Your Hunger Games III - Fanfic Interativa
68 Como Um Anjo
Notas iniciais
Anne Agron
Anne colocou a madeixa para trás. Se olhou e sorriu. Estava linda, ela conseguia admitir aquilo. A Capital tinha feito dela uma estátua de sedução. Anne se encarou novamente do espelho. Ela não podia estar tão linda assim! Nem parecia que era a própria diante de si mesma...
- Não consegue acreditar que seja você? – Iago sorriu.
- Não... Olha isso! Esse decote! E o cumprimento do vestido...
- Pra mim está ótimo. – ela viu o olhar malicioso de Iago.
- Ah, pare com isso. Você é homem, claro que vai adorar.
- Não só por isso. O vestido fica bem no seu corpo.
- Ah, claro, qualquer coisa decotada e curta fica bem me mim... – Anne disse, um tanto quanto chateada.
Iago sorriu, pensando que ela estava se gabando, e então foi retocar sua maquiagem com sua equipe de preparação. Anne passou a mão pela cintura e então respirou fundo, e puxou o decote para cima. Se respirasse forte demais aquilo acabaria caindo.
Ela olhou para a televisão, onde o garoto e a garota do 6 estavam falando com a apresentadora grisalha. Ela observou o jeito animado como a menina respondia ás perguntas, e como o garoto sempre sorria para a platéia. Ela também percebeu que a mão dele sempre pousava na perna da menina, e que ela sempre a afastava levemente. Anne sorriu, ela não queria nada, mas ele estava pressionando. Quando a entrevista deles acabou, era duas e meia da tarde. Ainda faltava muitos tributos, mas a metade já tinha se apresentado. Iago passou as mãos nos cabelos e então ofereceu o braço para Anne.
- Eu tenho que entrar meio que desfilando. – ela disse, negando o braço.
- Tudo bem.
Ela piscou e então tomou fôlego. Era agora. Não tinha como evitar. Três... Dois... Um...
- Senhoras e senhoras... Anne Agron e Iago Martins!
Anne entrou, com seu olhar determinado e feroz sobre a apresentadora (algo que Iago tinha dito que era sexy.) seus braços balançavam ao lado do corpo, e suas pernas eram confiantes. Ela esbanjava sedução, suava emoção e contagiava homens e até mulheres. Ela, por fim, lançou um sorriso sobre todos, e foi o fim. A Capital parou. Panem parou. Aquela era A mulher.
- Uau! – Grisela vibrou junto com a platéia. – Que menina diva!
- Obrigada. – Anne sorriu abertamente, sentindo a presença de Iago, e logo percebendo que ele estava se sentindo inferior.
A atenção estava toda sobre ela, Anne tinha tudo nas mãos. Já Iago, era quase como um personagem de fundo, alguém não muito interessante.
Anne o puxou e segurou na sua mão, perguntando á Grisela se eles poderiam se sentar. A mulher grisalha disse que seria uma honra se eles o fizessem, e lá eles permaneceram durante as primeiras vinte perguntas.
- E sobre vocês, Anne e Iago, são muito próximos?
- Ah... – Iago engasgou.
- Somos sim, muito próximos. Somos melhores amigos, eu e ele! O Iago é tipo... Minha mãe.
- Sim, a Anne é a minha menina. – Iago apoiou, ainda não entendendo aonde aquilo ia parar.
- Ah, então quer dizer que vocês já se conheciam antes dos Jogos?
- Claro que sim! – mentiu Anne, totalmente empolgada. – Ele é meu vizinho! Estudamos juntos, e ele sempre me empresta o apontador na aula de história!
- Ora, que legal! – Grisela sorriu. – E vocês tem um amor fraternal muito forte um pelo outro, certo?
- Claro! – Anne abraçou Iago.
- Sim, ela é a minha menina. – Iago voltou á apoiar.
