Notas iniciais
Vou postar um atrás do outro!

Ivanny Justice

Linkin Park — Numb

O garoto do Distrito 4 sorriu e desapareceu na floresta. A menina estava carbonizada. Me sentei aos pés da árvore que subira e comecei a assimilar o que tinha acabado de ver. Ele havia atiado fogo nela. Tão indefesa... do que mais ele seria capaz?

Ouvi um barulho de entre os arbustos e notei que já amanhecia. Eu havia visto a menina morrer a noite inteira.

Uma outra garota, com o número 7 na roupa saiu dos arbustos com uma faca de caça, que ela achou que poderia acabar comigo. Por puro reflexo, coloquei a flecha no arco (de mal jeito) e atirei, a flecha não a atingiu, e a corda do arco escapou dele e bateu com tudo no meu braço.

- HAHA, você acha que vai me matar com um arco quebrado? – ela riu.

Me levantei e arranquei o outro lado da corda ainda preso. Tirei a aljava das costas e segurei firme em meu arco. Se ela acha que as pontas dele são tão afiadas e pontudas para só servirem como enfeite, ela está enganada.

- Hum... acho que sim. – respondi olhando-a com um olhar mortal.

Ela percebeu que eu não estava de brincadeira e investiu contra mim. Desviei de seu ataque abaixando-me e bati com o arco e suas costas. Ela recuou e me olhou com ar de indignação.

- me bater com uma vara, mesmo? – perguntou vindo me matar novamente.

Bati em sua faca e a mandei longe, fazendo-a fincar na árvore mais próxima. E girei o arco no ar, deixando-o com mais velocidade e fazendo o ar vir em meu favor, e batendo da menina com o maior impacto possível. Ela deu três passos para trás até cair. Andei até sua frente e ergui o arco.

- Então é assim? Vai me matar desse jeito? Sem eu poder me defender?

- Vou.

- Não! Espera, que tal uma aliança.

- Eu não faço aliança com ninguém! – falei abaixando o arco em sua direção e vendo seus olhos castanhos claros sumirem em sua face morta.

º º º

Meus pés doíam de tanto andar. Algo estava errado. Não via nenhum Tributo. Ouvi o barulho de água, e andei seguindo minha audição. Logo encontrei uma nascente. Bebi muita água e lavei minhas mãos, sujas de ter aberto um esquilo e comido ele cru.

- Ainda bem que não é Vânia que está aqui. – falei para mim mesma.

Então me lembrei de minha amiga. De minha vida, um tanto boa, com a família dela. E como eu nunca mais os veria. Pensei em Melinda. E como minha irmã deveria agir se aquele fosse o seu ano nos Jogos. Perdi a noção de que ali era um lugar muito perigoso, pois atrairia muitas pessoas, e comecei a limpar-me por inteira. Tirei a jaqueta e limpei meus braços, que estavam sujos por ter dormido em uma árvore. Pensei em entrar na água, mas aquilo seria muito vulnerável. Então pensei comigo mesma “Esse vai ser o meu lugar” e sorri “E ninguém vai entrar nele” e pensando isso, pulei na água.

º º º

Colhi muitas frutas das árvores que tinham ao redor da minha nascente. Que apelidei de Mora. Mora era muito bonita e cristalina. E tinha uma água muito gostosa e pura. Os peixes eram visíveis, e o fundo era imenso e cheio de corais coloridos. Mora seria minha moradia.

Resolvi fazer uma rede com a corda e minha jaqueta e minha calça extra (eu estava com um short por baixo, por precaução) e os amarrei na árvore mais alta de lá. Onde eu poderia ver tudo, e comandar tudo. Não demorou muito até um lindo veado vir beber água de Mora. Armei meu arco e atirei nele. A corda estava perfeitamente colocada.

º º º

Eu não queria fazer fogueiras, para não chamar a atenção e alguém achar a minha fonte, então, comi metade do veado cru mesmo. A carne era azeda e ele deveria estar doente, pois não estava com um gosto bom. Mas eu não podia reclamar. Não havia nada alem daquilo.

º º º

O hino da Capital começou. Era o segundo dia indo embora. Eu ainda estava viva. O que era um milagre. A insígnia da Capital pairou no céu e a foto da Tributa do Distrito 7 e o garoto do Distrito 7 apareceram. Os dois haviam morrido hoje. Talvez a menina queria se vingar da morte do rapaz de sue Distrito e por isso me atacou só com uma faca, mas que ela havia sido muito burra, isso havia.

Não sei por que, mas eu estava torcendo para foto de Leo não aparecer lá, e não apareceu. Suspirei após o fim daquele mini espetáculo e me perguntei por que havia me importado com a vida dele. Afinal, eu tenho que me importar com o cara do meu Distrito, que está por ai, andando pela floresta, sem rumo.

º º º

O céu amanheceu nublado. E o vento dizia que logo iria chover.

Desci de minha rede e comi o resto do veado. Bom, o que havia restado, pois as pragas acabaram com ele durante a noite. Fiz uma marca em cinco árvores após sair de perto de minha fonte, para que eu não me perdesse. Comecei a vagar por ai, procurando uma caça ou um Tributo por quem eu poderia desafiar. E logo achei.

Era um ruivo, que colhia gravetos pequenos e carregava um revólver no bolso. Coloquei a flecha no arco e estiquei a corda dele. O ruivo estava bem na minha mira. Quando uma menininha gritou.

- Ruivo! – e me assustou.

Ainda estava com o arco armado e pronto, iria atirar nos dois, quando um cara mais velho que eles e mais alto, loiro, saiu das árvores e olhou para eles espantados.

- Mya, você gritou... – ele me olhou com um olhar de espanto.

Meu cérebro me mandava atirar neles todos, já que eu teria chances, pois sou rápida no arco e flecha, mas minhas moléculas gritavam “Não!”. Cada músculo do meu corpo travou. E minha respiração acelerou. Uma gota de suor desceu minha testa. Todos estavam petrificados.

- Ivy... – o loiro falou como se não acreditasse que eu estava mirando a flecha na direção de Mya.

Eu gostaria de matá-la, sim. Gostaria de fazer isso com ela e com o seu namoradinho! Aquela garotinha não me enganava não. Não sei. Mas eu sentia uma raiva e inveja tremenda dela. Aquela garotinha tão pequena não podia ser melhor que eu em tudo! Era melhor com os garotos, era mais bonita, era amiga do Leo...! Ahhhh! Senti meu rosto quente e só lembro de ter saído correndo o mais rápido que pudi. E ter dado de frente com uma árvore que não estava lá antes...

Notas finais
AHh! A Ivy está começando a admitir que tá xonada no Leo! HAHA, Amó! Até mais, Tributos!