Notas iniciais
Vamos finalmente saber o que está acontecendo com Sam e Art! Bem, eu queria chamar a atenção de todos para uma coisa: Estou perdendo leitores. O que é uma coisa muito triste. Queria saber o que estou fazendo de errado. Mas tenham certeza que estou lutando para postar todos os dias!E Shiku, cade você?

Samantha Christopper

Clocks — Coldplay

Já faziam dois dias que Artur não me olhava nos olhos. Isso me machucava profundamente. Não sei o que era, mas um vazio era visível e tocável dentro de mim.

Me desculpe. Deve estar querendo saber o que houve desde o meu fim à dois dias atrás.

- Vai se fuder! — falei alto o bastante para qualquer câmera por perto conseguisse ouvir. E infelizmente, Artur também ouviu.

- Você disse o que?

Pronto. Eu havia morrido. Mas só continuei virada de costas para ele e não respondi. Senti que algo estava prestes a me acontecer. Mas não acontecia. Quando a escuridão já entrava em nosso tronco oco, Artur se deitou pesadamente e adormeceu quase imediatamente. Mas eu não conseguia. Não conseguia imaginar por que ele havia parado o beijo. Havia sido tão bom e tão puro. Eu não havia feito nada para beijá-lo. Só agi como eu mesma. Sem sensualidade e nem nada disso. As vezes eu queria não ter o meu rosto.

Pela manhã, Artur já havia ido colher frutas. O que me fez pensar em que talvez quisesse ajuda para trazer novamente para nosso tronco. Sai de dentro dele e estiquei as pernas, após descer pela árvore. Só ai notei o quanto de tempo havia ficado sem fazer exercícios físicos. Olhei em volta. Artur não estava visível. Talvez tivesse ido para norte. Foi por onde eu fui. Normalmente eu nao fico observando o ambiente logo pela manhã. Mas os flocos de neve estavam se formando. E eu notei que logo, logo estaríamos embaixo de neve grossa.

Muito pelo contrário da neve, eu não notei Artur. Ele estava fazendo uma espécie de levantamento com pedras. Corria em volta de árvores e atirava facas em coelhos já mortos colocados como alvos. Fiquei atrás das árvores só observando. Aquilo era a visão de um deus. Peito nu, bermudas enxarcadas de suor, respiração pesada pelo frio, mas suor escorrendo pelo pescoço. Determinação nos olhos e raiva na boca. Boca. Ah, como eu daria tudo para tocar aquela boca de novo...

- Bravo! — gritei e sai de trás das árvores.

Artur estava zonzo, acho que por causa de ter começado a se exercitar enquanto ainda estava acostumado com uma vida fácil. Ele ergueu uma sobrancelha e logo enxugou o suor do rosto com o braço. Pegou sua camisetam e limpou seu peitoral e o pescoço. Como se eu fosse de alguma maneira me importar com suor!

- Samantha? — ele falou estreitando os olhos — O que você está...?

- Eu só vim procurar meu parceiro de Jogos. Afinal ele saiu sem avisar e me deixou muito preocupada.

- Ah, cale a boca! — ele serrou os dentes — Você acha que eu não posso me cuidar sozinho, não?! Pois eu vou te mostrar uma coisa. É muita sorte sua ainda estar viva.

Suspirei. Talvez ele estivesse certo. Talvez eu já devesse ter morrido. Mas morrido não ali. Morrido em meu Distrito. Junto com minha mãe. Eu daria tudo por isso. Mas eu não teria conhecido Artur, e a pessoa maravilhosamente cruel e hostil que ele é.

- Você não viveria sem minha pessoa por perto. — cruzei os braços. Não queria começar uma discussão, mas se fosse preciso para abrir os olhos dele de que eu sou a garota ideal para a pessoa dele e que nós iremos ser muito felizes juntos se ele entender isso...

Ele não encarou na brincadeira. Veio até mim andando pesadamente e me colocou contra o tronco da árvore em que estava me escondendo minutos antes.

- Cala essa tua boca, Samantha Christopper. Ou seu sobrenome vai morrer junto com você.

Seu dedo em minha garganta, bem no tubo de ar, me sufocava. Tinha certeza que ele não me mataria. Só iria ameaçar. Mas estava começando a doer. Quando ele me soltou, cai ajoelhada e com as mãos no pescoço. Tentando sugar todo o ar do mundo. Voltei para nosso tronco. Não queria correr o risco de ser morta por causa da minha língua solta.

No tronco, me deitei e comecei a dar chilique.