- Certo, certo. – Grisela olhou diretamente para as câmeras. – Eles são realmente um bom casal, creio que muitos irão apostar neles! – a platéia gritou que sim, como resposta. Anne se sentiu uma princesa. O que outrora, ela fora. – Iago, você me parece ser bem tímido.
- Ora, que nada, é que tem muita gente aqui. – Anne respondeu por ele, ainda muito empolgada.
- Bem... Eu não costumava ficar me enturmando.
- Certo. E o que você e Anne faziam quando estavam juntos?
- Nós cantávamos. Eu tocava violão. E ela cantava. – Iago sonhou.
- Ah, então Anne sabe cantar, também? Que menina talentosa! Linda, habilidosa e sabe cantar!
- Sim, a voz dela é incrível! – Iago imaginou como queria que a voz de Anne fosse. Aquela mentira estava moldando dentro de seu peito uma nova Anne, uma Anne que ele queria ter.
- Então cante para gente, Anne.
Anne gelou. Como? Ela não sabia cantar, nunca tinha tentado! Ela não poderia simplesmente abrir a boca e falar notas tortas. Ela não podia alimentar aquela mentira á ponto de se tornar verdade! Anne olhou para Iago, como se pedisse por socorro, e ele entendeu.
- A Anne só consegue cantar se eu estiver tocando violão. – lamentou Iago.
- Ah, que pena... – Grisela fingiu estar triste, e logo colocou a mão no ouvido, recebendo uma mensagem dos Idealizadores. – Ah, que maravilha! Anne, seu problema foi solucionado, tem um violão sendo mandado para cá agora mesmo e... Ah, que pena, fica para o intervalo. – Grisela sorriu para a câmera. – Eu sou Grisela Muddgan, e você está vendo As Entrevistas dos Tributos! Já voltamos.
Grisela se levantou e então passou as mãos na saia. Ela olhou para Iago e para Anne, e disse, como uma voz solidária.
- Eu tentei. – e saiu com seu salto alto, fazendo clap, clap, clap.
Anne olhou para Iago, e ele colocou as mãos no rosto.
- Não posso cantar. – ela disse.
- Você vai ter que cantar.
- Não! Foi você que disse que eu cantava!
- Mas... Eu... Não me culpe!
- Iago, você não deveria ter dito aquilo!
- Anne...
- Iago!
- Não vamos brigar aqui. – ele sussurrou. – Não na frente da platéia. Tem milhares de Patrocinadores aqui. Por favor.
- Você no banheiro, daqui cinco minutos. – ela se levantou e foi para os bastidores.
Esperou por Iago intermináveis cinco minutos, e quando ele entrou, mandou que fechasse a porta e disse com os dentes trincados:
- Eu não sei cantar.
- Vou te ensinar.
- Não pode me ensinar de uma hora para a outra!
- Posso ensinar o básico. Não precisa modular, é só cantar em soprano, o seu timbre é bom, então acho que se você cantar reto, talvez consiga atingir as notas certas.
- O que?
- Que música você sabe?
- Ah... Não muitas...
- Você conhece a... Qual o nome... Nossa, esqueci.
- Como começa?
- “E quando eu estiver triste, simplesmente me abrace.”
- Conheço.
- Então, é só cantar. – ele sorriu.
- Mas...
Trinta segundos para o término do intervalo. Tributos, voltem para o palco.
- Vamos. – Iago segurou o punho de Anne, que ficou imóvel.
- Mas eu não...
- Anne, você é boa em tantas coisas, por que não seria em cantar? É a coisa mais natural, para mim.
- Eu não sou você.
- Você é melhor.
º º º
- Voltamos com os tributos do 7!
A platéia aplaudiu.
- Agora, vamos voltar ao nosso principal assunto. Já pegou o violão?
