Notas iniciais
Gente... se preparem... é sério, eu chorei escrevendo e ouvindo as músicas desse capítulo...

Mya Kitten

Não é Normal — NXZero

O Grego já havia feito várias perguntas a todos os Tributos, menos para mim. Me senti meio excluída e inofensiva. Eu era a única nesses Jogos com doze anos. E isso era muito chato! Ele havia terminado de fazer uma pergunta a garota do Distrito 5, quando se virou e me encarou.

- Mya Kitten, conte-me, quem estava te assistindo a alguns segundos atrás na sua casa.

- Minha irmã e meu irmão.

- Certo. E... você sente falta deles?

- Não.

- E por que não?

- Por que eles nunca foram muito presentes...

- Hum, eu entendo, fui abandonado pelo meu pai... Bom, você vai ganhar esses Jogos e mostrar que é mais importante que eles!

- Não vou não... – falei olhando o chão.

- Ora, então ganhe os Jogos para o garoto que você gosta!

- Também não vai dar certo...

- Mas por que não?

- Ele está aqui, comigo. – falei ainda mais triste.

O Grego encarou meu colega de Distrito e sorriu.

- Ora, que meigo, ela gosta do mais velho...

- Não, eu não gosto dele, está louco?! – quase enfartei depois disso.

- E de quem você está falando?

Engoli em seco, não queria continuar com aquilo. Não mesmo! Estava sendo humilhada demais, e se eu contasse que era apaixonada pelo ruivo... iriam perguntar como eu o conhecia, e se soubessem que eu sai de meu Distritopara ir até o dele, iriam cortar minha língua.

Peguei uma carta debaixo de meu vestido, e andei até o Grego, meu conselheiro havia mandado eu fazer exatamente aquilo, e assim eu seria ajudada pelos Patrocinadores por ser a garotinha indefesa e apaixonada. Só a única verdade era a parte da apaixonada.

O Grego leu a carta e se virou em direção a cadeira dos Tributos do Distrito 3. Ele sorriu e começou a rir de nós dois. Olhei para o ruivo, ele estava corado. Eu estava humilhando ele.

- Cara Gatuna, — o Grego começou a ler e quando terminou, todos os Tributos olhavam para Louie, que eu melhor chamo de Ruivo.

Ele estava mais vermelho do que nunca, mais trêmulo do que nunca e mais Ruivo do que nunca. Saiu correndo de lá e foi para os bastidores. Todos voltaram os olhares para mim. Meus olhos começaram a marejar e eu sai correndo também. Enquanto corria enxugando as lágrimas, direto para o lugar mais escuro e solitário que poderia ver dei de frente com alguém.

- D-desculpe... – falei indo para outra direção.

Mas a pessoa segurou meu braço.

- Gatuna... – ele falou. O Ruivo. – Aquilo... Era verdade?

- A-a-aquilo o que?

- Que você gosta d-de mim?

Engasguei-me nas palavras. Estávamos sozinhos, ninguém estava lá para nos ver, eu poderia confiar nele, poderia contar a ele, ou poderia deixar em segredo, o que seria menos perigoso.

- S-sim. – respondi com a voz uma oitava acima do que a normal.

Ele ficou em silencio. O lugar onde estávamos era extremamente escuro, e nem mesmo o cabelo ruivo dele eu conseguia ver. Só percebi depois de muito tempo, que sua mão ainda apertava fortemente meu braço.

- Está machucando... – falei.

Ele soltou meu braço e tateou o meu corpo até achar meu rosto. De repente ele era muito mais alto que eu, e parecia estar muito mais perto do que eu me lembrava. Passou os dedos em meus lábios e encostou sua testa na minha.

Cartas Pra Você — NXZero

- Somos eu e você agora, Gatuna, eu e você.- suas palavras foram penetrantes e me fizeram arrepiar. Mas isso era só o começo.

- você acha que vão me matar? – perguntei.

- Não, eu não deixo.

- Mas você é... só você. Eles são a Capital...

- Eu tenho uma arma, não?

- S-sim...

- E eu não vou deixar relarem a mão em você. Me ouviu?

- Uhum... – comecei a chorar mais.

- Não, não, Gatuna... – ele me abraçou mas eu não queria estragar sua linda roupa com meu ranho. – Não chore...

