Your Hunger Games II - Parte Dois
28 Yuri Eaghmaoui
Notas iniciais
Yuri Eaghmaoui
- Corre, Yuri, corre! – Donna me puxou pelo braço.
- O que houve? – não entendi o que ela tinha.
- Uma carnificina, horrível! Venha, Yuri, por favor, tem um guri atrás de mim. Venha!
Eu concordei, e deixe ela me conduzir, enquanto corríamos.
- Você armou a armadilha?
- Sim. – respondi, orgulhoso.
- Ótimo.
Continuamos a correr.
- Ai! – Donna caiu.
- O que houve, o que foi?
- Eu torci o tornozelo...
- Donna, se apóie em mim. – coloquei seu braço sobre meus ombros e a tentei levantar.
- Não, Yuri, eu vou te atrasar, corra, agora. Eu prometo que vou... Tentar voltar.
- Donna...
- Yuri, por favor.
- Volte, por favor.
- Eu disse que vou tentar.
- Não tente, consiga. – respondi, e comecei a correr para o mais longe possível.
Não me virei uma única vez para saber o que se ocorria. E quando já estava a muitos quilômetros, ouvi um canhão. Gelei, e comecei a correr ainda mais rápido, sem ver por onde ia, até chegar ao forte onde eu e Ethan havíamos me encontrado. Respirei fundo e me sentei, entre as ferrugens, e esperei pacientemente por Donna. Ela não veio. Demorou muito tempo. Algumas horas, ou dias. Não sei. Só sei que, quando o Sol subia pela décima quarta vez, ela chegou. Em ruína total.
- Yuri. – ela se arrastou, com as pernas totalmente corroídas.
- O que houve com... – me engasguei quando vi a sua carne viva entre os fiapos de sua calça.
- Uma poça, gigante. – ela contou. – Ácido. Muito ácido. Pensei que ia morrer. Mas um lobinho me ajudou, ele começou a comer a minha perna e eu o matei com um volante.
- Ácido... – pensei a respeito. – Venha, você não consegue andar, certo?
- Não.
- Posso te carregar?
- Claro. – ela respondeu.
Peguei Donna no colo, e ela passou seu braço por meu ombro. E me beijou na bochecha, enquanto deitava sua cabeça em meu ombro, e suspirava. De um jeito terrivelmente estranho, feliz.
A levei até a Cornucópia, onde não havia mais lada, a não ser lobos. Mergulhei suas pernas na água. Donna cerrava os dentes para não gritar. Suas pernas estavam tão finas quanto as minhas, e o sangue saia e tomava conta do Pequeno Lago.
- Donna, você não vai conseguir ficar assim. – falei das melhor maneira possível.
- Não, Yuri, qualquer coisa menos cortar as minhas pernas!
- Certo, eu vou...
Um paraquedas atingiu minha cabeça. O peguei e abri o galão. Estava escrito: Passe e envolva.
- Donna, tire as calças.
- O que?
- Tire suas calças, precisamos te dar um banho pra passar o remédio.
- Mas você vai...
- Não ligue, eu dei banho na Dasha quando éramos menores.
- Mas a Dasha é sua irmã gêmea, ela dividiu o útero com você, e além do mais, ela tinha a sua idade. Eu sou mais velha que você.
- No meu Distrito, as pessoas não tem tanta... Malícia assim. – respondi. – Mas se você faz questão, não me importo. Só tome cuidado com...
- Ta, pode me dar um banho, pirralho.
- Gosto quando não me chama de guri.
- Venha logo, guri, antes que eu mude de idéia.
Não pense que Donna tomou um banho do tipo de passar sabão. Ela mal conseguia agüentar a água do lago, como poderia se lavar de verdade? A ajudei a sair do Pequeno Lago, e abri o galão que tinha o conteúdo exato de remédio para as pernas de Donna. Assim que terminei de passar, peguei sua calça e a rasguei, fazendo faixas, e as enrolei em suas pernas, assim como pedia o bilhete. Donna não soltou um A enquanto eu enrolava o tecido. Quando terminei, ela já estava mais calma, e não parecia tão abalada assim.
- Pelo menos eu não fiquei sem minhas pernas.
- Logo você poderá andar, eu prometo. – falei.
- Não prometa isso, você não pode cumprir.
- Mas tentarei. Usaria as minhas dádivas em seu nome.
- Você é um menino de ouro, Yuri.
- É pode ser.
Donna riu e se deitou. Um lobo grande e de pelo avermelhado feio cheirá-la, e depois se afastou lentamente. Os lobos não estavam nos atacando, eles somente estavam comendo... Grama? Desde quando...
- Você pode me carregar mais um pouquinho? – Donna ficou com as bochechas coradas.
- Claro. – respondi e a peguei da forma mais delicada possível. – Para onde ir?
- Eu encontrei um lugar naquele lado. Era um esconderijo do Distrito 8. Os dois guardavam muitas sementes e coelhos mortos. Não sei onde arranjaram esses bichos, mas que estão frescos ainda estão. As armas deles também estão lá. Se não me engano eram uma zarabatana e uma espingarda.
- Nós vamos para lá sim. – falei. – Por onde é?
Donna apontou o dedo e eu segui na direção, várias vezes ela pensou estar enganada, mas no fim, conseguimos achar. Quando a coloquei sentada no sofá que havia lá, ela respirou fundo, aliviada, e se espreguiçou ali. Peguei os dardos espalhados pelo lugar, e as balas.
- Eles eram bem reservados e espertos. – Donna concluiu.
- É o que parece. Mas morreram.
- Por causa do idiota do Lucca.
- O Lucca é idiota porque matou os caras do 8?
- Não, por que poderia ter matado qualquer um.
- Mas é para isso que estamos aqui.
- Então se eu te matar agora, você não poderia me culpar.
- Ei, espere ai, somos parceiros. Nós dois vamos ganhar.
- E o Lucca?
- O Lucca tinha a Selene.
- Então você o defende por isso?
- Não, espere... Poxa, você me deixa confuso.
- Eu sei. Eu gosto.
Meninas, porque gostam de me deixar confuso? Estranho. Mas normalmente Donna não está me chamando de guri, e isso já é muito legal, para mim.
Peguei uma das mochilas perto do sofá e a abri. Havia um saco de batata assada e crocante.
- Isso ai é do Distrito 2?
- Não, do 1. – respondi.
- Santa Maionese! – Donna tirou o saquinho de minhas mãos. – Isso é uma delícia!
- Que bom. – dei de ombros,
- Báh, guri, você não tem bom paladar.
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