Iago colocou o instrumento na perna, e então dedilhou, ouvindo as notas e então afinando o violão nas que precisavam. Iago começou á tocar a introdução da música, sentindo seus dedos reagirem aos sons, e então começassem á fazer segunda base, algo que somente os que tinham nascido para a música conseguiam fazer. Ele também sentiu os velhos hábitos voltarem á tona, o jeito de demorar no Lá, e como ele adorava ouvir o Dó.
Iago olhou para Anne, e isso indicou que era a hora dela entrar cantando. Por isso ela abriu a boca e... Sua voz entalou na garganta. Iago não parou de tocar, deu a volta e retornou na introdução, passou e então olhou para ela, de forma mais confiante e intensa. Anne trocou o olhar e então assentiu.
- Mesmo que o mundo acabe em fim. Dentro de tudo que cabe em mim...
Os dedos de Iago pararam instantaneamente. Não era possível. Iago sabia que Anne conseguia cantar, porém...
- És um anjo. – ele sussurrou.
- Como? – Anne ergueu uma sobrancelha.
- As voz. É como a de um anjo.
- Isso é bom?
- Merece um dó maior. – ele ainda estava com a voz de Anne nos ouvidos. – Você é a garota perfeita.
- Iago... – as bochechas de Anne ficaram avermelhadas.
Iago sentia algo quente lhe correr o peito, e descer. Anne estava radiante naquela roupa, os cabelos estava brilhosos e seu sorriso era... Divinho. Iago sentiu novamente aquele quente lhe descendo, e então se entregou á sensação de puro prazer que era de ouvir e reouvir a voz de Anne.
- Que coisa linda, gente! – Grisela lhe cortou os devaneios.
- Ah, ahn... – ele emitiu.
- Iago... – Anne cantou.
Ele a encarou, não ela não tinha cantado, ela só tinha chamado por ele. Mas Iago se fez ouvir por música. Como ele sempre fazia em sua vida. Ele fazia de tudo uma música, porém Anne já era música. Uma música cantada pelos lábios de anjos.
- Anne...
- Ih, nosso tempo acabou! – Grisela sorriu. – Muito obrigada, Anne e Iago, parabéns, e boa sorte nos Jogos.
Anne assentiu e segurou o braço de Iago, puxando-o. Beijou a palma da mão e assoprou, como se mandasse o beijo para todos ali, e a platéia foi á loucura.
º º º
- Anne... – Iago tocou o rosto da menina. Ele ainda estava no transe.
- Iago, o que foi? Você está me assustando.
- Você...
- Sim, eu, Iago, Anne. Por favor, diga que está bem.
- Eu estou maravilhosamente bem.
- Por favor, Iago, olhe nos meus olhos.
Iago obedeceu, seus olhos foram fixamente para os dela, e ela notou que o que ele tinha era pior do que pensava. Ele estava apaixonado.
- Iago, não, por favor, não.
- Anne...
- Você parece um zumbi!
- O que? – ele balançou a cabeça, encarando-a fixamente.
- Finalmente. O que deu em você?
- O que deu em você! – ele respondeu. – Você disse que não sabia cantar!
- E eu não sei.
- Eu esperava que você... Começasse á me fazer querer cortar meus ouvidos, não...
- O que?
- Você nasceu para a música. – ele elogiou. – E eu nasci para você.
Anne uniu as sobrancelhas.
- Posso te beijar?
Ela permaneceu em estátua, ainda digerindo as palavras dele.
- Posso, Anne? – Iago estava se aproximando.
Anne ainda não conseguia entender os fatos.
- Eu estou... – ele tocou seus lábios com o nariz, e beijou seu queixo. A bochecha, sua pálpebra, a testa, o nariz e finalmente os lábios.
Os lábios de Iago eram macios, carnudos e suaves. Anne não conseguia querer parar de estar em contato com eles. Ela estava adorando a sensação.
Iago colocou sua franja para trás das orelhas, e acariciou seu braço com as pontas dos dedos. A pele de Anne se arrepiou, e ela se apaixonou pelo garoto da cabeça nas nuvens.
O Anjo de Iago
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