Notas iniciais
A primeira e última parte humana de Darin Astaroth.

Bolina Montenegro

Bolina se sentou na cama, e esticou os membros doloridos. Nem tinha ido para os Jogos e já estava totalmente desgastada. Darin lia alguma folha de uma espécie de jornal da Capital. Ele parecia muito interessado na leitura, tanto que nem viu Bolina sentar-se ao seu lado na cama. Ele só a notou quando ela perguntou qual era o tema.

- Economia. – ele respondeu.

Bolina não sabia nada de economia, nem queria saber, então se levantou e então foi ver os outros na mesa do café da manhã. Acacia estava muito entretida com uma piada da parte de Jason. Seus mentores riram e choravam litros com as histórias que o garoto contava. Bolina chegou e se sentou ao lado deles. Sorriu e então pegou um pão, passou manteiga e amora, e mordeu um pedaço. Odiou o gosto no mesmo momento. Ela deixou o pão de lado e pegou um pedaço de bolo da prateleira de doces.

- Bolina, quarto. – sua mentora entrou na Copa do Apartamento nº2.

- Mas eu só...

-Quarto. Agora. – Ela mandou sem querer ouvir o que Bolina tinha á dizer.

Bolina bufou e foi andando pesadamente para o quarto, ouvindo os passos do salto da mentora logo atrás dela. Bolina queria arrebentar a cara dela. Mas pensou melhor, não seria uma boa coisa.

Assim que entrou no quarto, abrindo a porta, sua mentora a empurrou, a lançando nos joelhos de Darin, que estava sentado na cama, ainda lendo. Ele olhou para Bolina, olhou para a mentora, e voltou á ler. Bolina, por sua vez, segurou o nariz, enquanto a náusea não passava. Ela olhou com os olhos molhados para a mentora, que somente revirou os olhos e se sentou na cama de Bolina. Ela se levantou, apoiando-se no joelho de Darin.

- Isso! Perfeito! – a mentora exclamou, Bolina parou no ato, ficando imóvel. – Maravilhoso! Vocês não sabem o quanto combinam!

- O que? – Darin olhou interrogativamente para Bolina, que apenas deu de ombros sem saber de nada.

- Vocês dois! Combinam!

- Não! – ele voltou á exclamar com mais convicção.

- Sim! – a mentora e Bolina revidaram.

Darin olhou acusadoramente para Bolina. Ela somente revirou os olhos e se sentou ao seu lado.

- Nós podemos conseguir ajuda assim. – ela disse.

- Exatamente! – a mentora apoiou. – Mas eu não estou aqui para falar sobre isso. – ela se levantou e então pousou as mãos ao lado das pernas. – Quero que vocês dois se separem no treino hoje.

- Como é? – Bolina se levantou.

- Claro, sem problemas. – Darin deu um risinho.

- Não! – ela o repreendeu. – Eu não vou ficar longe dele.

- Querida, entenda, — a mentora segurou as mãos de Bolina. – nós, mentores, é que organizamos os treinos, não os Idealizadores. Eu quero ver como você e o Darin se saem sozinhos. Você pode não querer, mas eu posso fazer uma montanha para separar você dele.

- Mas...

- O que tem de mais? É só um treino. Na Arena eu não poderei fazer nada, mesmo. Agora, obedeça, ou eu não te darei uma segunda chance.

Bolina puxou suas mãos das da mentora, e então se jogou na cama, emburrada. Ela não queria ficar sozinha na Arena, ela sabia que não tinha chance nenhuma sozinha. Assim como aconteceu no primeiro treino, quando...

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[Primeiro Treino, Cabana, Tributos do 2]

Assim que Darin matou-a, Bolina se jogou na cama, gemendo de dor, e com a mão na cintura. Darin a colocou deitada na cama e usou sua camiseta para estancar o ferimento. Bolina fechou os olhos, aquilo doía demais. Ela tentou esquecer a dor, mas era impossível. Por fim, Darin se deitou ao seu lado, e ela subiu para cima dele. A dor aumentou.

- O que você fez? – ela perguntou, com os dentes trincados.

- Eu envolvi sua cintura, então você não pode respirar depressa.

- Ah, por que não me avisou antes? – ela enterrou o rosto no peito de Darin. – Dói muito!

- Imagine na Arena. É por isso que estamos aqui, para aprendermos que dói, e para não fazermos igual na Arena.

Bolina ficou em silêncio. As vezes o conhecimento e a superioridade de Darin á tiravam das palavras. Bolina suspirou, e então ergueu seu corpo.

