Notas iniciais
Mais um capítulo! Teremos mais e muito mais capítulo hoje! Aguardem e fiquem atentos!

Mya Kitten

Fiquei pensando por um bom tempo como responder aquela carta. Nem percebi como o sol estava se pondo rapidamente.

Sai correndo ignorando os galhos finos dos arbustos que riscavam cicatrizes em meu rosto.

Cheguei a beira do rio e saltei nele. Nadei até a muralha e passei por baixo das grades.

Ninguém estava nos rios, já havia começado!

Mesmo molhada, corri até a prefeitura. Na frente do prédio estava um telão, lá, passava um filme sobre a destruição do distrito 13 e a rebelião de nosso povo que deu origem aos Jogos Vorazes. Ufa! Ainda não havia começado! Gabe Hitmeeir estava lá. O homem que representa o distrito 1 na Capital. Era sempre ele que vinha aqui, sortear os nomes dos tributos dos anos passados.

– Olá cidadãos do distrito 1! — ele falou ao microfone. — Como vão esses diamantes? — ele sorriu. Na maioria das vezes, ele é um cara legal. — Tomem cuidado quando produzirem a privada sanitária de rubi para a Capital. — alguns começaram a rir. Gabe é contra a Capital, como nós, e adora fazer piada com a cara deles. — Pois a bosta que eles estão fazendo necessita ser despejada no pobre esforço desse forte povo! — todos gritaram, concordando. E Gabe sorriu para nós. — Bom, vocês devem se perguntar por que aqueles nojentos da Capital me mandaram visitar algum lugar que preste, afinal. Bom, que a Colheita veio mais cedo hoje... Crianças, filas. — todos ficaram em silencio. — Eu sei, eu sei, vocês devem me odiar por estar contando isso. Mas é a Capital. Afinal eles são a CAPITAL. — ele deu ênfase na Capital.

A prefeita Gill Jiner se levantou de sua cadeira e começou a citar o longo discurso de sempre. O que ela usa para quando os Jogos vão começar. Na colheita. Depois dela terminar o exaustivo texto, se sentou e deu lugar há Gabe continuar.

– Bem, meus queridos amigos do distrito 1, vou ter que sortear agora... Ah, e dois Tributos podem ganhar os Jogos desse ano, então, tenham fé!Podem-se fazer alianças entre outros distritos. É permitido qualquer tipo de morte, até mesmo comer os seus... Adversários. — Gabe fez uma cara de nojo. — As outras regras serão as mesmas. Se um tributo do distrito 1 fizer uma aliança com o tributo no distrito 2, por exemplo, e se eles ficarem vivos até o final, serão vencedores. Não terá mais mortes até restar somente um tributo, a não ser que os últimos tributos forem adversários.

Alguém subiu ao palco improvisado e se sentou na cadeira ao lado de Gill.

– Atrasada como sempre. — suspira Gabe.

– Desculpe, Gabe. — a garota pede.

Ela havia ganhado os Jogos dois anos atrás. Era uma jovem de cabelos louros e cacheados, olhos verdes igual ao mar da Capital. Ela sempre se atrasa nas reuniões. Seu nome era Rubi Castellan. Um dos nomes mais comuns aqui no meu distrito. Eu odeio esses nomes! Rubi, Cristal, Diamante...! Pais sem criatividade!
Pelo contrário, meu nome tem um porquê. Mya. Minha mãe me deu esse nome pois quando eu era um bebe, em vez de fazer Gugu dada, eu produzia um som do fundo da garganta que parecia um miado de gato. E desde então, sou conhecida assim, Mya, a garota miadora.

E agora, a garota Gatuna.

– Rubi. — chamou Gabe.

Rubi foi até o microfone dar a última palavra de todas as reuniões da Capital. Sempre a mesma frase. O mesmo tom. O mesmo erguer e abaixar de voz.