- O que você está pensando, Samantha Christopper, que um garoto todo suado e moreno da cor do pecado poderia se apaixonar por uma branquelinha e loirinha como eu? Com certeza ele deve ter uma namorada em seu Distrito. Ela deve ser moreninha como ele. Ah, que droga! — falei comigo mesma. — Como eu me odeio! Talvez fugir não seja má idéia... — Mas logo pensei comigo, não, fugie é, com certeza, uma má idéia!

Não adiantava. No outro dia Artur nem queria me ver. Acordou mas sedo ainda e partiu para o nada. Quando acordei, ele já não estava mais lá. No almoço, não voltou. A tarde, fiquei sozinha no tronco me perguntando quando foi que eu havia ficado tão doida e obsecada por homens, os mesmos que haviam feito minha vida um inferno.

No final da tarde, ele voltou. E eu já havia tido tempo de sobra para pensar. E assimilar que sim, Artur também me amava, como eu amav-... Gostava dele.

Subiu em cima do "telhado" de nosso tronco. Também subi. Ele estava sentado e afiando sua faca.l Quando me sentei a sua frente, acho que suspirou profundamente e desejou que eu nunca houvesse nascido.

- Então, meu amor... — comecei.

Ele ergueu um olho e me observou de cima a baixo. Mas continuou afiando sua faca, como se eu não fosse nada a menos que um passarinhos contando notas desafinadas.

- Como foi sua caçada. Conseguiu algum animal para o nosso jantar.

- Sam, o que você quer? — ele se zangou e colocou a faca de lado. O que era um pergido, pois Artur nunca parava de afiar sua faca por um motivo que aparentemente era eu.

- Artur, admite logo!

- Admitir o que? Que foi péssima escolha ter te salvado no começo dos Jogos. Sim, foi uma má idéia.

- Você não quis minha ajuda de verdade. Tinha outro motivo para você querer eu junto com você! — eu queria que isso tivesse saído como uma pergunta, mas foi mais uma afirmação.

Ele nada respondeu.

- Você é um fraco, Artur! Um fraco! Não é um homem de verdade! — mas isso não o atingiu — Tenho dó da sua mãe. Por ter morrido achando que teria um filho de dar orgulho em mãos.

Artur foi tão rápido, que só consegui notar eu saindo do chão. Ele me agarrou pelo pescoço com a mão direita, e aportou-o até eu ficar roxa. Estava me segurando em um precipício. Se me soltasse, e cairia de cima de nossa árvore e morreria no chão. O ar já era minha maior falta. Maior até a que eu já sentia por dentro. Meus olhs começaram a revirar e a ficarem quentes. Lárgimas de sangue saíam deles. Meu rosto inteiro fervia em febre. Mas Artur ainda conseguia encontrar algum jeito de me enforcar mais. Minhas mãos, tremulas e formigando, tentavam em vão tirar suas mãos de meu pescoço. Artur era muito, muito mais forte que eu. Era quase uma piada me comparar a ele. Meus braços já perdiam a força. Não sentia mais meus pés, como se estivessem inchados e não pudesse mais servir para nada. Tinha certeza que iria morrer. MInhas lágrimasde sangua já desciam minhas bochechas, minha boca, meu queixo e iam para as mãos de Artur.

- Art... — falei num sussurro se vida ou força — Você n-não... consegue m-me m-matar...

- Duvida?! — ele gritou.

Não sei como ele ainda tinha mais força para me apertar ainda mais. Meu coração estava a mil. Minha cabeça doía muito, e o sangue pulsava dentro dela. Meu corpo todos estava inchando. E eu senti a falta de sangue no cérebro. De pouco em pouco, eu ia morrendo.

º º º

- Art... Por f-favor... — minha voz já não era a minha. Era meu próprio pulmão falando em meu lugar.

Ela gritou. E eu senti que havia morrido ali. Senti sua mãos afrouxar . E meu corpo desmaiar. EU estava caindo em queda livre. Sabia que não sobreviveria. Mas então minha cabeça parou de rodar e vi Artur me colocando deitada na grama.

- Corre! E nunca, NUNCA mais volte para cá. Está me ouvindo? Nunca mais!

E assim, eu corri. Corri mesmo sentindo meu corpo inteiro se dobrando de dor e de energia esgotada. Mas continuei a correr. Bati em uma árvore e o gelo caiu em cima de mim. Me enterrando. Quando acordei, percebi que não era a única que havia fugido por causa de um homem.

Notas finais
Reviws?