- Espere. – Darin a impediu. – Você vai sofrer muito se tentar se movimentar. Tem certeza?

- Você deveria estar agradecendo por eu sair de cima de você. – ela ergueu uma sobrancelha.

Os dois riram, de uma hora para outra, Bolina percebeu que Darin não a tratava mais como um fardo pesado, mas como uma menininha órfã de quem ele deveria cuidar até não poder mais. Em certa parte, era verídico.

- Vamos esperar somente mais alguns minutos. Não teremos tanto azar de ocorrerem dois ataques no mesmo lugar, não? – Darin sorriu pequeno.

- Se a sorte estiver á nosso favor...

- Ela está, sim. – Darin a abraçou.

Bolina sorriu, em meio ao abraço. Ela não notou mais o ferimento, nem o mínimo de ar que tinha de puxar, para que as costelas não doessem tanto. Darin sabia que ela era uma humana, mas mesmo assim a aceitou.

- Você deveria ser meu irmão. – Bolina cortou-o.

- Por que? – perguntou.

- Meus irmãos abusavam de mim. Talvez esse seja um dos motivos para eu ser tão... Humana. – ela não olhou para os olhos dele. – Meu pai também abusava. E minha mãe fugiu de casa sem nem pensar se eu iria sofrer o que ela sofria.

Darin permaneceu em silencio por alguns segundos.

- Um dia, — ele começou. – eu tinha acabado de descobrir um livro de história na biblioteca do Distrito. Eu adorava cada página daquele livro. Tanto que eu o roubei. Então eu comparei pela primeira vez a nossa sociedade, e a sociedade do livro. Eles eram perfeitos, em relação á nós. Eu fiquei com raiva, fiquei irado. Eu estuprei uma menina que estava na biblioteca. Então eu vi o que tinha feito, e coloquei a culpa nos humanos. Eu me repreendi, e pedi perdão á garota. Ela tinha horror de mim. Nunca mais voltei para a biblioteca. Então eu comecei a sentir falta dos livros, e todas as madrugadas eu invadia a biblioteca, quando não tinha ninguém, e lia o máximo que podia. Um desses dias, a menina estava lá, me esperando. Eu tinha acabado de queimar minha irmã, pois ela estava tomando banho, e eu dei descarga. – Darin riu, lembrando-se do que parecia ter acontecido em outra vida. – Ela estava lá, me esperando, como se soubesse que eu ia lá, todas as noites. Eu tentei correr, mas ela me deteve. Então ela perguntou...

Bolina esperou avidamente pela continuação. Aquilo parecia mais uma história de “Era uma vez...” do que uma história de vida real. Ela não sabia porque Darin estava contando tudo aquilo para ela, mas ficou em silêncio mesmo assim. Bolina tinha aprendido que se Darin queria falar, é porque era algo importante.

- ... “Por quê?”, eu não sabia o que responder para ela, então disse o mais óbvio “Eu não sei”. Ela sorriu, e me abraçou. Eu não entendi nada. Eu tinha feito uma coisa horrível com ela, mas mesmo assim, após anos do acontecimento, ela me abraçava, como se eu fosse alguém próximo dela. – Darin engoliu a saliva que se acumulava em sua boca. – Ela se sentou perto de mim,e pediu pra mim ler em voz alta o que estava nos livros de história. Ela não sabia ler, por isso ficava horas na biblioteca. Pois ela ansiava por letras. Eu li para ela, e ela sorriu. Perguntou inúmeras coisas, e eu não me senti irritado em responder. Era como... Uma recompensação, ou não sei... No dia em que fui para a Colheita, no Edifício da Justiça, ela veio me ver. E ela me disse que estava grávida do namorado. Mas que eu fiz tipo uma aborto. O namorado tinha abandonado ela. E ela estava me agradecendo, pois após o aborto ele aceitou-a de volta. Me culpei por ter estragado a vida dela.

- Como? Mas você não a ajudou?

- Claro que não, Bolina. Você não entende? Ela tinha finalmente se separado de um cara que nem assumia o filho, e agora deve estar grávida de novo, no mundo, jogada por ai. Era melhor eu ter deixado tudo em seu devido lugar, e ela aprendia a lição de uma vez por todas.

Bolina olhou interrogativamente para Darin. Ele falava sério. E ela compreendeu exatamente o que ele queria dizer: Nada. Ele contou aquilo, somente para contar. Ele não tinha um motivo exato para dizer aquilo á ela. E isso fez com que Bolina se sentisse especial.

Notas finais
Mandem reviws, jujubas! Eu vou estar na casa da minha prima!