Heikki não poderia simplesmente recusar a hospitalidade dela. Agora que não tinha casa, sem a Gang, ele deveria beijar os pés dela. Mas nunca o faria.
- Minha casa fica á mais um quilômetro daqui, mas a casa da minha vó fica no próximo quarteirão, você agüenta até lá, ou prefere repousar na casa da minha vó?
- Não faço questão de nada. – Heikki respondeu, com o nariz escorrendo sangue, um pouco menos, agora.
- Vamos para a minha avó, quando terminarmos de cuidar de você, eu te levo para a minha casa. Serão somente três dias, mesmo. – a garota deu de ombros.
Heikki observou cada traço do rosto dela. Ela não poderia mesmo estar querendo ajudá-lo. Ela o levaria para sua casa, um estranho completo, e cuidaria dele. Evitaria que seu nariz sangrasse até morrer, e evitaria que a Capital o dominasse por completo. Pele amorenada, cabelos cacheados e negros. Olhos castanhos meio esverdeados. O nariz levemente arrebitado. Heikki olhou para o outro lado. As casas do bairro onde estavam eram feitas de cochas e areia. O que impressionou Heikki. Quando chegaram á casa tradicional que era quase igual á todas as outras do lado, Lola deixou Heikki apoiado na cerca de algas e troncos marinos, e foi pela trilha de conchinhas amarelas e subiu as escadas de areia. Tocou a campainha e esperou pela avó. Quando a velha apareceu, Heikki deu um passo atrás. Ela era hippie.
Heikki odiava hippies, eles lhe davam medo.
- Olá, Lola. – a avó da menina lhe fez um sinal meio estranho.
Lola repetiu o sinal e respondeu – Oi, vó. Eu trouxe mais um machucado.
- O.K., entre com ele. Vou buscar os curativos.
Sem mais nem menos, Lola se virou e a avó dela também. As duas começaram á caminhar. Heikki deixou que Lola segurasse se braço e o conduzisse até a sala de TV. Onde havia um sofá, uma poltrona, retratos por todo o lado, incenso, uma TV caindo aos pedaços e uma janela com vista para um jardim perfeito.
- Minha vó me ajudava á cuidar das crianças órfãs. Dos cachorros e gatos maltratados e até de mim mesma. Ela é muito legal. – Lola disse enquanto colocava os dedos delicadamente sobre o nariz de Heikki. – Ela sabe cuidar de alguém. Minha mãe disse que eu herdei essa vontade de ajudar dela. Eu e minha avó somos muito amigas. – Heikki estava atento ao que Lola dizia, que nem notou ela abrindo os primeiros botões de sua camisa.
- Ei, espere. – ele tirou as mãos dela.
- Não se preocupe, só vou ver os danos no seu braço. Eu não... Quero te ver sem camisa. – Lola disse, olhando em seus olhos.
- Qualquer mulher iria querer me ver sem camisa. Quer dizer, sem querer me gabar.
- Sim, é verdade, eu sei, mas não vejo isso como um aproveitamento, e sim como um meio de te ajudar. Você pode perder seu braço dependendo do que houve.
- Pelo menos deixe que eu tire a camisa.
- Certo. – Lola deu de ombros e se sentou ao lado de Heikki, esperando ele terminar de tirar sua camisa.
Heikki ainda não estava totalmente convencido, mas deixou que ela examinasse seu braço. O osso não havia se rompido tão profundamente, somente uma rachadura, ela disse. E logo ele poderia estar levantando qualquer coisa que quisesse. Heikki se sentiu bem melhor, sabendo disso. Quando a avó de Lola chegou, cuidou de seu nariz e o ajeitou no lugar usando uma caneta, o que não foi muito legal, mas Heikki não gritou tão alto. A avó de Lola realmente era uma coroa legal.
- Creio que já sinta seu corpo melhor. – ela disse, quando terminou. – Vá tomar um banho. Você precisa relaxar e deixar seu corpo cuidar de você, agora.
- Eu vou pegar algumas toalhas. – Lola se levantou.
- Esperem! – as duas se viraram, para olhá-lo. – Vocês... Não ligam pras cicatrizes e queimaduras que estão em mim?
Lola sorriu, como se entendesse o que ele queria dizer. – Não, Hei, nós cuidamos de pessoas com cortes na cabeça, pessoas sem os membros... Não me impressiona que um garoto forte e alto como você não tenha cicatrizes de briga.
A avó de Lola assentiu e continuou á andar. E Lola foi logo em seguida. Heikki ficou sozinho pensando no que Lola dissera: “Se fossem cicatrizes de brigas eu poderia até me sentir humano”.
Lola Stonem
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