– E que a sorte, esteja sempre a seu favor. — ela piscou para nós e os meninos suspiraram. Ela é realmente bonita. Todas as moças de meu distrito são. Menos eu.
E com isso, Gabe foi andando até as urnas com os nomes das meninas. Acho que as coisas estavam um tanto bagunçadas, pois as crianças estavam em todos os lugares, e todos faziam correria, como se fosse algo muito importante.

Gabe sorriu para nós e retirou um papel da urna.

- Mya Kitten! – falou sorrindo para todas as meninas.

Minhas pernas começaram a tremer. Tudo estava acontecendo tão rápido... Tudo... Tudo... e...

º º º

Acordei nos braços de minha irmã. Eu havia desmaiado. Sebastian andava de um lado para o outro enquanto Taty chorava em silêncio. Eu me sentei em seu colo e olhei em seus olhos. Seus lábios tremeram e ela soltou alguns ruídos de choro. Segurei seu rosto com as duas mãos e olhei dentro de seus olhos, novamente.

- Não se preoculpe, eu vou voltar. – falei. – Sei me esconder onde ninguém irá me achar. – garanti.

Taty não agüentou e chorou abertamente. Até alguns guardas entrarem, e meu irmão forçar Taty a ir embora junto com eles. Gabe entrou na sala e se sentou ao meu lado do chão. Fiquei brincando com uma mecha de meu cabelo, quando faço isso é por que estou nervosa, com medo e estou triste. Ele pegou uma mão minha e colocou em sua da sua. Minha mão era muito pequena.

- Você ainda tem muito o que crescer. – falou. – Você me lembra... Minha filha. Não vou deixar que matem você.

Assenti. Não sei se eu deveria chorar. Não sei se deveria ficar quieta, ou falar. Só sei que as lágrimas não vinham, e as palavras não saiam. E eu deitei em seu colo, fechando os olhos, e implorando nunca mais acordar.

º º º

Quando acordei, senti uma forte sensação de náuseas. Me sentei na cama. Espere, como eu vim parar aqui? Olhei pela janela, corríamos a mais de um zilhão de quilômetros por hora. Rubi entrou no quarto, e se sentou na cama.

- Dormiu bem, pequenina? – perguntou.

- Não me chame assim. – pedi.

- Então como eu te chamo?

- Mya. Ou gatinha. – falei sem malícia.

- Gatinha?!

- Sim, eu sei imitar um gato certinho. – respirei fundo. – Miaauuh!

- Não é que parece mesmo? Mya, a garota Gata. Gostei. Beijos, baixinha, vou lá ver como o outro Tributo está...

- Outro Tributo?

- Sim, ou pensou que veio para cá sozinha? – sorriu, e antes de fechar a porta, se virou – E ele é um gatinho!

Ri e ouvi ela rir também do lado de fora. Entendeu a ironia? Eu, garota miadora, ele, maior gato... AH, gente sem cultura! Tá, não sei o que é cultura. Mas...

Ouvi um barulho e Gabe entrou no meu quarto exasperado.

- Oi pequenininha!

- Ahh, não me chama assim!

- Desculpa, Mya, querem falar com você.

Segui Gabe e ele me levou até um vagão onde tinham mesas e uma mesa recheada de comida. Lá estavam sentados a prefeita Gil e Rubi. Gabe se sentou lá, e eu fiz o mesmo.

- Tem certeza que querem mandar ela? – Gil perguntou a Rubi e Gabe. – Ela é só uma criança! Podemos reivindicar alguma outra garota. Talvez de 18 anos. Mas...

- Eu vou. – falei.

- O que eu quero dizer, é o que vão pensar de nós, se mandarmos ela para lá! – insistiu a prefeita, sem me notar.

- Mas eu quero ir. – falei novamente. Ninguém me notava.

- Eles vão achar que somos tiranos de mandar uma menina de nove anos para lá!

- EU TENHO DOZE ANOS, OBRIGADA! EM SEGUNDO LUGAR: EU QUERO IR PARA OS JOGOS. Em terceiro... Eu não sou uma criança. Sou a maior ladra do Distrito 3. E eu já matei um homem.

Notas finais
Alguma anotação sobre a narrativa?