Your Hunger Games II - Parte Dois
8 Camille McGrath (Final)
Notas iniciais
Camille McGrath
O marcador chegou a 0:00 e meu cérebro só dizia uma coisa ao meu corpo: CORRA! CORRA! E eu obedeci. Não demorou nem cindo segundos para que eu encontrasse Charlie. Ele segurou meu pulso e não o soltou até termos chegado ao outro lado do lago que rodeava a Ilha de Grama.
- Todos estão fugindo. – falei.
De um lado pessoas iam para as sucatas, de outro caiam no abismo, mas ninguém vinha pela direção que eu e Charlie havíamos nos encaminhado. Era uma floresta escura e fria, com névoa e uma umidade enorme. Sombria, e... Mágica. Perfeito para uma... Uma feiticeira. C-como, como eu! Era a parte mais negra e tensa da Arena.
- Venha, Cami. – Charlie chamou, como se soubesse exatamente para onde íamos.
- Mas onde estamos indo? – perguntei me recusando a continuar.
- Para um lugar mais seguro. – Charlie segurou meu braço fortemente e me puxou junto a ele, sem me deixar escapar. Ele me assustava.
- Como você sabe que aqui é mais seguro? – finalmente perguntei, já na metade da floresta, e com minha bota enrascando em todos os galhos que passavam no chão.
Charlie soltou-me com certa braveza, e ele demonstrava que já estava muito irritado comigo, mas eu não me dei por garotinha, ignorei-o completamente, ele era um imprestável e... Lindo. Mas imprestável. Pegou sua mochila das costas e de lá tirou um mapa enrolado.
- Creio que eu seja o único que possui isso aqui. – ele me deu o negócio.
Olhei para o papel. Um abismo tomava quase que toda a parte do mapa. Uma cachoeira estava bem abaixo deste abismo, e havia a outra parte da Arena, sendo dividida pela Ilha de Grama, o Ferro-Velho, e espremidos contra o abismo e o Ferro-Velho, estava a Floresta da Neblida, seguida do Cemitério e de uma vasta floresta sem nome para identificar. Será que era para lá que Charlie queria me levar? O encarei, cética. Não podia ser aquilo. A Arena não podia se resumir a isso. Não haviam truques, não haviam lugares para comida a não ser a floresta! Todos morreriam de fome ou sede em poucos dias. Engoli em seco.
- Está vendo? – Charlie disse. – A Capital não quer que sobrevivamos. Eles querem mostrar de uma vez por todas que quem manda aqui é eles. Não deixaram nada para os outros, e existe apenas um mapa comigo, creio que também haja outro, se eu estiver certo, a Capital já determinou os vencedores, os únicos que tem este mapa. Outro mapa está por ai, dentro de outra mochila. Sabe lá quem o pegou, mas agora ele é a ameaça maior, ele sabe onde se localizar, e as outras únicas pessoas que conseguem isso somos nós, Camille. Me desculpe. – ele disse, segurando os meus braços. – Eu nunca te mataria. Mas... Você não irá ganhar estes Jogos. Quero que fique na floresta, lá tem comida e...
- Você quer que eu... Charlie! – me soltei dele, é realmente ele não era o mesmo.
- Quando a água acabar, beba isto. – ele me entregou uma garrafa térmica com água gelada. – Não queria que fosse assim, mas... Vou tentar voltar antes que você morra de sede, tudo bem? Confie em mim, eu vou matar o outro dono do mapa, e vou trazê-lo para você. Eu só preciso saber de uma coisa, Cami, você confia mesmo em mim?
Engoli em seco. Por um minuto eu achava que ele iria me deixar morrer de sede, mas até que não... Só que ele deixou bem claro que iria “tentar” voltar antes que eu morresse e sede. Tentar não queria dizer conseguir. E se eu morresse antes dele voltar? Mas não era exatamente isso que eu vim fazer nos Jogos? Morrer? Respirei fundo e falei com a voz seca:
- Eu confio, Charlie.
Charlie sorriu e me beijou, molhando minha boca seca e ressecada.
- Não vou voltar a não ser que eu esteja com o mapa. – ele disse com a testa encostada na minha.
- Então o que está esperando? – perguntei, segurando o choro.
- Lembre, é somente seguir reto por este caminho, está no mapa, quando você chegar no Cemitério, saberá que esta na metade do caminho. – me beijou mais uma vez e então virou as costas, sem nada dizer. E partiu. Infelizmente, foi a última vez que eu o via. Afinal, ele não voltou. Não antes que a água acabasse.
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