Your Hunger Games II - Fanfic Interativa
26 Yuri Eaghmaoui
Notas iniciais
Yuri Eaghmaoui
- Por favor, Yuri, fala comigo! – Dasha implorava aos meus pés. Mas eu não disse uma palavra sequer. – Por favor... – sua voz já estava virando choro, e eu nunca quis na minha vida estar no momento em que Dasha chorasse pela primeira vez. Sim, eu sempre estive ao lado dela pra enxugar as suas lágrimas antes mesmo que elas caíssem. Mas agora, eu não poderia consolá-la. Ela teria de encarar tudo com maturidade. Assim como... Uma mulher faz.
Ela deitou a cabeça em meu colo na cadeira de rodas e jogou os braços em volta de minha cintura, e desabou em lágrimas. Me senti o pior irmão do mundo. Tudo bem, eu era somente mais velho por dez minutos por que Dasha havia se enroscado no cordão umbilical e levou um tempo até que retirassem ela viva do útero de nossa mãe. – Yuri... – sua voz foi um sussurro. Não queria ter ouvidos, eu queria que ela tivesse estourado meus tímpanos para que eu não precisasse ouvir aquilo. Suas costas subiam e desciam, e eu até vi o sutiã que ela usava por debaixo da blusa, ou seja, ela estava ofegando demais. Senti-me... Inútil. Sim, eu praticamente nasci pra proteger e cuidar da Dasha. Ela sempre se meteu em encrencas ou brigas, e eu sempre assumia a culpa e sempre a tirava da briga.
- Por favor, Yuri... – sussurrou novamente, retomando o fôlego e me olhando, com aqueles olhos redondos e chorosos, avermelhados e azuis... Senti meu corpo se arrepiar. Ela não podia ser minha irmã. Garanto que, se Dasha não fosse minha irmã de laços de sangue, eu já teria beijado ela. – Não faz isso comigo. – pediu com o bico mais lindo de todos. – Yuri! – ela gritou e me chacoalhou pelos ombros. Abri a boca meio torta, mas... Não dava pra sair nada. Ela esperava, paciente, mas nada. Abaixei o olhar e funguei. – Você não consegue falar comigo, não é! – gritou. – Eu sabia! O Lucca e aquela vadia da Selene falaram que eu atirei a faca por querer, mas não foi assim. Não respondi, como eu poderia responder...? Ela apertou meu joelhou com os dedos, mas eu não reclamei. Ela tinha todo o direito. Eu só queria dizer uma coisa para ela, se pudesse... – Você vai ficar ai, quieto o dia todo? Fala alguma coisa! Você por acaso é mudo? – ela gritou para mim. Levantei a cabeça e assenti. Sua sobrancelha se mexeu incontrolavelmente e ela colocou as mãos na boca, aberta em um grande O. – Não... Não... – sussurrava. Segurei seus cabelos e sorri, queria dizer a ela que estava tudo bem, que não havia problema. Eu não me importava de ser mudo, pra mim, o mais importante, era ter ela bem. Nunca poderia imaginar minha vida sem ter pelo menos uma notícia de Dasha. Ela fungou, recomençando a chorar e a dizer que era tudo culpa dela. Forcei seu queixo e a fiz olhar dentro dos meus olhos, e neguei com a cabeça. – Não é culpa minha? – assenti. – Mas de quem... – Encarei-a. – Sim, é verdade, você tem razão, quando você acordou depois de bater a cabeça estava falando, só depois da Capital ter relado em você que perdeu a fala. Isso... – ela pensou muito até negar com a cabeça. Sorri. – A gente se entende somente com um olhar. – ela se admirou. Eu assenti. – Isso me reconforta, sabia? – e sorriu para mim. Como eu amava aquele sorriso risonho...
Mas logo ela recomeçou com aquilo. — Me desculpa! — pediu com a voz manhosa. Sorri. Eu não tinha que perdoá-la, ela era quem tinha de me perdoar, afinal eu havia abandonado ela durante o desfile. Irmãos nunca fazem isso.
Queria perguntar a ela como foi o desfile e o que ela havia vestido, mas acho que ela leu minha mente e me poupou do esforço de simbolizar. — Quer ver o vestido que eu usei? — perguntou limpando as lágrimas dos cantos dos olhos.
Assenti abrindo ainda mais o sorrido. Ela também aumentou o seu e se levantou, entrando no banheiro. Demorou muito, e eu decidi ver a TV, que deixava o tempo passar muito mais rápido por mim. E o que estava passando? A grande febre da Capital, o que enlouquece os loucos: "Canoas do Distrito 4"! Como se isso fosse algo muito legal. Para mim era um lixo. Estava no 243º capítulo da quarta temporada. Marina foi resgatada por Perci que era um terrorista que acabou se apaixonando por uma frágil camponesa do Distrito 4. Ela era uma orfã, e queria viajar pelo oceano inteiro. E ai desenrolou um monte de coisas, parece que esse tal de Perci era casado, e a Marina era comprometida, e muitas outras coisas banais que eu não consegui entender por não havia visto os outros 242 capítulos passados. Mas era a verdadeira sensação na Capital.
- Yuri... — a voz calma e ansiosa de Dasha chamou pelo meu nome.
Ela estava... Deslumbrante e... Muito sexy.
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