Your Hunger Games III - Fanfic Interativa
2 Eu Sei...
Notas iniciais
Eu Sei...
- Não, Lunna, não! – Lucy tentou correr até a porta, antes que Lunna fechasse á chave, mas era tarde demais. A menina, fraca, bateu na porta e se encostou nela. Começou a chorar. Abraçou os joelhos e soluçou. Mas uma borboleta a interessou mais do que se lamentar.
Lucy podia ser ingênua, mas burra não era. Sorriu ao ver a borboleta.
Á alguns minutos atrás, antes do almoço, Lucy havia conversado com mamãe á respeito do mundo. E por incrível que pareça, mamãe o comparou á uma borboleta. Lucy ainda estava ingerindo as falas da mãe.
“Mas por que a borboleta?”
“Pois elas são livres. Livres e belas, podem voar livremente e sem motivo algum para isso. Mas ao mesmo tempo são vulneráveis. Se você prender uma em um pote, ela morrerá”
O mundo morreria se alguém o aprisionasse, como as borboletas. Lucy sorriu mais uma vez. Ela sabia que, mesmo não comparecendo ao enterro da mãe, ela ainda a amaria muito. E aquela borboleta contou isso. Contou com suas asas, voando lentamente e pousando no braço da poltrona empoeirada. Lucy morria de medo do sótão, pois Lunna vivia contando as terríveis histórias daquele lugar. Mas a borboleta á deu coragem. Ela caminhou sem levantar suspeitas, e se sentou, tomando a cautela para não assustar a pobre borboleta. Mamãe era a borboleta. Não somente em vida, mas aquela borboleta preta e branca que pousara aparentemente por nada ali, naquela poltrona abandonada.
- Você é minha mãe? – Lucy perguntou á criatura tão delicada.
A borboleta abriu e fechou as asas. Lucy se admirou com os traços leves e finos, e outros grossos e pesados que desenhavam as asas da borboleta. Na parte de dentro as linhas eram negras, e a cor era branca. Na parte de fora era uma negra borboleta. Ela fechou as asas, e Lucy quase não conseguiu vê-la, e distingui-la da poltrona. Tentou tocar na criatura que lhe dava tanto fascínio, mas a mesma saiu voando, alegre, e batendo suas asas bicolor.
- Tchau, mamãe. – a garota somente disse, e sorriu.
Se afundou na poltrona e espirrou quando a poeira atingiu seu pulmão.
Lunna havia dito que Lucy era nova demais para ir á um enterro, ainda mais para o enterro de sua mãe. Mas não era verdade, Lucy tinha que ir. Era a mamãe. Mas ela prometeu á si mesma que iria depois, quando pudesse. Lucy nunca havia ido ao cemitério, mas disseram que era lá onde papai estava, e agora mamãe. Ela se sentou no parapeito da janela e ficou olhando para o jardim de diamantes que havia fora de sua casa, atrás da Prefeitura. A neta do ex-prefeito do Distrito 1 era conhecida como a Sant’Dio. Lucy carregava o sobrenome de papai, enquanto Lunna era chamada de Densverouix. Lunna havia ficado com o nome de mamãe pois era ela quem seria a futura prefeita na sucessão ao cargo do Distrito 1, se caso seu tio morresse. E por isso ela tinha de ficar com o sobrenome Densverouix, o que só gerou mais raiva de sua irmã mais nova, Lucy. Lunna sabia que era parecida com seu pai, mas Lucy era diferente, ele tinha o nome dele... Era como se sua irmã somente que fosse filha do falecido Lucca Sant’Dio.
- Se caso algum dia nos encontrarmos, espero que seja no céu. – Lucy debruçou no parapeito da janela, sentada no banquinho que estava lá. – Deus com certeza vai te guardar para mim. E nós iremos ver as borboletas junto com a mamãe. Ela era livre, não é, papai?
“Sim”, Lucy pensou que seu pai responderia. “Ela é a borboleta, e você é rosa. E eu sou o nosso jardim”.
- Mas e a Lunna?
“Ela será nossa chuva”.
Lucy suspirou. As únicas lembranças que tinha do papai eram as que ela mesma formulava em sua mente. Lucy sorriu para o nada. Queria estar lá fora, mas não podia. Sua irmã dizia que ela era boba demais e que qualquer um poderia fazer o que bem entendesse com ela. Talvez Lunna só estivesse preocupada demais, pensava Lucy. Então deu de ombros e olhou em volta. O que tinha para fazer enquanto estivesse presa lá?
º º º
Lucy já tinha sete anos, quando Lunna finalmente contou á ela o que tanto escondia sempre que ia conversar com as amigas.
- Eu tenho um namorado.
- Verdade?
- Mas é claro que é verdade. E ele se chama Octavio.
- Ele é bonito?
- Muito bonito.
- Ele é alto?
- Não. Mais ou menos da minha altura.
- Hum... E você perguntou pro papai se podia namorar... ?
º º º
- O que é morte, vovô?
- Morte é tudo aquilo que nós amamos e mesmo assim perdemos.
- Mas eu não amo minha professora, e ela morreu mesmo assim.
- As coisas só são morte quando de algum modo fazem importância ou faltam para nós. Seu pai, por exemplo, você o amava, não?
- Claro.
- Então isso foi morte. Ele se separou de você sem que realmente quisesse.
- E a mamãe também?
- Mas é claro.
- E a vovó?
- Sim, a vovó amava você.
- E a Lunna?
- O que tem a Lunna?
- Ela me ama também?
º º º
Lunna entrou na casa e viu Lucy assistindo á televisão. Era ano de Jogos, e como Lucy não podia ver as mortes, ela adorava ver o Desfile e as Entrevistas sempre que podia. Lunna sorriu e se sentou no sofá, ao lado da irmã.
- Sabe, Lucy, você tinha razão. Eu tenho o papai dentro de mim. – ela falou, com deboche. – E ele conversou comigo.
- Sério? Que legal, Lunna, parabéns. E o que ele disse?
- Ele disse que não era pra mim contar.
- Conta!
- Só se você prometer não dizer á mais ninguém.
- Certo.
- O papai me disse que... Que ele não te ama.
- Ah, sem brincadeira, Lunna, isso é sério. O papai fala comigo, eu consigo sentir.
- Mas eu estou falando sério! Ele disse que não te ama pois nunca de conheceu. Ele não sabia nem que você existi quando morreu. Por isso ele só gosta de mim.
- Eu sei que é mentira, Lunna. O papai amava todo mundo.
- Menos você. Você nem existia ainda, Lucy, ele não te amava. Ele não podia amar algo que nem chegou pa conhecer.
Lucy pensou um momento naquilo, e então sua mente se iluminou.
- A mamãe disse que eu poderia ver a fita dos Jogos dela quando tivesse nove anos!
- Ela disse dez.
- Mas eu quero ver! Eu sei que o papai me amava, eu SEI, Lunna.
Lucy Sant'Dio
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