- Você vai morrer, eu vou morrer... eu não quero... – falei.

- Nós vamos para o mesmo lugar depois disso, e vai ser o nosso mundo. Só nós dois, num lugar cheio de biscoitos para você roubar e... você vai estar lá... – ele falou, percebi que estava segurando as lágrimas.

- Por que estamos chorando? – perguntei olhando para seus olhos.

- Por que... a gente se ama?

- Você me ama?

- Eu te amo?

- Pare de me repetir!

- Eu repetindo você?

- Mas...

- Ah, desculpe, eu faço coisas estranhas quando fico nervoso...

Soltei um riso pelo nariz, mas ele logo sumiu no ar. As lágrimas já haviam acabado e eu estava encolhida num canto. O ruivo estava deitado, com a cabeça em meu colo. Estávamos conversando sobre coisas sem nexo, contando sobre nossa vida, e como eram os dias que em que eu ia roubar sua casa. Ele disse que leu minha carta e também trouxe para os Jogos. E que lê todos os dias para se lembrar de sua vida. Mesmo que na carta só tenha coisas sobre mim.

- Será que as entrevistas já acabaram? – ele me perguntou.

- Não sei... e se ainda estiverem nos procurando?

- Vamos ficar aqui até nos achar.

- Sim... – sorri.

- Promete que nos Jogos você vai correr pro mesmo lugar que eu for. Vamos ficar juntos.

- Sim. Eu acho que conheço esconderijos bons e...

- A gente vai roubar. Você vai roubar, e eu vou matar as pessoas que quiserem relar em você.

- Sim... – ri mais uma vez.

Era tão bom ficar com ele. Era tão bom ficar do seu lado que eu nem sentia o tempo passar. Eu só queria ficar lá, e conversar com ele. Rir de coisas bobas e pensar em como minha vida seria muito chata se eu não roubasse sua casa. Eu não conseguia lembrar de minha vida, não conseguia lembrar dos Jogos, não conseguia lembrar do meu nome enquanto estava com ele. Só ficava pensando... Em nada. E em tudo, ao mesmo tempo. Eu não queria voltar. Queria ficar com ele lá no escuro para sempre. Comecei a rir de algo idiota que ele havia me contado quando uma luz tomou conta de tudo. Demorei a me acostumar com ela. Haviam dois guardas na porta. E um deles estava com uma arma de choque.

- Ruivo... – falei quase em silêncio.

Acho que ele não ouviu. Os guardas olharam um para o outro e depois... nada. Apagaram a luz novamente e fecharam a porta. Não entendi muito bem, mas continuei a enroscar meus dedos nos cabelos ruivos do Ruivo.

- Não acha que precisemos voltar? – ele perguntou.

- Sim... Infelizmente.

- Sim. – ele concordou.

Ficamos nos encarando por tanto tempo que não percebi minha cabeça se inclinando na direção dos lábios do Ruivo que estava em meu colo. Sua mão subiu meu rosto e segurou-a, me apressando em abaixar e... não tenho palavras para dizer o que senti. Nossos lábios se tocaram e se encaixaram perfeitamente. Eu não sei. Só... ah, não sei. Não sei o que penso, não sei de nada mais. Não sei quem sou, não sei quem devo ser, só sei que eu preciso dele. E que preciso eternamente. Não sabia o quanto queria fazer aquilo. Sei que ficamos muitos minutos daquele jeito. Meu pescoço até doeu. Mas era... ah, não sei também o que era. Só sei que nada sei.

Soltamos nossos lábios e o segundo beijo foi um pouco mais com vontade. E acho que fizemos um erro de cálculo, pois nossos dentes foram um de impacto com o outro.

Quando saímos da salinha, todos os produtores de maquiagem e estilistas nos olhavam com uma cara de “Eu sei o que houve lá!”. Era estranho. Senti-me a pessoa mais feliz e mais exposta do mundo. Principalmente por que o Ruivo segurava minha mão e não dava indícios de que fosse soltá-la facilmente.

Só sei agora, que se eu morrer, vou para o mundo do Ruivo. E eu nem me importo mais se vou ou não morrer, só me importo com o quanto mais de tempo vou ter com ele.

Notas finais
Gente... tem coisa mais linda que isso? Olha, não vou falar mais nada... só... mandem um reviw e me façam feliz...